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<channel><title><![CDATA[Raistapartisse - Raistapartisse]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse]]></link><description><![CDATA[Raistapartisse]]></description><pubDate>Mon, 01 Apr 2024 13:37:22 -0700</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[O centralismo dos crápulas versus Lisboa como bode expiatório agregador]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/o-centralismo-dos-crapulas-versus-lisboa-como-bode-expiatorio-agregador]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/o-centralismo-dos-crapulas-versus-lisboa-como-bode-expiatorio-agregador#comments]]></comments><pubDate>Tue, 26 Jul 2022 13:40:16 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/o-centralismo-dos-crapulas-versus-lisboa-como-bode-expiatorio-agregador</guid><description><![CDATA[              T&atilde;o sazonal como a ocorr&ecirc;ncia de inc&ecirc;ndios florestais, &eacute; a regular e intermitente demonstra&ccedil;&atilde;o de falta de car&aacute;cter daqueles que se dedicando &agrave; pol&iacute;tica, se dedicam tamb&eacute;m a lucrar com a terra queimada.&nbsp;J&aacute; n&atilde;o bastava a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o de um regionalismo &agrave; Pedroto, de d&eacute;cadas de bo&ccedil;alidade de Alberto Jo&atilde;o Jardim, dos casos falhados de Fernando Gomes, N [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/ndice_orig.jpg" alt="Picture" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/GrMkst6qeX8?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="paragraph">T&atilde;o sazonal como a ocorr&ecirc;ncia de inc&ecirc;ndios florestais, &eacute; a regular e intermitente demonstra&ccedil;&atilde;o de falta de car&aacute;cter daqueles que se dedicando &agrave; pol&iacute;tica, se dedicam tamb&eacute;m a lucrar com a terra queimada.<br />&nbsp;<br />J&aacute; n&atilde;o bastava a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o de um regionalismo &agrave; Pedroto, de d&eacute;cadas de bo&ccedil;alidade de Alberto Jo&atilde;o Jardim, dos casos falhados de Fernando Gomes, Nuno Cardoso, ou agora de Rui Moreira, que temos agora dois indiv&iacute;duos a tentar reeditar o mesmo estratagema de sempre, a uni&atilde;o de fileiras contra um inimigo externo, neste caso Lisboa.<br />&nbsp;<br />Ora, como eu sou lisboeta, e j&aacute; vi este discurso repetido, acho que tenho de ficar chateado. Nem &eacute; por me fazerem de vil&atilde;o, a par dos outros 2 milh&otilde;es que vivem em torno da capital.<br />&Eacute; mesmo pela falta de originalidade e pela falta de considera&ccedil;&atilde;o para com o p&uacute;blico-alvo das invectivas dos separatistas incendi&aacute;rios.<br />&nbsp;<br />Qualquer vitimiza&ccedil;&atilde;o &eacute; um assumir de inferioridade em rela&ccedil;&atilde;o a outro ou a uma situa&ccedil;&atilde;o.<br />Se bem que o calhorda incendi&aacute;rio diga que n&atilde;o ofende os lisboetas <em>per se </em>mas o &oacute;rg&atilde;o de soberania nacional, o Parlamento, ofende sempre que usa a express&atilde;o &lsquo;Lisboa&rsquo;, reduzindo-a a um &oacute;rg&atilde;o de soberania da mesma maneira em que um trolha reduz o ente humano feminino a um par de mamas, num qualquer piropo criminalizado.<br />&nbsp;<br />Mas deve-se ter em conta que no Parlamento n&atilde;o est&atilde;o s&oacute; lisboetas. Ou at&eacute;, que o Presidente da C&acirc;mara Municipal de Lisboa, nem sempre foi lisboeta.<br />Para quem se queixa dos tent&aacute;culos centralistas, imagine-se o que seria se um lisboeta concorresse e ganhasse a presid&ecirc;ncia do Funchal, Ponta Delgada ou Porto.<br />N&atilde;o se pode olhar para estas invectivas separatistas como uma raz&atilde;o real de queixa acerca de um suposto e inescap&aacute;vel poder centralista, dos lisboetas a conspirarem &agrave; noite para roubar as riquezas e privil&eacute;gios de qualquer regi&atilde;o que acha que deve ter mais, ser independente, ou apenas rezingar para manter os cabecilhas no poder, porque as popula&ccedil;&otilde;es se sentem isoladas em rela&ccedil;&atilde;o a outras zonas do pa&iacute;s.<br />O insulto do lisboeta, &eacute; precisamente ser demonizado pelo benef&iacute;cio de outrem, em concreto, do pol&iacute;tico incendi&aacute;rio.<br />Se os 2 milh&otilde;es de lisboetas (compostos em grande parte por milhares de pessoas oriundas de todas as partes do pa&iacute;s) fossem todos judeus, ter&iacute;amos a comunidade internacional a apelar ao fim do anti-semitismo em Portugal. Mas como n&atilde;o s&atilde;o, podemos continuar a ser utilizados por qualquer canalha sem qualquer tipo de pudor &eacute;tico, para encantar os eleitores tal como ratos atr&aacute;s de um instrumento de sopro.<br /></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/ndice_orig.jpg" alt="Picture" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/3NaHaiqc0IU?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/DVqqGEbpILs?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="paragraph">A exist&ecirc;ncia de regi&otilde;es aut&oacute;nomas, para mim, h&aacute; muito que perdeu raz&atilde;o de ser, foram formadas como resguardo de algumas for&ccedil;as pol&iacute;ticas no 25 de Abril de 1974, para o caso de &lsquo;aqui&rsquo; as coisas correrem mal.<br />Os USA na altura, e contra o comunismo, inundaram de meios, os movimentos nacionalistas em ambos os arquip&eacute;lagos, e um dos incendi&aacute;rios chegou a ser presidente da assembleia da Rep&uacute;blica.<br />Nada como um bom tacho para diluir a doen&ccedil;a independentista.<br />&Eacute; uma pena que tenham surgido as liga&ccedil;&otilde;es regulares por via a&eacute;rea, bem como a internet de banda larga.<br />Ambas possibilitam a passagem da capital pol&iacute;tica do pa&iacute;s, para Ponta Delgada ou Funchal. Eu apoio!<br />Mas pergunto, de que se queixar&atilde;o depois os ilh&eacute;us ou os outros independentistas todos?<br />Nenhuma dessas capitais tem as costas t&atilde;o largas como Lisboa.<br />Da mesma Lisboa, bem como de outros portos, de onde saem, desde pelo menos h&aacute; 5 s&eacute;culos, os habitantes de tais locais, a uma hora de avi&atilde;o, nos dias que correm.<br />De que raio se queixam ent&atilde;o os adeptos dos incendi&aacute;rios? Da falta de centros comerciais? Da falta de infra-estruturas culturais e b&aacute;sicas? Eu moro numa freguesia com 45 000 habitantes, em 17,59 km2, o que d&aacute; a m&oacute;dica ideia de 2520 moradores por quil&oacute;metro quadrado.<br />Existem piores, Monte Abra&atilde;o, Amadora, etc.<br />Temos apenas recentemente, um centro de sa&uacute;de, uma esquadra de pol&iacute;cia, e uma piscina de 25 metros para toda esta malta.<br />A freguesia mais populosa da ilha da Madeira &eacute; Santo Ant&oacute;nio, no Funchal, com 27 383 habitantes em 22.17 quil&oacute;metros quadrados, com uma densidade populacional de 1235 habitantes por quil&oacute;metro quadrado.<br />Tem piscinas ol&iacute;mpicas, 2 centros de sa&uacute;de, e um ou dois centros comerciais. Isto se o google maps n&atilde;o me enganou.<br />Esta compara&ccedil;&atilde;o &eacute; b&aacute;sica e sem muita utilidade sen&atilde;o a de tentar mostrar, que a 10 minutos do centro de Lisboa, eu e outros cidad&atilde;os que moramos nesta &aacute;rea geogr&aacute;fica, n&atilde;o possu&iacute;mos sanitas de ouro, como os incendi&aacute;rios da pol&iacute;tica querem fazer entender.<br />A cidade de Ponta Delgada tem 46 102 habitantes, espalhados por 231,9 quil&oacute;metros quadrados (munic&iacute;pio). Tem o centro de sa&uacute;de de Ponta Delgada, um hospital, v&aacute;rios centros m&eacute;dicos e cl&iacute;nicas (maioritariamente privadas) mais de 2 centros comerciais, etc.<br />Este r&aacute;pido e b&aacute;sico exemplo, visa apenas mostrar que em zonas de Lisboa, com maior densidade populacional, estes equipamentos tirados &agrave; sorte, tendem a equivaler-se em quest&otilde;es de quantidade.<br />Se o ilh&eacute;u, exige do continental igualdade de tratamento, &eacute; justo que as 46 000 almas de Ponta Delgada ou as 46 000 almas da cidade do Funchal, tenham mais equipamentos sociais que os 45 000 compatriotas encaixados em 17 quil&oacute;metros quadrados?<br />Mas nem todos os ilh&eacute;us s&atilde;o iguais.<br />Os de Porto Santo queixam-se do centralismo do Funchal, os do Faial, do centralismo de Ponta Delgada.<br />Os vimaranenses queixam-se de ter de ir ao Porto fazer tudo, a malta de Portim&atilde;o de ter de ir a Faro.<br />E todos se queixam de Lisboa. Lisboa enquanto alvo de &oacute;dio regionalista, &eacute; o maior elemento agregador deste pa&iacute;s.<br />A s&eacute;rio, serei o primeiro a assinar uma peti&ccedil;&atilde;o para tornar Ponta Delgada ou o Funchal, como capitais do pa&iacute;s, colonizando assim os continentais com o imperialismo insular.<br />Quanto mais r&aacute;pido isto for feito, mais rapidamente temos de continuar a levar com o bo&ccedil;alismo do centralismo. A mesma merda de espada de D&acirc;mocles que o estado portugu&ecirc;s cobarde, tem desde 1974.<br />J&aacute; enjoa, ou pedem independ&ecirc;ncia, ou calem-se.<br />O que subjaz neste argument&aacute;rio, n&atilde;o &eacute; um pedido de igualdade de tratamento, mas de privil&eacute;gio.<br />Projecta-se na capital aquilo que n&atilde;o se tem ou aquilo que se deseja ter, para justificar uma suposta desigualdade. Martelam-se estudos que evidenciam a mensagem de desigualdade, com fundos pagos pelo or&ccedil;amento comum, portugu&ecirc;s, que todos os anos segue do continente para as ilhas, para justificar a merda da espada separatista, no pr&oacute;prio pesco&ccedil;o do pa&iacute;s.<br />Nos tempos da crise do subprime, dei-me ao trabalho de ver a contribui&ccedil;&atilde;o para o PIB nacional, da Regi&atilde;o Aut&oacute;noma da Madeira, equivalia, na altura a 3%, ou a 3 AutoEuropas.<br />A contribui&ccedil;&atilde;o para a divida portuguesa, em muito suplantava essa percentagem, pois os projectos financiados pela EU, n&atilde;o sendo pagos a 100%, o estado centralista tinha de se chegar &agrave; frente.<br />Foram os saudosos tempos do Alberto Jo&atilde;o a chamar cubanos aos continentais e filhos da puta aos jornalistas.<br />Como foi sempre reeleito, deduzo que os madeirenses concordavam com a mensagem.<br />Sempre que um cr&aacute;pula sente o rabo apertado nas sondagens, tem a certeza de que se usar a carta do centralismo, canaliza os &oacute;dios a seu favor.<br />Lisboa precisa do pa&iacute;s, mas pelos vistos o pa&iacute;s dispensa Lisboa. Proponho alternativamente, que se divida o pa&iacute;s em cidades-estado.<br />Resolve-se o problema de Portugal, seja ele qual for, porque simplesmente se corta a m&atilde;o para acabar com a dor de dedo.<br />Ou isso, ou metam o pre&ccedil;o dos combust&iacute;veis em Lisboa, ao pre&ccedil;o dos pre&ccedil;os na Madeira, que isto de ir buscar todos os meses uma sanita de ouro nova, &eacute; caro. Em gas&oacute;leo.<br />Andamos durante d&eacute;cadas a alimentar este pedit&oacute;rio, a reboque de med&iacute;ocres. Eventualmente chegaremos ao ponto de ter de dividir isto tudo, cada um na sua zona, onde &eacute; rei.<br />&Eacute; melhor, que ter de ouvir esta gente, sem que nenhuma autoridade do estado possa chamar &agrave; responsabilidade, os cr&aacute;pulas. Porque estamos num pa&iacute;s de sacanas governado por bananas.<br />Aberto Jo&atilde;o:<br />"A todos os companheiros da luta pelo povo madeirense, pela democracia e contra o colonialismo, que se encontram na Festa da Autonomia, Herdade do Ch&atilde;o da Lagoa, um grande abra&ccedil;o! Os fascismos n&atilde;o passar&atilde;o! O colonialismo ser&aacute; destru&iacute;do".<br />&nbsp;<br />Bruno Melim, l&iacute;der da JSD Madeira &laquo; "cavalheiros de Lisboa" que nada fizeram, assegura, pela juventude madeirense. E no aviso a "esses" de Lisboa n&atilde;o poupou nas palavras: "a nossa luta vai continuar (...) querem mandar em n&oacute;s a partir de Lisboa e isso nunca vamos deixar".&raquo;<br /><br />Miguel Albuquerque, presidente do governo regional &laquo;Quem manda na Madeira s&atilde;o os madeirenses.(&hellip;) muito bem clarificado (...) de um lado os autonomistas e, do outro, os socialistas ao servi&ccedil;o do centralismo de Lisboa&raquo;<br />A interven&ccedil;&atilde;o terminou com Miguel Albuquerque ao piano a tocar e a entoar o hino da "independ&ecirc;ncia": "Madeira &eacute;s livre e livre ser&aacute;s..."<br />&nbsp;<br /><br />Lu&iacute;s Montenegro &laquo;o PSD n&atilde;o recebe li&ccedil;&otilde;es de ningu&eacute;m em mat&eacute;ria de autonomia(&hellip;)Uma nova Lei de Finan&ccedil;as Regionais com mais transpar&ecirc;ncia (...) n&atilde;o estamos aqui a olhar para aquilo que fizemos, estamos a olhar para aquilo que ainda vamos fazer a bem da Madeira&raquo;<br />&nbsp;<br />P.S.: s&oacute; uma nota para Miguel Albuquerque, quem manda na Madeira, s&atilde;o os portugueses. Nos quais se incluem os madeirenses.<br />Se quer mudar essa situa&ccedil;&atilde;o, pe&ccedil;a a independ&ecirc;ncia, como qualquer outra regi&atilde;o portuguesa teria de fazer.<br />Pe&ccedil;a ou cale-se. Sem conversa fiada.<br />&nbsp;<br />&nbsp;<br />https://www.dn.pt/politica/o-socialismo-colonialista-dos-cavalheiros-de-lisboa-sera-destruido-15044349.html<br />&nbsp;<br /></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/kQ1PBsUvYAA?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/x_SAisedj-o?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/0iEF6v3DpsI?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/vdN9LrTiRN4?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/ZSWphKv8j2M?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/Ujq-vmK5z-Q?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A civilização woke I]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/a-civilizacao-woke-i]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/a-civilizacao-woke-i#comments]]></comments><pubDate>Tue, 23 Mar 2021 11:40:12 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/a-civilizacao-woke-i</guid><description><![CDATA[        					 						 						 						 						 							#wsite-video-container-684944115331200427{ 								background: url(//www.weebly.com/uploads/b/9640897-209360483133120134/45767929_465103654856773_6252459155860879346_n_625.jpg); 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&eacute; um termo afro-americano, que descreve a consci&ecirc;ncia hodierna, de bons costumes e causas sociais, englobando desde os direitos LGBT aos direitos de igualdade entre ra&ccedil;as.<br />Woke ser&aacute;, portanto aquele que &eacute; desperto, para as injusti&ccedil;as deste mundo, por contraposi&ccedil;&atilde;o ao que &lsquo;est&aacute; a sleep&rsquo;, o que configura de forma prim&aacute;ria, a grande diferen&ccedil;a nesta outra varia&ccedil;&atilde;o de dualismo tribal, &lsquo;n&oacute;s vs eles&rsquo;, a saber, a posse de uma consci&ecirc;ncia da realidade ou discurso sobre a realidade, mais v&aacute;lida ou superior aos outros, que obviamente, est&atilde;o a dormir, anestesiados, ou propositadamente anestesiados a este rol de afli&ccedil;&otilde;es na sociedade ocidental, hip&oacute;crita e mal&eacute;fica, para a qual o &uacute;nico ant&iacute;doto, &eacute; a dissemina&ccedil;&atilde;o wokista.<br /><br /><br />&nbsp;<br />A cr&iacute;tica, no sentido de exame, das bases ideol&oacute;gicas wokistas, &eacute; tripartida, envolve metaf&iacute;sica, epistemologia, e &eacute;tica, tr&ecirc;s grandes regi&otilde;es da Filosofia Ocidental.<br />&nbsp;<br />Metaf&iacute;sica, pois o sentimento woke, baseia-se numa ideia de progresso, entendido como um movimento de um estado mais elementar de justi&ccedil;a social, para um mais pleno da mesma, cuja urg&ecirc;ncia vem da cren&ccedil;a de que no &lsquo;mundo actual&rsquo; n&atilde;o se coaduna com a injusti&ccedil;a e viol&ecirc;ncia das sociedades passadas.<br /><br /><br />N&atilde;o permite, pois, qualquer cr&iacute;tica a esta ideia de evolu&ccedil;&atilde;o ou progresso, ou sequer aquiesce em rela&ccedil;&atilde;o ao facto de que esta civiliza&ccedil;&atilde;o actual, ainda n&atilde;o no ponto, mas em direc&ccedil;&atilde;o a um&nbsp; mundo melhor, est&aacute; constru&iacute;da sobre escombros de sofrimentos passados. Podemos amaldi&ccedil;oar uma civiliza&ccedil;&atilde;o na qual criticamos os frutos mas n&atilde;o o processo de matura&ccedil;&atilde;o? Podemos, mas estaremos a ser hip&oacute;critas, para quem valoriza congru&ecirc;ncia, claro est&aacute;.<br />Nenhum encontro civilizacional, ser&aacute; fraterno e equilibrado, enquanto houver disparidade tecnol&oacute;gica e militar entre ambas as margens. Se no s&eacute;culo XIV tivessem chegado navios africanos ou asi&aacute;ticos, ou americanos (nativos), &agrave; Europa, dificilmente n&atilde;o seriam os europeus hoje, a preocuparem-se com a heran&ccedil;a colonial e esclavagista, pois pura e simplesmente seriam conquistados e subjugados pelo mais forte.<br /><br /><br />Obviamente isto n&atilde;o justifica qualquer viol&ecirc;ncia cometida no passado, presente ou futuro, apenas visa enunciar, que podemos tirar o primata da selva, mas n&atilde;o tiramos a selva do primata.<br /><br /><br />O que nos leva &agrave; quest&atilde;o epistemol&oacute;gica. Achar que uma civiliza&ccedil;&atilde;o &eacute;, no seu todo, algo de mau, e que outra &eacute; eminentemente pac&iacute;fica e livre das tens&otilde;es sociais atribu&iacute;das ao capital, &eacute; uma fantasia. Que o digam as tribos de canibais da Papua Nova Guin&eacute;, ou os amer&iacute;ndios, pois onde existir um humano, vai existir viol&ecirc;ncia, competi&ccedil;&atilde;o intra-espec&iacute;fica, e no caso de evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, depreda&ccedil;&atilde;o dos recursos da biosfera.<br /><br /><br />Basta existir competi&ccedil;&atilde;o sexual num grupo humano, leia-se, competi&ccedil;&atilde;o para legar genes &agrave; gera&ccedil;&atilde;o seguinte, que outros grupos humanos e plantas e animais ir&atilde;o sofrer por isso.<br /><br /><br />Pode-se argumentar que os arautos do wokismo querem reformar e n&atilde;o anular, a chamada civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental, pois sentem-se discriminados dentro dela. O que nos conduz &agrave; quest&atilde;o &eacute;tica.<br /><br /><br />A civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental emerge da competi&ccedil;&atilde;o entre estados europeus e viol&ecirc;ncia inimagin&aacute;vel ao longo de mil&eacute;nios. Desde o destino aos perdedores das guerras na H&eacute;lade, aos romanos, &agrave;s etno-migra&ccedil;&otilde;es n&oacute;rdicas, toda a Europa &eacute; um palco de sangue, vertido essencialmente por europeus. O africano, &eacute; uma entrada tardia neste teatro de competi&ccedil;&atilde;o e conquista proto-capitalista.<br /><br /><br />At&eacute; que ponto &eacute; que o direito de reconhecimento n&atilde;o &eacute; um desejo de emin&ecirc;ncia? At&eacute; que ponto &eacute; que chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a opress&atilde;o do negro sobre a do branco n&atilde;o &eacute; um racismo invertido? N&atilde;o &eacute; assumir que todo o branco tem um suposto privil&eacute;gio sobre todo o preto, um conceito racista? Um branco pobre, tem mais direitos que um preto rico na sociedade ocidental?<br /><br /><br />A mesma coisa em rela&ccedil;&atilde;o aos trans e gays. Um heterossexual, s&oacute; por via da sua prefer&ecirc;ncia sexual, &eacute; automaticamente homof&oacute;bico ou opressor, em virtude dessa prefer&ecirc;ncia?<br /><br /><br />E a quest&atilde;o da teoria de conjuntos? Quando se critica toda a sociedade ocidental, n&atilde;o se engloba esse mesmo branco pobre e heterossexual, que ou s&atilde;o indiferentes ou alheios a essa peleja social?<br /><br /><br />Pois a quest&atilde;o wokista reside aqui, no fundamentalismo de que o indiferente ou alheio, s&atilde;o parte do problema, na mesma medida em que o foram os meros observadores dos gaseados de Auschwitz. A c&eacute;lebre express&atilde;o de que a indiferen&ccedil;a perante o mal &eacute; o pr&oacute;prio mal, serve de combust&iacute;vel ao woker.<br /><br /><br />A sua identifica&ccedil;&atilde;o em termos dualistas, convence-o da rectid&atilde;o das suas cren&ccedil;as, e o outro &eacute; demonizado, de forma tribal, pela n&atilde;o ades&atilde;o ou indiferen&ccedil;a &agrave;s mesmas. Todos os n&atilde;o wokes, s&atilde;o portanto privilegiados que n&atilde;o se mexem porque est&atilde;o bem. Que se sentissem na pele, os males do mundo, fariam qualquer coisa para o mudar.<br /><br />&#8203;<br />N&atilde;o interessa que a lei vise acabar com a viol&ecirc;ncia. N&atilde;o chega, pois supostamente, as institui&ccedil;&otilde;es e pessoas, s&atilde;o condicionadas desde cedo,&nbsp; s&oacute; o woke conhece e libertou-se desse condicionamento.<br />Para libertar a uns da viol&ecirc;ncia, convence a outros da culpa.