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<channel><title><![CDATA[Raistapartisse - Respublica]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica]]></link><description><![CDATA[Respublica]]></description><pubDate>Sat, 30 Mar 2024 10:16:31 -0700</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[Sê um homenzinho I]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/se-um-homenzinho-i]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/se-um-homenzinho-i#comments]]></comments><pubDate>Sat, 09 Jul 2016 17:01:33 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/respublica/se-um-homenzinho-i</guid><description><![CDATA[       Primeira parteA) o v&iacute;cioAs redes sociais tornaram-se num fen&oacute;meno fant&aacute;stico.Apresentam-se, tal como um inqu&eacute;rito de rua ou &agrave; boca das urnas, como um excelente bar&oacute;metro da vox populi.Al&eacute;m disso, possuem a capacidade paradoxal de ao mesmo tempo aproximar (ainda que virtualmente) as pessoas uma das outras, isolando-as e polarizando-as em micro comunidades de indiv&iacute;duos com opini&atilde;o semelhante.Todas as semanas surge uma nova pol& [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/byEGjLU2egA?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="paragraph" style="text-align:left;"><br /><br /><strong>Primeira parte</strong><br /><br /><br /><strong>A) o v&iacute;cio</strong><br /><br /><br />As redes sociais tornaram-se num fen&oacute;meno fant&aacute;stico.<br />Apresentam-se, tal como um inqu&eacute;rito de rua ou &agrave; boca das urnas, como um excelente bar&oacute;metro da <em>vox populi.</em><br /><br /><br />Al&eacute;m disso, possuem a capacidade paradoxal de ao mesmo tempo aproximar (ainda que virtualmente) as pessoas uma das outras, isolando-as e polarizando-as em micro comunidades de indiv&iacute;duos com opini&atilde;o semelhante.<br /><br /><br />Todas as semanas surge uma nova pol&eacute;mica por murais dentro, onde se debate ora apaixonadamente com recurso a argumentos, placebos de argumentos ou tentativas de ridiculariza&ccedil;&atilde;o chegando geralmente a puros insultos.<br /><br /><br />A maior parte das achas para a fogueira visam apenas a cria&ccedil;&atilde;o de ondas de consterna&ccedil;&atilde;o, cujo objectivo final n&atilde;o &eacute; debater alguma coisa, mas apenas suscitar ades&atilde;o emocional &ndash; emo&ccedil;&otilde;es, essas anfetaminas naturais que a Natureza deu aos primatas para lhes guiar comportamentos, proteger contra as garras e os caninos, e seduzir para a vida &ndash; ades&atilde;o emocional essa que se serve de uma suposta an&aacute;lise racional para eclodir.<br /><br /><br />Ou seja, somos viciados em emo&ccedil;&otilde;es, particularmente quando elas refor&ccedil;am a divis&atilde;o infantil do mundo entre 'n&oacute;s' e 'eles', e em que o 'n&oacute;s' se identifica com a luz, e o 'eles' com o lado negro.<br /><br /><br />Que lux&uacute;ria essa de demonizar o outro.<br /><br /><br />Se as emo&ccedil;&otilde;es pudessem ser assimiladas intravenosamente ou por ingest&atilde;o oral, em Portugal todas as freguesias teriam um CADE ou Centro de Atendimento ao Dependente de Emo&ccedil;&otilde;es, que proporia administra&ccedil;&atilde;o de emotodona para recupera&ccedil;&atilde;o do v&iacute;cio que cada nacional tem por uma boa emo&ccedil;&atilde;o, fresquinha e arrebatadora.<br /><br /><br />Perante a insufici&ecirc;ncia da oferta, e perante a recusa de monop&oacute;lio estatal, multiplicar-se-iam os quiosques e bancas de rua com seringas coloridas consoante as emo&ccedil;&otilde;es a injectar, o que aumentaria o peso do sector privado em tal com&eacute;rcio, criando postos de emprego, numa ordem de magnitude tal, que estimo que ter&iacute;amos a m&eacute;dio prazo metade da popula&ccedil;&atilde;o a abastecer a outra metade, em que uma parte seria exclusivamente consumidora e a outra consumidora/empreendedora.<br /><br /><br />Os defensores da racionalidade firme, hirta, absoluta n&atilde;o estariam isentos deste tr&aacute;fico, pois tamb&eacute;m defenderiam esta primazia de forma apaixonada, alheios &agrave; sua fraqueza de primatas.<br /><br /><br /><strong>B) Emociodin&acirc;mica</strong><br /><br /><br />As emo&ccedil;&otilde;es, ou melhor, as formas de exprimir o sentimento das emo&ccedil;&otilde;es, est&atilde;o sujeitas a modas, ou para parecer mais sofisticado, paradigmas.<br />Como primatas temos um conjunto relativamente compacto e determinado, homog&eacute;neo entre indiv&iacute;duos, de emo&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis para sentir, mas talvez nos &uacute;ltimos 20 anos, a que tem obtido maior prefer&ecirc;ncia e destaque &eacute; a emo&ccedil;&atilde;o de sentimento de superioridade moral.<br /><br /><br />O 'pipl' n&atilde;o resiste a um bom sentimento de que &eacute; moralmente superior ao pr&oacute;ximo e que esse sentimento de superioridade traduz directamente uma melhor 'ess&ecirc;ncia' como pessoa, que por sua vez s&oacute; pode significar que o outro ou &eacute; um imbecil, ou nem merece o valor da nossa argumenta&ccedil;&atilde;o, pois estamos t&atilde;o certos e convencidos acerca da nossa certeza e exactid&atilde;o, que a solidez argumentativa &eacute; apod&iacute;ctica, auto-evidente. De que se lhe segue que o outro se diverge ou discorda, &eacute; o inimigo contra o qual se luta.<br /><br /><br />Por exemplo, se numa qualquer rede social em que se debata a viol&ecirc;ncia contra as mulheres, se se defender a tese de que os homens tamb&eacute;m s&atilde;o v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, e nem &eacute; preciso negar a ocorr&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres (o que seria est&uacute;pido e facilmente exposto como alucinada mentira), apenas mencionar ao de leve que tamb&eacute;m existem homens que s&atilde;o agredidos pelas parceiras.<br />O que acontece em grande parte dos casos, &eacute; que se numa polariza&ccedil;&atilde;o fundamentalista em que um sexo, ou seja, um conjunto alargado de indiv&iacute;duos com algumas caracter&iacute;sticas em comum, &eacute; identificado como opressor, as excep&ccedil;&otilde;es que ocorrem contra esse mesmo grupo s&atilde;o n&atilde;o s&oacute; tratadas como algo de excepcional ou de excep&ccedil;&atilde;o que confirma a regra, como o simples facto de uma excep&ccedil;&atilde;o ser evocada, aquele que a evoca &eacute; imediatamente identificado com o opressor, pois &eacute; uma verdade feita que todos os homens s&atilde;o maus e perigosos, e &eacute; retr&oacute;gado negar a vitimiza&ccedil;&atilde;o a quem se vitimiza.<br />S&oacute; o facto rebelde de n&atilde;o se aderir &agrave; lada&iacute;nha geral, o quer que seja que ela envolva, faz com que cada sujeito mais afoito a evitar o politicamente correcto que comp&otilde;e o Zeitgeist hodierno, assume automaticamente a sua culpa ante os inquisidores de servi&ccedil;o.<br /><br /><br />Ou seja, a facilidade com que qualquer indiv&iacute;duo se identifica com as suas opini&otilde;es, aliada &agrave; vontade irresist&iacute;vel de ser um 'filho do seu tempo' algu&eacute;m evolu&iacute;do e sofisticado, o pin&aacute;culo dos s&eacute;culos passados criam uma mistura explosiva de estupidez e fundamentalismo.<br /><br /><br />*) Desde logo porque n&oacute;s n&atilde;o somos as nossas opini&otilde;es.<br />Nem cada indiv&iacute;duo tem acesso privilegiado a todo o campo do real.<br />O acesso &agrave; realidade depende das fontes, da experi&ecirc;ncia e das circunst&acirc;ncias.<br />Depende de factores subjectivos e objectivos que tratam os dados recebidos. Ou seja, fazemos a nossa interpreta&ccedil;&atilde;o do mundo, de acordo com a nossa forma&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o, e tamb&eacute;m deforma&ccedil;&atilde;o (os vi&eacute;s e limites que a mente humana estruturalmente tem).<br />**) A sofistica&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o s&atilde;o preocupa&ccedil;&otilde;es do indiv&iacute;duo, enquadrar-se num contexto social, procurar nele a sua identidade, e exprimir-se dentro dessas balizas, s&atilde;o formas de exprimir a sua individualidade. Se a moda &eacute; tatuagens, ent&atilde;o eu conven&ccedil;o-me de que gostava de ter uma tatuagem na testa para me sentir bem e porque os outros me d&atilde;o algum tipo de aten&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m me d&aacute; alguma satisfa&ccedil;&atilde;o. Gosto de pensar que por ter uma tatuagem na testa serei visto pelos outros de determinada forma. As modas s&atilde;o como infec&ccedil;&otilde;es, nas quais o surto ocorre at&eacute; &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o da maioria das c&eacute;lulas (indiv&iacute;duos) at&eacute; se chegar a um ponto em que a express&atilde;o da novidade/prest&iacute;gio, deixa de o ser.<br />Hoje em dia quase n&atilde;o existe b&iacute;pede que n&atilde;o seja tatuado, portanto a mensagem passou a ser n&atilde;o de distin&ccedil;&atilde;o, mas de aniquila&ccedil;&atilde;o de individualidade. J&aacute; n&atilde;o pensam os outros, que sou um <em>born to be wild</em> por ter um menu de restaurante chin&ecirc;s tatuado sob o <em>tr&iacute;ceps</em>.<br />***) As modas s&atilde;o tanto est&eacute;ticas, como &eacute;ticas, e sendo &eacute;ticas s&atilde;o tamb&eacute;m ideol&oacute;gicas.<br />Existem valores que escalam a ades&atilde;o ao que os indiv&iacute;duos consideram 'sagrado' ou intoc&aacute;vel.<br />Desde os gregos antigos que sabemos que nada deve ser considerado sagrado ou alheio &agrave; cogita&ccedil;&atilde;o.<br />O indiv&iacute;duo hodierno identifica-se quase que como por osmose com aquilo que considera ser os valores da maioria, aquilo que &eacute; esperado dele e que lhe garante a satisfa&ccedil;&atilde;o interna de considerar-se evolu&iacute;do e civilizado por contraposi&ccedil;&atilde;o aos brutos do passado.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Desta forma podemos ler a polariza&ccedil;&atilde;o e a import&acirc;ncia da mesma para o indiv&iacute;duo, como arrepios completos da actividade reflexiva. Os fundamentalistas existem tamb&eacute;m, al&eacute;m das fronteiras do <em>Daesh</em>.<br /><br /><br /><strong>C) A epidemia</strong><br /><br /><br />Parece existir uma din&acirc;mica quase paradoxal na cabe&ccedil;a dos portugueses.<br />Por um lado convivem mal com a opini&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; sua. Ou a rejeitam sem mais pela arrog&acirc;ncia de ser contr&aacute;ria, ou nem a digerem, pois ouvir o outro &eacute; sin&oacute;nimo de reconhecer-lhe capacidades e de o ver como alvo de respeito, coisa que um fundamentalista n&atilde;o pode fazer.<br />Se a minha opini&atilde;o, por mais imbecil que seja, &eacute; a medida com que avalio o mundo, e se os outros pensam pior e diferente de mim, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio aprender com eles.<br /><br /><br />Revela-se portanto a epidemia de falta de empatia que se espalha por caf&eacute;s, pra&ccedil;as e escrit&oacute;rios deste pa&iacute;s.<br />Esta indig&ecirc;ncia reflexiva (e falta de humildade) acerca do mundo e dos outros, coincide com o facto de que no ano da gra&ccedil;a de Nosso Senhor 2016, nunca tanta gente nesta ocidental praia lusitana possuiu graus acad&eacute;micos, d&eacute;cadas de estudo, e acesso facilitado a tanta informa&ccedil;&atilde;o, o que faria supor um florescimento de opini&otilde;es mais elaboradas e informadas.<br /><br /><br />Conviver mal com opini&atilde;o divergente, e condi&ccedil;&otilde;es para ter opini&atilde;o pr&oacute;pria mais elaborada pode, sob determinado ponto de vista, parecer paradoxal, e completamente l&oacute;gico.<br />SE)tenho condi&ccedil;&otilde;es para ter uma opini&atilde;o elaborada, n&atilde;o devo tomar em conta a opini&atilde;o de outros, cuja capacidade ou &eacute; ligeiramente inferior ou inferior &agrave; minha, para pensar o mundo;<br />E SE)tenho condi&ccedil;&otilde;es para ter uma opini&atilde;o elaborada, e se as opini&otilde;es s&atilde;o t&atilde;o variadas, cada um pode defender o que quiser.<br /><br /><br />Tanta gente formada, faria supor que a forma&ccedil;&atilde;o &eacute; equivalente, mas n&atilde;o &eacute;.<br />Se um transeunte desejar opinar sobre termodin&acirc;mica com um Engenheiro Mec&acirc;nico, se nada disso perceber, vai evitar fazer figura de urso. Reconhece de forma inequ&iacute;voca o maior conhecimento do outro nessa &agrave;rea.<br />Mas se esse mesmo transeunte for confrontado com quest&otilde;es de Filosofia, Sociologia ou Antropologia, por mais jarg&atilde;o t&eacute;cnico com que se invistam as respostas, sentir&acute;-se-&agrave; capacitado para responder e dar a sua achega, afinal, ele pensa, e o seu pensamento &eacute; t&atilde;o v&aacute;lido como o dos outros.<br />Regra geral s&oacute; o saber exacto &eacute; considerado saber t&eacute;cnico. O outro saber, &eacute; opini&atilde;o, o seu grau de complexidade depende apenas de jarg&atilde;o e jaj&atilde;o.<br /><br /><br />Os portugueses est&atilde;o cada vez mais isolados e auto-isolados.<br />As redes sociais s&atilde;o a ilus&atilde;o que confirma esta regra, criam a ilus&atilde;o de comunidade, na qual opini&otilde;es semelhantes se aglutinam em grupos onde se convive mal com a diferen&ccedil;a. Isto cria percep&ccedil;&otilde;es que distorcem um sentido de realidade adulto, pois polariza em &laquo;n&oacute;s&raquo; e &laquo;eles&raquo;, e ainda faculta a falsa ideia de que a semelhan&ccedil;a &eacute; mais homog&eacute;nea do que realmente &eacute;.<br />Tenho tatuagens na testa, dou-me apenas com gente que tem e adora tatuagens na testa, e portanto encorajo a ideia de que gente com tatuagens na testa s&atilde;o um grande grupo, tanto quanto penso que tenho mais em comum com gente que tenha esse gosto, que com outro tipo de gente.<br /><br /><br />Resumindo, a malta polariza-se e organiza-se de acordo com a sua opini&atilde;o.<br />Estamos perante a legi&atilde;o de filodoxos.<br />No passado n&atilde;o existiam livros suficientes para ler &agrave; luz da vela.<br />Hoje em dia a 'net' permite obter informa&ccedil;&atilde;o para justificar e legitimar tudo aos nossos filodoxos.<br /><u>Desta forma, a forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o e a sua reconfirma&ccedil;&atilde;o passam a depender menos do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, do que do desejo de legitimar a informa&ccedil;&atilde;o ou opini&atilde;o de que j&aacute; se disp&otilde;e.</u><br /><br /><br /><strong>D) Posi&ccedil;&atilde;o ganha &eacute; para ser mantida</strong><br /><br /><br />Quem quer que seja que deseje defender a opini&atilde;o de que o Planeta Terra &eacute; o centro do Universo e de que o Sol gravita em torno da Terra, pode tentar encontrar informa&ccedil;&atilde;o na <em>internet</em> que o confirme, se bem que em quantidade inferior &agrave; da hip&oacute;tese heliocentrista.<br />As paix&otilde;es arrastadas por geocentristas e heliocentristas nada s&atilde;o por compara&ccedil;&atilde;o, com aquelas que emanam de assuntos menos t&eacute;cnicos como por exemplo a importante quest&atilde;o acerca do grau masculino da palavra que denota o astro-rei, 'Sol'.<br /><br /><br />As falanges do politicamente correcto protestam contra esta ced&ecirc;ncia ao chauvinismo, a conota&ccedil;&atilde;o de um astro que &eacute; de todos e todas, mas que pelo nome est&aacute; condenado a ser associado &agrave; opress&atilde;o da sociedade patriarcal, que se apoderou do discurso astron&oacute;mico monopolizando para a ideologia machista a maior e mais pr&oacute;xima reac&ccedil;&atilde;o termonuclear, que seria bem mais sens&iacute;vel e menos lesiva da pele na praia se o g&eacute;nero do Sol fosse feminino e se chamasse por exemplo &laquo;Sola&raquo;.<br /><br /><br />Uma pequena minoria, que se revoltou contra a opress&atilde;o dos anti-opressivos riposta com peti&ccedil;&otilde;es e vig&iacute;lias que defendem a altera&ccedil;&atilde;o da designa&ccedil;&atilde;o do planeta Terra, numa demonstra&ccedil;&atilde;o al&eacute;m de d&uacute;vidas, da reac&ccedil;&atilde;o contra a opress&atilde;o matriarcal insinuada na linguagem que designa as coisas.<br /><br /><br />Adoramos uma boa discuss&atilde;o.<br />Especialmente se ela permite ou a humilha&ccedil;&atilde;o e superioriza&ccedil;&atilde;o sobre o outro, ou um registo pac&iacute;fico e superficial no qual nada de relevante seja debatido.<br />Isto n&atilde;o &eacute; incoer&ecirc;ncia, &eacute; apenas express&atilde;o do desejo de n&atilde;o desejar nenhum arrasto de personalidade, nenhuma aventura para fora da sua zona de conforto.<br /><br /><br />Somos completamente viciados em vitimiza&ccedil;&atilde;o / superioriza&ccedil;&atilde;o.<br />Com elas alimentamos a fornalha emocional da nossa individua&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><br />Ningu&eacute;m minimamente saud&aacute;vel de um ponto de vista psicol&oacute;gico, pode negar sofrer influ&ecirc;ncias do meio social e cultural em que vive.<br />Uns e umas, ter&atilde;o consci&ecirc;ncia do lugar comum e convencionalidade das suas opini&otilde;es, outros e outras nem por isso.<br /><br /><br />Defender a opini&atilde;o da moda &eacute; uma excelente forma de comprar a aprova&ccedil;&atilde;o dos outros.<br />Entra-se num c&iacute;rculo de palmadinhas nas costas, apoiamo-nos uns aos outros enquanto as nossas opini&otilde;es se confirmarem entre si.<br />&Eacute; p&aacute; e toda a gente gosta de um carinho.<br /><br /><br />E nos tempos que correm &eacute; t&atilde;o f&aacute;cil ser-se hip&oacute;crita atr&aacute;s de um monitor, que seria um completo desperd&iacute;cio perder essa oportunidade.<br /><br /><br />O nosso admir&aacute;vel novo mundo actual, faculta o insulto f&aacute;cil e pronto atr&aacute;s da seguran&ccedil;a de um teclado e como substituto de um argumento pensado e partilhado cara a cara.<br />Para qu&ecirc; estar-me a ma&ccedil;ar com o complexo, dif&iacute;cil e que coloca em causa aquilo que penso acreditar, se &eacute; bem mais f&aacute;cil chamar este gajo de imbecil e gozar com ele, ou tentar com que passe por rid&iacute;culo, recorrendo &agrave; vitimiza&ccedil;&atilde;o e ao lugar comum?<br /><br /><br />N&atilde;o concordas com ele?<br />N&atilde;o est&aacute;s para ler 3 linhas de texto sem imagens ou desenhos?<br />Prepara os dizeres brejeiros e jocosos, s&atilde;o a melhor forma de o acossar e calar.<br />N&atilde;o queres dar cr&eacute;dito p&uacute;blico &agrave; posi&ccedil;&atilde;o do outro? Chama-lhe nomes.<br />Fech&aacute;-lo em etiquetas feitas, comunista, machista chauvinista, retr&oacute;grado, <em>troll</em>, pessimista, vampiro emocional, insinua que desconhece do que fala.<br />Quando apertado s&oacute; o ganhar a discuss&atilde;o interessa, de prefer&ecirc;ncia humilhando o interlocutor.<br />N&atilde;o tens pachorra para perceber de onde vem o outro, de lhe dar cr&eacute;dito na elabora&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o dos seus racioc&iacute;nios, e ainda usas isso para o vexar. Enquanto um perde tempo a exprimir-se de forma a ser entendido, o outro procura de forma ardilosa formas de o entalar.<br />Um preocupado em ordena&ccedil;&atilde;o racional das palavras, outro na subvers&atilde;o desse esfor&ccedil;o apelando a atalhos como a manipula&ccedil;&atilde;o dos afectos e da ret&oacute;rica que bloqueia a clareza argumentativa.<br />A inten&ccedil;&atilde;o nunca &eacute; a troca de ideias, apenas o ganhar a discuss&atilde;o, especialmente nas redes sociais, pois a auto-imagem do indiv&iacute;duo &eacute; escrutinada por v&aacute;rios outros, e como o seu amor-pr&oacute;prio depende daquilo que pensa que os outros pensam dele, temos a caldo das emo&ccedil;&otilde;es entornado.<br />Nesta manipula&ccedil;&atilde;o saloia, quem se preocupa na troca honesta de ideias perde quase sempre pois n&atilde;o sabe funcionar ao mesmo n&iacute;vel.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>Segunda parte</strong><br /><br /><br /><strong>E) a insustent&aacute;vel inexist&ecirc;ncia do ser</strong><br /><br /><br />Um dos mais fecundos temas de motiva&ccedil;&atilde;o dos espasmos emocionais &eacute; a suposta guerra dos sexos.<br />Suposta, pois s&oacute; existe na cabe&ccedil;a das mulheres e dos <em>hominas</em> (metade homens e metade vaginas).<br /><br /><br />O homem, enquanto sexo ou g&eacute;nero vi&ccedil;oso, orgulhoso da sua condi&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o existe.<br />O mais aproximado que temos &eacute; a descri&ccedil;&atilde;o das feministas dos homens, como brutos, porcos maus, em reedi&ccedil;&otilde;es pelos anos dos vil&otilde;es dos <em>spaghetti westerns</em>.<br /><br /><br />Quem tenha aten&ccedil;&atilde;o &agrave; m&aacute;quina de propaganda comercial, o estere&oacute;tipo masculino oscila entre o tolo submisso e ador&aacute;vel, ou o bruto desprovido de sofistica&ccedil;&atilde;o, incapaz de sobreviver na selva urbana sem a superior orienta&ccedil;&atilde;o da companheira.<br /><br /><br />Lugares comuns como a ideia de que l&aacute; em casa manda ela, que est&aacute; sempre certa, de que as mulheres t&ecirc;m um acesso privilegiado &agrave; realidade com o seu suposto 6&ordm; sentido, contribuem para a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos personagens masculinos que o marketing nos impinge, como seres menores e incapazes, aut&ecirc;nticas m&aacute;quina numa perp&eacute;tua busca de aprova&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><br />&Eacute; este o paradigma do homem hodierno.<br />&Eacute; este o paradigma da sofistica&ccedil;&atilde;o, a moda, o objectivo a <em>ser-se</em>.<br /><br /><br />Alguns reagem, de forma igualmente extremista, generalizando e tratando de forma odiosa as 'mulheres'.<br />Os piores exemplos servem para caracterizar o todo, &laquo;Todos os homens s&atilde;o porcos chauvinistas e violentos.&raquo; e os melhores exemplos s&atilde;o descritos em folhetos largados via a&eacute;rea por bimotores a h&eacute;lice, onde aparecem as formas de comportamento aceites, ser d&oacute;cil, submisso, abdicar da sua express&atilde;o individual fora do que &eacute; permitido (como urrar com futebol, encharcar-se de cerveja com os amigos igualmente tolos, ou ser escravo do seu desejo por <em>gadgets</em> infantis) e a mensagem impl&iacute;cita (que &eacute; para mim a genialidade da manipula&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XX) de que a contric&ccedil;&atilde;o tem de ser absoluta e n&atilde;o regate&aacute;vel &ndash; isto &eacute; &ndash; muito mal foi feito &agrave;s mulheres no passado, qualquer homem que o seja tem de assumir por si essa culpa e pagar o pre&ccedil;o, a submiss&atilde;o.<br />Se isso n&atilde;o acontece, se o indiv&iacute;duo acha que &eacute; um pre&ccedil;o alto a pagar, entra em cena o plano B.<br />Exercer controlo atrav&eacute;s do acesso &agrave; vulva. Queres um orgasmo usando o meu corpo? Submete-te.<br /><br /><br /><br /><br />Os rapazes j&aacute; n&atilde;o se regozijam de terem nascido rapazes.<br />S&atilde;o as mulheres que o confirmam. Invariavelmente escutamos as amigas, as ex namoradas, as familiares queixando-se que j&aacute; n&atilde;o existem homens de jeito, apenas entidades amorfas e b&iacute;pedes sub humanamente abjectas no que diz respeito &agrave; sua express&atilde;o de individualidade, que oscila entre a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e psicol&oacute;gica com outros (especialmente mulheres) e a codepend&ecirc;ncia de busca incessante de aprova&ccedil;&atilde;o dos outros (especialmente de mulheres tamb&eacute;m).<br /><br /><br />Como j&aacute; foi dito, cada vez mais a intelig&ecirc;ncia social se define, n&atilde;o pela capacidade emp&aacute;tica de ocupar por empr&eacute;stimo moment&acirc;neo o lugar do outro &ndash; percebendo-o &ndash; <strong>mas </strong>pela aceita&ccedil;&atilde;o budista do direito inalien&aacute;vel do outro em ser imbecil.<br />Imbecilidade e fundamentalismo andam de m&atilde;o dada. Se entendermos o fundamentalismo como a nega&ccedil;&atilde;o do discurso do outro, por for&ccedil;a de verdades n&atilde;o regate&aacute;veis de &laquo;nossa&raquo; autoria, a imbecilidade partilha esta inexist&ecirc;ncia militante de capacidade reflexiva.<br />O fundamentalista nega o discurso do outro, o imbecil obtem comprazimento na sua clausura, conforto na sua avers&atilde;o. O fundamentalista &eacute; parte agente, age em nome das suas cren&ccedil;as, o imbecil reage ou n&atilde;o age. A sua ac&ccedil;&atilde;o &eacute; somente defender o seu direito a n&atilde;o agir, ou seja, a manter a sua cren&ccedil;a, colocando-a em lugar de igualdade de direito, por mais abstrusa que seja. Independentemente do conte&uacute;do, mas n&atilde;o independentemente da aceita&ccedil;&atilde;o social desse mesmo conte&uacute;do.<br />Ep&aacute;, &eacute; a minha opini&atilde;o tens de respeitar. Seria mais correcto dizer &laquo;Eu sou a minha opini&atilde;o, tens de me respeitar.&raquo;<br />Cada um identifica a opini&atilde;o pr&oacute;pria n&atilde;o como obra em progresso, mas como resultado incontest&aacute;vel de individualidade.<br />A malta n&atilde;o tem medo de ter uma opini&atilde;o errada, tem medo de ter uma opini&atilde;o &laquo;correcta&raquo; que possa ser publicamente ridicularizada.<br />Ep&aacute;, &eacute; a minha opini&atilde;o tens de respeitar. Se eu digo que o Sol gravita em torno da Terra, exijo respeito pela minha pessoa.<br />N&atilde;o &eacute; o conte&uacute;do que &eacute; real&ccedil;ado, mas a proveni&ecirc;ncia.<br /><br /><br />A melhor forma de provar este sabor, &eacute; manifestar discord&acirc;ncia com a tese da opress&atilde;o patriarcal.<br />As verdades feitas do nosso tempo, como as de outros tempos passados, s&atilde;o percutores perfeitos para as nossas emo&ccedil;&otilde;es, para amar e odiar por causa delas, para dar a vida e a morte, para discutir bola enquanto milhares morrem afogados, ou para bloquear algu&eacute;m que criticou no nosso mural a nossa disponibilidade para usar uma rede social como &laquo;o meu querido di&aacute;rio&raquo;.<br /><br /><br />Dude escreveu:<br />&laquo;N&atilde;o concordo com a tese de opress&atilde;o patriarcal.&raquo;<br />feminista_empedernida escreveu:<br />&laquo;Porco fascista!&raquo;<br /><em>homina</em>_de_servi&ccedil;o escreveu:<br />&laquo;Por causa de cavalgaduras como esta &eacute; que o pa&iacute;s n&atilde;o vai para a frente!&raquo;<br />moralizador_mor escreveu:<br />&laquo;Inacredit&aacute;vel como no s&eacute;culo XXI podes dizer isso, depois do massacre dos Incas, de Treblinka, e da 2&ordf; Guerra Mundial, se &eacute;s branco, europeu e homem, tens de assumir todos os crimes de todos os homens europeus brancos que cometeram crimes antes de ti. Assumir a culpa implica n&atilde;o poderes discordar de qualquer tese que centre qualquer interpreta&ccedil;&atilde;o fora de um contexto acusat&oacute;rio ou de vitimiza&ccedil;&atilde;o.&raquo;<br />bombista_cir&uacute;rgica escreveu:<br />&laquo;Incr&iacute;vel haver gente assim, aned&oacute;tico. Palha&ccedil;o/retr&oacute;grado/at&aacute;vico/rid&iacute;culo/ouqualqueroutroinsultogratuitoaopinadoresdivergentes&raquo;<br />O exerc&iacute;cio acima simulado, &eacute; um esquema b&aacute;sico da estrutura de qualquer debate numa rede social, que se sirva da <em>internet</em>, esse meio fant&aacute;stico cujos &laquo;inventores&raquo; sonharam como ve&iacute;culo de troca de ideias.<br /><br /><br /><strong>F) Feios porcos e maus</strong><br /><br /><br />Ah porco chauvinista.<br />Malhar no indiv&iacute;duo masculino gra&ccedil;as &agrave; verdade feita da un&iacute;voca interioriza&ccedil;&atilde;o da culpa milenar por causa da opress&atilde;o da mulher exercida por gera&ccedil;&otilde;es de homens passadosque o fizeram de forma deliberada e orquestrada, a coberto de longas noites de conspira&ccedil;&atilde;o em h&uacute;midos subterr&acirc;neos, nos saudosos tempos em que nenhum homem era oprimido, por contraposi&ccedil;&atilde;o ao monop&oacute;lio feminino da submiss&atilde;o. Cada fundamentalista evoca a sua experi&ecirc;ncia pessoal para legitimar o opr&oacute;bio milenar que as gera&ccedil;&otilde;es de homens passados exerceram.<br /><br /><br />A generaliza&ccedil;&atilde;o funciona bem at&eacute; certo n&iacute;vel.<br />As mulheres s&atilde;o as v&iacute;timas da Hist&oacute;ria, e os homens &ndash; esses malandros &ndash; s&oacute; queriam guerrear, pilhar e violar. O mundo seria t&atilde;o mais cor-de-rosa se as mulheres mandassem mais.<br /><br /><br />A rainha Victoria em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escravatura &eacute; t&atilde;o mais amena retratada como mulher de Estado no seio de tens&otilde;es terr&iacute;veis, mas se fosse homem, era um porco imperialista.<br />A condessa Isabel Bathory aparece como exc&ecirc;ntrica e m&aacute;rtir pela sua beleza, ao passo que Vlad Tepes &eacute; retratado como um d&eacute;spota atroz e representante do Reino da Testosterona.<br />Ambos eram assassinos, mas uma m&atilde;o feminina num punhal confere mais doce &agrave; viol&ecirc;ncia.