</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O estranho caso da pandemia de pavões morais]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/o-estranho-caso-da-pandemia-de-pavoes-morais]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/o-estranho-caso-da-pandemia-de-pavoes-morais#comments]]></comments><pubDate>Fri, 05 Mar 2021 12:42:45 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/o-estranho-caso-da-pandemia-de-pavoes-morais</guid><description><![CDATA[              &laquo;Para que um governo n&atilde;o tenha o direito de punir os erros dos homens, &eacute; necess&aacute;rio que esses erros n&atilde;o sejam crime; os erros s&oacute; s&atilde;o crime quando perturbam a sociedade; os erros perturbam a sociedade logo que inspiram o fanatismo; &eacute; portanto necess&aacute;rio que os homens comecem por n&atilde;o ser fan&aacute;ticos para merecerem a toler&acirc;ncia. (&hellip;) N&atilde;o &eacute; apenas grande crueldade perseguir nesta curta v [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/155873119-2775405436032683-8545495611415282714-n-2_orig.jpg" alt="Picture" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/CLxpgRqxtEA?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="paragraph">&laquo;Para que um governo n&atilde;o tenha o direito de punir os erros dos homens, &eacute; necess&aacute;rio que esses erros n&atilde;o sejam crime; os erros s&oacute; s&atilde;o crime quando perturbam a sociedade; os erros perturbam a sociedade logo que inspiram o fanatismo; &eacute; portanto necess&aacute;rio que os homens comecem por n&atilde;o ser fan&aacute;ticos para merecerem a toler&acirc;ncia. (&hellip;) N&atilde;o &eacute; apenas grande crueldade perseguir nesta curta vida os que n&atilde;o pensam como n&oacute;s, mas n&atilde;o sei se n&atilde;o h&aacute; demasiada ousadia em pronunciar-lhes a condena&ccedil;&atilde;o eterna.&raquo;<br />Voltaire, <em>Tratado sobre a toler&acirc;ncia<br /><br /></em><br /><strong>I<br /></strong><br />Poucas pandemias s&atilde;o t&atilde;o interessantes e potencialmente destrutivas, como a pandemia dos pav&otilde;es morais.<br /><br />O pav&atilde;o moral &eacute; o mesmo que <em>social justice warrior</em>, ou guerreiro de justi&ccedil;a social.<br /><br />&Eacute; um arqu&eacute;tipo da selva urbana, e engloba uma mir&iacute;ade de estilos, que por sua vez classificam in&uacute;meras posturas adoptadas por um n&uacute;mero intermin&aacute;vel de indiv&iacute;duos.<br /><br /><br />&nbsp;<br />Basicamente, o pav&atilde;o moral, &eacute; algu&eacute;m que paga o seu privil&eacute;gio na exist&ecirc;ncia, com a exposi&ccedil;&atilde;o das suas penas ornadas de superioridade moral. Serve para acasalar e n&atilde;o s&oacute;.<br /><br /><br />Paga a m&aacute; consci&ecirc;ncia, isto &eacute;, o conforto material e uma vida de relativo conforto (que tornam as pessoas cegas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; dor da exist&ecirc;ncia &ndash; pois t&ecirc;m de a imaginar, conceber intelectualmente e n&atilde;o sentir a fraternidade com outros, que s&oacute; est&aacute; dispon&iacute;vel a quem sofre na carne e n&atilde;o apenas no esp&iacute;rito), com a dedica&ccedil;&atilde;o a uma causa de luta contra injusti&ccedil;as e males neste mundo. No fundo paga o seu conforto, com ac&ccedil;&otilde;es e ideias de caridade adequada.<br /><br /><br />&Eacute; tamb&eacute;m uma forma de pagamento ao justiceiro impotente, aquele que n&atilde;o motivado para vir para a rua oferecer pedras &agrave; pol&iacute;cia, tem a forma mais f&aacute;cil de limpar a consci&ecirc;ncia, destilando &oacute;dio contra o sistema do qual beneficia. Sob este ponto de vista, o justiceiro social &eacute; portanto um cobarde, cuja ac&ccedil;&atilde;o preconiza uma desist&ecirc;ncia de dar o exemplo, preferindo captar legion&aacute;rios para a sua causa, supostamente at&eacute; atingir uma massa de aderentes que importe para alguma coisa. O justiceiro &eacute; o revolucion&aacute;rio l&uacute;cido, que sabe apenas que s&oacute; mudar&aacute; alguma coisa com o apoio da maioria, e por isso tamb&eacute;m, refor&ccedil;a o &oacute;dio e a reac&ccedil;&atilde;o aos que pensam diferente dele, pois s&atilde;o n&atilde;o s&oacute; uma regress&atilde;o no processo, como uma f&aacute;cil forma de destilar a tens&atilde;o acumulada.<br /><br /><br /><strong>II</strong><br />&nbsp;<br />&Eacute; mais f&aacute;cil encontrar este tipo de postura nas falanges da esquerda tradicional, na medida em que esta tem por tradi&ccedil;&atilde;o uma justa cr&iacute;tica ao sistema capitalista, n&atilde;o podendo identificar sen&atilde;o dois campos, o campo a favor, ou o campo contra. Fundamentalismo, portanto.<br /><br /><br />A direita padece menos destes achaques, pois o peso do ideal &eacute; menos pronunciado, por causa do pragmatismo emanado do amor ao capital.<br /><br /><br />&nbsp;<br />O pav&atilde;o moral moderno, tem por isso mesmo, grande dose de fundamentalismo porque &eacute; influenciado por dois mecanismos de refor&ccedil;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua individua&ccedil;&atilde;o: 1) <u>assinalar para outros em que campo est&aacute; (como se a coisa &eacute;tica fosse an&aacute;loga a paix&atilde;o club&iacute;stica ou a um esp&iacute;rito de grupo)</u> e 2) <u>assinalar para si que est&aacute; do lado dos pobres e desprotegidos.<br /><br /><br /> </u><br />Em ambos os mecanismos de refor&ccedil;o exprime-se o investimento eg&oacute;ico que cada indiv&iacute;duo faz nas cren&ccedil;as a partir das quais retira valor para si pr&oacute;prio.<br />O objectivo &eacute; o mesmo em ambos, ser valorizado por outros, ser valorizado por si mesmo, atrav&eacute;s da composi&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;o da auto-imagem.<br /><br /><br />O justiceiro social entrega-se ami&uacute;de a esta forma de encarar o mundo, fundamentalista, dual e infantil. Tem de o fazer pois a convic&ccedil;&atilde;o no ideal &eacute; tal, que n&atilde;o admite que a idealidade n&atilde;o possa ser correcta ou a forma de alterar o mundo. Que o mundo se n&atilde;o for como o ideal lhe dita, mais vale que n&atilde;o seja.<br /><br /><br /><br />E se assim &eacute;, o justiceiro passa a ver-se a si mesmo, como a solu&ccedil;&atilde;o para o problema, o lado bom das coisas. Refor&ccedil;a essa ideia quando encontra pessoas que alinham na mesma forma de encarar a realidade, esse conceito nebuloso, e raramente procura os que o contradigam, sen&atilde;o para enxovalho e desd&eacute;m.&nbsp; Porque n&atilde;o procura uma adequa&ccedil;&atilde;o do discurso com a coisa-em-si, mas um refor&ccedil;o entre o externo e a coisa-para-si. Por outras palavras, procura caixa de eco nas pessoas que pensam igual, para confirmar o pr&oacute;prio vi&eacute;s que coloca na interpreta&ccedil;&atilde;o do mundo.<br /><br /><br />O justiceiro social pode ser encarado como a maior amea&ccedil;a &agrave; democracia, porque 1) &eacute; drogado, 2) est&aacute; preso num <em>feedback loop</em>, e 3) &eacute; fundamentalista.<br /><br /><br />Sendo drogado move-se por inten&ccedil;&otilde;es ego&iacute;stas travestidas de altru&iacute;stas, sem se aperceber. Estando preso num <em>loop</em> de confirma&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;o, n&atilde;o tem capacidade cr&iacute;tica a n&atilde;o ser que uma situa&ccedil;&atilde;o-limite o puxe para fora do torpor narc&oacute;tico, e &eacute; fundamentalista, porque isso refor&ccedil;ar&aacute; a sua dose, sendo drogado, ou seja, ganha algo anulando o discurso do outro. A justifica&ccedil;&atilde;o para tal vir&aacute; depois, desde que funcione.<br /><br /><br />Eu por exemplo, sendo de esquerda desde que voto, sou acusado de ser de direita, ou pior, um troll, se por acaso me oponho a uma partilha de conceitos sem direito a an&aacute;lise ou contradit&oacute;rio. Por alguma raz&atilde;o, pare&ccedil;o nunca estar na posse dos estudos que confirmam as opini&otilde;es, e portanto, na mira dos conformados. Neste ponto de vista, a homogeneiza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, em nada se distingue dos jogos de hierarquia na C+S.<br /><br />&nbsp;<br /><strong>III<br /><br /></strong><br />O pav&atilde;o moral, refor&ccedil;a desta forma a sua individua&ccedil;&atilde;o, a saber a forma como se diferencia dos outros, pois sente-se bem com a sua superioridade moral, refor&ccedil;ada por outros que a reconhecem, numa esp&eacute;cie de mente colectiva codependente, onde uma ideia em comum &eacute; a de um suposto progresso civilizacional.<br /><br /><br />H&aacute; uma esp&eacute;cie de esquizofrenia na cr&iacute;tica da sociedade ocidental, ao mesmo tempo que se exige a adequa&ccedil;&atilde;o da moldura &eacute;tica e de justi&ccedil;a (&agrave;s causas defendidas), por outras palavras, a sociedade ocidental &eacute; m&aacute; e a raiz de todos os problemas, mas, temos de mostrar que somos avan&ccedil;ados e moralmente conscientes, pese embora a sociedade ocidental tenha servido de modelo para as outras, a n&iacute;vel das institui&ccedil;&otilde;es e liberdades individuais. <br /><br /><br />Ah, mas &eacute; o capitalismo a causa de todos os males. Concordo, mas remetendo a Marx, tamb&eacute;m libertou for&ccedil;as de produ&ccedil;&atilde;o prodigiosas, respons&aacute;veis n&atilde;o s&oacute; pelo conforto material a que o justiceiro social nunca, em rigor, admitir&aacute; abdicar, mas tamb&eacute;m pela gradual oblitera&ccedil;&atilde;o do planeta.<br /><br /><br /><br />O capitalismo &eacute; a forma mais r&aacute;pida de limar as diferen&ccedil;as entre sociedades, e oponho-me a este sistema de forma total, mas gostava de ver o guerreiro social fazer campanha para a China abandonar as centrais a carv&atilde;o, por exemplo. Ou reduzir os gases de estufa. &Eacute; mais f&aacute;cil faz&ecirc;-lo no Ocidente.<br /><br /><br />A ideia de progresso civilizacional &eacute; ilus&oacute;ria, existe progresso t&eacute;cnico, nenhuma lei, nacional ou internacional, superar&aacute; a natureza de primata e as consequ&ecirc;ncias da geografia.<br /><br /><br />O justiceiro social acredita no conceito progressista da Hist&oacute;ria, n&atilde;o como adequado a uma interpreta&ccedil;&atilde;o do real, mas <em>ad hoc</em>, isto &eacute;, a eterna revolu&ccedil;&atilde;o em curso, que faculta sempre uma causa a que se adira, e gente a quem odiar.<br /><br /><br />O desmantelamento da sociedade de servi&ccedil;os que deslocalizou o trabalho &aacute;rduo para outras latitudes, implodiria com o conforto material do justiceiro social, urbano e defensor de causas. Remete-se para o ponto I, pois &eacute; outra forma de tomar esta ideia de pagamento pelo conforto material obtido pela sociedade que se critica. Pagar a m&aacute; consci&ecirc;ncia.<br /><br /><br />&nbsp;<br /><strong>IV<br /><br /></strong><br />Esta cren&ccedil;a acr&iacute;tica nas ideias com as quais o guerreiro social se acostumou a avaliar, fazem com que qualquer cr&iacute;tica &agrave;s mesmas seja interpretado como um ataque social.<br /><br /><br />Se interferirmos com a dose de oxitocina e endorfina do toxicodependente, &eacute; o valor pr&oacute;prio e o lirismo do ideal que s&atilde;o atacados, e portanto o indiv&iacute;duo reage guturalmente, animado at&eacute; pela ideia de ter encontrado uma causa nobre para a sua peleja, o inimigo, que apenas existe na sua cabe&ccedil;a enformada pelo esp&iacute;rito fundamentalista, acima descrito.<br /><br /><br />Geralmente inconsciente da m&atilde;o do instinto titereiro, boa parte dos guerreiros sociais n&atilde;o tem a capacidade quer de introspec&ccedil;&atilde;o, quer de autocr&iacute;tica, e portanto reage de forma emocional e n&atilde;o tem paci&ecirc;ncia para o mais exaustivo exerc&iacute;cio democr&aacute;tico, o di&aacute;logo.<br /><br /><br />Tudo o que seja dialogar &eacute; visto como uma ced&ecirc;ncia &agrave; idealidade, uma trai&ccedil;&atilde;o a imperativos mentais estabelecidos <em>a priori</em>, e aos quais a realidade, o concreto, se devem submeter.<br /><br /><br /><u>Por isso, o &oacute;dio aos maus, pouco tem a ver com a ades&atilde;o a uma causa, mas com um processo ego&iacute;sta de individua&ccedil;&atilde;o, que visa captar aceita&ccedil;&atilde;o dos outros e de n&oacute;s para n&oacute;s mesmos. Tem mais a ver com um prolongado investir da nossa identidade em determinada ideia, que na ades&atilde;o a uma projec&ccedil;&atilde;o (causa) que acreditamos que v&aacute; resolver determinado problema.</u><br />Se a liga&ccedil;&atilde;o entre a nossa cren&ccedil;a sofre uma ruptura, &eacute; o nosso ego que desaba, pois est&aacute; ligado a essa ideia.<br /><br />&#8203;<br /><strong>Portanto, o drogado social, foge como o diabo da cruz, a qualquer heterodoxia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas cren&ccedil;as mais basilares.<br /><br /></strong><br /><strong>V<br /><br /></strong><br />Estamos pois, perante uma gera&ccedil;&atilde;o de drogados, de bons sentimentos, que n&atilde;o hesitam em lan&ccedil;ar os outros na fogueira, para benef&iacute;cio pr&oacute;prio. Na fogueira, no auto de f&eacute;, na c&acirc;mara de g&aacute;s.<br /><br /><br />Seja com anula&ccedil;&otilde;es do outro, bloqueando-o, desprezando-o, ignorando-o ou catalogando-o simplisticamente de acordo com etiquetas infantis que visam reduzir a sua complexidade, seja activamente enxovalhando-o, ou atacando-o com vergonha, fazendo-o recuar na heresia, de forma a silencia-lo, ou normaliz&aacute;-lo, isto claro, ao mesmo tempo que se apela nas redes sociais &agrave; livre express&atilde;o do indiv&iacute;duo contra o sistema que o oprime.<br />&nbsp;<br />Entre a espada e a parede, o herege fica sem saber quem o oprime mais, o sistema, ou os partid&aacute;rios anti-sistem&aacute;ticos.<br /><br /><br />O guerreiro social apenas tem uma ponte com o real, baseada no sistema reticular, e como o caro leitor sabe, o sistema reticular &eacute; um sistema psicol&oacute;gico, que simplificado&nbsp; faz com que se nos foquemos em determinado aspecto na realidade, esse conceito nebuloso, encontraremos ou encontraremos mais aquilo em que nos focamos.<br /><br /><br />Por exemplo, carros vermelhos, se nos focarmos em reparar em todos os carros vermelhos, verificaremos que parece que existem mais carros vermelhos que o que hav&iacute;amos notado anteriormente. N&atilde;o existem, o nosso sistema reticular &eacute; que traz mais &agrave; consci&ecirc;ncia por meio do esfor&ccedil;o consciente para encontrar. Existem os mesmos carros, mas parece que existem mais. Parece que isto tem a ver com a necessidade de encontrar um x na selva, libertando o c&eacute;rebro de est&iacute;mulos desnecess&aacute;rios na procura desse x, quando ainda and&aacute;vamos de gatas na savana.<br />&nbsp;<br />Portanto, o justiceiro social, &eacute; aquele que vai &agrave; procura na realidade, de tudo aquilo que lhe comprove a cren&ccedil;a. E encontra sempre. Pois passar&aacute; a dar a &ecirc;nfase que acha que deve ter o que encontrou, e passa a agir como caixa de resson&acirc;ncia para os outros, manipulando &ndash; com boa consci&ecirc;ncia &ndash; a percep&ccedil;&atilde;o alheia, para os problemas da sociedade, e muitas vezes acentuando a culpa e os maus sentimentos a outros, pobres queimados na fogueira em que s&atilde;o lan&ccedil;ados.<br /><br /><br />Ao mesmo tempo que se queixa das t&eacute;cnicas de manipula&ccedil;&atilde;o do sistema, o justiceiro social manipula o seu pr&oacute;ximo, para ter a sua dose de neurotransmissores.<br /><br /><br />Mas n&atilde;o se pense que o cruzado espera convers&atilde;o do herege.<br />&Eacute; mais &uacute;til um inimigo, que um crist&atilde;o-novo. Tem de haver sempre uma v&iacute;tima sacrificial, pois o drogado precisa do contraste, o mundo uniformizado seria a cessa&ccedil;&atilde;o da dose. E por isso as causas sociais nada mais s&atilde;o que modas em vitrines girat&oacute;rias.<br />O Casal Ventoso est&aacute; gradualmente voltando a tempos idos, desta vez n&atilde;o vendendo doses de hero&iacute;na, mas de indigna&ccedil;&atilde;o.<br />&nbsp;<br />&nbsp;<br />&nbsp;<br />&nbsp;<br />&nbsp;<br />&nbsp;<br />&nbsp;<br />&nbsp;<br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Os ismos são is(t)mos]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/os-ismos-sao-istmos]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/os-ismos-sao-istmos#comments]]></comments><pubDate>Thu, 11 Jun 2020 02:20:07 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/os-ismos-sao-istmos</guid><description><![CDATA[              IO longo interregno de publica&ccedil;&atilde;o aqui neste espa&ccedil;o, deveu-se a uma decis&atilde;o minha, quando confrontado por algu&eacute;m que me era pr&oacute;ximo, para eu deixar de discutir pol&iacute;tica e ideologia.Tendo em conta a energia que toma conta de mim, e o facto de que consigo bem, terminada a discuss&atilde;o, alienar-me por completo de qualquer ressentimento baseado nela, percebi que se calhar era um mau interlocutor, pois posso levar o outro a um ponto d [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/93820920-3260975590581363-1250069017687752704-n_orig.jpg" alt="Picture" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/EovAJbdnBEE?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="paragraph"><br />I<br /><br />O longo interregno de publica&ccedil;&atilde;o aqui neste espa&ccedil;o, deveu-se a uma decis&atilde;o minha, quando confrontado por algu&eacute;m que me era pr&oacute;ximo, para eu deixar de discutir pol&iacute;tica e ideologia.<br />Tendo em conta a energia que toma conta de mim, e o facto de que consigo bem, terminada a discuss&atilde;o, alienar-me por completo de qualquer ressentimento baseado nela, percebi que se calhar era um mau interlocutor, pois posso levar o outro a um ponto de ruptura, e poucas pessoas se identificam t&atilde;o pouco com as suas opini&otilde;es, que n&atilde;o achem que as mesmas s&atilde;o parte da sua identidade e que portanto um ataque &agrave; sua opini&atilde;o &eacute; um ataque &agrave; sua identidade.<br />N&atilde;o sou nenhum santinho, a minha capacidade de n&atilde;o alimentar ressentimentos com discuss&otilde;es, &eacute; porque eu gosto de argumentar e ganhar debates. Tomo geralmente a posi&ccedil;&atilde;o oposta &agrave; do interlocutor para poder gerar atrito, e gosto sinceramente do acto de discutir.<br /><br /><br /><br /><br /><br />Ora h&aacute; uns 20 anos que anda por a&iacute; um movimento que visa tirar-me esse prazer, algo que n&atilde;o posso permitir. E esse movimento &eacute; o do politicamente correcto, caracterizado como corpo doutrinal e jarg&atilde;o pr&oacute;prio que visa uniformizar uma mentalidade de colmeia.<br />&nbsp;<br />A Ordem dos Lavadores de pratos, tem um corpo de funcion&aacute;rios cuja fun&ccedil;&atilde;o &eacute; representar os lavadores de pratos e informar a sociedade sobre a import&acirc;ncia vital desta Ordem na manuten&ccedil;&atilde;o da qualidade t&eacute;cnica dos lavadores de pratos e da fun&ccedil;&atilde;o dos mesmos no corpo social.<br />Se desaparecerem os lavadores de pratos, ou se se relativizar a import&acirc;ncia dos mesmos, l&aacute; se v&atilde;o os subs&iacute;dios estatais, mecenatos, e emin&ecirc;ncia funcional dos corpos sociais da Ordem.<br /><br /><br />O bicho pap&atilde;o deixou de ser uma estrat&eacute;gia de assustar crian&ccedil;as, para ser uma forma de sobreviv&ecirc;ncia, material e eg&oacute;ica, por parte de quem se dedica a causas sociais, reais, ou supra reais, isto &eacute;, realidade com ester&oacute;ides.<br />Como o c&oacute;digo legal portugu&ecirc;s n&atilde;o tem leis que defendam a segrega&ccedil;&atilde;o racial, h&aacute; que apelar a um conceito nebuloso que &eacute; o do &lsquo;racismo estrutural&rsquo;.<br /><br /><br /><br />A melhor defini&ccedil;&atilde;o que ouvi do mesmo, &eacute; ordenada simplesmente pelo facto de eu ser branco, n&atilde;o sei o que &eacute; sentir na pele (n&atilde;o passo o trocadilho) o racismo estrutural.<br /><br /><br />Tal como n&atilde;o posso falar do aborto porque n&atilde;o tenho &uacute;tero, mesmo que na concep&ccedil;&atilde;o, 50% do c&oacute;digo gen&eacute;tico seja meu.<br /><br /><br />Como o c&oacute;digo legal portugu&ecirc;s pune discrimina&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero, h&aacute; que apelar a um processo revolucion&aacute;rio em curso (que nunca poder&aacute; ter fim) para mudar as mentalidades acerca de um suposto machismo&hellip;estrutural.<br /><br /><br />Apontar isto, provoca desde logo uma admoesta&ccedil;&atilde;o &laquo;-Como &eacute;s capaz de negar que existe racismo e machismo?&raquo;, n&atilde;o nego.<br /><br /><br />N&atilde;o os considero &eacute; generalizados, ou seja numa teoria de conjuntos onde o conjunto maior inclui todos os portugueses, um conjunto tem racistas e machistas, e apreciadores de a&ccedil;&uacute;car na sopa. Mas n&atilde;o se pode caracterizar o conjunto dos conjuntos, como defin&iacute;vel pelas partes.<br /><br /><br />Mas &eacute; isso que se faz, n&atilde;o chega para o justiceiro social, culpar uns marretas eug&eacute;nicos que andam para a&iacute;. N&atilde;o, a dopamina que recebe &eacute; tanto maior, qu&atilde;o maior for o moinho contra o qual se estampa.<br /><br />O Estado.<br /><br />A sociedade.<br /><br />A cultura.<br /><br />O pa&iacute;s.<br /><br />O gajo ou gaja que se oponha &agrave; minha dose.