<br /><br /><br />O homem bate na mulher, &eacute; (correctamente) conotado como criminoso violento. Uma mulher que agride o marido, &eacute; igualmente criminosa, mas a tal <em>vox populi</em> de taberna, n&atilde;o raras vezes lhe encontra justifica&ccedil;&otilde;es para o mesmo acto, foram as desilus&otilde;es, o colapso nervoso decorrente do azar na vida, etc. como se supostamente o homem tivesse, por defini&ccedil;&atilde;o do seu g&eacute;nero, de ser um semideus quase isento de defeitos.<br /><br /><br />Valha-nos a letra da lei, que considera criminoso aquele que agride outro, independentemente do seu sexo.<br /><br /><br />H&aacute; uma mar&eacute; feminina no feminino.<br />Estudos de g&eacute;nero nas faculdades cujo foco de estudo &eacute; entendido n&atilde;o como segregacionista mas como clarificador do papel das mulheres na ci&ecirc;ncia, partindo do vi&eacute;s metodol&oacute;gico de que sem sombra de d&uacute;vida, todos os contributos de mulheres na ci&ecirc;ncia ou n&atilde;o receberam o cr&eacute;dito 'devido' ou sequer o reconhecimento.<br />Na hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia, podemos evidenciar tamb&eacute;m a falta de reconhecimento dos cientistas carecas, sempre relegados para segundo plano em rela&ccedil;&atilde;o aos colegas pilosamente mais bastos.<br />A Hist&oacute;ria faz-se a partir do que se quer mostrar.<br /><br /><br />Passa a ideia, acredito que de forma n&atilde;o intencional, que as mulheres sempre foram ou parte passiva em tudo o que &eacute; mau e activa no que &eacute; bom, suportando estoicamente os demandos belicistas e racionalistas dos homens, que as dominavam e oprimiam. Passa a ideia de que o progresso tecnol&oacute;gico foi feito <u>apesar</u> da exist&ecirc;ncia de homens, apesar dessa sombra masculina asfixiante, ansiosa de retirar protagonismo &agrave; Gaia incauta.<br /><br /><br />Se n&atilde;o aderimos a esta narrativa, se n&atilde;o a defendermos, fazemos automaticamente parte da falange patriarca, logo somos o inimigo, ou resqu&iacute;cios de qualquer coisa ultrapassada que urge extirpar da exist&ecirc;ncia. Sem tr&eacute;guas. Sem perd&atilde;o.<br /><br /><br />De lado fica a coer&ecirc;ncia l&oacute;gica, e qualquer narrativa n&atilde;o conc&ecirc;ntrica, que passa por exc&ecirc;ntrica aos olhos de cada imbecil.<br />L&oacute;gica, essa coisa aparentemente masculina que suportou a sociedade tecnocrata contra a qual as &laquo;mulheres&raquo; sempre lutaram, mas que se esfor&ccedil;am agora por fazer evidenciar o contributo.<br />Leva a que se pergunte, ent&atilde;o se a hist&oacute;ria &eacute; o relato da sociedade patriarcal opressora, evidenciar os feitos das mulheres nos estudos de g&eacute;nero, n&atilde;o &eacute; identificar o feminino com a opress&atilde;o que se critica?<br /><br /><br />Ah, mas nem tudo o que &eacute; civilizacional &eacute; mau, h&aacute; muita coisa boa.<br />O melhor claro &eacute; responsabilidade das mulheres. E s&oacute; n&atilde;o &eacute; melhor porque elas n&atilde;o t&ecirc;m mais poder.<br />Voltemos a questionar, as mulheres dos esclavagistas transatl&acirc;nticos amoleceram os cora&ccedil;&otilde;es dos seus esposos, contribuindo para a redu&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos escravizados?<br />Sofreram em sil&ecirc;ncio guardando apertado no peito sob o espartilho, o sofrimento adivinhado dos negros?<br /><br /><br />Ou beneficiaram de igual forma que os seus companheiros, na explora&ccedil;&atilde;o desse com&eacute;rcio?<br />As esposas dos donos de Treblinka provocaram graves conflictos morais nas mentes dos algozes?<br /><br /><br />Como se pode continuar a contribuir para o odioso acto de perpetua&ccedil;&atilde;o da culpa atrav&eacute;s das gera&ccedil;&otilde;es, por causa da morda&ccedil;a patriarcal, quando a mulher lucrou de igual modo nas contas gerais de perpetua&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o dos genes?<br /><br /><br />O discurso ou sequer insinua&ccedil;&atilde;o que culpabiliza o homem, por tudo o que &eacute; mau e rasteiro &eacute; apenas um discurso de poder ao mesmo tempo que branqueamento da responsabilidade das &laquo;mulheres&raquo; pela hist&oacute;ria violenta e velhaca que &eacute; responsabilidade da esp&eacute;cie e n&atilde;o do g&eacute;nero.<br /><br /><br />Por isso encaro o discurso dominante como uma moda, e n&atilde;o como consequ&ecirc;ncia de um avan&ccedil;o cient&iacute;fico das ci&ecirc;ncias sociais.<br /><br /><br /><strong>G) A boa, a m&aacute; e a vil&atilde;</strong><br /><br /><br /><br /><br />Partilho 3 exemplos observados em 1a m&atilde;o.<br /><br /><br />1) Finais dos anos 90, aula de Antrologia e Cultura, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, uma docente alerta para a necessidade de escapar ao determinismo lingu&iacute;stico machista, que promove a desigualdade de g&eacute;nero no seio do protagonismo da nossa esp&eacute;cie <em>Sapiens sapiens &ndash; </em>como? Evitando denotar a esp&eacute;cie humana no seu geral como o &laquo;Homem&raquo;, mas como &laquo;Homem/Mulher&raquo;;<br /><br /><br />2) Primeira d&eacute;cada do novo mil&eacute;nio, aula de Hist&oacute;ria da Expans&atilde;o Portuguesa na mesma Faculdade, dois discentes acometidos de auto-flagelismo prim&aacute;rio ridicularizavam a explica&ccedil;&atilde;o dada pelo docente acerca da progress&atilde;o mar&iacute;tima portuguesa nas costas da Guin&eacute;, emitindo ju&iacute;zos de valor atrav&eacute;s de coment&aacute;rios jocosos, pressionando o docente a basicamente encolher os ombros e desculpar-se por aquela cr&iacute;tica aberta &agrave; &laquo;mentalidade&raquo; e <em>pathos</em> portugu&ecirc;s e implicitamente &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o.<br />N&atilde;o pude resistir e perguntei aos argutos discentes se tinham no&ccedil;&atilde;o de que estavam a emitir ju&iacute;zos de valor de forma pouco cient&iacute;fica, sobre uma sociedade na passagem da medievalidade &agrave; Idade Moderna, a partir de uma mentalidade p&oacute;s-industrial.<br />Perguntei tamb&eacute;m ao docente se est&aacute;vamos numa aula de Hist&oacute;ria ou num auto-de-f&eacute; na medida em que n&atilde;o acreditava eu ter alguma coisa a ver com os portugueses que comerciavam escravos e/ou praticavam actos de canibalismo para com os negros em casos de naufr&aacute;gios, que nada tinha a ver com esses portugueses semi medievais que dividiam os lucros do tr&aacute;fico esclavagista com os chefes tribais negros que fomentavam esse mesmo tr&aacute;fico.<br />Sim, parece que nem eram os portugueses respons&aacute;veis pela parte de le&atilde;o do com&eacute;rcio de escravos.<br /><br /><br />3) Numa aula de Hist&oacute;ria de Portugal Moderno, na Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, um docente, historiador c&eacute;lebre, confessa-se ac&eacute;rrimo feminista.<br />&laquo;Oh diabo!&raquo; pensei.<br />Mas feminismo n&atilde;o &eacute; uma esp&eacute;cie de racismo?<br /><br /><br />Posteriormente aprendi que existem duas grandes teorias nesta tem&aacute;tica.<br />A primeira &eacute; a teoria do cobertor, e a segunda &eacute; a teoria do mama todos por igual.<br /><br /><br />A teoria do cobertor defende que no caso da defesa dos direitos das mulheres, essa mesma defesa n&atilde;o pode ser feita sem limita&ccedil;&atilde;o ou subtrac&ccedil;&atilde;o dos supostos direitos dos homens.<br />Da mesma forma que um casal luta no Inverno por um cobertor demasiado diminuto para os dois, h&aacute; sempre um que fica ao frio.<br /><br /><br />A teoria do mamam todos por igual pretende fazer estender os mesmos direitos a ambos os g&eacute;neros.<br /><br /><br />Relembro que os 3 exemplos acima citados ocorreram em ambiente universit&aacute;rio das chamadas ci&ecirc;ncias humanas, onde existe uma despropor&ccedil;&atilde;o avassaladora entre o n&uacute;mero de discentes de sexo masculino em menor n&uacute;mero, em rela&ccedil;&atilde;o aos discentes de sexo feminino.<br />Espelham bem, na minha opini&atilde;o a cultura de vitimiza&ccedil;&atilde;o e feminiza&ccedil;&atilde;o transversal na nossa sociedade e mentalidade.<br /><br /><br />Algumas figuras da nossa cultura pop como por exemplo a senhora Joana Amaral Dias, n&atilde;o se inibem na emiss&atilde;o de ju&iacute;zos claramente inquinados e parciais sobre esta tem&aacute;tica. A referida senhora, implicitamente exprimindo uma suposta superioridade intelectual feminina, em declara&ccedil;&otilde;es televisionadas, disse que n&atilde;o compreendia como &eacute; que as mulheres tinham ainda pouca express&atilde;o em lugares de &laquo;topo&raquo; visto que terminavam em maior n&uacute;mero (e qualidade?) os cursos universit&aacute;rios.<br />Este tipo de declara&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m da import&acirc;ncia e da falta de necessidade de refinamento estat&iacute;stico mostram que &eacute; causa de surpresa geral que os broncos dos homens (mais burros ou menos motivados) consigam dominar milenarmente as mulheres, se nem cursos universit&aacute;rios de 3 anos conseguem terminar.<br /><br /><br />Como &eacute; que a sociedade patriarcal conseguiu dominar o mundo at&eacute; hoje mesmo em tempos que nem homens nem mulheres sabiam ler ou escrever. S&oacute; mesmo atrav&eacute;s da for&ccedil;a. E da conspira&ccedil;&atilde;o colectiva.<br />Outro motivo de surpresa reside no facto de nesta sociedade industrial, os papalvos dos homens serem os maiores criadores de artefactos que visam aliviar a escravid&atilde;o do alvo da sua sanha opressora.<br />Esses tiranos p&eacute;rfidos e velhacos afinal parecem ter a maior vontade de manter as &laquo;mulheres&raquo; numa gaiola dourada, investindo energia criativa e esfor&ccedil;o criando condi&ccedil;&otilde;es que aumentem o conforto e bem estar das f&ecirc;meas, como seja o caso dos electrodom&eacute;sticos, inventados em grande parte nas Universidades onde o estrog&eacute;nio n&atilde;o abunda, e onde a estat&iacute;stica demogr&aacute;fica da senhora Joana Amaral Dias n&atilde;o se aplica.<br /><br /><br />Mas temos de concordar com essa ideia sussurrada mas pouco assumida, de que as mulheres, apesar de uma caixa craniana inferior para a mesma estrutura cerebral, conseguem mais intelig&ecirc;ncia. A testosterona deve ter alguma influ&ecirc;ncia nisso. Ent&atilde;o n&atilde;o &eacute; que os burros dos homens metem-se em guerras ap&oacute;s guerras, andando entretidos a morrer, levando a que no s&eacute;culo XX a mulher saisse do lava loi&ccedil;a para a f&aacute;brica e para o escrit&oacute;rio podendo assim criar o balan&ccedil;o para se tornar independente financeiramente?<br />Como explicar a burrice dos homens que atrav&eacute;s de um homem de 26 anos em 1951, fez a s&iacute;ntese da Noretindrona, abrindo assim caminho para a p&iacute;lula contraceptiva que viria a dar &agrave;s mulheres finalmente, controlo sobre o seu corpo, controlando a concep&ccedil;&atilde;o? Como explicar que foi o homem no laborat&oacute;rio que mais contribuiu para a liberdade das mulheres desde que Eva trincou a ma&ccedil;&atilde;?<br /><br /><br />S&atilde;o t&atilde;o broncos estes homens, e mal organizados, que nem conseguem manter uma conspira&ccedil;&atilde;o mundial milenarmente egr&eacute;gia.<br /><br /><br />Ah, &eacute; porque eles dominam os centros pol&iacute;ticos e a Academia.<br /><br /><br />N&atilde;o se percebe como &eacute; que este g&eacute;nero que conspira contra as mulheres, n&atilde;o &eacute; unido (sen&atilde;o para conspirar) e se lan&ccedil;a aos milh&otilde;es para a sua aniquila&ccedil;&atilde;o no Somme ou em Estalinegrado.<br />G&eacute;nero estranho, o masculino.<br /><br /><br /><br /><br /><strong>H) Os g&eacute;neros s&atilde;o iguais, mas uns s&atilde;o mais iguais que outros</strong><br /><br /><br />O paradigma corrente, ou moda, caracteriza-se por uma no&ccedil;&atilde;o de igualdade que implica uma vitimiza&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o h&aacute; vitimiza&ccedil;&atilde;o sem flageliza&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua do opressor.<br />Sem remiss&atilde;o. Sem perd&atilde;o. Sem excep&ccedil;&atilde;o.<br />Por isso o feminista &eacute; fundamentalista. Por isso o fundamentalista &eacute; imbecil.<br /><br /><br />Eu penso que n&atilde;o se deveria pactuar com este paradigma de &laquo;feminismo&raquo;.<br />Mas por motivos de impregna&ccedil;&atilde;o e dimens&atilde;o, o indiv&iacute;duo v&ecirc;-se como lesma em salina &agrave; procura de cana de a&ccedil;&uacute;car.<br />Apenas pode o indiv&iacute;duo resistir e encontrar forma de lidar com as press&otilde;es e insultos da&iacute; resultantes.<br />N&atilde;o h&aacute; forma de se soltar, sen&atilde;o exprimindo-se a si mesmo, individuando-se, independentemente das opini&otilde;es de mulheres demasiado zelosas e de <em>hominas. </em><br />O &laquo;feminismo&raquo; de Ver&atilde;o que &eacute; dogma hoje em dia, visa substituir uma suposta opress&atilde;o por uma opress&atilde;o imposta. Imposta e auto-imposta.<br />O indiv&iacute;duo tem de redimir-se de ter nascido com pilinha.<br /><br /><br />Jovem, tens pila e o azar de ter testosterona &laquo;a mais&raquo;? 500 Pais Nossos e 1000 Av&eacute; Marias.<br />Livra-te e arrepende-te desse pecado.<br /><br /><br />Como j&aacute; havia sido mencionado, ningu&eacute;m tem de se culpabilizar ou de ir contra a sua consci&ecirc;ncia por causa de crimes cometidos na costa da Guin&eacute; ou se os n&uacute;meros da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica contra as mulheres s&atilde;o aterradores.<br /><br /><br />Cada indiv&iacute;duo &eacute; respons&aacute;vel por si e a lei enquadra os excessos tolerados e n&atilde;o tolerados.<br />Que tenho eu ou o meu g&eacute;nero a ver com dezenas de criminosos violando mulheres na &Iacute;ndia ou no Brasil?<br />Que culpa tem qualquer homem psicologicamente saud&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o a grelhados de bruxa ou &agrave; cultura de brincar com l&acirc;minas e clit&oacute;ris?<br /><br /><br />Ningu&eacute;m tem de assumir como sua a responsabilidade em crimes de outros, ou assumir culpa por n&atilde;o ter nascido com o poder de decis&atilde;o sexual que vem de f&aacute;brica com uma vagina.<br /><br /><br /><br /><br />Seria bom que cada indiv&iacute;duo assumisse apenas o esfor&ccedil;o duplo e continuado de :<br />1) tratar qualquer pr&oacute;ximo de forma igual independentemente do seu sexo;<br />2) resistir tanto quanto a sua observa&ccedil;&atilde;o lhe permite, &agrave; ideologia de uma sociedade hipersexualizada e hip&oacute;crita, que mistifica a juventude quase infantil, de corpo e de esp&iacute;rito, que uniformiza o poder sexual na mulher ao mesmo tempo que mercantiliza o seu corpo em ciclo de viola&ccedil;&atilde;o do ponto 1.