<br /><br />Torna-se pois, divertido, ver os defensores da justi&ccedil;a cometerem injusti&ccedil;as, os defensores da toler&acirc;ncia, serem intolerantes com os que n&atilde;o pensam de forma igual, e os justifiquem num microcosmos que se valida em si como se fosse uma fam&iacute;lia nobre transeuropeia de &eacute;poca moderna, casando entre si, para n&atilde;o perder propriedade.<br /><br /><br /><strong>Os ismos nunca ter&atilde;o fim, a sua finalidade n&atilde;o &eacute; acabarem com o motivo da sua luta, mas manterem a luta perpetuamente, de forma a justificarem a dose (dopamina libertada por causa do achar que a sua moral &eacute; superior, mais justa e humana que a dos outros), de forma a condicionarem o comportamento dos outros de quem precisam para ser o &lsquo;inimigo&rsquo;, de forma a mostrarem ao mundo que a emin&ecirc;ncia social, o ser de boa moral s&atilde;o os valores na moda e que eles, justiceiros sociais, est&atilde;o na moda.</strong><br />&nbsp;<br />Sonho por um tempo em que terei um privil&eacute;gio que dizem que tenho, se calhar tenho mas n&atilde;o me consigo aperceber porque se sempre tive, n&atilde;o sei que tenho, apesar de nem saber qual &eacute;.<br />Um tempo em que por ser homem e mais ou menos branco dependendo da esta&ccedil;&atilde;o do ano, a senhora que me serve a bica me trata com mais defer&ecirc;ncia, ou o gajo que refila na fila para o passe social, refira todos os males do mundo e todas as discrimina&ccedil;&otilde;es, e olhe para mim apontando o dedo e dizendo que tamb&eacute;m eu e os meus antepassados foram v&iacute;timas de discrimina&ccedil;&atilde;o.<br />&nbsp;<br />Por acaso tem raz&atilde;o, porque foram todos pobres, mas isso n&atilde;o &eacute; chique nos dias de hoje, a n&atilde;o ser que malhemos no &lsquo;sistema&rsquo;.<br />O sistema perverso, contra o qual lutam porque sabem no fundo, que o seu n&iacute;vel de conforto material &eacute; devido &agrave; explora&ccedil;&atilde;o de outros, mas n&atilde;o querem abandonar os seus privil&eacute;gios de classe m&eacute;dia, portanto sendo melhor filmar as agress&otilde;es que fazem aos pol&iacute;cias, a propriedade que destroem, com os smartphones que o sistema providencia, onde combinam as vig&iacute;lias, e lutam contra o racismo, esquecendo os que morrem nas praias que levam ao canal do Suez, pois tentam fazer pirataria em alto mar ou morrer de fome numa costa oriental africana.<br />&nbsp;<br />Os justiceiros sociais n&atilde;o querem saber das causas. H&aacute; uns anos atr&aacute;s, era a ideologia das causas fracturantes.<br />Hoje &eacute; a ideologia da fractura.<br />Temos, de nos autoflagelar pelo quer que seja que os antepassados fizeram.<br />N&atilde;o se percebe se &eacute; superioridade moral ou apenas imbecilidade.<br />N&atilde;o existe autodetermina&ccedil;&atilde;o, e o pecado &eacute; heredit&aacute;rio.<br />Tal como a riqueza da nobreza de outros tempos.<br />&nbsp;<br />Minha rica esquerda europeia, o que fizeram de ti?<br /><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Brave New UK is OK]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/brave-new-uk-is-ok]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/brave-new-uk-is-ok#comments]]></comments><pubDate>Sat, 25 Jun 2016 14:57:52 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/brave-new-uk-is-ok</guid><description><![CDATA[Ia)Dia glorioso.24 de Junho de 2016.Dia glorioso.Por todos os motivos e mais um.Um conjunto de povos, at&eacute; mais ver, decidiu n&atilde;o continuar no monstro neofascista e neoliberal que se assume burocraticamente como &laquo;Uni&atilde;o&raquo; Europeia.Esta ocorr&ecirc;ncia adquire mais carga simb&oacute;lica se tivermos em conta que o Reino Unido se 'queixa' das desvantagens de estar metido nesta caldeirada apesar de sempre ter gozado de uma situa&ccedil;&atilde;o de excep&ccedil;&atilde [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;"><br /><br /><span></span>I<br /><span></span>a)<br /><span></span><br /><br /><span></span>Dia glorioso.24 de Junho de 2016.Dia glorioso.<br /><span></span>Por todos os motivos e mais um.<br /><span></span>Um conjunto de povos, at&eacute; mais ver, decidiu n&atilde;o continuar no monstro neofascista e neoliberal que se assume burocraticamente como &laquo;Uni&atilde;o&raquo; Europeia.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Esta ocorr&ecirc;ncia adquire mais carga simb&oacute;lica se tivermos em conta que o Reino Unido se 'queixa' das desvantagens de estar metido nesta caldeirada <u>apesar</u> de sempre ter gozado de uma situa&ccedil;&atilde;o de excep&ccedil;&atilde;o, sempre habilmente negociada (ou no pior dos casos comprada pelos outros pa&iacute;ses do Eurogrupo) em rela&ccedil;&atilde;o particularmente &agrave; pol&iacute;tica monet&aacute;ria.<br /><span></span><br /><br /><span></span><u>Apesar</u> de nunca ter aderido ao euro.<br /><span></span><u>Apesar</u> de ter sido sempre um entrave &agrave; federaliza&ccedil;&atilde;o da Europa &agrave; moda do I&ordm; Reich, a<br /><span></span>Gr&atilde;-Bretanha sempre cumpriu os seus deveres e exerceu os seus direitos assumidos, suscitando<br /><span></span>interpreta&ccedil;&otilde;es que iam desde as acusa&ccedil;&otilde;es de estar fora mas dando dicas para dentro, at&eacute; &agrave;s acusa&ccedil;&otilde;es do estando dentro querendo secretamente dar o fora.<br /><span></span>A m&aacute;quina pol&iacute;tica e diplom&aacute;tica brit&acirc;nica nunca deixou de mostrar compromisso com o projecto europeu, desde que ele n&atilde;o fosse contra os seus interesses enquanto na&ccedil;&atilde;o.<br /><span></span><br /><br /><span></span><u>b)</u><br /><span></span><br /><br /><span></span>Os endoutrinados burocratas e polit&oacute;logos sempre se esfor&ccedil;aram por identificar esta postura com uma decis&atilde;o d&uacute;bia, de esperteza saloia at&eacute; por parte dos brit&acirc;nicos a quem o tempo veio dar raz&atilde;o em raz&atilde;o &agrave; sua cautela.<br /><span></span>Tendo perto de si dois colossos do velho continente, o sem vergonha designado eixo franco-alem&atilde;o, cabe aos representantes ingleses, por mais incompetentes que sejam, manter um denominador m&iacute;nimo de autonomia e independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pot&ecirc;ncias continentais.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Isto s&oacute; &eacute; censur&aacute;vel, para quem depende do or&ccedil;amento da Comiss&atilde;o Europeia e para portugueses que tentam assumir o seu alter ego europeu uma vez que n&atilde;o conseguem viver com a m&aacute; imagem que t&ecirc;m de si mesmos.<br /><span></span>A cautela e digamos at&eacute; alguma desconfian&ccedil;a &eacute; salutar e desej&aacute;vel. Sem que por isso se deva acusar de n&atilde;o se estar com o projecto europeu.<br /><span></span>Que diga-se e repita-se, o que foi referendado positivamente em 1975, (tendo na altura a Esc&oacute;cia votado contra) n&atilde;o &eacute; o mesmo que foi referendado em 2016.<br /><span></span><br /><br /><span></span>N&atilde;o nos podemos esquecer que o tratado de Maastricht matou a Europa dos 'Jogos sem Fronteiras' e do 'Festival da Eurovis&atilde;o', os mais simp&aacute;ticos instrumentos de charme que a radiodifus&atilde;o j&aacute; conheceu.<br /><span></span><br /><br /><span></span><u>c)</u><br /><span></span><br /><br /><span></span>Os <em>media</em> continuam a sua vergonhosa campanha de desinforma&ccedil;&atilde;o, remetendo para comentadores avulsos e c&oacute;modos as cr&oacute;nicas sobre assuntos de ideologia. A Europa a que aderimos, n&atilde;o &eacute; a Europa que temos agora, e nem uma &uacute;nica vez foram sujeitos a escrut&iacute;nio p&uacute;blico quaisquer temas relativos aos tratados, que s&atilde;o uma esp&eacute;cie de conc&iacute;lios de Trento, mal explicados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, que no nosso pa&iacute;s recebe as not&iacute;cias como se de factos incontest&aacute;veis, pois estar no projecto europeu significa abdicar de toda e qualquer identidade nacional que n&atilde;o passe como estere&oacute;tipo bonacheir&atilde;o.<br /><span></span><em>Upss</em> n&atilde;o se pode falar em 'nacional' que &eacute; algo anacr&oacute;nico e vai contra os paradigmas <em>pop</em> de sucesso, bem como contra as mundivid&ecirc;ncias das massas da classe m&eacute;dia de mundos ut&oacute;picos com c&eacute;us cor de rosa e nuvens de algod&atilde;o. Quem fala em nacionalismo s&oacute; pode ser um porco fascista, pois foram os estados que promoveram as guerras, ou o Estado-Na&ccedil;&atilde;o &eacute; uma coisa ultrapassada por causa da globaliza&ccedil;&atilde;o, como se fosse ecologicamente sustent&aacute;vel a m&eacute;dio prazo a orgia de desperd&iacute;cio que essa mesma globaliza&ccedil;&atilde;o produz.<br /><span></span>Mas n&atilde;o faz mal.<br /><span></span><br /><br /><span></span>A pr&oacute;pria coordenadora do Bloco de Esquerda confessou &agrave;s c&acirc;maras antes do seu congresso que essa coisa dos pa&iacute;ses como eram nunca mais iria voltar que n&atilde;o tinha condi&ccedil;&otilde;es para isso ou estava ultrapasado, se bem me lembro.<br /><span></span><br /><br /><span></span>&Eacute; sempre bom constatar a desenvoltura conceptual e a omnisci&ecirc;ncia dos nossos pol&iacute;ticos, que sabem tanta coisa da vida e do mundo que nos podem ensinar a todos, neste caso acerca da marcha do progresso, que apresenta (como o discurso da senhora Martins o prova) semelhan&ccedil;as com todos os imp&eacute;rios passados que se consideravam eternos.<br /><span></span><br /><br /><span></span>A senhora Martins por outro lado, sempre r&aacute;pida a reconhecer o direito &agrave; autodetermina&ccedil;&atilde;o dos povos, nomeadamente no 'vespeiro' do Adri&aacute;tico, ou pela causa curda, reconhece perante as c&acirc;maras, por certo para aplacar os facilmente impression&aacute;veis, que na Europa (onde as identidades nacionais s&atilde;o demasiado fortes &ndash; e isso corresponde a uma for&ccedil;a cultural e n&atilde;o a um defeito) isso dos pa&iacute;ses est&aacute; ultrapassado.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Menorizamos os motivos dos povos das Ilhas Brit&acirc;nicas chamando-os de racistas, como se cerca de 17 milh&otilde;es de votantes fossem movidos por &oacute;dio ao <em>kebab</em> ou ao <em>vindaloo</em>.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Chega-se a ler que quem votou a favor do <em>Brexit</em> foram os ignorantes e <em>hooligans</em>.<br /><span></span>Acho que deve-se colocar primeiro a seguinte quest&atilde;o, ser&aacute; que nos damos conta de que a &laquo;Uni&atilde;o Europeia&raquo; ou o &laquo;Projecto Europeu&raquo; se transformaram em dogma religioso?<br /><span></span><br /><br /><span></span>d)<br /><span></span><br /><br /><span></span>Que democracia europeia &eacute; esta que prevendo (h&aacute; uns anos atr&aacute;s repetia-se pelas redac&ccedil;&otilde;es dos Telejornais de que n&atilde;o havia plano de sa&iacute;da para os pa&iacute;ses, porque n&atilde;o se acreditava que algu&eacute;m quisesse sair, ontem descobriu-se que afinal tinha ficado escrito preto no branco, no Tratado de Lisboa) a sa&iacute;da de um Estado Membro, o castiga com improp&eacute;rios ao jeito da pior disputa conjugal?<br /><span></span><br /><br /><span></span>Os brit&acirc;nicos n&atilde;o foram nisso e em coro, na oposi&ccedil;&atilde;o interna e nos pa&iacute;ses 'amigos' chamam incompetente a Cameron por ter chamado o povo a dar voz. Os mesmos que criticavam a asfixia da austeridade agora v&ecirc;m a p&uacute;blico dizer que o Reino unido veio estragar a coisa que estava agora t&atilde;o boa.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Curiosamente os mais comedidos nas cr&iacute;ticas s&atilde;o os pa&iacute;ses perif&eacute;ricos, maltratados pela austeridade. Com excep&ccedil;&atilde;o &agrave; malta da escola de Chicago que enxameia as faculdades de Economia em Portugal.<br /><span></span><br /><br /><span></span>e)<br /><span></span><br /><br /><span></span>O que o Reino Unido provou democraticamente (provavelmente saindo o tiro pela culatra a quem pretendia calar a critica interna com uma legitima&ccedil;&atilde;o popular, que foi em sentido inverso) neste referendo, &eacute; que existe limite para comodismo e para a submiss&atilde;o que qualquer povo est&aacute; disposto a suportar <u><strong>SE</strong></u> mantiver o m&iacute;nimo de dignidade e margem de manobra para exercer a sua liberdade.<br /><span></span><br /><br /><span></span>As Ilhas Brit&acirc;nicas a dar o exemplo no exerc&iacute;cio da liberdade desde a <em>Magna Carta</em>.<br /><span></span>Brave Great Britain.<br /><span></span><br /><br /><span></span>II<br /><span></span><br /><br /><span></span><u>f)</u><br /><span></span><br /><br /><span></span>Admito que exultei com este resultado.<br /><span></span>J&aacute; tinha passado a fase do desespero.<br /><span></span>Passei a do cinismo.<br /><span></span>Estagnei na da apatia.<br /><span></span>N&atilde;o tinha esperan&ccedil;a de ver no meu tempo de vida, a potencialidade de a m&eacute;dio prazo, poderem vir a ocorrer altera&ccedil;&otilde;es no meu pa&iacute;s, pelo qual jurei bandeira e que tenho observado lenta e gradualmente transmutar-se em protectorado. Com uma efici&ecirc;ncia que deve muito a Bismark.<br /><span></span><br /><br /><span></span>J&aacute; me tinha acostumado &agrave; ideia do florescimento do Estado Totalit&aacute;rio e Burocr&aacute;tico em que vivemos, onde a reifica&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o se designa de 'gest&atilde;o eficiente', e onde o dogma religioso (a ideia de examinar a utilidade de uma uni&atilde;o europeia &eacute; algo de t&atilde;o evidente que nem merece exame por parte da maioria dos interlocutores que n&atilde;o se imagina noutra situa&ccedil;&atilde;o) &eacute; palavra do (S)enhor.<br /><span></span><br /><br /><span></span>g)<br /><span></span><br /><br /><span></span>Que fazer desta segunda natureza das gera&ccedil;&otilde;es mais jovens que nunca conheceram o pa&iacute;s antes da ades&atilde;o, ou das elites que &agrave; conta do Erasmus transmitem nas Universidades que o futuro do pa&iacute;s est&aacute; no Turismo e em n&atilde;o sair da UE que &eacute; o nosso abono de fam&iacute;lia, a nossa S&atilde;o jorge da Mina do s&eacute;culo XXI, o nosso Brasil que nos entret&eacute;m mais umas d&eacute;cadas enquanto adiamos de novo o nosso destino como na&ccedil;&atilde;o?<br /><span></span><br /><br /><span></span>Que fazer a motivadores pagos pela Comiss&atilde;o Europeia que circulam por anfiteatros universit&aacute;rios pregando ao dinamismo, p&aacute; est&atilde;o num mercado de 500 milh&otilde;es arrisquem, coloquem uma mochila &agrave;s costas e tornem-se empreendedores da vossa pr&oacute;pria a vida, ocultando-se o facto de que aqui, na jangada de pedra, &eacute; onde existem menos licenciados, e mais licenciados no desemprego, em toda a Europa.<br /><span></span><br /><br /><span></span>h)<br /><span></span><br /><br /><span></span>V&aacute;rias falanges sociais tremem com a sombra de um referendo.<br /><span></span>S&oacute; quem tem algo a perder, naturalmente.<br /><span></span>Quem vive na merda e na mis&eacute;ria sabe menos o que &eacute; a Europa, que aqueles que de acordo com a comunica&ccedil;&atilde;o social, andaram a pesquisar no 'Google' no que tinham votado no referendo, tentando mais uma vez passar um atestado de imbecilidade ao eleitor brit&acirc;nico.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Os ingleses, galeses, escoceses n&atilde;o rejeitaram Portugal ou a Rom&eacute;nia. Rejeitaram a Europa do direct&oacute;rio.<br /><span></span>Rejeitaram a Europa em que a Alemanha arrasa com os t&ecirc;xteis europeus para poder vender maquinaria pesada &agrave; Rep&uacute;blica Popular da China.<br /><span></span>Rejeitaram a Europa que perdoa sem san&ccedil;&otilde;es durante d&eacute;cadas o desrespeito por deficits acordados, &agrave; Fran&ccedil;a e Alemanha, para no momento seguinte castigar PIGS, por n&atilde;o cumprirem com o deve/haver. Ou seja, um sistema burocr&aacute;tico e pol&iacute;tico que &eacute; fraco com os fortes e forte com os fracos.<br /><span></span>Rejeitaram a Europa que permite que durante anos n&atilde;o se procedam a aumentos salariais na zona do Ruhr (ali&aacute;s em toda a Alemanha), erradicando quase por completo toda a ind&uacute;stria em redor, incapaz de competir. Depois de dar cabo da concorr&ecirc;ncia h&aacute; que fidelizar. E &eacute; por isso que a outrora brilhante ind&uacute;stria autom&oacute;vel inglesa, com centenas de milhar de engenheiros produzindo excelentes produtos, est&aacute; de rastos ou nas m&atilde;os de estrangeiros enquanto que o Estado alem&atilde;o ainda tem percentagem de ac&ccedil;&otilde;es nas maiores empresas, algu&eacute;m se lembra da <em>golden share</em>?<br /><span></span><br /><br /><span></span>Como dizia o Miguel Sousa Tavares, num coment&aacute;rio que foi esquecido pela maioria das pessoas &laquo;(...)era o que faltava algu&eacute;m chamar &agrave; aten&ccedil;&atilde;o quem mais joga dinheiro na Uni&atilde;o Europeia&raquo;.<br /><span></span><br /><br /><span></span>i)<br /><span></span><br /><br /><span></span>A Europa a 27, que ap&oacute;s o referendo, reuniu a 6, os 'fundadores' como se os restantes 21 fossem verbo de encher.<br /><span></span>Brave Great Britain.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Chamam-lhe 'democracia representativa', alguns.<br /><span></span>Mesmo que n&atilde;o os tenhamos eleito para nos representar.<br /><span></span>Muitos dos indiv&iacute;duos da minha gera&ccedil;&atilde;o, e at&eacute; anteriores, gosta do Portugal do Ronaldo-o-melhor-do-mundo-&eacute;-portugu&ecirc;s. Rejeitando com algum rubor e vergonha o portugu&ecirc;s dos 3 b's : bigode, barriga, e barril, que era imagem de marca nos anos 80.<br /><span></span>&Eacute; por esta hip&oacute;tese de an&aacute;lise de psicologia social, que podemos come&ccedil;ar a fazer um exame pol&iacute;tico ao cad&aacute;ver adiado da CEE p&oacute;s Maastricht.<br /><span></span>A quest&atilde;o do comodismo tamb&eacute;m vem dar um contributo ao tema.<br /><span></span>O pessoal do turismo e dos <em>gadgets </em>que destesta o tecido produtivo no torr&atilde;o p&aacute;trio gabando-o noutras coordenadas geogr&aacute;ficas, &eacute; aquele que mais sofre com o espectro de n&atilde;o poder comprar nas lojas online que est&atilde;o sediadas no UK ou que fazem passar pelo UK a expedi&ccedil;&atilde;o dos seus produtos.<br /><span></span><br /><br /><span></span>j)<br /><span></span><br /><br /><span></span>J&aacute; ningu&eacute;m quer falar da inger&ecirc;ncia desse polvo de &iacute;ndole mafiosa que &eacute; a Comiss&atilde;o Europeia, gente sinistra com ing&eacute;nuas liga&ccedil;&otilde;es &agrave; <em>Goldman Sachs</em> ou ao <em>Lehman Brothers </em>que transita do FMI para a Comiss&atilde;o e da Comiss&atilde;o para o FMI.<br /><span></span>Ningu&eacute;m quer falar das vergonhosas campanhas patrocinadas pela Comiss&atilde;o onde quer que exista um referendo que tenha consequ&ecirc;ncias para o poder ou prest&iacute;gio desta comiss&atilde;o, na Gr&eacute;cia, Esc&oacute;cia, Irlanda, etc. num claro exemplo do que &eacute; inger&ecirc;ncia na pol&iacute;tica interna de um pa&iacute;s.<br /><span></span>Queixas de agressividade e cinismo in&eacute;ditos em campanhas eleitorais ocorrem sempre que o dedo da Comiss&atilde;o Europeia vai provar a temperatura da sopa, usando os m&eacute;todos mais eficazes de apelo ininterrupto &agrave; emo&ccedil;&atilde;o, simplismo e lugares comuns, em manobras que muitos analistas, polit&oacute;logos da pra&ccedil;a apenas identificam em regimes totalitaristas (nem todos, a Ar&aacute;bia Saudita &eacute; amiga por exemplo). Disto, os <em>media</em> nacionais, n&atilde;o passam, talvez porque &eacute; mais f&aacute;cil comprar not&iacute;cias &agrave; Reuters, France Press ou BBC do que ensinar aos estagi&aacute;rios a utilizar o Google Translator para verter as not&iacute;cias para portugu&ecirc;s. Alguns at&eacute; as fabricam, tudo em nome da democracia representativa.<br /><span></span><br /><br /><span></span>As t&aacute;cticas de manipula&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o, quando provenientes da R&uacute;ssia por exemplo, s&atilde;o de escola estalinista. Quando provenientes da Comiss&atilde;o Europeia, s&atilde;o leg&iacute;timos e profundos apelos &agrave; raz&atilde;o.<br /><span></span><br /><br /><span></span>k)<br /><span></span><br /><br /><span></span>O indiv&iacute;duo portugu&ecirc;s particularmente &eacute; avesso e acr&iacute;tico a alguma an&aacute;lise ao que consista ser-se 'europe&iacute;sta'. &Eacute;-se e pronto, &laquo;n&atilde;o h&aacute; palavras.&raquo; - seja qual for o conte&uacute;do denotado.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Se sair mais uma directiva da Comiss&atilde;o Europeia afirmando que s&oacute; europe&iacute;sta quem saltar para dentro de um po&ccedil;o, no dia seguinte esgotam-se as toucas de silicone na <em>Sportzone</em> e <em>Decathlon</em>.<br /><span></span>Ser europe&iacute;sta &eacute; ser sofisticado, respons&aacute;vel, moderno, ecologicamente consciente, humanista, comprometido com a paz, como se fosse a Uni&atilde;o Europeia a respons&aacute;vel por 60 anos de paz nos quais todos os pa&iacute;ses possuem os ex&eacute;rcitos pr&oacute;prios.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Passa-se a ideia de que o com&eacute;rcio cria as interdepend&ecirc;ncias necess&aacute;rias que dissuadem do conflicto pois os oponentes perderiam algo de igual forma.<br /><span></span>Mas a paz s&oacute; foi mantida jorrando dinheiro, ou melhor deslocalizando-o.<br /><span></span>Apenas enquanto h&aacute; um equil&iacute;brio em que todos ganham, ou onde uns poucos ganham mas controlam completamente os outros.<br /><span></span>Os brit&acirc;nicos gostam de dan&ccedil;ar, mas apenas o <em>foxtrot</em> e n&atilde;o esta valsa.<br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><br /><span></span>Passa-se a ideia de que uma postura cr&iacute;tica ao projecto europeu, (aquele do milho gr&aacute;tis, n&atilde;o este do redil constru&iacute;do) &eacute; feita por extremistas.<br /><span></span>Existe a esquerda e a direita moderada e respons&aacute;vel. Os criticos s&atilde;o sempre os extremistas de esquerda ou de direita. Um partido neonazi europe&iacute;sta &eacute; baptizado de 'democrata-crist&atilde;o' s&oacute; por pertencer ao mesmo credo.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Por mais fascista, idiota ou p&eacute;rfida que seja a lei europeia sugerida (n&atilde;o precisa de ser imposta, e mesmo imposta no caso portugu&ecirc;s, se a multa for inferior ao lucro que se retira da infrac&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; para ter em conta, veja-se o caso do IA) desde que seja europeia diz-se '&Aacute;men'.<br /><span></span><br /><br /><span></span>E assim temos 80% do nosso corpo de leis oriundo de Bruxelas.<br /><span></span>Ou seja, a soberania nacional est&aacute; descentrada do pr&oacute;prio pa&iacute;s e o pr&oacute;prio teor de defini&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia &eacute; o mercado. O chamado Estado Social europeu est&aacute; originalmente pensado no Estado-Na&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o na &laquo;Uni&atilde;o&raquo; que o utiliza como bandeira de propaganda para aplacar o facto de que a Comunidade Econ&oacute;mica Europeia, n&atilde;o deixou de o ser. Isto &eacute; apenas uma guilda de feirantes.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Continuo a pensar que o estado da coisa n&atilde;o se deve apenas a uma identifica&ccedil;&atilde;o moral entre &laquo;Europa&raquo; e progresso civilizacional na cabe&ccedil;a dos portugueses.<br /><span></span>H&aacute; tamb&eacute;m uma correspond&ecirc;ncia a um profundo complexo de inferioridade no nosso modo de pensar, ora tudo o que &eacute; externo, tudo o que &eacute; estrangeiro &eacute; bom, ao mesmo tempo que nos telejornais e conversas de caf&eacute; nos regozijamos porque temos o melhor pasteleiro de Londres, uma das melhores investigadoras no laborat&oacute;rio Y ou um sapateiro numa marca conceituada de chinelos, tudo como exemplos de como o portugu&ecirc;s pode estar entre os melhores, como se isso fosse motivo de espanto.<br /><span></span><br /><br /><span></span>l)<br /><span></span><br /><br /><span></span>Em suma, e de acordo com as redes sociais, poucas s&atilde;o as express&otilde;es de regozijo por:<br /><span></span><br /><br /><span></span>a1) realiza&ccedil;&atilde;o de um sufr&aacute;gio universal em que o povo &eacute; chamado a decidir o seu destino colectivo, especialmente em assuntos europeus &ndash; algo que temo que nunca seja concretiz&aacute;vel no nosso pa&iacute;s, e isto independentemente de o mesmo ter sido planeado para sacudir o peso crescente do senhor Farage, por parte do senhor Cameron, tendo o tiro sa&iacute;do pela culatra de acordo com as sondagens sensacionalistas que sempre precedem estas vota&ccedil;&otilde;es, decerto sem o intuito de influenciar o resultado final;<br /><span></span><br /><br /><span></span>a2) rejei&ccedil;&atilde;o deste 'modelo' europeu por um pa&iacute;s que n&atilde;o recebe li&ccedil;&otilde;es de democracia de ningu&eacute;m, que n&atilde;o aderiu ao euro para estar no pelot&atilde;o da frente (vide Guterres) e assim evitando um instrumento de controlo centralizador e de desigualdade entre economias, pa&iacute;s que tinha direitos de excep&ccedil;&atilde;o nos 27;<br /><span></span><br /><br /><span></span>a3) supostamente, ser respeitada quer a vontade de um povo de sair de uma esp&eacute;cie de federa&ccedil;&atilde;o, bem como ser respeitado o direito de a esp&eacute;cie de federa&ccedil;&atilde;o &laquo;deixar&raquo; sair um dos seus membros &ndash; dando um exemplo ao mundo de como nem sempre os div&oacute;rcios acabam &agrave; paulada.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Ao inv&eacute;s, pelo que &eacute; poss&iacute;vel perceber nas reac&ccedil;&otilde;es, &eacute; que os malandros dos brit&acirc;nicos est&atilde;o a ser est&uacute;pidos e racistas, e a dar cabo do bem bom para toda a gente e s&atilde;o desde j&aacute; os respons&aacute;veis pela IV Guerra Mundial.<br /><span></span>Porque:<br /><span></span><br /><br /><span></span>b1) v&atilde;o dar cabo da Europa, essa maravilha que permitiu 60 anos de paz, paga, de fundos de converg&ecirc;ncia que culminaram em d&iacute;vida, como se fosse literal essa associa&ccedil;&atilde;o, ou se o clima de <em>apartheid</em> entre membros a Norte e a Sul do Reno n&atilde;o fosse uma esp&eacute;cie de Guerra Fria;<br /><span></span><br /><br /><span></span>b2) deitaram por terra os ideais europe&iacute;stas dos fundadores como se cada postador de Facebook fosse um profundo conhecedor de Jean Monnet ou de monsieur Schuman, e como se essa mesma heran&ccedil;a n&atilde;o estivesse j&aacute; morta e enterrada, a fazer tijolo para um estado totalit&aacute;rio;<br /><span></span><br /><br /><span></span>b3) as motiva&ccedil;&otilde;es brit&acirc;nicas s&atilde;o exclusivamente xen&oacute;fobas, repetindo de forma insultuosa o mote que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o apoiantes do Brestay, como se a avalia&ccedil;&atilde;o de metade de um pa&iacute;s que sempre soube acolher bem outras nacionalidades e cren&ccedil;as, (leia-se Voltaire), dependesse exclusivamente de motivos mesquinhos e ego&iacute;stas, desvalorizando por completo a op&ccedil;&atilde;o de cerca de 17 milh&otilde;es de pessoas e chegando mesmo ao ponto de utilizar uns supostos dados de motor de busca para ridicularizar a op&ccedil;&atilde;o dos brit&acirc;nicos querendo passar a ideia de que n&atilde;o sabiam no que estavam a votar ou de que mudaram de ideia no caminho para as urnas &ndash; a que se pode responder com outra pergunta, a saber, se foram esses motivos mesquinhos que conduziram para a sa&iacute;da, n&atilde;o foram tamb&eacute;m mesquinhos os motivos (econ&oacute;micos) para a entrada?<br /><span></span><br /><br /><span></span>b4) os mesmos que agora criticam, coincidem com aqueles que h&aacute; uns poucos anos atr&aacute;s, tinham o credo na boca a cada passo por causa do terror da imagem que d&aacute;vamos de n&oacute;s pr&oacute;prios enquano portugueses, nada de incompetentes e estr&oacute;inas &ndash; nada disso- adoramos pensar que somos os &laquo;bons alunos&raquo;.<br /><span></span>&laquo;N&oacute;s n&atilde;o somos a Gr&eacute;cia!&raquo; repetia-se o ano passado, e ai de quem ousasse fazer ou dizer algo que nos fizesse parecer mal. Deputados nacionais houve, que foram ridicularizados e criticados por sugerirem calma em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o europeia, ai os mercados, ai a comunidade internacional.<br /><span></span>E tudo isto para mascarar o miser&aacute;vel facto que preferimos criticar os ingleses que v&atilde;o piorar a vida dos 400 000 que moram no UK, em vez de criticar as condi&ccedil;&otilde;es que os for&ccedil;aram a ir para l&aacute;, preferimos martelar contas ou meter criancinhas como ingredientes de hamburguer que passar uma m&aacute; imagem de n&oacute;s pr&oacute;prios, temos terror do que os outros pensam de n&oacute;s.<br /><span></span>N&atilde;o queremos que saibam o que somos na realidade, um pa&iacute;s de complexados incompetentes, incapazes de qualquer evolu&ccedil;&atilde;o ou reformula&ccedil;&atilde;o social, que fecha escolas e deixa os velhos morrer nos hospitais, para salvar o sistema financeiro.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Como podem os outros ter m&aacute; imagem de n&oacute;s, os sabujos, se s&oacute; no Reino Unido vivem 400 000 portugueses (mais 200 000 e suplantavam os retornados das ex col&oacute;nias), &eacute; que os brit&acirc;nicos devem pensar que s&oacute; foram para l&aacute; por causas das praias e do Sol, ou porque adoram a <em>Tower Bridge</em> e peixe com batata frita. N&atilde;o, n&atilde;o existe mis&eacute;ria em Portugal. Eles saem de l&aacute; em vagas migrat&oacute;rias, porque s&atilde;o empreendedores.<br /><span></span>Assim percebem eles a nossa mis&eacute;ria, j&aacute; que n&oacute;s n&atilde;o o fazemos.<br /><span></span>Que bem que se est&aacute; na Europa.<br /><span></span><br /><br /><span></span>Brave New Britain<br /><span></span></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A surpresa]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/a-surpresa]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/a-surpresa#comments]]></comments><pubDate>Tue, 06 Oct 2015 10:14:18 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/a-surpresa</guid><description><![CDATA[A surpresaEmbora n&atilde;o fosse cred&iacute;vel nenhuma novidade ou surpresa no acto eleitoral de 4 de Outubro de 2015, havia ainda uma nada deslumbrada esperan&ccedil;a de que face &agrave; viol&ecirc;ncia do anterior mandato da coliga&ccedil;&atilde;o de direita, seria &oacute;bvia uma rejei&ccedil;&atilde;o em massa dos mesmos protagonistas.Um castigo, a um dos mais inaptos e lesivos executivos de governo da Rep&uacute;blica Portuguesa.Esta afirma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se prende com u [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;">A surpresa<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Embora n&atilde;o fosse cred&iacute;vel nenhuma novidade ou surpresa no acto eleitoral de 4 de Outubro de 2015, havia ainda uma nada deslumbrada esperan&ccedil;a de que face &agrave; viol&ecirc;ncia do anterior mandato da coliga&ccedil;&atilde;o de direita, seria &oacute;bvia uma rejei&ccedil;&atilde;o em massa dos mesmos protagonistas.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Um castigo, a um dos mais inaptos e lesivos executivos de governo da Rep&uacute;blica Portuguesa.<br /><span></span><br /><span></span>Esta afirma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se prende com uma mera discord&acirc;ncia ideol&oacute;gica, emerge a partir do facto indesment&iacute;vel de que no nosso per&iacute;odo de vida assistimos &agrave; maior di&aacute;spora da mais formada gera&ccedil;&atilde;o que Portugal deu &agrave; luz.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Estamos perante o ex&iacute;lio, quase sempre em definitivo, de nossos compatriotas, empurrados para fora, com sofrimento imposs&iacute;vel de quantificar em gr&aacute;ficos do I.N.E., bem como o aumento de suic&iacute;dios e outros indicadores de problemas sociais.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Tenho a forte convic&ccedil;&atilde;o de que nada, sem ser a guerra civil, &eacute; mais indicador da fal&ecirc;ncia e corrup&ccedil;&atilde;o de governos e regimes que o &ecirc;xodo em massa de cidad&atilde;os para fora do seu pa&iacute;s, por a vida se tornar a&iacute; insustent&aacute;vel.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Tenho-o repetido at&eacute; &agrave; exaust&atilde;o, mas parece que nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social o assunto &eacute; secund&aacute;rio, perdidos que estamos na auto flagela&ccedil;&atilde;o por sermos morenos, madra&ccedil;os e mediterr&acirc;nicos.<br /><span></span><br /><span></span>Este &ecirc;xodo derrota completamente qualquer justifica&ccedil;&atilde;o para a exist&ecirc;ncia de um Estado.<br /><span></span><br /><span></span>Se entendermos o Estado como uma ferramenta de organiza&ccedil;&atilde;o e exponencia&ccedil;&atilde;o da vida comum, de forma a o cidad&atilde;o proteger o seu direito e dever a uma vida melhor, a nega&ccedil;&atilde;o deste direito e dever &eacute; por consequ&ecirc;ncia a nega&ccedil;&atilde;o do Estado.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Por mi&uacute;dos, se o Estado visa proporcionar uma vida melhor, a emigra&ccedil;&atilde;o recente &eacute; a nega&ccedil;&atilde;o do Estado.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>De que serve a exist&ecirc;ncia, paga e custeada pelo cidad&atilde;o, de um conjunto de institui&ccedil;&otilde;es subsumidas sob o nome 'Estado' que visam regular e facilitar a vida e coisa p&uacute;blica, se a vida e a coisa p&uacute;blica s&atilde;o impossibilitadas e privatizadas (alienadas da comunidade) por essa mesma Institui&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es?<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Podemos embarcar no cisma da coliga&ccedil;&atilde;o de direita, repetindo que &eacute; tudo consequ&ecirc;ncia de mandatos anteriores, a culpa &eacute; dos outros, os anteriores, a troika, dos mercados, dos ratings, de Bruxelas, do despesismo, etc.<br /><span></span><br /><span></span>Podemos repetir at&eacute; &agrave; exaust&atilde;o os mantras de que estamos a melhorar, a crescer, a evoluir, numa clara nega&ccedil;&atilde;o da realidade lan&ccedil;ando-lhe confian&ccedil;a, panaceia para a economia.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Mas existem pelo menos 3 ideias que de um certo ponto de vista lan&ccedil;am por terra este condicionamento neuro-lingu&iacute;stico, e que simultaneamente permitem erguer crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o sobre a compet&ecirc;ncia e irresponsabilidade dos eleitos e dos eleitores, podendo expor a conclus&atilde;o de que isto &eacute; tudo gente do passado, um anacronismo opcional agora, mas obrigat&oacute;rio extirpar num futuro pr&oacute;prio.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>S&atilde;o elas:<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>1) Portugal foi, &eacute; e sempre ser&aacute; um pa&iacute;s pequeno e perif&eacute;rico. Particularmente porque n&atilde;o controla a sua localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica nem a sua situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica. Esta &uacute;ltima, cremos, por motivos que implicam o reordenamento da estrutura social, e que t&ecirc;m apoios constantes e vigorosos de uma mentalidade reaccion&aacute;ria. De uma forma ou de outra a estrutura classista tem conseguido perpetuar-se ao longo dos s&eacute;culos, e a 'integra&ccedil;&atilde;o' na Uni&atilde;o Europeia n&atilde;o corresponde a um projecto portugu&ecirc;s (ali&aacute;s nunca referendado ou sujeito a outro tipo de sufr&aacute;gio) mas a um projecto feito por outros, ao qual Portugal aderiu inebriado pelo acesso a fundos comunit&aacute;rios.<br /><span></span><br /><span></span>Isto tem sido repetido at&eacute; &agrave; exaust&atilde;o pelas sucessivas oposi&ccedil;&otilde;es, and&aacute;mos a viver acima das nossas possibilidades, mas apenas porque as possibilidades n&atilde;o eram nossas.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>2)O ritmo de explora&ccedil;&atilde;o do capitalismo actual &eacute; vertiginoso e incomport&aacute;vel para o planeta.<br /><span></span><br /><span></span>Continuamos a aposta numa economia de massas, composta por excedentes e lucros, que falha rotundamente numa gest&atilde;o racional dos recursos, tudo branqueado pela repeti&ccedil;&atilde;o do dogma de auto regula&ccedil;&atilde;o dos mercados. Quem n&atilde;o percebe a imoralidade de consumir uma banana que atravessou um Oceano e um Hemisf&eacute;rio para chegar &agrave;s suas m&atilde;os, n&atilde;o pode ter o mesmo direito de voto que pessoas mais esclarecidas.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>3)Continuamos a apostar na desigualdade social, n&atilde;o a resolvendo, apenas a mascarando. Solidificamos uma sociedade amaciada pela hipocrisia, a que damos o nome de 'meritocracia'.<br /><span></span><br /><span></span>Sobrevalorizamos o ego&iacute;smo e a ambi&ccedil;&atilde;o e apagamos essa m&aacute; consci&ecirc;ncia com impostos.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Concorde-se ou n&atilde;o com estas 3 ideias, h&aacute; uma que &eacute; evidente quer a n&iacute;vel de trabalhos cient&iacute;ficos quer na presen&ccedil;a da voz popular.<br /><span></span><br /><span></span>&Eacute; a de que o planeta onde vivemos &eacute; um sistema fechado.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>S&oacute; por si este dado devia determinar uma economia gerida por recursos e n&atilde;o ao sabor dos 'mercados'. N&atilde;o pode ser a biosfera sujeita a este tipo de press&atilde;o, s&oacute; por causa dos bens de prest&iacute;gio e de economias cujo &oacute;pio &eacute; o desperd&iacute;cio e o escalonamento em segmentos relativos ao estatuto social dos consumidores. Parece que foi isso que aconteceu na Ilha da P&aacute;scoa, e n&atilde;o parece ter sido produtivo.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Sustentando n&oacute;s uma economia autof&aacute;gica e autot&eacute;lica, baseada no consumo e na obsolesc&ecirc;ncia programada, temos de olhar para esta gente dos partidos, advogados e economistas, e perguntar se s&atilde;o eles, al&eacute;m da corrup&ccedil;&atilde;o abafada, que servem para gerir a cada vez menor coisa p&uacute;blica.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Grande parte das pessoas na minha rede de conhecimentos e rela&ccedil;&otilde;es, esbo&ccedil;ou, com pasmo e indigna&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil, uma reac&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos resultados eleitorais do passado Domingo.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>N&atilde;o percebo o porqu&ecirc; do espanto.<br /><span></span><br /><span></span>Quem votou na coliga&ccedil;&atilde;o de direita, foram os mesmos, foram todos aqueles que acreditam que a malta de direita tem dinheiro e est&aacute; habituado a geri-lo. Foram todos aqueles que repetem frases feitas de que o socialismo consiste em gastar bem o dinheiro dos outros e outros lugares comuns, que pela estupidez t&ecirc;m for&ccedil;a para calar qualquer tentativa de resposta.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Quem votou PAF faz pouca f&eacute; nas ideias anteriormente indicadas.<br /><span></span><br /><span></span>Os eleitores s&atilde;o geralmente pertencentes &agrave; burguesia urbana com forte cren&ccedil;a na possibilidade de regula&ccedil;&atilde;o do capitalismo moderno, igual cren&ccedil;a na infinidade de recursos naturais e humanos, e por fim, acreditam piamente na desigualdade, de facto, entre humanos, seja desigualdade gen&eacute;tica, seja social, seja de &acirc;nimo ou auto motivacional. Apenas os mais corajosos o ve&ecirc;m e admitem.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Os outros mascaram com a fal&aacute;cia da meritocracia.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Esta meritocracia &eacute; bipolar, no sentido em que por um lado parece &oacute;bvio que os 'melhores' (crit&eacute;rio nebuloso) fazem evoluir a sociedade, mas por outro lado o meritocrata assumido assume-se como uma minoria, uma excep&ccedil;&atilde;o contra a regra.<br /><span></span><br /><span></span>Os outros s&atilde;o a seus olhos, todos uns cal&otilde;es, oportunistas, ou conformados, enquanto apenas ele e quem ele respeita (respeito que pode vir pela posse de bens de prest&iacute;gio que o meritocrata almeja) &ndash; o meritocrata est&aacute; sempre no lado oposto ao dos incapazes e pregui&ccedil;osos, dos piegas.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>O meritocrata que tem alguma coisinha arrancada ao mercado de trabalho, tira valor para si atrav&eacute;s da decuplica&ccedil;&atilde;o do seu sacrif&iacute;cio.<br /><span></span><br /><span></span>O meritocrata &eacute; bom gestor, bem remunerado porque trabalhou muito, se esfor&ccedil;ou muito. Uma mulher da limpeza ou pedreiro, n&atilde;o se esfor&ccedil;aram tanto, portanto t&ecirc;m isso reflectido no sal&aacute;rio. At&eacute; porque n&atilde;o estudaram, andaram por a&iacute; a vegetar. Se algu&eacute;m estuda &eacute; porque o que aprendeu nada vale para o mercado do trabalho, ou porque existem licenciados a mais.<br /><span></span><br /><span></span>A meritocracia &eacute; sempre uma desculpa com costas largas para justificar a desigualdade.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>&Eacute; mais f&aacute;cil encontrar uma manada de unic&oacute;rnios nas Berlengas, que um cidad&atilde;o trabalhador portugu&ecirc;s que assuma que assuma a sua incompet&ecirc;ncia com igual denodo com que assume que os outros &eacute; que s&atilde;o sempre os respons&aacute;veis pelo estado a que 'isto' chegou, revestidos de defeitos contrapostos &agrave;s suas pr&oacute;prias virtudes.