<br /><br /><br />Esta n&atilde;o &eacute; a igualdade que a maior parte das mulheres quer.<br />N&atilde;o tenho de ficar ressentido com isso.<br />Ficava ressentido quando tinha como cren&ccedil;a que as raparigas s&atilde;o feitas de doce e algod&atilde;o, e os rapazes de pedras e cobras.<br /><br /><br />Cada vez se torna mais evidente o essencial do acess&oacute;rio, e o fasc&iacute;nio de uma personalidade bem torneada torna-se cada vez mais apelativo.<br />N&atilde;o h&aacute; nada de mal em procurar tirar partido das vantagens que se tem na vida.<br />Pessoas que nascem com contornos d&eacute;rmicos apelativos sob boa estrutura &oacute;ssea devem aproveitar a sorte que lhes coube.<br />Mesmo que isso implique que cada vez mais as mulheres bonitas, (a maior parte pois a beleza &eacute; vulgar) interiorizem a ideia de que por alguma ignota raz&atilde;o os homens e o mundo lhes deve vassalagem e admira&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><br />Chamo a isto a mentalidade de Prometeu (desconhe&ccedil;o um Prometeu feminino). Os ossos v&atilde;o para os deuses, os quais tememos e odiamos por estarmos submissos a eles.<br />A carne boa fica connosco (humanos).<br /><br /><br />No caso das mulheres, al&eacute;m de uma superior intelig&ecirc;ncia, como suspeitou Joana Amaral Dias, no seu coment&aacute;rio, conjuga-se tamb&eacute;m uma maior esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida.<br />Um g&eacute;nero que &eacute; mais inteligente e mais resistente quer &agrave;s doen&ccedil;as quer &agrave; dureza da vida, s&oacute; pode receber admira&ccedil;&atilde;o por nessa sorte que lhe cabe, reivindicar mais e melhor parte do presunto da vida.<br /><br /><br />Por exemplo, os tais cargos de &laquo;topo&raquo;. Nunca vi uma manifesta&ccedil;&atilde;o de mulheres exigindo o direito de desempenhar os trabalhos mal pagos e considerados que a maior parte dos homens desempenha, mas posso estar enganado pois sou pouco viajado.<br /><br /><br />H&aacute; outro mito que merece an&aacute;lise, acerca da suposta superioridade espiritual, dos sentidos ocultos, da intui&ccedil;&atilde;o, da maior empatia da mulher em rela&ccedil;&atilde;o ao homem.<br />Aqui o espanto atinge o seu z&eacute;nite.<br />O g&eacute;nero mais inteligente, mais resiliente fisicamente, com ferramentas conceptuais e n&atilde;o conceptuais para tratar a informa&ccedil;&atilde;o do ambiente em que est&aacute; inserido, sucumbe v&iacute;tima &uacute;nica e exclusivamente por ter menos for&ccedil;a f&iacute;sica?<br />Tem de facto o homem as costas mais largas, literalmente e n&atilde;o s&oacute;.<br /><br /><br />O mesmo homem que lhe paga bebidas no bar, lhes abre as portas, lhes faculta o lugar no autocarro cheio, ou que lan&ccedil;a o casaco sobre a po&ccedil;a de lama para ela n&atilde;o enlamear os delicados p&eacute;s.<br />Porque &eacute; cavalheiro, e porque ser cavalheiro &eacute; o que o homem deve ser, abdicar de si em detrimento de um sexo mais fraco (!), porque &eacute; de bom tom.<br /><br /><br />Quantas vezes ouvimos nos <em>media </em>que morreram n pessoas em tal cat&aacute;strofe, entre as quais x mulheres e y crian&ccedil;as, como se o facto de o sexo ou a idade aumentassem ou tornassem mais tr&aacute;gico a morte de uma data de gente em determinada cat&aacute;strofe.<br />Tamb&eacute;m j&aacute; ouvi relatos sobre a morte de x pessoas e y jornalistas, como se pelo facto de ser jornalista de profiss&atilde;o mere&ccedil;a destaque em rela&ccedil;&atilde;o aos outros cad&aacute;veres.<br />&Eacute; o mundo que temos, parece.<br />As pessoas teoricamente s&atilde;o todas iguais mas umas mais iguais que outras.<br />As conversas de caf&eacute; (as tais baseadas exclusivamente na experi&ecirc;ncia e opini&atilde;o pr&oacute;pria que tem de se respeitar porque &eacute; a dignidade social do orador que est&aacute; em jogo) v&atilde;o dar sempre ao mesmo:<br /><br /><br />a)os homens s&atilde;o uns cabr&otilde;es querem &eacute; sexo, boa vida, fazem os filhos, e depois d&atilde;o &agrave; sola e as mulheres &eacute; que os criam;<br />b)sempre que podem cometem adult&eacute;rio, e s&atilde;o os totalistas da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica.<br />Pouca gente debate, ou sabe sequer que apesar de ser um flagelo, inaceit&aacute;vel, uma trag&eacute;dia, a viol&ecirc;ncia de g&eacute;nero, contra as mulheres, &eacute; ainda assim uma reduzida parte no bolo da criminalidade violenta.<br />Existe tamb&eacute;m criminalidade no feminino, por isso existem pris&otilde;es femininas.<br /><br /><br />Que se saiba, quer homens quer mulheres, mentem, manipulam, cometem adult&eacute;rio, matam os filhos, abusam de crian&ccedil;as.<br /><br /><br />J&aacute; incorri no erro de entrar no jogo da culpa, de um g&eacute;nero inteiro, como forma de exorcizar as minhas falhas enquanto pessoa. E &eacute; isso que eu vejo na maior parte dos discursos de poder feministas, e at&eacute; no meu mon&oacute;logo interno.<br />Paguei por isso, at&eacute; descobrir que tamb&eacute;m existiam mulheres feitas de pau e pedra.<br />E homens de algod&atilde;o e doce.<br /><br /><br />Penso, e &eacute; essa a raz&atilde;o desta primeira parte de texto, que assumir cada um e uma, a firme resolu&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o contribuir para o pedit&oacute;rio desta sociedade comercial que se aproveita de estere&oacute;tipos de supostas guerras entre sexos, para continuar os n&iacute;veis de consumo, vamos continuar no mesmo registo de estupidez.<br /><br /><br />Enquanto cada um ceder ao <em>mantra</em> da vitimiza&ccedil;&atilde;o, do tirar vantagem sem alguma eleva&ccedil;&atilde;o de esp&iacute;rito, vamos todos cair no fundamentalismo e na imbecilidade a que isso conduz.<br />Continuar a espalhar pelo mundo (que nos d&aacute; palmadinhas nas costas por isso) que o Sol orbita em torno da Terra, que se devia chamar &laquo;Sola&raquo; em nada vai adiantar sen&atilde;o revelar o ressentimento latente em cada ind&iacute;viduo.<br /><br /><br />Actualmente j&aacute; n&atilde;o acho gra&ccedil;a a esse discurso e tenho pouca paci&ecirc;ncia para ele.<br />Assim que escuto algu&eacute;m falar acerca do qu&atilde;o mau as mulheres o t&ecirc;m (os azares da exist&ecirc;ncia), o meu limiar de aten&ccedil;&atilde;o reduz-se e esfor&ccedil;o-me por n&atilde;o pensar judicativamente acerca da sofistica&ccedil;&atilde;o mental do orador ou da oradora.<br /><br /><br />N&atilde;o &eacute; negar a ocorr&ecirc;ncias de abusos e dramas, e viol&ecirc;ncia na Hist&oacute;ria.<br />&Eacute; n&atilde;o capitalizar de forma oportunista sobre eles.<br /><br /><br />Tu, se gostas de ser v&iacute;tima, d&aacute;-lhe.<br />N&atilde;o te esque&ccedil;as contudo que o teu opressor &eacute; tu.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[  Considerações éticas como expressão de gosto]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/-consideracoes-eticas-como-expressao-de-gosto]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/-consideracoes-eticas-como-expressao-de-gosto#comments]]></comments><pubDate>Tue, 18 Aug 2015 00:33:08 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/respublica/-consideracoes-eticas-como-expressao-de-gosto</guid><description><![CDATA[    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O mais interessante, e tr&aacute;gico, de constatar nas v&aacute;rias experi&ecirc;ncias com o homem e a mulher comuns, que a sociedade burguesa dos conv&iacute;vios, com carac&oacute;is e cervejada ou nas reuni&otilde;es sociais em que os pater familiae trocam experi&ecirc;ncias de sucesso, &eacute; a forma como interiorizam e assumem como normal os usos e efeitos da propaganda.    O maior truque do diabo n&atilde;o foi conv [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;"><br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    <span style="">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span>O mais interessante, e tr&aacute;gico, de constatar nas v&aacute;rias experi&ecirc;ncias com o homem e a mulher comuns, que a sociedade burguesa dos conv&iacute;vios, com carac&oacute;is e cervejada ou nas reuni&otilde;es sociais em que os <em style="">pater familiae</em> trocam experi&ecirc;ncias de sucesso, &eacute; a forma como interiorizam e assumem como normal os usos e efeitos da propaganda.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O maior truque do diabo n&atilde;o foi convencer toda a gente que n&atilde;o existe. Foi meter toda a gente a convencer toda a gente de que ele n&atilde;o existe.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O homem e mulher vulgar, isto &eacute;, a mole de indiv&iacute;duos com que trocamos a experi&ecirc;ncia de viver, geralmente defendem a p&eacute;s juntos que as artes da propaganda n&atilde;o surtem grandes efeitos nas suas mentes emancipadas, e pior, que &eacute; normal as empresas recorrerem &agrave;s ind&uacute;strias do convencimento para aumentarem as vendas. Que &eacute; assim que o nosso sistema funciona, que nada h&aacute; al&eacute;m dele, que se assim n&atilde;o fosse a roda de engrenagem parava e voltar&iacute;amos ao Paleol&iacute;tico.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    &Eacute; curioso que esta gente espalha an&uacute;ncios pelas redes sociais exortando a um novo mundo, que divide o lixo por contentores coloridos separados por ess&ecirc;ncias materiais, e muda de plasma televisivo de dois em dois anos, n&atilde;o querendo saber se os velhos e obsoletos utens&iacute;lios v&atilde;o parar a pa&iacute;ses de 3&ordm; mundo, deixando l&aacute; os pl&aacute;sticos e aproveitando os materiais nobres que voltam a alimentar a ind&uacute;stria primeiro mundista.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    &Eacute; compreens&iacute;vel, pois esta gente, durante algum tempo e embora muitos n&atilde;o se apercebam, ficou com a boa m&atilde;o de cartas, no jogo da bisca da vida.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Lavar o autom&oacute;vel como ritual rotineiro, n&atilde;o se compadece com pensar que dois ter&ccedil;os do planeta n&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave; &aacute;gua pot&aacute;vel.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Os protestantes misturaram o conceito de culpa com o de trabalho para a reden&ccedil;&atilde;o e temos o neoliberalismo a anunciar aos 4 ventos, de que a mis&eacute;ria de uns &eacute; sua pr&oacute;pria culpa, quem &eacute; pobre ou subdesenvolvido, &eacute;-o por sua culpa. Se queremos sair da mis&eacute;ria material e espiritual, devemos trabalhar mais. Nada de novo debaixo do Sol, a n&atilde;o ser ser este o paradigma geral, em boa parte para comprar a m&aacute;-f&eacute; a troco do conforto a prazo que vamos tendo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    N&atilde;o levantar ondas, cooperar, resignar com o mundo tal e qual como parece ser, mais do que necessidade, passou a profiss&atilde;o de f&eacute;. Fora deste nosso conforto, o que existe sen&atilde;o o caos?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Coincid&ecirc;ncia formid&aacute;vel, o nosso conforto coincidir com a &uacute;ltima esperan&ccedil;a para a Humanidade e civilidade.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Enunciar portanto a filha de putice do vale tudo da propaganda 'comercial' &eacute; um atestado de imbecilidade, nas jantaradas da gente adulta e respons&aacute;vel.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O emissor em regra arrisca-se a ser considerado uma raridade, uma ave-do-para&iacute;so, ou relegado para a fun&ccedil;&atilde;o de mija-na-parada, a leste do que &eacute; a interpreta&ccedil;&atilde;o geral do mundo, dessa gente respons&aacute;vel.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    E aqui que ningu&eacute;m nos ouve, quem pode provar os mecanismos em jogo, as inten&ccedil;&otilde;es em ac&ccedil;&atilde;o, os conte&uacute;dos das cadeiras dos cursos de <em style="">marketing </em>aplicados &agrave; letra, sen&atilde;o aqueles pagos para os colocar em execu&ccedil;&atilde;o?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  E no entanto, espalha-se a ideia de que o consumidor m&eacute;dio &eacute; emancipado ou adulto o suficiente para deslindar e cogitar sobre estes conte&uacute;dos, criados e estudados por especialistas para produzirem determinados efeitos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Esta festa no lombo, que consiste em dizer que cada consumidor tem a capacidade cr&iacute;tica necess&aacute;ria para n&atilde;o se deixar influenciar pelo <em style="">marketing</em>, &eacute; um ponto-chave em rela&ccedil;&atilde;o ao qual esse consumidor espalhar&aacute; com soberba, a sua capacidade por via das suas palavras e ac&ccedil;&otilde;es, a todos aqueles que achem a coisa um bocado estranha e inaceit&aacute;vel. Ningu&eacute;m coloca limites, e a bo&ccedil;alidade espalha-se como um v&iacute;rus.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Tudo vale, vale tudo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Veja-se as crian&ccedil;as, as criancinhas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A cria&ccedil;&atilde;o do estere&oacute;tipo da crian&ccedil;a como algo de indiscut&iacute;vel, para l&aacute; de qualquer debate, &eacute; ponto assente. A crian&ccedil;a &eacute; a &uacute;ltima almofada emocional mais importante que o &acirc;mago do indiv&iacute;duo, seja ele pai ou m&atilde;e. D&aacute; a ideia de que o indiv&iacute;duo a partir de certa idade deixa de ser especial e fundamental. Muitas vezes s&oacute; se entende sacrificando-se pela crian&ccedil;a, numa rebeldia sempre adiada que culmina com a resigna&ccedil;&atilde;o na idade adulta. Pelo meio, ao jovem cabe consumir roupas de marca, viajar de mochila nas costas e frequentar os festivais de Ver&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A crian&ccedil;a sem defesas &eacute; mais cidad&atilde;o que um adulto?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Pode-se perguntar isto?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Para muito quem faz este tipo de perguntas s&oacute; pode ser contra as crian&ccedil;as. O fundamentalismo &eacute; tal que cheg&aacute;mos a esse ponto.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A crian&ccedil;a tornou-se objecto f&eacute;tiche, tal como h&aacute; uns anos atr&aacute;s eram os modelos femininos, tamb&eacute;m eles crian&ccedil;as na maior parte.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O adulto est&aacute; encaixotado entre a crian&ccedil;a f&eacute;tiche e o idoso repetido em poses que suscitam ternura r&aacute;pida. A ades&atilde;o a estes valores fundamentais e fundamentalistas &eacute; tal, que passa qualquer filtro racional, afinal &eacute; de emo&ccedil;&atilde;o que aqui se fala.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Parece que vai ser lei proibir o abandono de idosos, como se os mesmos se parecessem com animais de estima&ccedil;&atilde;o. Pouco conv&eacute;m ralar com as not&iacute;cias vindas a lume recentemente em que Portugal &eacute; vendido como destino tur&iacute;stico de longa dura&ccedil;&atilde;o para idosos de outros pa&iacute;ses europeus. Um qualquer algu&eacute;m do governo sugeriu despudoradamente que era uma ind&uacute;stria em que havia dinheiro a ganhar e empregos a criar. Fant&aacute;stico, impedir por lei o abandono dos idosos indigentes deste Portugal, e aliciar com panos quentes os idosos remediados de outros pa&iacute;ses.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O abuso da publicidade despudorada que utiliza crian&ccedil;as, afinal setas &agrave;s fraquezas das massas, na &acirc;nsia de vender afina pela cria&ccedil;&atilde;o de pe&ccedil;as de <em style="">nonsense</em> que fazem <em style="">bypass</em> a qualquer media&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Direito de Consumo fez notar a sua exist&ecirc;ncia num fleum&aacute;tico bocejar traduzido num comunicado segundo o qual parece que o c&oacute;digo de publicidade pareceria letra morta.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Parece, afinal, que existem normas espec&iacute;ficas para a utiliza&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as em an&uacute;ncios, n&atilde;o sendo essa utiliza&ccedil;&atilde;o permitida em pe&ccedil;as sobre produtos que n&atilde;o lhes digam directamente respeito.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    'D&aacute; lucro &agrave;s empresas explorar as crian&ccedil;as ou explorar os adultos atrav&eacute;s das crian&ccedil;as' queixa-se a APDC.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Pois. Quem diria.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Ap&oacute;s anos desta pr&aacute;tica corrente parece que misturar uma cabra e uma crian&ccedil;a muito expressiva a chorar, no an&uacute;ncio da Vodafone, foi a gota de &aacute;gua.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Perdemos a conta aos an&uacute;ncios que ao longo dos anos e de forma completamente despudorada passaram pelas defesas dos consumidores como faca quente por manteiga, atrav&eacute;s do apelo ao paternalismo/maternalismo usando as crian&ccedil;as como isco para a coisa.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Agora, uma crian&ccedil;a a chorar e uma cabra, alto e p&aacute;ra o baile.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Isto &eacute; uma palha&ccedil;ada.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Pior, &eacute; uma palha&ccedil;ada do politicamente correcto.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A APDC usa para mostrar que existe, a mesm&iacute;ssima propaganda de mau gosto usando as crian&ccedil;as como desculpa para a preocupa&ccedil;&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Se fosse um tipo maduro ou uma dondoca trintona no an&uacute;ncio a chorar ao ver a cabra, j&aacute; n&atilde;o haveria problema?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Deixaria de haver apelo ao sentimento, &agrave; projec&ccedil;&atilde;o do imagin&aacute;rio do espectador em rela&ccedil;&atilde;o aos comportamentos na vida real em rela&ccedil;&atilde;o ao an&uacute;ncio?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Deixaria o mesmo de ser propaganda normalizadora?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Ah, mas os adultos t&ecirc;m defesas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A chamada de aten&ccedil;&atilde;o da APDC para a sua exist&ecirc;ncia, visa passar a ideia de que se pode confiar maniqueisticamente na exist&ecirc;ncia e opera&ccedil;&atilde;o das 'institui&ccedil;&otilde;es' existentes.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Que tudo est&aacute; regulado, ordenado e escrutinado, embora por vezes a m&aacute;quina oleada precise de ajustes.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    H&aacute; quantos anos se usa tudo o que s&atilde;o medos, complexos, lugares comuns, humor corriqueiro, com&eacute;dia de situa&ccedil;&atilde;o, fraqueza humana, mediocridade, da viv&ecirc;ncia humana para vender aquele creme, aquele carro ou aquela margarina?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A preocupa&ccedil;&atilde;o da APDC e de outras semelhantes, parece ser com as crian&ccedil;as, que n&atilde;o podem participar em an&uacute;ncios sobre produtos que n&atilde;o lhes dizem respeito, fazendo vista grossa &agrave; publicidade restante, como se s&oacute; as mensagens subliminares fossem perigosas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A infantiliza&ccedil;&atilde;o dos adultos, incapazes de deslindar um texto complexo em portugu&ecirc;s, n&atilde;o parece preocupar esta institui&ccedil;&atilde;o, pela certeza das capacidades cr&iacute;ticas de uma popula&ccedil;&atilde;o esclarecida.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Quanto mais as crian&ccedil;as aparecem na propaganda dos adultos, mais os adultos se tornam crian&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; propaganda.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  </div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Religião do +]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/religiao-do]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/religiao-do#comments]]></comments><pubDate>Thu, 12 Mar 2015 22:59:07 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/respublica/religiao-do</guid><description><![CDATA[&laquo;Assim, a sede de compaix&atilde;o &eacute; uma sede de auto-satisfa&ccedil;&atilde;o, e, na verdade, &agrave; custa do pr&oacute;ximo(...)&raquo;Nietzsche, Humano, demasiado humano, 50Coisa curiosa, a f&eacute;.    a)    O cristianismo para o povo passa bem por ser um confort&aacute;vel e aconchegado dispensar de media&ccedil;&atilde;o do pensamento. Normal pois os seculares servos e agricultores de subsist&ecirc;ncia n&atilde;o bebiam metaf&iacute;sica, os cl&eacute;rigos tinham de falar [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;">&laquo;Assim, a sede de compaix&atilde;o &eacute; uma sede de auto-satisfa&ccedil;&atilde;o, e, na verdade, &agrave; custa do pr&oacute;ximo(...)&raquo;<br />Nietzsche, <em>Humano, demasiado humano, </em>50<br /><br /><br />Coisa curiosa, a f&eacute;.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    a)<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O cristianismo para o povo passa bem por ser um confort&aacute;vel e aconchegado dispensar de media&ccedil;&atilde;o do pensamento. Normal pois os seculares servos e agricultores de subsist&ecirc;ncia n&atilde;o bebiam metaf&iacute;sica, os cl&eacute;rigos tinham de falar de modo a que percebessem.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Mas n&atilde;o s&oacute;.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A genialidade da propaganda cat&oacute;lica, especialmente na Contra-Reforma, reside no doseamento psicol&oacute;gico entre o maravilhoso e o abstracto (de prefer&ecirc;ncia pomposo), abstracto esse constru&iacute;do atrav&eacute;s de s&eacute;culos de oper&aacute;rios ret&oacute;ricos da patrologia, muitos com dimens&atilde;o intemporal, como Aquino ou Agostinho.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  S&eacute;culos a comp&ocirc;r a cartilha que facilitava a vida ao padre que tinha de lidar com as quest&otilde;es <em style="">naif</em> no seu rebanho.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>      Havia que provocar o esc&acirc;ndalo da raz&atilde;o, mas n&atilde;o a pol&eacute;mica, essa reservada &agrave;s universidades e &agrave; pompa do cerimonial acad&eacute;mico.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  As inquieta&ccedil;&otilde;es do crente deviam orbitar em torno da mitologia debitada pelo senhor padre, e n&atilde;o andar por a&iacute; perdido, por terras de inquieta&ccedil;&atilde;o mental profunda atr&aacute;s do significado da sua humanidade.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Esse povo, que de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o acredita nas hist&oacute;rias do Livro, tanto quanto acredita na sua mais que suficiente capacidade de entendimento do mundo e dos homens atrav&eacute;s da palavra revelada. O divino atr&aacute;s do s&iacute;mbolo dando largas &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o refreada d&aacute; todo o enquadramento necess&aacute;rio para entender e justificar quer a vida di&aacute;ria quer os segredos mais profundos do Cosmos, desde que, se acredite. Quanto maior a f&eacute;, mais confort&aacute;vel o mundo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    b)<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Felizmente alguns decidem fazer ci&ecirc;ncia indo al&eacute;m das institui&ccedil;&otilde;es, e no fim do trajecto emerge o estado laico europeu, no qual as extremidades da cruz se equilibram designando a C&eacute;sar o que &eacute; de C&eacute;sar, delimitando &aacute;reas de compet&ecirc;ncia nas quais o padre n&atilde;o fala de F&iacute;sica nem o f&iacute;sico fala de Deus.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  E quando opostos, podem ignorar-se em paz.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A morte de deus sobrevive mesmo ao niilismo, e parece perder-se pelos tempos a hierarquia lit&uacute;rgica da <em style="">ecclesia</em>, mas s&atilde;o ainda necess&aacute;rias algumas historietas para encantar os crentes, hist&oacute;rias renovadas, mais cientifizadas, com mais <em style="">glamour</em>.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O agricultor medieval sobrevive como arqu&eacute;tipo, hoje na figura do indigente burgu&ecirc;s dos servi&ccedil;os, e com ele, a certeza inabal&aacute;vel na sua capacidade de entendimento e controlo dos assuntos, do dia a dia e das verdades cient&iacute;ficas mais profundas do Cosmos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Se antes era porque o senhor padre dizia, agora s&atilde;o os estudos cient&iacute;ficos de uma qualquer obscura capela universit&aacute;ria&nbsp; que o confirmam, ou no pior dos casos, algum telejornal.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Basta a ambi&ccedil;&atilde;o para atingir o sucesso, n&atilde;o no reino de deus por vir, mas no imp&eacute;rio do aqui e do agora, no tempo em que a vida corre, onde o para&iacute;so est&aacute; prometido sem o pre&ccedil;o a pagar &agrave; morte.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>        c)<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Dizia-se ao agricultor medieval para crer e submeter, ao campon&ecirc;s hodierno diz-se para se submeter crendo. Qualquer revolta n&atilde;o passa de ilus&atilde;o, entalada entre a compra de um produto e o choro defronte um qualquer surdo e mudo muro de lamenta&ccedil;&otilde;es.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  &nbsp;A revolta de nada serve, dizem-lhe.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  S&oacute; vais perder tempo e este tempo da tua vida &eacute; demasiado precioso para que o percas com revoltas, entrega-te &agrave; luta e ao fazeres o melhor dele.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  N&atilde;o queiras mudar o mundo, saca o m&aacute;ximo gozo dele, se o mudares, tanto melhor.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>      O esfor&ccedil;o pol&iacute;tico da nossa era resume-se a assumir que n&atilde;o conseguimos mudar o mundo, apenas a n&oacute;s. Mas que a mudan&ccedil;a de n&oacute;s pr&oacute;prios &eacute; j&aacute; uma mudan&ccedil;a do mundo, e s&oacute; assim, ao bochecho, mudamos alguma coisa.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Bochecho a bochecho &eacute; o m&eacute;todo de engolir o mar, isto &eacute; de mudar a democracia de massas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Quanto mais a sua exist&ecirc;ncia (e a do pr&oacute;ximo) se transforma numa vida de merda, mais o crente se esfor&ccedil;a para confirmar as colunas do seu edif&iacute;cio teol&oacute;gico.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A vida &eacute; demasiado curta. &Eacute; mais f&aacute;cil aumentar a gradua&ccedil;&atilde;o das lentes que tirar as palas dos olhos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A religi&atilde;o crist&atilde; deu assim lugar a uma outra, h&iacute;brida, a religi&atilde;o do optimismo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A cruz &eacute; a mesma, ou quase, apenas se alteraram as pontas, agora equidistantes do centro.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A &uacute;nica hierarquia &eacute; entre os que se safaram e os que n&atilde;o se safam e continuam a lamechar. Quem n&atilde;o se queixa &eacute; porque continua a tentar, e nesta religi&atilde;o, todos conseguem, basta despender o esfor&ccedil;o necess&aacute;rio.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    d)<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Ou vai ou racha, o &uacute;nico argumento &eacute; o da for&ccedil;a.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Esta postura colhe seguidores, em homens e mulheres fortes que se sentem os vencedores da selva de bet&atilde;o, vencedores da competi&ccedil;&atilde;o, do c&atilde;o come c&atilde;o, isolados no seu condom&iacute;nio teleol&oacute;gico, em que o c&atilde;o comido &eacute; aquele que n&atilde;o morde ou n&atilde;o sabe morder.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Inebriados com a ideia de que s&atilde;o senhores do seu destino s&oacute; porque arrancam do sistema o seu sustento, vivem o seu tempo, apreciam a sua vida, nem que seja &agrave; for&ccedil;a. T&atilde;o entretidos com o seu lufa lufa deixam fugir a ideia de que s&atilde;o escravos no mundo, c&atilde;es desdentados incapacitados de morder de volta ao grande c&atilde;o que os come a eles.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Tem de ser assim, sob pena de desesperarem. De perder a esperan&ccedil;a.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A cruz &eacute; s&oacute; j&aacute; o sinal positivo de um abnegado optimismo cujo peso arrastado pela via sacra aumenta se n&atilde;o mergulharmos de cabe&ccedil;a na cantiga ideol&oacute;gica para esquecer o carreiro, e o peso.