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Mais dif&iacute;cil ser&aacute; encontrar um gestor, ou administrador de empresa que desfa&ccedil;a por terra a sua cren&ccedil;a de valor pr&oacute;prio, afirmando que o trabalho que faz pode ser feito por outro, pode ser feito por um tipo da linha de montagem se lhe for dada forma&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o para isso. Onde est&aacute; portanto a base da desigualdade laboral? Nas habilita&ccedil;&otilde;es? Nas op&ccedil;&otilde;es da vida pessoal de cada um?<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Na mobiliza&ccedil;&atilde;o a troco da pr&oacute;pria individualidade ou na capacidade de reunir e passar informa&ccedil;&otilde;es sobre colegas de trabalho aos capatazes, com o objectivo de melhorar o expediente?<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>As profiss&otilde;es s&atilde;o remuneradas tendo em conta a sua escassez? Porque recebe mais um m&eacute;dico que um alfaiate ou que um artes&atilde;o que constr&oacute;i guitarras ou canecas das Caldas?<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>A classe m&eacute;dia portuguesa legitimou mais do mesmo, pelo menos metade da classe m&eacute;dia. A outra metade vingou-se comodamente atrav&eacute;s da absten&ccedil;&atilde;o, elaborando cen&aacute;rios segundo os quais os pol&iacute;ticos iriam fazer uma profunda auto culpabiliza&ccedil;&atilde;o e reflectir gravemente sobre o fen&oacute;meno.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>A classe m&eacute;dia que continua a legitimar a mesma incompet&ecirc;ncia de sempre, &eacute; a que pode e quer continuar a mandar vir <em>gadgets</em> da Amazon, a visitar Nova Iorque em escapadinhas nas pontes que elabora logo no in&iacute;cio do ano, para tirar fotos e meter nas redes sociais dignificando assim a sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>&Eacute; a classe m&eacute;dia que optando, e sendo contra, pode colocar os filhinhos no ensino privado, como se fosse um mal necess&aacute;rio e protector, que acha que por poder pagar mais tem direito a um um servi&ccedil;o de sa&uacute;de um pouco melhor. S&atilde;o os sinais do tempo e temos de nos adaptar.<br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span>Os pobres, miser&aacute;veis, esses t&ecirc;m telem&oacute;veis e n&atilde;o poupam e n&atilde;o temos de pagar por eles, de dividir o fruto do nosso trabalho t&atilde;o arduamente ganho nos servi&ccedil;os ou no <em>import-export.</em><br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span><span>Raios</span><em>, </em><span>temos direito ao nosso cimbalino di&aacute;rio com pastel de nata no refeit&oacute;rio da empresa, que nos subcontrata para fazermos o que ela n&atilde;o quer fazer, e n&oacute;s subcontratamos outros para fazer o que n&oacute;s n&atilde;o queremos fazer, afinal, somos inovadores e competitivos.</span><br /><span></span><br /><span></span><span>O que sustenta os partidos do arco governativo s&atilde;o estas legi&otilde;es urbanas e suburbanas, s&atilde;o os reformados que defendem aguerridamente as suas pens&otilde;es, e que escolhe de acordo com o grau de bo&ccedil;alidade o seu candidato.</span><br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span><span>O que sustenta a coliga&ccedil;&atilde;o PAF s&atilde;o aqueles que ainda t&ecirc;m alguma coisa, e que n&atilde;o querem perder aquilo que acham que t&ecirc;m. Pudera, foram tra&ccedil;ados cen&aacute;rios ca&oacute;ticos pelos comentadores e paineleiros dos canais generalistas isentos.</span><br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span><span>O crime n&atilde;o &eacute; defenderem o que &eacute; 'seu'.</span><br /><span></span><br /><span></span><span>N&atilde;o. </span><br /><span></span><br /><span></span><span>A sua falha &eacute; n&atilde;o conseguirem perceber que de acordo com a plausibilidade das 3 ideias acima citadas, aquilo que &eacute; 'seu' n&atilde;o &eacute; pass&iacute;vel de defesa, pois n&atilde;o depende de si. </span><br /><span></span><br /><span></span><span>As pens&otilde;es n&atilde;o dependem deles, tal como a sua riqueza material n&atilde;o depende de si. Basta a China querer o monop&oacute;lio dos </span><em>Call Centers</em><span>, para boa parte destes eleitores se ver na posi&ccedil;&atilde;o daqueles desempregados a que hoje chamam de parasitas e madra&ccedil;os.</span><br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span><span>Como exemplo, de nada adianta defender o direito de os portugueses comerem bananas, se as greves dos camionistas franceses ou espanh&oacute;is implicarem uma ruptura de stocks em Portugal. N&atilde;o depende de n&oacute;s. E nada ou quase nada &eacute; feito para corrigir esta depend&ecirc;ncia, n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o do dia.</span><br /><span></span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><span></span><span>Ao contr&aacute;rio de muita gente, e pese embora as minhas esperan&ccedil;as, sinto algum al&iacute;vio </span><span>nos resultados destas elei&ccedil;&otilde;es.</span><br /><span></span><br /><span></span><span>Por perceber que para haver tanta gente a querer manter este executivo, e haver ainda mais a achar que o melhor protesto &eacute; o sil&ecirc;ncio, &eacute; porque ainda h&aacute; muita riqueza ou cegueira no nosso pa&iacute;s.</span><br /><span></span><br /><span></span><span>Se for riqueza, prova-se a compet&ecirc;ncia do executivo.</span><br /><span></span><br /><span></span><span>Se n&atilde;o for, &eacute; porque h&aacute; muita banana em Portugal.</span><br /><span></span><br /><span></span> <br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[ A máscara e a congruência – Parte 3 ]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/-a-mascara-e-a-congruencia-parte-3]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/-a-mascara-e-a-congruencia-parte-3#comments]]></comments><pubDate>Tue, 15 Sep 2015 01:57:04 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/-a-mascara-e-a-congruencia-parte-3</guid><description><![CDATA[  V    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Costa do castelo, ou seja o l&iacute;der socialista Ant&oacute;nio Costa, veio a terreiro defender que o drama dos refugiados &eacute; afinal uma oportunidade, desta feita n&atilde;o para os portugueses emigrarem, pois isso seria escandalosamente pr&oacute;ximo do seu oponente no mesmo espectro pol&iacute;tico, mas para encetar a maior campanha de repovoamento a seguir &agrave; realizada logo a seguir &agrave; funda&cced [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;">  V<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    <span style="">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>O Costa do castelo, ou seja o l&iacute;der socialista Ant&oacute;nio Costa, veio a terreiro defender que o drama dos refugiados &eacute; afinal uma oportunidade, desta feita n&atilde;o para os portugueses emigrarem, pois isso seria escandalosamente pr&oacute;ximo do seu oponente no mesmo espectro pol&iacute;tico, mas para encetar a maior campanha de repovoamento a seguir &agrave; realizada logo a seguir &agrave; funda&ccedil;&atilde;o da nacionalidade, na Alta Idade M&eacute;dia.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Com refugiados. S&iacute;rios. Islamitas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Curioso como a Hist&oacute;ria parece repetir-se, desta vez s&oacute; alterando a confiss&atilde;o religiosa.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Uma esp&eacute;cie de Reconquista Crist&atilde;, ao contr&aacute;rio.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Nada temos contra a confiss&atilde;o religiosa em si, ou contra o acolhimento de pessoas que escapam a guerras que n&atilde;o provocaram e procuram abrigo noutras paragens.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Mas h&aacute; que pensar na forma como os nossos pol&iacute;ticos olham para o mundo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  &Eacute; que para o l&iacute;der socialista, os refugiados viriam para o nosso interior desertificado, sem escolas, esquadras de pol&iacute;cia, bombeiros ou hospitais, para trabalharem nas florestas e na agricultura.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Para o senhor Costa, retirar a possibilidade destes refugiados do Norte de &Aacute;frica e do M&eacute;dio Oriente<span style="">&nbsp; </span>de rumar ao El Dorado al&eacute;m Reno, parece um presente solid&aacute;rio.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Oportunista e bom leitor do esp&iacute;rito reinante, como qualquer pol&iacute;tico aspirante ao poder, o senhor Costa tenta surfar a onda de solidariedade moral, que est&aacute; a varrer, lado a lado com a reac&ccedil;&atilde;o &agrave; entrada de corpos estranhos, o continente europeu.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    J&aacute; vimos isto com Maddie, ou com o 'Salvem Timor' e a palha&ccedil;ada do Lusit&acirc;nia Expresso,<span style="">&nbsp; </span>de vez em quando surgem assim umas campanhas de massas apelando a uma ades&atilde;o moral a que &eacute; de bom tom mostrar que se partilha, transformando as causas verdadeiras em mais uma moda apalha&ccedil;ada.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A fuga dos refugiados parece ter como alvo os arredores do Ruhr, para o centro da Europa ignorando por completo as periferias, o que n&atilde;o deixa de ser ir&oacute;nico.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A Alemanha v&iacute;tima do seu pr&oacute;prio sucesso.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Estes refugiados sabem o que querem e o que n&atilde;o querem, s&atilde;o desesperados mas n&atilde;o a qualquer pre&ccedil;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Esse foi o erro de Costa, motivado por anos de vida em redoma, ou por manifesta infelicidade nos pensamentos e nas palavras.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Deve ter pensado que os desesperados vindos do 'deserto' se contentariam em tornarem-se escravos em pa&iacute;s alheio. Esta gente que vem da S&iacute;ria, viveu num regime cruel, e cuja guerra civil foi despoletada por maus anos agr&iacute;colas e conflictos sociais que emergiram por causa da ocupa&ccedil;&atilde;o das terras.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Est&aacute;-se mesmo a ver esta gente a querer ir fazer o que os portugueses n&atilde;o querem fazer, por causa da desconsidera&ccedil;&atilde;o que se considera ser um ordenado baixo, trabalho repetitivo e sem muita considera&ccedil;&atilde;o social.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Esta esp&eacute;cie de cinismo, no qual os refugiados s&atilde;o metidos onde ningu&eacute;m quer viver, e onde o Estado n&atilde;o investe um tost&atilde;o para fixar popula&ccedil;&otilde;es envelhecidas, n&atilde;o &eacute; mera infelicidade de informa&ccedil;&atilde;o. Revela ao inv&eacute;s uma concep&ccedil;&atilde;o social e antropol&oacute;gica que deveria colocar de sobreaviso os eleitores para o pr&oacute;ximo acto eleitoral, se eles n&atilde;o votassem exclusivamente por caras e preconceitos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A simpatia para estes potenciais refugiados &eacute; coerente pela demonstrada ao camarada de partido, Z&eacute; Seguro.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Para Costa como para Coelho, o 'C' n&atilde;o &eacute; de curto circuito mas de complementaridade.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Para Costa como para Coelho, qualquer emprego &eacute; melhor que nenhum emprego, e quase que &eacute; ofensa se um s&iacute;rio recusar trabalhar de Sol a Sol, para os exemplos de gest&atilde;o que encontra nos patr&otilde;es portugueses, que pagam bem e que j&aacute; t&ecirc;m as explora&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas a abarrotar de emigrantes, os &uacute;nicos afinal que conseguem fazer render os ordenados de mis&eacute;ria, requisitos para n&atilde;o perder competitividade.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    H&aacute; contudo aqui uma diferen&ccedil;a vis&iacute;vel entre a direita e a suposta esquerda portuguesas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Se o senhor Coelho se lembrasse primeiro (como o Futebol Clube do Porto se lembrou das doa&ccedil;&otilde;es de 1 milh&atilde;o de euros para a causa como forma de passar um pano por cima dos inusitados investimentos no plantel de futebol) j&aacute; o estado portugu&ecirc;s teria firmado protocolos com empresas de servi&ccedil;os e telecomunica&ccedil;&otilde;es recrutando em regime de trabalho tempor&aacute;rio e a recibos verdes, o que faria esta gente toda revitalizar o mercado de trabalho, fazendo os portugueses nestas condi&ccedil;&otilde;es ter de trabalhar mais e deixarem de ser piegas, pois malta que vem do deserto e da guerra, trabalha por tuta e meia, ou melhor, ajuda a aumentar a competitividade.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Baixar os custos do trabalho?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Vinde irm&atilde;os, esta &eacute; a nossa prenda em nome dos antepassados fen&iacute;cios em comum, somos solid&aacute;rios, vinde se trabalhardes para n&oacute;s, a fazer o que n&atilde;o queremos, num pa&iacute;s com desemprego alto apenas porque os aut&oacute;ctones n&atilde;o querem 'vergar a mola' como diria o camarada Jer&oacute;nimo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A dupla CC (Costa e Coelho) n&atilde;o antev&ecirc; qualquer critica de conte&uacute;do &agrave;s palermices que vai dizendo e fazendo. Por um lado dizem claramente que Portugal &eacute; um pa&iacute;s pequeno que n&atilde;o tem peso no mundo, e que s&oacute; &agrave; conta de esfor&ccedil;o e competi&ccedil;&atilde;o nivelada por baixo com colossos populacionais &eacute; que nos safamos. Mas cada um destes l&iacute;deres sente-se mandatado como Duce de grande pot&ecirc;ncia nos 'recados' que manda &agrave; 'Europa' via c&acirc;maras das esta&ccedil;&otilde;es televisivas, que abjectamente os procuram para todo o tipo de coment&aacute;rio relevante ou nem por isso.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    N&atilde;o consta at&eacute; ao momento, que as esta&ccedil;&otilde;es passem o recado ao destinat&aacute;rio, ou que a 'Europa' acordada pelo &iacute;mpeto de tais mensagens e do peso de tais l&iacute;deres reconsidere o natural atavismo do seu proceder. Os discursos s&atilde;o portanto semelhantes aos improp&eacute;rios que condutor azelha diz a outro que o chama &agrave; aten&ccedil;&atilde;o por uma infrac&ccedil;&atilde;o no tr&acirc;nsito, levando a mulher ao lado.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  &laquo;-S&oacute; n&atilde;o lhe dou porque ele fugiu num carro mais r&aacute;pido!&raquo; - isto &eacute;, s&atilde;o discursos para portugu&ecirc;s ver.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Mas o tuga gosta.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Ep&aacute; o Costa ontem mandou um recado para os gajos que os gajos at&eacute; amouxaram. O Coelho amea&ccedil;ou de porrada com um espanador de penas que eles at&eacute; tremeram.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Este fingir que mandamos alguma coisa agrada ao portugu&ecirc;s comum, que durante alguns instantes n&atilde;o se sente t&atilde;o irrelevante e miser&aacute;vel.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Nada interessa perceber a inger&ecirc;ncia europeia e americana nos conflictos no Sul do Mediterr&acirc;neo, desde os bombardeamentos na L&iacute;bia ao bra&ccedil;o de ferro com a R&uacute;ssia na S&iacute;ria, ou o interesse americano, que por muito menos por duas vezes invadiu o Iraque, colocando o M&eacute;dio Oriente a ferro e fogo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Nada de criticar uma Europa que agora exige solidariedade quando antes exigiu austeridade, mas s&oacute; agora que a crise chega ao centro da Europa, pois se ficasse nas orlas, o problema seria &agrave; mesma dos PIGS.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Enquanto o problema estava no Sul, o c&eacute;u na Alemanha estava azul.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Este dito engra&ccedil;ado n&atilde;o &eacute; do camarada Jer&oacute;nimo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Costa e Coelho n&atilde;o podem criticar uma Europa que recebe refugiados em catadupa, especialmente para o emprego dispon&iacute;vel. A federa&ccedil;&atilde;o alem&atilde;, vem buscar m&eacute;dicos &agrave; porta das universidades portuguesas, e isso ainda &eacute; como o outro. Juntar s&iacute;rios n&atilde;o formados e mistur&aacute;-los com milh&otilde;es de turcos que h&aacute; anos formam a maior comunidade de 'estrangeiros' aos quais n&atilde;o sabem o que fazer, tal como os franceses, como periodicamente podemos ver nas not&iacute;cias.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  &Eacute; que se souberem jogar &agrave; bola, podem ser naturalizados, se n&atilde;o sabem, &eacute; dif&iacute;cil.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Mas a pr&oacute;pria Europa tem sido solid&aacute;ria por interesse pr&oacute;prio, pois recebe imigrantes desde os anos 60, para baixar o custo do trabalho, para ter gente a fazer o que os aut&oacute;ctones n&atilde;o querem fazer.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Agora tem de lidar com comunidades que n&atilde;o se integram numa certa forma de estar mais ou menos comum de Lisboa aos Urais.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  N&atilde;o porque estas comunidades sejam m&aacute;s ou mal dispostas, pura e simplesmente porque n&atilde;o abandonam as suas tradi&ccedil;&otilde;es e culturas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A quest&atilde;o dos valores culturais tem repercuss&atilde;o directa sobre o saldo demogr&aacute;fico destas comunidades.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  N&atilde;o se trata de uma quest&atilde;o de racismo ou de negar aux&iacute;lio aos refugiados.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Trata-se de enunciar rapidamente, que &eacute; um assunto que tem de ser debatido.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    No exemplo portugu&ecirc;s, h&aacute; muito que se abandonaram quaisquer tentativas em larga escala de manter uma cultura portuguesa e j&aacute; nem falo da quantidade de m&uacute;sicas em portugu&ecirc;s que passam na r&aacute;dio. Portugal n&atilde;o est&aacute; na moda, especialmente para os portugueses, nem quando o Mourinho ganha mais um t&iacute;tulo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Resta erradicar o caldo gen&eacute;tico de 8 s&eacute;culos, matando os velhos nos lares e recebendo toda a emigra&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel, desde que se impe&ccedil;a os jovens aut&oacute;ctones de procriar e enxot&aacute;-los daqui para fora o quanto antes.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Lembro at&eacute; certa interven&ccedil;&atilde;o do senhor Marcelo Rebelo de Sousa que exortava &agrave; importa&ccedil;&atilde;o de malta para trabalhar, pois iriam ser esses a meter o dinheirinho para a nossa (dele) seguran&ccedil;a social, ergo, reformazinha.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O senhor Ant&oacute;nio Guterres, teve discurso semelhante aquando das obras de constru&ccedil;&atilde;o da Ponte Vasco da Gama.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Que mal fizeram os portugueses para serem t&atilde;o mal tratados?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Eu n&atilde;o defendo a entrada de nenhum refugiado em Portugal, enquanto os portugueses forem o povo mais racista da Europa. S&atilde;o racistas, porque odeiam, n&atilde;o suportam, portugueses.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A dupla CC n&atilde;o tem interesse em colocar estas quest&otilde;es na mesa. S&oacute; interessa privatiza&ccedil;&otilde;es e contas furadas, sem qualquer plano de futuro que n&atilde;o passe por acenar com chupa-chupas aos emigrantes para voltarem para onde nem os refugiados querem ir.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Mesmo na 'Europa' se observa esse sentimento de estranheza.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Quem est&aacute; a financiar esta vaga de refugiados?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Como &eacute; poss&iacute;vel uma di&aacute;spora a partir de viagens dispendiosas, a partir de pa&iacute;ses em que para comprar um Iphone, um ano inteiro de trabalho n&atilde;o chega?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Portugal, palco de uma guerra civil de luva branca, pa&iacute;s com 5 milh&otilde;es de nacionais fora do seu territ&oacute;rio natural, tem legitimidade para pensar este assunto com a profundidade que merece?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Um em cada tr&ecirc;s portugueses n&atilde;o est&aacute; em Portugal.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  N&atilde;o somos tamb&eacute;m um pa&iacute;s de refugiados?