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A cruz &eacute; o sinal positivo e matem&aacute;tico, sem carga, sem gerar oposi&ccedil;&atilde;o, a nova religi&atilde;o do sucesso, se e somente se, a entrega for total.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Esta religi&atilde;o dispensa edif&iacute;cios grandiosos para culto p&uacute;blico, que n&atilde;o uma express&atilde;o vistosa e ostensiva de uma ideia de sucesso, e de uma congru&ecirc;ncia a toda a prova, sob a forma de uma convic&ccedil;&atilde;o interior, mesmo que fingida.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  As suas celebra&ccedil;&otilde;es colectivas s&atilde;o polidas competi&ccedil;&otilde;es na demonstra&ccedil;&atilde;o da f&eacute; individual analogamente &agrave; f&eacute; nas velhas igrejas definida pelo valor monet&aacute;rio das esmolas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>            e)<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A programa&ccedil;&atilde;o neuro lingu&iacute;stica (NLP), surge como tecnologia.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A ci&ecirc;ncia do auto aperfei&ccedil;oamento, e do sucesso.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Teve como m&atilde;e a psicologia de vendas, e como pais, um rol de abastardamentos cient&iacute;ficos, da psicologia, &agrave; lingu&iacute;stica, passando pela ret&oacute;rica e arte dram&aacute;tica.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Emancipa-se a partir da eclos&atilde;o da cren&ccedil;a na exist&ecirc;ncia de um m&eacute;todo para o sucesso, baseado numa an&aacute;lise matematizante e pseudo-l&oacute;gica do comportamento de indiv&iacute;duos que correspondem ao modelo de sucesso a imitar, e torna-se sucesso precisamente por causa da exist&ecirc;ncia de tanta vida miser&aacute;vel que aspira a sair do seu desespero.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A psicologia motivacional n&atilde;o &eacute; bem sucedida porque tem muitos seguidores, &eacute; bem sucedida pelo contr&aacute;rio, porque existe muita gente desesperada que n&atilde;o consegue extirpar a mis&eacute;ria da sua vida. E v&ecirc; na convincente estrat&eacute;gia de marketing, uma sa&iacute;da para os seus problemas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Claro que fica bem dizer que se motiva e ajuda os outros, mas tendo em conta que poucos o fazem sem ser por prest&iacute;gio ou dinheiro, somos levados a pensar que bem sucedidos s&atilde;o aqueles que conseguem ganhar a vida atrav&eacute;s de um trabalho limpo (apenas na forma, n&atilde;o no conte&uacute;do), e sem muito esfor&ccedil;o associado que n&atilde;o o de ter l&aacute;bia e espinha male&aacute;vel, al&eacute;m de uma infinda capacidade de auto manipula&ccedil;&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Combate-se a depress&atilde;o com Prozac e mantras.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    C&aacute; em Portugal tivemos casos medi&aacute;ticos, como os exilados da Psicologia, um tal de Miguel Gon&ccedil;alves, ou um Gustavo que foi motivar outros num programa televisivo alusivo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o civil.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Combate-se a tristeza com mais afinco que se combate&nbsp; a corrup&ccedil;&atilde;o, e at&eacute; nas escolas j&aacute; se alertam as crian&ccedil;as acerca dos perigos da tristeza, apesar do falecido Nobel Saramago ter dito que&nbsp; as crian&ccedil;as devem crescer &agrave; sombra.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    N&atilde;o por amor &agrave;s crian&ccedil;as. Mas&nbsp; por um jogo c&iacute;nico e infantil por parte dos pr&oacute;prios adultos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  N&atilde;o &eacute; a crian&ccedil;a, indiv&iacute;duo, que interessa. &Eacute; a categoria de 'crian&ccedil;a', um oceano de significados do <em style="">sensus comunis </em>que &eacute; de bom tom partilhar e perpetuar. Serve de contraponto, pela sua inoc&ecirc;ncia e ingenuidade, aos adultos que aparecem, nos filmes e outra propaganda, como p&eacute;rfidos, e j&aacute; iniciados na Queda, justificando o sacrif&iacute;cio que fazem, n&atilde;o s&oacute; por causa (justificadamente) da crian&ccedil;a indiv&iacute;duo, mas tamb&eacute;m porque devem assumir que pecaram entretanto e j&aacute; crian&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o, portanto merecem os castigos que a vida lhes deposita na pele. Perde assim tamb&eacute;m, o adulto, os dentes pol&iacute;ticos, sob uma imbeciliza&ccedil;&atilde;o humilhante, onde se nega a individualidade a crian&ccedil;a e a crescido.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A crian&ccedil;a &eacute; o atalho mais r&aacute;pido &agrave; carteira. &Eacute; um valor supra individual capaz de apelar a um sentimento sem reserva.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    f)<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Um pouco por todo o lado se penduram espanta esp&iacute;ritos met&aacute;licos e ruidosos, para afastar as m&aacute;s energias, e tudo que metafisicamente n&atilde;o &eacute; ainda explicado pela F&iacute;sica moderna. N&atilde;o significa que a alegria seja pobre de esp&iacute;rito, ou que os alegres s&atilde;o tolinhos f&uacute;teis. Isso est&aacute; reservado n&atilde;o para os alegres mas para os que negam a tristeza. Para aqueles que se manipulam a si mesmos sob as desculpas de que querendo ser felizes adoptam um padr&atilde;o de comportamento de ludibriar os outros para proveito pr&oacute;prio, ou seja, a malta da ind&uacute;stria da auto-ajuda, e do marketing.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A vida parece algo que tem de ser mascarado a todo o custo atrav&eacute;s de umas lentes ing&eacute;nuas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  No processo abdicamos de parte da nossa humanidade e da nossa espontaneidade, cedemos, desistimos, ego&iacute;stas, de acumular raiva e vontade revolucion&aacute;ria de mudar o mundo, assumimos uma incapacidade que desculpa o n&atilde;o querermos fazer nada. Outros, mais fatais, n&atilde;o t&ecirc;m escolha sen&atilde;o fugir a serem consumidos por desejos de transforma&ccedil;&atilde;o social em terra de imbecis que sendo maioria sujeitam os outros &agrave; sua imbecilidade.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Os profissionais desta ind&uacute;stria da motiva&ccedil;&atilde;o, reduzem o outro a potencial cliente da sua p&iacute;lula dourada, afogando a m&aacute; consci&ecirc;ncia com desculpas de que no fundo apenas espalham uma metodologia de felicidade, e que os proventos financeiros apenas compensam a dedica&ccedil;&atilde;o ao espalhar da boa nova.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Queres ter uma vida como eu?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Liberta de trabalho e constrangimentos financeiros?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Compra o que tenho para venda.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Infelizmente nem sempre s&atilde;o assim t&atilde;o honestos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A venda geralmente n&atilde;o se apresenta como tal, nem o produto vale pela sua qualidade se n&atilde;o implicar o resultado certo atrav&eacute;s da ades&atilde;o incondicional do comprador. Como qualquer placebo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Escolher ver apenas o lado bom da vida, &eacute; uma nega&ccedil;&atilde;o consciente da verdade tomada no significado cl&aacute;ssico como constru&ccedil;&atilde;o de uma narrativa coincidente o mais poss&iacute;vel com os dados apreendidos pelos sentidos, e com narrativas sobre narrativas, num esfor&ccedil;o de dar sentido.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Aqui, o sentido &eacute; dado &agrave; partida, &eacute; aquele que me far&aacute; mais feliz, de modo a depois s&oacute; ter de o confirmar atrav&eacute;s dos factos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Este positivismo de consumo n&atilde;o quer observar o mundo. Quer uma narrativa atalhada da realidade.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Rejeita liminarmente a empatia, em detrimento de uma simpatia incondicional chave na m&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    g)<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Os novos padres levam ao exagero a linguagem kantiana, no processo de se tornarem legisladores e s&uacute;bditos de si mesmos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Tamb&eacute;m n&atilde;o positivam o mal.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Colocam fotos nas redes sociais, engomam camisas e cal&ccedil;as com rigor de mission&aacute;rio, espalham para informa&ccedil;&atilde;o geral as suas presen&ccedil;as nas praias ou em destinos tur&iacute;sticos sempre com sorrisos frondosos e enigm&aacute;ticos, partilham com toda a gente as fotos das comidas e bebidas que atestam a sua capacidade de saber viver, os seus sucessos nocturnos, sempre de copo na m&atilde;o em poses sofisticadas, os prazeres do BTT, surf, ou de qualquer actividade que esteja na moda e represente dinamismo, toda a vida reificada, transformada em produto para atestar a efic&aacute;cia do serm&atilde;o a quilo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O maravilhoso da religi&atilde;o saiu da sacristia, e deslocou-se para a horta, cada um gaba e publicita o seu canteiro aos demais, com cita&ccedil;&otilde;es motivacionais cuja base &eacute; o mais ser&ocirc;dio <em style="">carpe diem </em>em prol da vida e da luta. Acredita o crente que &eacute; uma boa luta, digna, e que essa luta mostra a for&ccedil;a do seu esp&iacute;rito.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A nova religi&atilde;o celebra em transe e de m&atilde;os dadas, em longas filas de indiv&iacute;duos murmurando as afirma&ccedil;&otilde;es positivas repetidas at&eacute; se tornarem verdade, auto lavagens cerebrais, numa escolha &oacute;bvia de como se quer encarar a realidade.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    h)<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Nada pode dificultar este esfor&ccedil;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Nada pode semear d&uacute;vida.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Uma consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica &eacute; um inc&oacute;modo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Pessoas esquivam-se de pessoas, de todos os que n&atilde;o comunguem na mesma confiss&atilde;o.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Ah, ele n&atilde;o pensa como eu, &eacute; pessimista, negativista, troll, quezilento, quero-me rodear de gente positiva.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Os tristes e os deprimidos, e muitas vezes os l&uacute;cidos, estariam condenados a morrer na solid&atilde;o por vontade deste clero.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O pessimismo &eacute; uma peste que s&oacute; atrav&eacute;s de uma abnega&ccedil;&atilde;o na pobreza de esp&iacute;rito, se pode extirpar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A vida interior n&atilde;o traz sen&atilde;o inquieta&ccedil;&atilde;o e sofrimento, h&aacute; pois que travesti-la de forma a reflectir nuvens cor de rosa e algod&atilde;o pompom.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O sucesso na vida depende da alegria, e a alegria depende do sucesso material, cada campon&ecirc;s se transforma no cardeal do segredo do seu sucesso, contra os ap&oacute;statas que conspiram contra si pelo negativo, pelo lado escuro da for&ccedil;a.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Cada campon&ecirc;s supera desta forma a natureza, extirpando de si, aparentemente,&nbsp; os sentimentos de&nbsp; &oacute;dio, inveja, revolta, indigna&ccedil;&atilde;o, ou aspira&ccedil;&atilde;o espiritual.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  A mis&eacute;ria de cada um &eacute; sinal de fraqueza, e cada qual mascara a sua para n&atilde;o dar ao outro o biscoito do ju&iacute;zo f&aacute;cil da pena fingida.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  O discurso vitimizado s&oacute; colhe quando d&aacute; ao orador a compreens&atilde;o branqueadora por parte do ouvinte, n&atilde;o quando lhe pressente a humanidade.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    i)<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Portugal, pa&iacute;s cl&aacute;ssico do choraquelogobebes, tem ap&oacute;stolos do risen&atilde;on&atilde;omamas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Come&ccedil;aram em workshops, tedtalks e em &aacute;trios de hotel.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Com o sonho de vender um produto que os dispense do trabalho duro, sujo ou repetitivo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Uns derivando da Psicologia desempreg&aacute;vel, outros da praia e conchinhas no c&eacute;u, como o Gustavo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Umas frases sonantes, uns conceitos aparentemente complexos e acima de tudo uma linguagem corporal a condizer e congru&ecirc;ncia implac&aacute;vel, convencem os tolinhos que se deixam apanhar, com uma pinta de brilhantismo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Com a l&oacute;gica de caf&eacute; empresarial tuga, a legi&atilde;o de fan&aacute;ticos tem-se multiplicado.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Um imenso ex&eacute;rcito partilha agora o seu m&eacute;todo ou a sua vis&atilde;o com outros de molde a todos podermos ter sucesso, e assim mudarmos o mundo com bolas de perlimpimpim.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  &Eacute; m&aacute;gico. Muita bonito.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  &nbsp;A religi&atilde;o &eacute; o &oacute;pio do povo, e acorremos aos anfiteatros ressacando pela pr&oacute;xima dose de motiva&ccedil;&atilde;o que nos volte a dar esperan&ccedil;a. Pelo menos at&eacute; a realidade a contrariar ou o seu efeito desaparecer como o rasto de navio em radar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    j)<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Com a nossa autoestima t&atilde;o em baixo, obtemos ajuda dos telejornais, ou outro lixo televisivo, bombardeados com campanhas de solidariedade, exemplos de portugueses bem sucedidos l&aacute; fora, com imagens de crian&ccedil;as repetidas at&eacute; &agrave; exaust&atilde;o, de forma a evocar rapidamente o sentimento, e na ressaca do mesmo o conforto de sentirmos as emo&ccedil;&otilde;es correctas.