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Podemos criticar o monstro burocr&aacute;tico europeu, que com suas coniv&ecirc;ncias e inger&ecirc;ncias ajudou a criar o caos &agrave; porta de casa, e fez emergir a abomina&ccedil;&atilde;o do Estado Isl&acirc;mico?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Pelas redes sociais, &eacute; tudo uma quest&atilde;o entre a boa moral e aqueles que acham que t&ecirc;m de reeditar as cruzadas contra os mouros.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Ouvi dizer que T&acirc;nger &eacute; bestial nesta altura do ano.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Pouca gente se insurge contra o aborto europeu, ocupados que estamos a mandar vir <em style="">smartphones</em> da <em style="">amazon.uk</em> e a vender queijo dentro de azeite <em style="">gourmet</em> para a Alemanha.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Nem tudo est&aacute; mal, o senhor Garcia Pereira, esse radical, j&aacute; fala de sa&iacute;da do Euro, o que j&aacute; mostra que a ideia se est&aacute; a entranhar. Sempre teve faro para onde daria o vento, e com o descalabro grego, parecia que nunca mais ir&iacute;amos sair desta nau dos loucos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    E n&atilde;o vamos porque a malta sente que esta nau Portugal, n&atilde;o tem futuro.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Primeiro porque estamos habituados aos <em style="">gadgets</em> e aos problemas da gula que afligem os pa&iacute;ses desenvolvidos como n&oacute;s. Macacos nos mordam se daremos algum passo atr&aacute;s.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Ningu&eacute;m quer saber porque coincide esta vaga de mis&eacute;ria humana com os apelos &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um ex&eacute;rcito &uacute;nico europeu. Faz todo o sentido, somos todos europeus, apesar de uns serem de primeira e outros de segunda, pois uns s&atilde;o formigas e outros cigarras.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Os mercados exigem que a Europa se revele uma pot&ecirc;ncia mundial, evitando o fim do seu processo centralista ao mesmo tempo que crian&ccedil;as mortas d&atilde;o &agrave; costa e as classes m&eacute;dias se sentem horrorizadas e aliviadas com a sua sensibilidade. As mesmas classes m&eacute;dias que legitimam os c&uacute;mplices dos dramas que batem &agrave; porta e que daqui a nada desaparecem porque deixam de ser noticiados.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Pela primeira vez no s&eacute;culo XXI todos os comboios v&atilde;o dar &agrave; Alemanha, desta vez em sentido oposto ao que no s&eacute;culo passado marcou o maior horror na hist&oacute;ria do velho continente.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Portugal perdeu mais uma vez o comboio da Hist&oacute;ria.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Entretanto resta-nos ir delirando com os pol&iacute;ticos que fornecem a ilus&atilde;o da altern&acirc;ncia democr&aacute;tica, e lavar as vistas em peri&oacute;dicos cor de rosa.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Bem isso &eacute; uma redund&acirc;ncia.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A pol&iacute;tica &eacute; entretenimento.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Que me interessa onde o 33 vai votar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Que interessa as coliga&ccedil;&otilde;es, que interessa toda a fic&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica que visa a mistifica&ccedil;&atilde;o do processo pol&iacute;tico?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    N&atilde;o vale a pena ter esperan&ccedil;a no futuro.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Os profissionais da propaganda e os profissionais da pol&iacute;tica v&atilde;o continuar a surfar as ondas da moda de pensamento.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Portugal &eacute; a zona de rebenta&ccedil;&atilde;o de uma praia, ora se estatelando na areia, ora ganhando for&ccedil;a andando para tr&aacute;s para se voltar a estatelar no areal.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O que vale &eacute; que a malta gosta.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>        </div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[ A máscara e a congruência – Parte 2 ]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/-a-mascara-e-a-congruencia-parte-2]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/-a-mascara-e-a-congruencia-parte-2#comments]]></comments><pubDate>Tue, 15 Sep 2015 01:55:23 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/-a-mascara-e-a-congruencia-parte-2</guid><description><![CDATA[  IV    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tamb&eacute;m supostamente &agrave; esquerda, seja caviar, ou a ovas de carapau, encontramos a celebridade medi&aacute;tica Joana Amaral Dias.  Na altura em que este texto foi escrito tinha acabado de sair aquilo que segundo a visada foi um chamar de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; hipocrisia medi&aacute;tica, em forma de foto nua, com o rapaz por tr&aacute;s, e gr&aacute;vida de uma crian&ccedil;a.  Num primeiro tempo cha [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;">  IV<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    <span style="">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>Tamb&eacute;m supostamente &agrave; esquerda, seja caviar, ou a ovas de carapau, encontramos a celebridade medi&aacute;tica Joana Amaral Dias.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Na altura em que este texto foi escrito tinha acabado de sair aquilo que segundo a visada foi um chamar de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; hipocrisia medi&aacute;tica, em forma de foto nua, com o rapaz por tr&aacute;s, e gr&aacute;vida de uma crian&ccedil;a.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Num primeiro tempo chamou-lhe homenagem &agrave; gravidez e &agrave; mulher. Como um motivo s&oacute; n&atilde;o chega, vai de expor a hipocrisia dos <em style="">media</em>.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Entretanto j&aacute; correram rios de tinta sobre o assunto, que disputou brevemente, a aten&ccedil;&atilde;o ao preso 33.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Quer-se l&aacute; saber das pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es, j&aacute; todos assumimos que nada vai mudar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Rios de tinta correram, alguns mais perspicazes que este.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Merc&ecirc; de uma beleza assinal&aacute;vel, devida aos cabelos louros e sorriso f&aacute;cil quando n&atilde;o defende a feminilidade dos cidad&atilde;os, a senhora Joana Dias embarcou na aventura do Bloco de Esquerda desde a sua funda&ccedil;&atilde;o, e desde a mesma foi deputada precoce, assinal&aacute;vel pelo tom colorido que colocou em bancadas pejadas de fatos de fazenda cinzenta e azul.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Anos mais tarde militaria nas fileiras presidenciais do senhor M&aacute;rio Soares, esse revolucion&aacute;rio de esquerda que adoptou in&uacute;meras ideias bloquistas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Parece que tamb&eacute;m foi a forma encontrada por esta psic&oacute;loga para dar uma pedrada no charco, ter a coragem de fazer algo de diferente, marcar a sua qualidade de mulher, denunciar hipocrisias, ao servi&ccedil;o do mais antigo pol&iacute;tico em exerc&iacute;cio, respons&aacute;vel por pol&iacute;ticas progressistas de gaveta.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Ah mulher de t&ecirc;mpera, amazona da coer&ecirc;ncia!<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Tal n&atilde;o foram as ondas de choque provocadas pela sua presen&ccedil;a na bafienta pol&iacute;tica portuguesa, que foram movidas campanhas contra si, a mais c&eacute;lebre, aquela que dava conta de ser propriet&aacute;ria de um ve&iacute;culo de marca Mercedes-Benz e de modelo CLK, uma bomba na altura, e com o qual se deslocaria para o Parlamento n&atilde;o abdicando do subs&iacute;dio para o passe social dado aos deputados.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Cedo esclareceu esta campanha caluniosa movida por for&ccedil;as obscuras amea&ccedil;adas pelo seu brilhantismo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Ao longo dos anos as suas interven&ccedil;&otilde;es mais acaloradas, prenderam-se com os direitos femininos, baseados no argumento recorrente de que tinha de haver acesso e liberdade para melhores condi&ccedil;&otilde;es retributivas para as mulheres, a par dos homens, pois mais mulheres acabavam os cursos nas universidades, e com melhores notas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Nunca se dignou a explicar o porqu&ecirc; dos homens serem burros ou madra&ccedil;os, nem de clarificar as estat&iacute;sticas onde se baseava, como professora de Psicologia, nunca foi muito de frequentar universidades de Engenharia.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Confesso que nunca entendi esta concep&ccedil;&atilde;o de igualdade, uma vez que &eacute; estabelecida uma meritocracia baseada na realiza&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O que significa que a desigualdade salarial &eacute; t&atilde;o inevit&aacute;vel como desejada entre profiss&otilde;es, como entre g&eacute;neros, especialmente se o g&eacute;nero feminino tiver mais 'cabe&ccedil;a' para a 'escola'.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Parece portanto que o m&eacute;rito acad&eacute;mico est&aacute; irrevogavelmente associado &agrave; compet&ecirc;ncia em todos os aspectos da vida laboral, e que por isso os burros ou os mam&otilde;es devem ter um ordenado digno, mas inferior aos que foram alunos de excel&ecirc;ncia.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O que &eacute; sinistro para quem enverga a m&aacute;scara de ser de esquerda.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O anti aristotelismo da senhora Joana Amaral Dias sempre a levou a combater vigorosamente todos os estere&oacute;tipos associados &agrave; mulher mesmo alienando metade do eleitorado, o eleitorado masculino.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Boa parte deste eleitorado, efeminado por campanhas de <em style="">marketing</em> publicit&aacute;rio que cada vez mais se baseiam na flagela&ccedil;&atilde;o do masculino, aceita bem a Joana Amaral Dias que conhecemos, porque &eacute; uma cara bonita aliada a uma intelig&ecirc;ncia combativa, que faz perdoar todas as diferen&ccedil;as ideol&oacute;gicas que se possam interpor. E por isso nem se considera desconsiderado com as interven&ccedil;&otilde;es da frontal Joana Dias, quer porque interiorizou esse cil&iacute;cio interior de que tudo o que &eacute; masculino n&atilde;o tem beleza, quer porque &eacute; de homem flagelar-se no altar da deusa.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Afinal, homem que n&atilde;o gosta de qualquer mulher n&atilde;o &eacute; homem, j&aacute; o profetizava Jos&eacute; Rodrigues dos Santos com as suas carinhas marotas esgalhadas no final do Telejornal quando era moda acabar o mesmo, sempre com passagem de modelos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A convic&ccedil;&atilde;o profunda, aliada &agrave; sede de protagonismo, n&atilde;o permitem qualquer leitura de hipocrisia no comportamento da senhora Joana Amaral Dias.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Ela acredita mesmo na imagem que acha que projecta. &Eacute; essa a sua m&aacute;scara.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Tem de acreditar. Construir mundos nos quais o ego sai sempre &agrave; melhor luz, &eacute; o trabalho fotogr&aacute;fico que o pr&oacute;prio ego tem de fazer em qualquer pessoa, como forma de sobreviv&ecirc;ncia, como mecanismo filogen&eacute;tico, que levado ao extremo se designa de mitomania, mas nada como Joana Dias para o esclarecer, em virtude da sua forma&ccedil;&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A Joana, acha que posando nua para uma revista cor-de-rosa, provoca um debate sobre os 'direitos da parentalidade, da maternidade' t&atilde;o atacados nos dias que correm. N&atilde;o que Joana Dias n&atilde;o tenha raz&atilde;o. Ao longo do tempo tem quase sempre tido, mas isso tamb&eacute;m se pode dizer de qualquer demagogo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A demagogia tem sempre raz&atilde;o. O crime do demagogo &eacute; usar a verdade coeva em seu benef&iacute;cio, o castigo &eacute; perder a credibilidade, 'ah, &eacute; demagogo'.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Joana sabe isto, &eacute; autora at&eacute; de um livro sobre o que os pol&iacute;ticos t&ecirc;m na cabe&ccedil;a.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Joana n&atilde;o cometeu nenhum crime, de facto, apenas de gosto. Escarrapachou o mau gosto, aliado ao pudor que ainda temos de misturar pol&iacute;tica com coisas comezinhas. O problema n&atilde;o foi posar descascada. Foi querer seriedade depois de posar descascada. E foi por antes, ter exigido seriedade aos outros. Mas n&oacute;s, opini&atilde;o p&uacute;blica, castigamos Joana pela sua ades&atilde;o &agrave;s doutrinas de S&atilde;o Tom&aacute;s?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    N&atilde;o. O camarada Relvas, teve a aud&aacute;cia a que nos acostumou, de voltar a aparecer no pequeno ecr&atilde;, desta feita para comentar o indigente debate do seu amigalha&ccedil;o primeiro-ministro. Menos vergonha teve a esta&ccedil;&atilde;o televisiva que pagou o favor colocando-o no ar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  N&atilde;o fa&ccedil;o aqui uma compara&ccedil;&atilde;o entre ambos, minha rica Joana, apesar de tudo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Ambos padecem das fraquezas do ego. Relvas n&atilde;o acredita no que diz - &eacute; apenas um meio - e a <em style="">vox populi</em> sabe-o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A <em style="">vox populi </em>tinha a esperan&ccedil;a que Joana acreditasse no que dizia.<span style="">&nbsp; </span><br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O senhor Relvas &eacute; um 'empreendedor', e a malta sabe e aceita.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A Joana tinha a pretens&atilde;o de seriedade e do hastear da bandeira dos fracos e oprimidos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    <u style="">A malta acredita mais na malandragem da equival&ecirc;ncia acad&eacute;mica e do turbo-deputado, que na filantropia desinteressada.</u><br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Foi isto que a professora universit&aacute;ria n&atilde;o percebeu.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Para os verdadeiramente interessados no bem comum, qui&ccedil;&aacute; os de esquerda, o parecer &eacute; t&atilde;o ou mais importante que o ser.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A utiliza&ccedil;&atilde;o da sua imagem, mesmo que al&eacute;m de uma vaidadezinha ou busca de aten&ccedil;&atilde;o <em style="">&agrave; la</em> <em style="">miss</em> esquecida pelos holofotes medi&aacute;ticos, &eacute; o que a malta n&atilde;o lhe perdoa.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Uns sabiam que a manipula&ccedil;&atilde;o da verdade, isto &eacute;, a demagogia, era s&oacute; fumo. Outros acreditavam mesmo em Joana.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Esses s&atilde;o os que mais a criticam agora que deu o passo para as p&aacute;ginas centrais de uma revista sem conte&uacute;do.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Que um jogador de futebol fa&ccedil;a isso, que um cantor coloque um disco<span style="">&nbsp; </span>&agrave; frente dos seus pa&iacute;ses baixos, ningu&eacute;m critica.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Que a Joana, ex deputada arauta dos fracos e espoliados, o fa&ccedil;a, lan&ccedil;a a sombra sobre as suas inten&ccedil;&otilde;es.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>      Queixa-se nas redes sociais (onde os s&eacute;quitos criam ambientes prop&iacute;cios para mais manifesta&ccedil;&otilde;es de egos magoados, ou nos jornais que procuram sempre a nova pol&eacute;mica) que o que fez foi para chamar a aten&ccedil;&atilde;o para o conte&uacute;do pol&iacute;tico das propostas do partido onde agora milita e que ajudou a fundar, esquecido pelos debates com impacto medi&aacute;tico forjados pelas esta&ccedil;&otilde;es televisivas que formam os eleg&iacute;veis e desde sempre cilindram as for&ccedil;as pol&iacute;ticas menores.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Como se no tempo que leva de pol&iacute;tica Joana n&atilde;o soubesse que &eacute; assim a 3&ordf; Rep&uacute;blica.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Al&eacute;m de que, n&atilde;o me lembro de a ter visto descascada em idade mais recuada, logo mais a jeito de atitudes acaloradas, quando puxava pelo Bloco de Esquerda.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Como uma desculpa n&atilde;o chega, criticou os media e a opini&atilde;o p&uacute;blica por causa de n&atilde;o prestarem aten&ccedil;&atilde;o ao que publica como acad&eacute;mica, mas que se aparecer desnuda n&atilde;o se calam com isso.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Que o seu corpo sem roupa, que a derme &agrave; luz do calor do est&uacute;dio fotogr&aacute;fico, s&atilde;o os instrumentos para denunciar a hipocrisia que ainda grassa na sociedade burguesa portuguesa.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Que a foto estilizada sem <em style="">Photoshop</em>, que a foto '<em style="">just</em> Joana + <em style="">partenaire</em>'<span style="">&nbsp; </span>serve tamb&eacute;m para denunciar o direito &agrave; maternidade, &agrave; paternidade no sentido de direitos laborais atacados pela desregulamenta&ccedil;&atilde;o levada a cabo por este executivo governativo, que faz com que as pessoas n&atilde;o tenham filhos, que as mulheres apertem as mamas para ver se sai leite para provarem que est&atilde;o gr&aacute;vidas, ou que andem sempre com o credo no cora&ccedil;&atilde;o pois uma gesta&ccedil;&atilde;o &eacute; quase sempre sin&oacute;nimo de despedimento, e Joana mais uma vez tem raz&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Mas n&atilde;o podemos deixar de nos perguntar, qual o elemento em comum, al&eacute;m da genialidade desta acad&eacute;mica, para tr&ecirc;s raz&otilde;es d&iacute;spares de den&uacute;ncia, coincidirem nas fotos do corpo nu de Joana.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Como &eacute; que o corpo nu de Joana denuncia ao mesmo tempo a hipocrisia de uma sociedade med&iacute;ocre e medi&aacute;tica, de uma sociedade suicida demograficamente e de desregulamenta&ccedil;&atilde;o laboral,<span style="">&nbsp; </span>e de uma sociedade que presta pouca aten&ccedil;&atilde;o aos acad&eacute;micos e ao que produzem, a n&atilde;o ser para escarrapachar os t&iacute;tulos nos folhetos de propaganda pol&iacute;tica ou nos jornais como forma de garantir seriedade e atestar compet&ecirc;ncias?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Este, pelo menos 3 em 1, parece o que &eacute;, uma desculpa.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A nudez da honestidade, ou a honestidade da nudez teria sido verdadeira se Joana tivesse admitido que estava com saudades de ter as aten&ccedil;&otilde;es para si voltadas. Que um ego insuflado exige alimento constante.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Joana parece portanto n&atilde;o servir a verdade, mas servir-se dela, n&atilde;o o admitindo. &Eacute; esse o pecado de Joana Amaral Dias.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O amor ao pr&oacute;ximo e a uma sociedade mais justa, parecem ser portanto, n&atilde;o as ra&iacute;zes da sua ac&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, mas os meios de colmatar outro tipo de fome.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A verdade &eacute; revolucion&aacute;ria, e nem sempre a verdade &eacute; a nudez. Neste caso a nudez cobre a mentira.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Pondo de lado estas considera&ccedil;&otilde;es s&oacute; resta fazer uma exig&ecirc;ncia &agrave; classe m&eacute;dia da boa consci&ecirc;ncia, bem como um lamento.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A representa&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica portuguesa deve ser alterada, o modelo das futuras est&aacute;tuas de peito desnudo, devem ser feitas a partir de Joana Dias como modelo desses m&aacute;rmores do futuro.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Ela pode aparecer assim como a representa&ccedil;&atilde;o da pureza do nosso regime pol&iacute;tico, na forma aligeirada de vestes que desde sempre revestiu a propaganda republicana.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Temos de lamentar, que o corpo do cidad&atilde;o an&oacute;nimo n&atilde;o tenha igualdade de impacto circunstancial, como o corpo de mulher bonita e inteligente. Embora a intelig&ecirc;ncia n&atilde;o seja vis&iacute;vel na nudez.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Al&eacute;m de an&oacute;nimos, temos de nos contentar, com a total indig&ecirc;ncia de poder revolucion&aacute;rio.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Se o tiv&eacute;ssemos, pod&iacute;amos acompanhar Joana na sua cruzada, e Portugal seria um pa&iacute;s mais justo s&oacute; porque passar&iacute;amos o tempo a gastar a pasta de papel obtida nos inc&ecirc;ndios de Ver&atilde;o, em revistas panflet&aacute;rias cujo o &uacute;nico conte&uacute;do seriam fotos dos nossos corpos nus.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>        Quem &eacute; Joana Amaral Dias?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  &Eacute; uma pol&iacute;tica, professora universit&aacute;ria e activista portuguesa. E &eacute; bonita. Mas isso &eacute; o que menos interessa, tal como estar gr&aacute;vida. Ser bonita &eacute; relativo, estar gr&aacute;vida &eacute; uma quest&atilde;o pessoal, aparentemente recorrente no g&eacute;nero feminino, e felizmente, comum.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Foi convidada para posar nua na revista 'Cristina' por ser professora universit&aacute;ria?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  N&atilde;o creio, n&atilde;o &eacute; habitual ver professoras universit&aacute;rias descascadas nas revistas portuguesas, embora esteja aberto o precedente.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Tivemos uma professora do secund&aacute;rio, em Mirandela a presentear a beleza das suas carnes ao olhar p&uacute;blico, mas &eacute; sinal de progresso o aumentar do grau acad&eacute;mico dos nudistas, acompanhando o esp&iacute;rito dos tempos, antigamente tamb&eacute;m export&aacute;vamos trolhas para a emigra&ccedil;&atilde;o e agora exportamos m&eacute;dicos e engenheiros.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Tamb&eacute;m n&atilde;o foi por estar gr&aacute;vida que a convidaram, por certo. Existe muita gr&aacute;vida que facilmente faria o mesmo trabalho de pose, se obtivesse convite. Felizmente a gravidez, embora n&atilde;o nos n&uacute;meros desej&aacute;veis para um pa&iacute;s &agrave; beira da extin&ccedil;&atilde;o, &eacute; algo de comum.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Infelizmente nem todas as gr&aacute;vidas posam para revistas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Parece portanto, que o crit&eacute;rio foi a notoriedade.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Porque &eacute; que uma Maria de Lurdes Pintassilgo, Odete Santos ou Maria Helena Rocha Pereira n&atilde;o posaram nuas em revistas?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Dir&aacute; o pedante, que se calhar n&atilde;o foram convidadas, dir&aacute; o perspicaz que se calhar foi porque defendiam a rejei&ccedil;&atilde;o completa dos lugares comuns em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher, incluindo a reifica&ccedil;&atilde;o do seu corpo. Mesmo que para supostamente 'defender' um direito &agrave; maternidade e ao corpo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Para Joana n&atilde;o. O estilo, ou gosto &eacute; diferente.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Tal como se encontra na festa do Avante, uma ou outra banca de <em style="">fast food</em> imperialista, na tal l&oacute;gica de que destru&iacute;mos o sistema com os trocos do sistema, denuncia-se a hipocrisia do sistema com a hipocrisia do sistema.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Oh sistema que reificas as mulheres, toma l&aacute; nas trombas as fotos que denunciam a tua reifica&ccedil;&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  <span style="">&nbsp;</span><br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Joana foi convidada para posar por ser bonita?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  N&atilde;o s&oacute;. A beleza, felizmente &eacute; t&atilde;o relativa como vulgar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Se todas as mulheres bonitas portuguesas fossem convidadas a posar nuas, Portugal passaria a ser um dos maiores importadores de pasta de papel do mundo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Joana foi convidada a posar nua porque ningu&eacute;m estava &agrave; espera que o fizesse.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Se a concorrente de um qualquer <em style="">reality show</em> aparecesse desnuda, tal seria normal&iacute;ssimo e esperado, exig&iacute;vel at&eacute;. Nem provocaria muita curiosidade tal a normalidade com que acontece.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Joana foi convidada porque teve um papel pol&iacute;tico e medi&aacute;tico, que contrasta, ainda que minimamente com o papel desempenhado num <em style="">reality show</em>. E por isso ningu&eacute;m estava &agrave; espera o que s&oacute; aumenta o apetite e impacto do acto de posar. Afinal, 'Cristina' &eacute; feita para as vendas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>        Joana &eacute; convidada porque tinha <em style="">hype</em>.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>      O mediatismo &eacute; algo que &eacute; dado, raramente conquistado.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O relevo pol&iacute;tico &eacute; algo que &eacute; conquistado e raramente dado.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Foi a s&iacute;ntese perfeita destes dois factores que brindou a na&ccedil;&atilde;o portuguesa com a longamente aguardada exposi&ccedil;&atilde;o da intimidade corporal de Joana Dias.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A osmose entre mediatismo e papel pol&iacute;tico &eacute; tal hoje, que n&atilde;o h&aacute; uma distin&ccedil;&atilde;o clara entre os dois.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Joana sabe-o. E usa isso a seu favor.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Mas nem por isso desejamos o despir de pudores de personagens truculentas como o senhor Pires de Lima ou o senhor Jorge Coelho, ao lado do senhor Ricardo Quaresma na sua luta c&iacute;vica pela nudez.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Louvada nas redes sociais, Joana aparece como a hero&iacute;na da vida privada travestida de quest&atilde;o 'fracturante'.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Aquela que mostra a sua faceta humana al&eacute;m da pol&iacute;tica, dona do seu corpo enquanto visto por outros, exactamente porque n&atilde;o &eacute; uma como as outras, foi feita pelo mecanismo medi&aacute;tico, e p&ocirc;s-se sempre a jeito disso, alinhando sempre em quase todas as solicita&ccedil;&otilde;es feitas para diferentes formatos medi&aacute;ticos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Mas nunca foi a &uacute;nica a faz&ecirc;-lo. Se n&atilde;o se critica um pol&iacute;tico por pertencer a uma direc&ccedil;&atilde;o de clube de futebol, porque se haver&aacute; de criticar uma pol&iacute;tica de aparecer numa revista de acontecimentos?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A separa&ccedil;&atilde;o dos papeis, &eacute; contudo, vista assim, com preocupa&ccedil;&atilde;o. Joana ao desnudar-se cumpriu o mais salazarento clich&eacute;, que provavelmente nem a Salazar lembraria.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Daqui para a frente &eacute; claro que o tempo de antena de Joana n&atilde;o decorre pelo seu labor pol&iacute;tico concreto, que o tem, com m&eacute;rito. Decorre pela sua imagem, ah aquela que apareceu nua, a denunciar n&atilde;o sei o qu&ecirc; e que d&aacute;, literalmente, o corpo &agrave;s balas, perd&atilde;o, &agrave;s objectivas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A ironia reside no car&aacute;cter pioneiro e inconsciente por parte da personalidade pol&iacute;tica de Joana Dias.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Se antes, o corpo feminino aparecia em tudo o que era folheto comercial, de berbequins a desodorizantes, de bolachas de cereais a rebu&ccedil;ados, depois de Joana, o corpo feminino serve tamb&eacute;m para vender mediatismo pol&iacute;tico.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Pol&iacute;tico? Politiqueiro.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O simples escrut&iacute;nio da forma e do conte&uacute;do do comportamento da activista em quest&atilde;o s&oacute; pode refor&ccedil;ar a ideia de utiliza&ccedil;&atilde;o do bin&oacute;mio mediatismo/poder pol&iacute;tico. O peso pol&iacute;tico dependendo da visibilidade, e a visibilidade dependendo do peso pol&iacute;tico explicam cabalmente as raz&otilde;es de Joana.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    De todo, n&atilde;o querendo comparar, nem sendo compar&aacute;vel, h&aacute; contudo que lembrar o caso de uma parlamentar italiana de nome Cicciolina. Acusada de tiques de vedetismo prim&aacute;rio, e de contribuir para a redu&ccedil;&atilde;o do prest&iacute;gio da pol&iacute;tica do seu pa&iacute;s, tamb&eacute;m Cicciolina se fez arauta da liberdade sexual das suas conterr&acirc;neas, dando tamb&eacute;m ela o corpo ao manifesto.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>                Na Hist&oacute;ria que se repete como farsa, Joana a esta luz, &eacute; mais um prego no caix&atilde;o da ideia que o destino da mulher n&atilde;o &eacute; o seu corpo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Num aparente golpe de rins em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; reac&ccedil;&atilde;o provocada por suas carnes brancas expostas na comunica&ccedil;&atilde;o social, nas redes sociais e em alguns jornais Joana Amaral Dias insiste no argumento da den&uacute;ncia da hipocrisia como m&oacute;bil da sua ac&ccedil;&atilde;o. Como soa bem e de desculpa serve, volta a posar nua, e a utilizar a sua filha por nascer como express&atilde;o da sua ades&atilde;o a um ideal, ou uma den&uacute;ncia.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Como deve ser lida esta suposta irrever&ecirc;ncia? <br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Como a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o do seu corpo, com a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da sua prole, com a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o do seu sexo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Joana Amaral Dias, talvez surpresa pelo impacto que teve mediaticamente, que sempre buscou (mas n&atilde;o em doses de cavalo que a erotiza&ccedil;&atilde;o de um corpo nu em revista permite), operou uma fuga para a frente.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Politizou o seu corpo, se acreditarmos na sua desculpa, politizou o seu sexo, politizou a sua gravidez, ou seja, politizou publicamente a intimidade que diz defender com o corpo nu.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A politiza&ccedil;&atilde;o como forma de ter protagonismo. &Eacute; a pr&oacute;pria Joana que o diz quando se queixa de ter pouca aten&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica. <span style="">&nbsp;</span><br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>      Assim se reificam as convic&ccedil;&otilde;es, se elas n&atilde;o eram j&aacute; m&aacute;scaras.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A Joana Amaral Dias nua?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A Joana Amaral Dias gr&aacute;vida?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Esta rar&iacute;ssima combina&ccedil;&atilde;o de estados confundiu todos os aristot&eacute;licos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  </div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[  A máscara e a congruência – Parte 1]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/-a-mascara-e-a-congruencia-parte-1]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/-a-mascara-e-a-congruencia-parte-1#comments]]></comments><pubDate>Tue, 15 Sep 2015 01:53:07 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/-a-mascara-e-a-congruencia-parte-1</guid><description><![CDATA[    I    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A m&aacute;scara &eacute; algo de muito interessante.  Na origem era um artefacto destinado a ocultar a identidade do portador.  Simultaneamente a m&aacute;scara permite a adop&ccedil;&atilde;o de outra identidade, n&atilde;o s&oacute; ocultando, mas mostrando outro algo.    O ipsum &eacute; duplamente camuflado.  A m&aacute;scara &eacute; o meio operador sobre a imagem ou visibilidade da mesma, que emana naturalmente de [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;"><br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    I<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    <span style="">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>A m&aacute;scara &eacute; algo de muito interessante.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Na origem era um artefacto destinado a ocultar a identidade do portador.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Simultaneamente a m&aacute;scara permite a adop&ccedil;&atilde;o de outra identidade, n&atilde;o s&oacute; ocultando, mas mostrando outro algo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O <em style="">ipsum</em> &eacute; duplamente camuflado.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A m&aacute;scara &eacute; o meio operador sobre a imagem ou visibilidade da mesma, que emana naturalmente de qualquer ente que deixe rasto.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Subsumindo, a m&aacute;scara esconde, e revela outra coisa, que n&atilde;o passa de outra forma de esconder.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Forma negativa, ocultando, e forma positiva, mostrando o tal outro algo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Como a quest&atilde;o da verdade e da mentira s&atilde;o coisas complicadas, especialmente se como os mais puritanos, tomamos por ponto de honra a adequa&ccedil;&atilde;o da coisa em si &agrave; coisa para si, ou &agrave; coincid&ecirc;ncia<span style="">&nbsp; </span>da apar&ecirc;ncia (na forma de discurso) &agrave; ess&ecirc;ncia, ent&atilde;o devemos supor que a projec&ccedil;&atilde;o de uma imagem a partir de uma ipseidade s&oacute; pode corresponder a que essa ipseidade n&atilde;o &eacute; o que quer projectar, pois se o fosse n&atilde;o tinha necessidade de mascarar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Exemplificando de forma popularucha e bo&ccedil;al, o bruto projecta-se como sens&iacute;vel, o fraco como forte, o feio como belo, etc.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Se j&aacute; somos o que somos, n&atilde;o precisamos de mostrar o que somos se aquilo que somos &eacute; o que queremos que os outros querem ver.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Isto torna-se giro, pois quem tanto se preocupa com o que os outros veem, d&aacute; por si a efabular <em style="">loops</em> psicad&eacute;licos, como por exemplo mostrar aos outros que n&atilde;o se rala com o que eles pensam, revelando assim a contradi&ccedil;&atilde;o daquilo que pretende mostrar, ou seja, rala-se com o que os outros pensam dele ou dela, e <strong style="">quer</strong> que pensem o contr&aacute;rio.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A necessidade de tais ancestrais malabarismos, t&atilde;o velhos como a humanidade, revela que h&aacute; benef&iacute;cios a tirar de um rosto mascarado.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Naquilo que se esconde e no que transmutado se revela.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Um desses benef&iacute;cios &eacute; o do <em style="">feedback loop</em>. Falta-me o termo adequado em portugu&ecirc;s, lamento o estrangeirismo. O mais adequado na nossa l&iacute;ngua talvez fosse ciclo vicioso, mas tal deixaria de lado a t&oacute;nica egoc&ecirc;ntrica do fluxo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Quem projecta uma imagem para outros verem, recebe em troca algo. Aprova&ccedil;&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Por sua vez a aprova&ccedil;&atilde;o &eacute; a moeda que compra o valor.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Um bom carro e uma mulher boa e bonita ao meu lado, servem perfeitamente para eu mostrar o meu sucesso aos observadores, e atrav&eacute;s da sua reac&ccedil;&atilde;o comprovar fora de mim aquilo que preciso de confirmar em mim pr&oacute;prio, n&atilde;o por cren&ccedil;a na minha vida interior, mas porque comprovei l&aacute; fora, nos outros, o valor que tenho.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Sejam nestes ap&ecirc;ndices ou noutros. Sejam artefactos ou n&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A preocupa&ccedil;&atilde;o com a imagem p&uacute;blica extravasa as inten&ccedil;&otilde;es meramente higi&eacute;nicas ou societais.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  &Eacute; uma quest&atilde;o do foro psicol&oacute;gico, bem sombria e angustiante.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  E generalizada. Quantas vezes n&atilde;o ouvimos outros e outras assumir com a maior das naturalidades que o valor pr&oacute;prio &eacute; aferido de forma mediata, atrav&eacute;s da reac&ccedil;&atilde;o dos outros?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Nem vale a pena perder tempo a rebater, que a interpreta&ccedil;&atilde;o da reac&ccedil;&atilde;o dos outros est&aacute; toldada pela cren&ccedil;a interior que j&aacute; formul&aacute;mos para n&oacute;s pr&oacute;prios.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Por exemplo, se um tipo se convenceu que andar com as cuecas espreitando por fora das cal&ccedil;as rebaixadas at&eacute; meio dos gl&uacute;teos, ent&atilde;o todas as reac&ccedil;&otilde;es que receber, mesmo que do mais frontal rep&uacute;dio, v&atilde;o ser interpretadas de forma positiva como o mesmo estando bem, dentro da moda, sujeito plenamente integrado e sofisticado.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    II<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    <span style="">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>H&aacute; uma mistura er&oacute;tica de inseguran&ccedil;a e malandragem no acto de mascarar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  E delicioso e dram&aacute;tico observar como espectador ante pe&ccedil;a teatral, a esp&eacute;cie <em style="">sapiens sapiens </em>no seu af&atilde; de dissimula&ccedil;&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    H&aacute; m&aacute;scaras ocasionais e m&aacute;scaras duradouras. N&atilde;o deixam de ser m&aacute;scaras.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  H&aacute; m&aacute;scaras que se transmutam em cren&ccedil;as duradouras no sujeito mascarado, em perfeita osmose com o rosto do mesmo, que o mesmo olhando-se ao espelho j&aacute; n&atilde;o se distingue da sua m&aacute;scara.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Eventualmente todas as m&aacute;scaras caem em alguma altura. Mas todas caem.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  &Eacute; preciso aten&ccedil;&atilde;o pois algumas fazem pouco barulho quando se estilha&ccedil;am no ch&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Umas s&atilde;o vis&iacute;veis, outras nem por isso, correspondendo &agrave; habilidade individual de cada um em mentir. Se considerarmos que m&aacute;scara ou maquilhagem s&atilde;o de facto mentiras.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Outras quando caem fazem grande contraste com o rosto ressequido e inexpressivo que as ostentava, outras ainda, revelam contraste quase nenhum.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    III<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    <span style="">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>Mergulhemos em exemplos concretos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O secret&aacute;rio-geral do Partido Comunista Portugu&ecirc;s, o senhor Jer&oacute;nimo de Sousa, herda a representa&ccedil;&atilde;o de um partido central na democracia portuguesa, embora ela lhe seja t&atilde;o ingrata na forma de tratamento. O legado herdado &eacute; demais para as suas costas, mesmo que se diga que &eacute; um colectivo que ajuda S&iacute;sifo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Todos os anteriores desempenhantes da fun&ccedil;&atilde;o, sempre se caracterizaram por um certo pudor no exerc&iacute;cio do culto da personalidade, sublinhando que esse mesmo culto n&atilde;o devia ocorrer de forma a evidenciar uma m&aacute;scara de individualidade sobre um colectivo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Isto sempre foi usado por detractores e outros panfletistas para identificar o Partido com um conjunto de aspirantes a Estaline que com a bota de Orwell em '1984' espezinhariam de bom grado a individualidade de rosto humano.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Esta aparentemente in&oacute;cua posi&ccedil;&atilde;o, &eacute; a base da credibilidade de um edif&iacute;cio comunista.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O mesmo n&atilde;o tem os seus pilares na aniquila&ccedil;&atilde;o de individualidades, mas sim no esmagamento de qualquer personalidade acima das restantes.