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Parece (mas n&atilde;o &eacute;) que vivemos num mundo de merda, e que a pr&oacute;pria comunica&ccedil;&atilde;o social oscila entre a den&uacute;ncia pornogr&aacute;fica e a palestra motivacional.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Portugu&ecirc;s de sucesso?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Qual o crit&eacute;rio de 'sucesso'?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  &Eacute; algum motivo de espanto haver portugueses em elevado n&iacute;vel de 'conseguimento'?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Precisamos mesmo destes exemplos para acreditar que somos 'bons'?<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Parolice ador&aacute;vel.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Como num jantar de maratonistas um se levantasse e andasse para mostrar aos outros que sabe caminhar.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A dose de autocomprazimento por sentir o que &eacute; expect&aacute;vel, inunda os jornais de gastronomia e doen&ccedil;as raras, com campanhas de solidariedade, casos de vidas dif&iacute;ceis, n&atilde;o por real interesse mas para que nos caf&eacute;s &agrave; hora de almo&ccedil;o se possa ter pena em massa, e obter o tal autocomprazimento por sermos t&atilde;o bonzinhos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    O alvo da ajuda, n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o o meio para o nosso fim, a dose de superioridade moral, pagando a m&aacute; f&eacute; com umas caridadezinhas em forma de esmolas, que s&atilde;o as provas concretas do esfor&ccedil;o para mostrar aos amigos.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  E assim confirmar o nosso mundo de pompom, idealizado nas fantasias motivacionais.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    As esmolas s&atilde;o as provas concretas do esfor&ccedil;o dos indiv&iacute;duos no tango da m&aacute; f&eacute; dan&ccedil;ando s&oacute;s no baile apinhado.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    Tal como a crian&ccedil;a, o carente n&atilde;o vale por si, &eacute; s&oacute; mais um objecto de consumo.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>    A cruz perdeu o sagrado e ganhou o mundano.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span>  Da coisa de deus passou o crente a ser a coisa sua, encantado por uma suposta liberdade decorrente por ter deixado de ser gente e ter continuado a ser coisa.<br /><span style=""></span><br /><span style=""></span></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Os drogados do Bem]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/os-drogados-do-bem]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/os-drogados-do-bem#comments]]></comments><pubDate>Mon, 17 Nov 2014 19:42:24 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/respublica/os-drogados-do-bem</guid><description><![CDATA[ &nbsp;    Como ru&iacute;do devolvido exponencialmente, recebemos como que por intui&ccedil;&atilde;o sem fios as linhas mestras da sensibilidade coeva. O politicamente correcto j&aacute; n&atilde;o faz escola, j&aacute; fez Universidade, que passou a Funda&ccedil;&atilde;o, depois a Business School, e por fim se tornou em cooperativa privada de ensino...Apesar dos tempos dif&iacute;ceis em que a meritocracia ilus&oacute;ria j&aacute; n&atilde;o necessita de aval do Minist&eacute;rio da Educa&c [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;"> &nbsp;<br /><span></span><br /><span></span> <br />  <br /><span></span><br /><span></span> Como ru&iacute;do devolvido exponencialmente, recebemos como que por intui&ccedil;&atilde;o sem fios as linhas mestras da sensibilidade coeva. O politicamente correcto j&aacute; n&atilde;o faz escola, j&aacute; fez Universidade, que passou a Funda&ccedil;&atilde;o, depois a Business School, e por fim se tornou em cooperativa privada de ensino...Apesar dos tempos dif&iacute;ceis em que a meritocracia ilus&oacute;ria j&aacute; n&atilde;o necessita de aval do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o para dar considera&ccedil;&atilde;o social e uma vida mais desafogada no p&acirc;ntano de merda em que vivemos, claro, com muitos ambientadores para disfar&ccedil;ar o cheiro.<br /><span></span><br /><span></span> <br />  <br /><span></span><br /><span></span> O pol&iacute;ticamente correcto tem um efeito bidireccional, afina o individuo de acordo com o caldo de ideias da opini&atilde;o p&uacute;blica, (algo de artificial e parcial que &eacute; forjado em meia d&uacute;zia de gabinetes de redac&ccedil;&atilde;o), e de acordo com este condicionamento manifesta de dentro para fora a sua individualidade atrav&eacute;s da ades&atilde;o ao lugar comum, isto &eacute;, o sujeito individua-se, dissolvendo a sua individualidade.<br /><span></span><br /><span></span> <br />  <br /><span></span><br /><span></span> Nas redes sociais, nos telejornais feitos com a comida j&aacute; mastigada de Reuters, France Press, BBC's e CNN's, abundam os v&iacute;deos que prometem que depois de os vermos vamos chorar, e que nos v&atilde;o mudar a vida, &eacute; o c&atilde;o que salva a crian&ccedil;a, &eacute; algu&eacute;m com cancro a chorar, de prefer&ecirc;ncia com olho azul, &eacute; uma suposta crian&ccedil;a s&iacute;ria a salvar uma outra ao alcance de atiradores furtivos (mesmo que se venha a saber que foi uma ser&ocirc;dia encena&ccedil;&atilde;o e ideia triste) &eacute; um baile organizado por supostas celebridades para sensibilizar para l&uacute;pus, viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, direitos das mulheres, das crian&ccedil;as com trissomia, das crian&ccedil;as com d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o, das crian&ccedil;as com papeira, das crian&ccedil;as com bexigas, etc.<br /><span></span><br /><span></span> Os velhos aparecem de quando em vez, aludindo ao consumidor contribuinte, que tenha um daqueles l&aacute; por casa ou em algum lar onde os colocou &agrave; espera que morram.<br /><span></span><br /><span></span> <br />  <br /><span></span><br /><span></span> A grande farsa &eacute; a de que estas campanhas s&atilde;o algo mais que cosm&eacute;tica. O primeiro rebate &eacute; de que as inten&ccedil;&otilde;es s&atilde;o boas e valem por si, e que no m&iacute;nimo quem d&aacute; a cara para a entrevista na rubrica social cor de rosa, ou que se deixa fotografar dando sopa aos sem abrigo, est&aacute; a fazer algo para melhorar o mundo.<br /><span></span><br /><span></span> Quem o nega far&aacute; parte do problema. Quem levanta algum problema &eacute; negativo negativista, ressentido e frustrado.<br /><span></span><br /><span></span> <br />  <br /><span></span><br /><span></span> O discurso tem tanto de racional, como o de um toxicodependente a quem amea&ccedil;am a recolha da sua dose.<br /><span></span><br /><span></span> &Eacute; de droga que falo, uma droga neurofisiol&oacute;gica que se liberta no nosso c&eacute;rebro quando nos sentimos os bons e boas da hist&oacute;ria, como os bonzinhos que fazem alguma coisa, ao seu alcance claro, para erradicar a maldade do mundo.<br /><span></span><br /><span></span> N&atilde;o nos passa pela cabe&ccedil;a que somos t&atilde;o bonzinhos como aquele que leva a senhora cega a atravessar a estrada para mostrar aos outros que &eacute; bonzinho. Os outros podem ser os nossos olhos. Geralmente colocamos uma moedinha na caixa das esmolas para uma qualquer causa que renasce todos os Natais, e voamos para casa satisfeitos connosco pr&oacute;prios por sermos bons, compramos por trocos a boa consci&ecirc;ncia, que nos abre o apetite para um jantar composto pelos restos de cad&aacute;veres de outrora seres vivos e senscientes, minorit&aacute;rios para a nossa preocupa&ccedil;&atilde;o, com um bom vinho alheio &agrave; falta de &agrave;gua pot&aacute;vel em mais de dois ter&ccedil;os do planeta, para outras pessoas.<br /><span></span><br /><span></span> Diz o ing&eacute;nuo que o oceano &eacute; composto de gotas e assim branqueia o rid&iacute;culo da sua superioridade moral a presta&ccedil;&otilde;es.<br /><span></span><br /><span></span> Diz o c&iacute;nico que os outros s&atilde;o pobres porque querem, que trabalhem como ele, que negaria trabalhar por um prato de arroz, na &uacute;nica ocasi&atilde;o hipot&eacute;tica em que pensa em direitos, apenas quando calha a si.<br /><span></span><br /><span></span> <br />  <br /><span></span><br /><span></span> Nada como o Natal que se avizinha para enchermos os nossos cora&ccedil;&otilde;es de boa vontade e amor abstracto pelo pr&oacute;ximo, ou de qualquer ades&atilde;o que surja por consequ&ecirc;ncia da projec&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica que tenha, decorrente do sinistro suspense das causas perdidas que aparecem e desaparecem sem que ningu&eacute;m perceba como, sinistramente as crises humanit&aacute;rias parecem s&oacute; existir se aparecerem na televis&atilde;o.<br /><span></span><br /><span></span> <br />  <br /><span></span><br /><span></span> Os mais honestos dedicam-se a n&atilde;o querer saber, rindo com v&iacute;deos em 5&ordf; m&atilde;o de istos&oacute;videos americanos, ou recentemente nos youtubes &laquo;virais&raquo;, ou com o sorriso maroto no fim do telejornal quando passavam modelos com pouca roupa, ap&oacute;s os coment&aacute;rios provincianos do pivot.<br /><span></span><br /><span></span> <br />  <br /><span></span><br /><span></span> Na escola de Frankfurt parece que o politicamente correcto era obra da classe m&eacute;dia alienada em conforto de veludo.<br /><span></span><br /><span></span> A classe m&eacute;dia emprenhou e teve filhos, generalizou-se atrav&eacute;s dos gadgets, e hoje qualquer um que tenha um telem&oacute;vel de 500 euros sente a ilus&atilde;o de pertencer a uma casta privilegiada, mesmo que more no mesmo bairro de lata, coma as mesmas comidas estupidificantes e baratas, e que a mis&eacute;ria seja a estrutura dos seus pensamentos.<br /><span></span><br /><span></span> <br />  <br /><span></span><br /><span></span> O acesso aos v&iacute;deos e as redes sociais criaram outra ilus&atilde;o, a de que existe um corpo homog&eacute;neo e sintonizado de cidad&atilde;os, mais real que o inef&aacute;vel quotidiano, afinal, a realidade est&aacute; ao alcance de um bot&atilde;o de ligar/desligar.<br /><span></span><br /><span></span> <br />  <br /><span></span><br /><span></span> Os mais viciados precisam de se sentir mais especiais, conseguindo faz&ecirc;-lo atrav&eacute;s da disponibiliza&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deos grotescos, sobre a morte de animais, decapita&ccedil;&otilde;es para qualificar todos os mu&ccedil;ulmanos, ou v&iacute;deos sobre a mis&eacute;ria nas favelas, ou a mis&eacute;ria em geral, como forma de criticar a humanidade em geral pela sua estupidez.<br /><span></span><br /><span></span> <br />  <br /><span></span><br /><span></span> J&aacute; n&atilde;o &eacute; o falhar olhar o corpo por detr&aacute;s do dedo que aponta. &Eacute; obter a dose apenas por apontar, o dedo.<br /><span></span><br /><span></span> </div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Amigos amigáveis]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/amigos-amigaveis]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/amigos-amigaveis#comments]]></comments><pubDate>Tue, 15 Jul 2014 12:47:25 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/respublica/amigos-amigaveis</guid><description><![CDATA[  Escutando qualquer r&aacute;dio pela manh&atilde; surfando pelas filas intermin&aacute;veis e congestionadas de cidad&atilde;os automobilizados, podemos confirmar sempre umas tr&ecirc;s coisas engra&ccedil;adas.  1)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A omnipresen&ccedil;a da publicidade idiota e idiotizante.  &Aacute;s vezes parece que o &uacute;nico objectivo desta orgia de ligeirezas acess&oacute;rias, que s&atilde;o as ideias passadas, &eacute; arrepiar caminho a qualquer media&ccedil;&atilde;o  [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;">  Escutando qualquer r&aacute;dio pela manh&atilde; surfando pelas filas intermin&aacute;veis e congestionadas de cidad&atilde;os automobilizados, podemos confirmar sempre umas tr&ecirc;s coisas engra&ccedil;adas.<br /><span></span><br /><span></span>  1)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A omnipresen&ccedil;a da publicidade idiota e idiotizante.<br /><span></span><br /><span></span>  &Aacute;s vezes parece que o &uacute;nico objectivo desta orgia de ligeirezas acess&oacute;rias, que s&atilde;o as ideias passadas, &eacute; arrepiar caminho a qualquer media&ccedil;&atilde;o racional e ponderada. A r&aacute;dio atrav&eacute;s das suas frequ&ecirc;ncias &eacute; um gigantesco posto emissor que irradia emo&ccedil;&otilde;es e ideias feitas. Tal &eacute; feito atrav&eacute;s do sensacionalismo de pre&ccedil;os baixos, c&oacute;mico de situa&ccedil;&atilde;o e jogos de poder encobertos.<br /><span></span><br /><span></span>  &laquo;Eu &eacute; que n&atilde;o sou parvo.&raquo; ouve-se por a&iacute;, e ficamos a saber que ser parvo &eacute; pagar mais por qualquer tipo de objecto in&uacute;til. A boa vida passa pela ligeireza do passar do tempo e do killer instinct consumista.<br /><span></span><br /><span></span>  V&aacute;rias encena&ccedil;&otilde;es s&atilde;o compostas para o efeito pelos magos do marketing. Os gradientes de glamour giram em torno de um qualquer produto ou servi&ccedil;o.<br /><span></span><br /><span></span>  Velhos, mulheres e crian&ccedil;as s&atilde;o utilizados como chamarizes para vender tudo.&nbsp; &laquo;-Oh pai preciso muito de X&hellip;&raquo; ou &laquo;-A sua crian&ccedil;a para ser feliz ou bem sucedida daqui a umas d&eacute;cadas, precisa de X ou y&hellip;&raquo; s&atilde;o ideias marteladas at&eacute; &agrave; exaust&atilde;o pelos propagandistas que conhecem muito bem onde tocar e magoar para obter o efeito desejado, seja um iogurte vitaminado ou uma outra qualquer parvo&iacute;ce.<br /><span></span><br /><span></span>  Nas representa&ccedil;&otilde;es radiof&oacute;nicas e televisivas surge a personagem do provindenciador/protector, ou da mulher, quase sempre como or&aacute;culo de sapi&ecirc;ncia e sabedoria pr&aacute;tica, reflectindo para as espectadoras a imagem que elas gostam de ter, de si mesmas. A mulher segundo o Evangelho publicit&aacute;rio est&aacute; sempre em cima da &uacute;ltima promo&ccedil;&atilde;o, ou sempre a fazer contas e c&aacute;lculos, acompanhando todos os produtos e servi&ccedil;os que providenciam a imagem de esperteza e o conhecimento de como saber viver.