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Numa &eacute;poca em que as <em style="">pizzas</em> entregues na casa de um ex primeiro-ministro, s&atilde;o mais importantes que os programas eleitorais para as elei&ccedil;&otilde;es que se avizinham, resta perguntar se a nossa sociedade, de acordo com as posturas de Cunhal, Carvalhas ou outros, n&atilde;o surge como o perfeito contraponto comunista, na medida em que um pol&iacute;tico investigado por corrup&ccedil;&atilde;o centra todas as aten&ccedil;&otilde;es, especialmente em rela&ccedil;&atilde;o aos que est&atilde;o em exerc&iacute;cio.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A an&aacute;lise sobre as formas como poderia o prisioneiro 33 votar, teve mais tempo de antena no total, que o tempo de antena dado aos 'pequenos' partidos, PCP inclu&iacute;do.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Falamos do PCP porque o camarada Jer&oacute;nimo surge como sinal dos tempos, pois colapsou todo o esfor&ccedil;o de postura anterior por parte que quem o antecedeu.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  <span style="">&nbsp;</span>Pode-se dizer que o PCP adaptou-se e evoluiu. &Eacute; uma sa&iacute;da airosa. Uma m&aacute;scara.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Igual &agrave; da explica&ccedil;&atilde;o que ouvi quando me revelaram os motivos de aceita&ccedil;&atilde;o de pontos de venda da Pizza Hut e McDonald's no recinto da festa do Avante.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  'Somos contra sim, e ainda, mas usamos o dinheiro do capitalismo para lutar contra ele.'<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Coitada da mulher de C&eacute;sar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O camarada Jer&oacute;nimo sucumbe, n&atilde;o por ele, mas precisamente por representar esse tal colectivo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Quem se lembra da demagogia de publicit&aacute;rio que animaram a propaganda o Bloco de Esquerda quando este se tenta evidenciar como for&ccedil;a pol&iacute;tica?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Lembro-me de olhar para os cartazes do mesmo e pensar que a esquerda usava as armas da direita, a propaganda. Mais tarde isso conduziu ao apetite pelas 'quest&otilde;es fracturantes', enfim.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O peso que vergou Jer&oacute;nimo, decorre do sucesso da propaganda que se perpetua sobre os comunistas, de serem uns malandros retr&oacute;gados e reaccion&aacute;rios em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; leveza do progresso linear, das hist&oacute;rias dos velhos mortos com tiros atr&aacute;s das orelhas repetidas liturgicamente at&eacute; hoje.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A cada novo debate televisivo o decano marxista-leninista &eacute; tratado como menino de bibe num claro preconceito ideol&oacute;gico bem aceite e reproduzido por grande parte dos cidad&atilde;os telespectadores da classe m&eacute;dia urbana e civilizada.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  An&aacute;logo tratamento sofreu Carvalho da Silva, lembremo-nos dele.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Durante d&eacute;cadas a imagem de marca composta &agrave; frente dos protestos, das greves, como figura menor, acess&oacute;ria na discuss&atilde;o da retr&oacute;grada ideia da luta de classes.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    De um momento para o outro fez-se doutorado, e posteriormente convidado e comentador televisivo em boa parte dos assuntos para os quais contribuiu o seu labor sociol&oacute;gico.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A esquerda &eacute; t&atilde;o boa assim, conformada e domesticada, apta a que se lhe passe a m&atilde;o pelo lombo em t&atilde;o c&iacute;nico afago.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O tratamento destes l&iacute;deres, antes da metamorfose da aceita&ccedil;&atilde;o, baseia-se sempre num chorrilho de interrup&ccedil;&otilde;es, de considera&ccedil;&otilde;es pessoais do moderador, polvilhado com alguns sorrisos de desd&eacute;m e at&eacute; alguma m&aacute; educa&ccedil;&atilde;o (a que os moderadores gostam de chamar 'estilo incisivo' da escola americana que trata os pol&iacute;ticos por 'tu').<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Este proceder por parte de entrevistadores e moderadores &eacute; geralmente e incompreensivelmente negado aos l&iacute;deres de outros partidos na mesma situa&ccedil;&atilde;o de entrevistados, mas que n&atilde;o matam os velhos com um tiro atr&aacute;s da orelha.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    H&aacute; a necessidade de urdir uma lei que garanta a estes l&iacute;deres espoliados do arco governativo, igualdade de tratamento, sob pena de se poderem sentir discriminados.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Imagino que conscientes disto, os deuses ol&iacute;mpicos do Comit&eacute; Central, os altos estrategas da pol&iacute;tica do partido de Jer&oacute;nimo, tenham divisado uma estrat&eacute;gia de marketing, perd&atilde;o, estrat&eacute;gia de comunica&ccedil;&atilde;o na qual o seu l&iacute;der assumiria o papel do avo l&aacute; de casa da pol&iacute;tica portuguesa, tornando o PCP mais vend&aacute;vel, mais consum&iacute;vel pelas massas, especialmente pelas massas de reformados e pensionistas que constituem a fatia de le&atilde;o do eleitorado.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    S&oacute; assim se entende que tenha ocorrido a altera&ccedil;&atilde;o do foco do apelo, dos jovens, no passado, para os portugueses, no presente. Das promessas de constru&ccedil;&atilde;o dos amanh&atilde;s futuros, agora s&oacute; se pede uma hip&oacute;tese para compor o desarranjo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    S&oacute; assim se deve ler, a ruptura com a postura de recato dos anteriores l&iacute;deres comunistas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Assim o camarada Jer&oacute;nimo n&atilde;o &eacute; nada avesso a narrativas na primeira pessoa, facilmente abrindo a intimidade a qualquer objectiva televisiva, participando nos pontos de emotividade f&aacute;cil, os clich&eacute;s, as historietas de cordel que os jornalistas hoje comp&otilde;em em vez de narrativas secas e objectivas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Tudo apelando &agrave; emo&ccedil;&atilde;o, &agrave; moralidade, &agrave; hipocrisia.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Os jornalistas viraram realizadores porno manipulando e exarcebando os afectos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Os grandes planos da cara das crian&ccedil;as, da cabeleira branca e saliva nos cantos da boca dos velhos, dos olhares de perfil, onde se deixa Jer&oacute;nimo cair, aparentemente sem ter consci&ecirc;ncia de participar na charada.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Sabemos que se orgulha de saber dan&ccedil;ar quando rev&ecirc; imagens das suas presenciais candidaturas no passado pr&oacute;ximo, ou quando revela que apanhava camarinha &agrave; beira do Tejo, em trajes menores ou sem trajes.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Qualquer l&iacute;der de um partido revolucion&aacute;rio mencionaria as condi&ccedil;&otilde;es de mis&eacute;ria que levavam crian&ccedil;as de 6 ou 7 anos a passear nos lodos assassinos de um estu&aacute;rio, o camarada Jer&oacute;nimo prefere apenas mostrar que &eacute; apenas um dos demais, embora diferente, enaltecendo ao inv&eacute;s, a maturidade que as crian&ccedil;as j&aacute; tinham naquele tempo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Os estrategas de comunica&ccedil;&atilde;o do Comit&eacute; Central devem ter divisado uma estrat&eacute;gia de marketing assente nas camadas mais idosas da popula&ccedil;&atilde;o. O PCP passou a ser o partido dos velhinhos, nada se diferenciando de outros que eram os maluquinhos das feiras.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Os velhinhos gostam, de receber estas aten&ccedil;&otilde;es. De sentir que contam para alguma coisa.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  S&oacute; assim se entende o uso e abuso de ditos, ditados, dizeres e ad&aacute;gios populares, em sintomatologia intensifica depois de pe&ccedil;a jornal&iacute;stica que associava a popularidade de Jer&oacute;nimo por causa desta espirituosidade verbal.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Desde ent&atilde;o, carrega Jer&oacute;nimo nos dizeres e ditos populares.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Incapaz de falar aos jovens de hoje, remete-se este partido a falar aos jovens de outrora, j&aacute; que n&atilde;o consegue cativar a juventude aos festivais de Ver&atilde;o, que ainda passam pela atalaia para comer uma bifana antes do in&iacute;cio das aulas, perde assim Portugal o &uacute;nico partido estruturado de esquerda revolucion&aacute;ria.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A acomoda&ccedil;&atilde;o passa por ceder &agrave; ambi&ccedil;&atilde;o das sondagens e das percentagens calculadas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O poder ainda vai ser nosso se assim decidirem e gr&atilde;o a gr&atilde;o enche a galinha o papo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O partido de m&aacute;scara revolucion&aacute;ria que tanto se afirma como diferente, perfila-se como um lago de &aacute;guas paradas, mascarado com a renova&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria das suas hostes no Parlamento e nas C&acirc;maras, mas com mentalidades de idade geront&oacute;fila.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Tudo est&aacute; bem quando continua bem.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  </div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Cerejeira e Coelho]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/cerejeira-em-dor]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/cerejeira-em-dor#comments]]></comments><pubDate>Sat, 28 Mar 2015 14:54:40 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/raistapartisse/cerejeira-em-dor</guid><description><![CDATA[  A recente visita do excelso primeiro-ministro da suposta Rep&uacute;blica portuguesa ao Jap&atilde;o, &eacute; uma excelente ocasi&atilde;o para um momento de ligeira reflex&atilde;o.    Ao cidad&atilde;o exige-se que cumpra escrupulosamente todas as suas responsabilidades, isto &eacute;, no emprego dar a cara pelos erros, perante a fam&iacute;lia assumir e corrigir as suas falhas, perante o Estado pagar e s&oacute; depois reclamar, perante os bancos ser um rel&oacute;gio a saldar.  As exig&ec [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;"><span style='text-decoration:none; font-style:normal; font-weight:400; color:rgb(51, 51, 255); '><span style="text-decoration:none; font-style:normal; font-weight:400; color:rgb(51, 51, 255); "><span style="text-decoration:none; font-style:normal; font-weight:400; color:rgb(51, 51, 255); "><span style="text-decoration:none; font-style:normal; font-weight:400; color:rgb(51, 51, 255); "><span style="text-decoration:none; font-style:normal; font-weight:400; color:rgb(51, 51, 255); ">  A recente visita do excelso primeiro-ministro da suposta Rep&uacute;blica portuguesa ao Jap&atilde;o, &eacute; uma excelente ocasi&atilde;o para um momento de ligeira reflex&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Ao cidad&atilde;o exige-se que cumpra escrupulosamente todas as suas responsabilidades, isto &eacute;, no emprego dar a cara pelos erros, perante a fam&iacute;lia assumir e corrigir as suas falhas, perante o Estado pagar e s&oacute; depois reclamar, perante os bancos ser um rel&oacute;gio a saldar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  As exig&ecirc;ncias s&atilde;o tais que por vezes temos legitimidade de colocar a quest&atilde;o, se todas estas exig&ecirc;ncias n&atilde;o desumanizar&atilde;o o cidad&atilde;o renomeado de &lsquo;contribuinte&rsquo; criando por sua vez um ser reprimido e ressentido, que na intimidade ou na mesa de voto, n&atilde;o escolhe de acordo com uma consci&ecirc;ncia pol&iacute;tica amadurecida, mas de acordo com uma raiva incontida na qual prev&ecirc; castigar os cr&aacute;pulas que todos os dias lhe lembram das suas obriga&ccedil;&otilde;es inflaccionadas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Infelizmente poucos cidad&atilde;os se parecem ralar em recolocar velhas quest&otilde;es no centro do debate pol&iacute;tico, como por exemplo, porque tenho eu de ser respons&aacute;vel pela responsabilidade de outrem? Especialmente se ningu&eacute;m o &eacute; pela minha? Que diferen&ccedil;a de naturezas existir&aacute; para que uns possam decidir por outros s&oacute; porque em maior n&uacute;mero escolheram, num sentido muito peculiar de &lsquo;escolha&rsquo;?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Concretamente, porque tenho eu, cidad&atilde;o an&oacute;nimo, que n&atilde;o votei em Passos Coelho, ou em nenhum dos governos que governam (?) Portugal desde 1974, sofrer na pele as consequ&ecirc;ncias de mis&eacute;ria, empobrecimento, perda de autonomia nacional e completo abandalhamento do Estado Portugu&ecirc;s, intra e extra-muros?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Dir&aacute; o cientista pol&iacute;tico, que &eacute; essa a ess&ecirc;ncia da democracia, a sujei&ccedil;&atilde;o de qualquer minoria &agrave; vontade da maioria. <br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Mas porque n&atilde;o se pode aplicar esse crit&eacute;rio de forma abstracta a todos os n&iacute;veis da vida pol&iacute;tica e social. A vontade da maioria &eacute; n&atilde;o pagar impostos, ou que os pol&iacute;ticos n&atilde;o sejam corruptos. A maioria dos pol&iacute;ticos n&atilde;o o parece ser, mas a boa parte que o &eacute; chega para encher as vistas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  De forma an&aacute;loga em que as Finan&ccedil;as encaram cada cidad&atilde;o que se atrase ou em dificuldades, como em prevaricador de mil ardis. Excepto alguns VIPs.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Porque &eacute; que no pa&iacute;s do outrora e saudoso utilizador-pagador, n&atilde;o se estendeu o conceito a uma reciprocidade entre eleitos e eleitores? N&atilde;o s&oacute; o voto devia ser de conhecimento de todos, como apenas os eleitores que votaram em determinados eleitos deveriam sofrer as consequ&ecirc;ncias desses eleitos. Poder-se-&aacute; argumentar que isso daria origem a estados dentro do Estado, mas j&aacute; &eacute; isso que temos, se n&atilde;o no papel, pelo menos na pr&aacute;tica, onde a formaliza&ccedil;&atilde;o apenas tornaria o sistema mais honesto.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Isto &eacute; mas &eacute; tudo uma grande treta, uma hipocrisia de todo o tamanho, na qual a maioria n&atilde;o se importa de viver. At&eacute; nisso temos de nos conformar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  N&atilde;o podemos partir nada, evocar desobedi&ecirc;ncia civil, ou partir para a viol&ecirc;ncia contra um Estado tomado por interesses contr&aacute;rios ao da maioria que os legitimou (ir&oacute;nico) que teremos logo a resposta na ponta dos bast&otilde;es e do g&aacute;s lacrimog&eacute;neo de forma a proteger o bem-estar da maioria. Dupla ironia.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    As massas influenciadas por aspira&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas preferem exprimir o descontentamento atrav&eacute;s do voto contra os outros do campo pol&iacute;tico oposto, ou ir cantar em frente a resid&ecirc;ncias oficiais.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Aos mais exaltados ensinam que as regras do jogo s&atilde;o imut&aacute;veis e inquestion&aacute;veis, tens de te submeter &agrave; maioria, e s&oacute; atrav&eacute;s do voto. T&aacute;s chateado? N&atilde;o votes nele nas elei&ccedil;&otilde;es.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Esse voto simb&oacute;lico parece pouco ou nada, comparado com os gestos reais como desemprego, precariedade de trabalho, falta de assist&ecirc;ncia social mesmo e apesar dos meus descontos, e crescente privatiza&ccedil;&atilde;o de toda a esfera de viv&ecirc;ncia social.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Faz lembrar a hist&oacute;ria de que o tipo que levava com um cajado nas costas por parte de um vizinho violento, antes de morrer na cal&ccedil;ada por causa dos traumatismos se ia queixando que j&aacute; n&atilde;o lhe emprestava a mota por estar a trata-lo mal.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Outra hist&oacute;ria absurda e ao mesmo tempo pat&eacute;tica passou-se na visita do nosso mais novo <em style="">honoris causa</em>. Confesso que fiquei surpreso com t&atilde;o imediata ascens&atilde;o de um tipo que me habituei a ver na JSD, repetindo cassetes de ano para ano, mesmo quando era cabe&ccedil;a de cartaz nas reuni&otilde;es estudantis que partilh&aacute;mos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Doutor de verdade e primeiro-ministro, &eacute; normal que a coisa lhe suba &agrave; cabe&ccedil;a.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  No Jap&atilde;o, quem sabe por causa de um embara&ccedil;o interior emergente de uma introvers&atilde;o com que n&atilde;o brinda os opositores no Parlamento, desabafou que talvez a sua chegada ao pa&iacute;s do Sol Nascente pudesse acelerar a chegada das flores de cerejeira. <br /><br />Das duas uma, ou o senhor Passos Coelho acha que o seu cargo lhe confere um poder tel&uacute;rico, que ele pr&oacute;prio manda na Natureza e nas esta&ccedil;&otilde;es, ou ent&atilde;o eu quero fumar o mesmo que ele fuma.<br /><span style=""></span><br />J&aacute; para n&atilde;o falar do incidente diplom&aacute;tico provocado que motivou protestos das associa&ccedil;&otilde;es de borda d'&agrave;gua nip&oacute;nicas.<br /><br /><span style=""></span>    Mas ap&oacute;s mais uns segundos de visionamento, percebemos mesmo que o homem n&atilde;o sabia o que dizer, pois s&oacute; tem como meio de compara&ccedil;&atilde;o para o artefacto tecnol&oacute;gico que lhe &eacute; apresentado, o crit&eacute;rio preferido dos patos bravos, o carro. O carro barato.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Mais &agrave; frente ao provar o ch&aacute;, l&aacute; desabafa que n&atilde;o &eacute; candidato &agrave; Casa Branca, numa alus&atilde;o &agrave; visita da esposa de Obama, ao mesmo cerimonial do ch&aacute; uma semana antes. <br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Ficamos sem perceber se Pedro, confunde a mulher de Obama com a mulher de Clinton, prov&aacute;vel freudianamente por causa dos voc&aacute;bulos &lsquo;Casa Branca&rsquo;, ou se sabe mais da pol&iacute;tica americana que aquilo que quer admitir, especialmente no concernente &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas da mulher de Obama. <br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A explica&ccedil;&atilde;o mais natural, parece ser mesmo a de que n&atilde;o sabia o que dizer, na viagem ao Jap&atilde;o a tentar seduzir empres&aacute;rios japoneses para a na&ccedil;&atilde;o que se pode tornar na mais competitiva do mundo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Pergunta-se, temos mesmo que nos responsabilizar pelo voto das pessoas que o elegeram?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>        </span></span></span></span></span></div>  <div class="wsite-video"><div class="wsite-video-wrapper wsite-video-height-auto wsite-video-align-left"> 					<div id="wsite-video-container-711256294720613259" class="wsite-video-container" style="margin: 10px 0 10px 0;"> 						<iframe allowtransparency="true" allowfullscreen="true" frameborder="0" scrolling="no" id="video-iframe-711256294720613259" 							src="about:blank"> 						</iframe> 						 						<style> 							#wsite-video-container-711256294720613259{ 								background: url(//www.weebly.comhttp://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/passos_coelho_&agrave;_conquista_dos_empres&aacute;rios_japoneses_998.jpg); 							}  							#video-iframe-711256294720613259{ 								background: url(//cdn2.editmysite.com/images/util/videojs/play-icon.png?1427587204); 							}  							#wsite-video-container-711256294720613259, #video-iframe-711256294720613259{ 								background-repeat: no-repeat; 								background-position:center; 							}  							@media only screen and (-webkit-min-device-pixel-ratio: 2), 								only screen and (        min-device-pixel-ratio: 2), 								only screen and (                min-resolution: 192dpi), 								only screen and (                min-resolution: 2dppx) { 									#video-iframe-711256294720613259{ 										background: url(//cdn2.editmysite.com/images/util/videojs/@2x/play-icon.png?1427587204); 										background-repeat: no-repeat; 										background-position:center; 										background-size: 70px 70px; 									} 							} 						</style> 					</div> 				</div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>