<br /><span></span><br /><span></span>  2)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tagarelice assexuada<br /><span></span><br /><span></span>  Se ativermos a nossa aten&ccedil;&atilde;o nos pivots televisivos de um qualquer programa generalista, ou especialmente na r&aacute;dio, verificamos que geralmente s&atilde;o elaboradas parelhas de homem e mulher, perfeitamente sincronizadas com conversas f&uacute;teis e infantilizadas de modo a n&atilde;o terem arestas, contradi&ccedil;&otilde;es ou que fujam dos lugares comuns, e acima de tudo, apol&iacute;ticas. Apol&iacute;ticas, porque o politicamente correcto, &eacute; a ideologia que dispensa todas as outras na guerra das audi&ecirc;ncias.<br /><span></span><br /><span></span>  Din&acirc;micas aparentemente acasaladas e convencionais, sem chama que n&atilde;o brejeira, sem qu&iacute;micas, os pr&oacute;prios comentadores pol&iacute;ticos vestidos e maquilhados de forma a mostrar as alian&ccedil;as conjugais que asseguram ao espectador que o falante &eacute; dos seus, respons&aacute;vel e consciente na fantasia colectiva que representamos uns para os outros, confirma&ccedil;&otilde;es deste mundo virtual e c&iacute;nico de onde se retira a espontaneidade e profundidade &agrave;s emo&ccedil;&otilde;es e &agrave;s paix&otilde;es. <br /><span></span><br /><span></span>  A publicidade e a pol&iacute;tica usam e abusam do voc&aacute;bulo &lsquo;paix&atilde;o&rsquo;. Ela &eacute; instrumental a vender um carro, a vender um sof&aacute;, ou a convencer sobre um programa pol&iacute;tico, de prefer&ecirc;ncia com uma linguagem corporal a condizer.<br /><span></span><br /><span></span>  No an&uacute;ncios em c&acirc;mara lenta sobre futebol, ou outras ser&ocirc;dias pe&ccedil;as publicit&aacute;rias em que somos incentivados a seguir os nossos sonhos, desde que n&atilde;o passem por destruir esta ordem reinante de faz de conta e jeric&aacute;c&aacute;, neutro, ass&eacute;ptico, irreal. <br /><span></span><br /><span></span>  Muitos programas televisivos com parelhas de sexo diferente projecta uma suposta igualdade tentandp agradar aos dois p&uacute;blicos, projectando uma imagem de igualdade da mulher a expensas do homem, quase sempre mal representado por homens sem arestas, ocos, tamb&eacute;m eles assexuados pese embora a brejeirice que tenta emular masculinidade, e por isso em televis&atilde;o, o homem babaca &eacute; sempre suporte &agrave; modelo feminina.<br /><span></span><br /><span></span>  Os amigos amig&aacute;veis falam de uma futilidade sem fim, com vista a entreter, comp&otilde;em a sinfonia que faz acreditar num mundo monoc&oacute;rdico e doseado.<br /><span></span><br /><span></span>  Por vezes emergem campanhas de publicidade caridosa, que visa unir os participantes na sua dose heroin&oacute;mana de superioridade moral, dando resposta a um qualquer sentimento de precisar acreditar que se est&aacute; a fazer algo para mudar o mundo.<br /><span></span><br /><span></span>  O sal dos dias &eacute; uma repeti&ccedil;&atilde;o do mesmo atrav&eacute;s do diverso, sempre a mesma merda com diferentes roupagens, at&eacute; que pelo menos as gera&ccedil;&otilde;es se esque&ccedil;am que aquela moda se repete j&aacute;.<br /><span></span><br /><span></span>  Nesta apar&ecirc;ncia repetida h&aacute; sempre lugar para uma vida com altos e baixos emocionais, provocados com a rotatividade dos artefactos que nos d&atilde;o sentido &agrave; vida, e com os engodos que a eles se agarram como as f&eacute;rias, a fam&iacute;lia como produtos ainda, que provam que temos vidas cheias.<br /><span></span><br /><span></span>  Nas redes sociais tamb&eacute;m se confunde esta convencionalidade pactuante&nbsp; com um adulto saber-estar.<br /><span></span><br /><span></span>  Imagens de p&eacute;s com vista para a praia, fotos de bebidas ex&oacute;ticas com a finalidade dupla de provocar inveja nos outros e mostrar que se vive a vida &agrave; grande, com &laquo;paix&atilde;o&raquo;&hellip;exorta&ccedil;&otilde;es motivacionais, ou desabafos comezinhos de partir os cornos a um chefe ou colega de trabalho inconveniente ajudam a criar e manter este ambiente de morna putrefac&ccedil;&atilde;o onde o confort&aacute;vel n&oacute;s n&atilde;o quer deixar de estar.<br /><span></span><br /><span></span>  As provoca&ccedil;&otilde;es s&atilde;o deflectidas porque n&atilde;o queremos m&aacute;s energias a povoar o nosso arduamente ganho mundo de faz de conta, e o provocador n&atilde;o ter&aacute; efeito em mim.<br /><span></span><br /><span></span>  A todos os argumentos por mais imbecis que sejam se nega o caminho do debate :&laquo; Eu acredito no Pai Natal, tens de respeitar a minha opini&atilde;o.&raquo;<br /><span></span><br /><span></span>  A televis&atilde;o portuguesa apenas traduz o que lhe d&atilde;o a Reuters, France Press, CNN ou BBC, num coro generalista que parece projectar a comprova&ccedil;&atilde;o de uma globalidade que dilui as identidades num abra&ccedil;o fraterno. De vez em quando uma not&iacute;cia idiota e sem interesse sen&atilde;o como exemplo de grotesco ou estupidez, oriunda dos EUA, o grande profeta, por certo em retribui&ccedil;&atilde;o dos imensos epis&oacute;dios ocorridos em Portugal que por certo passam nos EUA, pelas televis&otilde;es, que por l&aacute; laboram.<br /><span></span><br /><span></span>  A merda acumula-se de tal forma que parece que todos a tomamos como o cabouco da nossa exist&ecirc;ncia.<br /><span></span><br /><span></span>  N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel perante esta cortina de fumo, afirmar que vivemos uma vida examinada. O resultado &eacute; que alguns vivem bem na pocilga do imediato, e outros se co&ccedil;am na inquietude. Amigavelmente.<br /><span></span><br /><span></span>      <!--[if gte mso 9]>     Normal   0         21         false   false   false      PT   X-NONE   X-NONE                                                                                             <![endif]--></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pensamentos sobre a ideia de masculinidade (I)]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/pensamentos-sobre-a-ideia-de-masculinidade-i]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/pensamentos-sobre-a-ideia-de-masculinidade-i#comments]]></comments><pubDate>Wed, 02 Apr 2014 13:56:40 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/respublica/pensamentos-sobre-a-ideia-de-masculinidade-i</guid><description><![CDATA[   No&ccedil;&otilde;es de masculinidade (I)  I  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A argumenta&ccedil;&atilde;o sobre o facto comprov&aacute;vel de que as ag&ecirc;ncias de publicidade usam as fraquezas das pessoas, sejam sentimentos ou formas inquinadas de pensar, &eacute; t&atilde;o batida como qualquer praia erodida do litoral portugu&ecirc;s.    Supostamente o telespectador &eacute; algu&eacute;m com uma capacidade cr&iacute;tica para  [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:left;">   No&ccedil;&otilde;es de masculinidade (I)<br /><span></span><br /><span></span>  I<br /><span></span><br /><span></span>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A argumenta&ccedil;&atilde;o sobre o facto comprov&aacute;vel de que as ag&ecirc;ncias de publicidade usam as fraquezas das pessoas, sejam sentimentos ou formas inquinadas de pensar, &eacute; t&atilde;o batida como qualquer praia erodida do litoral portugu&ecirc;s.<br /><span></span><br /><span></span>    Supostamente o telespectador &eacute; algu&eacute;m com uma capacidade cr&iacute;tica para perceber que &eacute; tudo brincadeira e que no fundo, no momento final da compra, n&atilde;o se deixa ir em cantigas e compra racionalmente. <br /><span></span><br /><span></span>  Pois eu discordo, eu e felizmente muita gente. N&atilde;o s&oacute; somos imunes a 24 horas de propaganda comercial, como a veicula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o obedece a auto estradas racionais. O apelo a sentimentos imediatos &eacute; um bipasse &nbsp;&agrave; racionalidade que deveria em primeiro plano perceber quando est&aacute; a ser conduzida. Isto tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; novo, h&aacute; milhares de estudos a apontar isto, milhares de rios de tinta sobre o assunto. N&atilde;o &eacute; novidade, excepto para a maioria dos analfabetos funcionais que n&atilde;o t&ecirc;m tempo para pensar o mundo que os rodeia. Mas &eacute; assim que &eacute; rent&aacute;vel. Mesmo que uns poucos se indignem por fazerem deles parvos, a maior parte acha que o atalho &eacute; a estrada principal.<br /><span></span><br /><span></span>    Tudo bem, a malta do marketing tem de ganhar o seu e as empresas de vender. Seja como queiram. <br /><span></span><br /><span></span>  O assunto presente &eacute; no entanto esse tal contexto em surdina que permite a postura acr&iacute;tica. N&atilde;o s&oacute; a tomada da publicidade como in&oacute;cua, mas acima de tudo, o apelo a um mundo contextual politicamente correcto, uma esp&eacute;cie de &lsquo;terra em que todos adultos sabemos o que se passa e ainda guardamos algum humor &lsquo; em analogia &agrave;s express&otilde;es faciais do Jos&eacute; Rodrigues dos Santos quando apresentando o &lsquo;Telejornal&rsquo; comentava serodiamente a passagem de modelos femininos, que serodiamente sempre brindava o fim de um programa informativo de quase duas horas.<br /><span></span><br /><span></span>  A carinha e as boquinhas enviadas atrav&eacute;s cinesc&oacute;pio, eram para os telespectadores, numa esp&eacute;cie de frui&ccedil;&atilde;o de mundo comum em que os homens olham e comentam para dentro para mostrarem uns aos outros que gostam de mulheres mas se sabem comportar.<br /><span></span><br /><span></span>  Ora a publicidade cria esse mundo de enviesado <em>sensus communis</em> que supostamente &eacute; propriedade do &lsquo;<em>pater familias&rsquo; </em>burgu&ecirc;s, que se sente ainda homem al&eacute;m do dever, por recorda&ccedil;&atilde;o da sua malandrice polida.<br /><span></span><br /><span></span>  A publicidade cria o <em>mainstream</em> que mais n&atilde;o &eacute; que um conjunto de ideias veiculado atrav&eacute;s de imagens.<br /><span></span><br /><span></span>  Essas ideias ou pr&eacute;-conceitos, pois n&atilde;o chegam a ser mediados criticamente, criam o mundo contextual no qual o sujeito acha que todos os outros vivem. A sua necessidade de &lsquo;perten&ccedil;a&rsquo; e de se actualizar no esp&iacute;rito do tempo, ou o tornam uma &lsquo;maria vai com as outras&rsquo; ou um marreta.<br /><span></span><br /><span></span>  Nesse mundo contextual, tudo &eacute; permitido &aacute;s crian&ccedil;as pois &eacute; assim que os outros fazem e a televis&atilde;o e cinema (com frequentes ajoelhares) mostram. Nesse mundo contextual &eacute; dado todo o poder sexual &agrave; mulher por detr&aacute;s de uns saltos altos e batons fluorescentes, &eacute; fixe vender o corpo com uma promessa de orgasmo, e nada h&aacute; que seja mais reificado que o corpo feminino, veja-se que at&eacute; as ferramentas como berbequins ou lixadeiras n&atilde;o dispensam uma loura&ccedil;a em pa&iacute;s de morenas com pouca roupa, passando para segundo plano informa&ccedil;&atilde;o mais t&eacute;cnica sobre o item.<br /><span></span><br /><span></span>  Transforma-se assim o homem em marioneta dos seus mais imbecis desejos, mas &eacute; assim que vende.<br /><span></span><br /><span></span>  Falo do homem, porque &eacute; o menos debatido, toda a gente desde &lsquo;o segundo sexo&rsquo; sabe que as coisas s&atilde;o tramadas para o lado das mulheres. Mas e que ideias emergem sobre o homem, que os homens acabam por mimetizar?<br /><span></span><br /><span></span>  Bem, parece ponto assente que hoje a masculinidade assenta em gostar ostensiva mas bem comportadamente de mulheres, ser fan&aacute;tico de futebol, ou escarrar para o ch&atilde;o e co&ccedil;ar a tomateira. Temos tamb&eacute;m outro lado que nos mostra o classe m&eacute;dia <em>provider</em>, &nbsp;completamente absorvido com a opini&atilde;o dos outros e o seu lugar neste mundo em que d&aacute; a vida para providenciar a abastan&ccedil;a da sua fam&iacute;lia. Quer num quer noutro, a dimens&atilde;o espiritual do ser masculino fica reduzida &agrave; sua fun&ccedil;&atilde;o, ora de chefe de fam&iacute;lia ora de bruto ador&aacute;vel que acaba domesticado. Tal como a mulher acaba reduzida a dona de casa condenada a ver an&uacute;ncios estupidificantes, ou <em "mso-bidi-font-style:="" normal"="">sex bomb</em> caso tenha estrutura para isso e ponha pouca roupa.<br /><span></span><br /><span></span>  H&aacute; portanto uma redu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, espiritual, e social quer do homem quer da mulher. &Eacute; normal, a empresa quer vender, n&atilde;o formar cidad&atilde;os, isso &eacute; tarefa do Estado.<br /><span></span><br /><span></span>  Mas onde deveria ser tra&ccedil;ada a linha que separa a propaganda da informa&ccedil;&atilde;o sobre novos produtos? Mas a publicidade n&atilde;o vende produtos, a publicidade vende imagem e paradigma, para se aproveitar do consumidor que se sente compelido para comprar os produtos associados a essas imagens e paradigmas.<br /><span></span><br /><span></span>  <!--[if gte mso 9]>        <![endif]--></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/mk7hAuQpx18?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="paragraph" style="text-align:left;">   II<br /><span></span><br /><span></span>  Hoje analisam-se 2 v&iacute;deos sobre cremes de barrar, sejam manteiga ou margarina com sabor a manteiga e um sobre um autom&oacute;vel.<br /><span></span><br /><span></span>  Ilustram muito bem a gal&aacute;xia de preconceitos em opera&ccedil;&atilde;o propagand&iacute;stica.<br /><span></span><br /><span></span>  No da Flora, um tipo sonha com torpores er&oacute;ticos, em fofa cama de algod&atilde;o, com uma mera sandocha de manteiga, numa hiperboliza&ccedil;&atilde;o corrente dos efeitos de determinado produto no consumidor. <br /><span></span><br /><span></span>  Ora o consumidor sabe que nenhuma torrada lhe dar&aacute; torpores er&oacute;ticos, mas acha engra&ccedil;ada este exagero, a coberto da tal ideia de a publicidade &eacute; in&oacute;cua, e assim o an&uacute;ncio torna-se engra&ccedil;ado, criando uma rela&ccedil;&atilde;o emp&aacute;tica que se revela num momento de compra futuro.<br /><span></span><br /><span></span>  Os torpores er&oacute;ticos levam-no a exclamar o nome do produto que pode coincidir com o nome de uma amante ou rela&ccedil;&atilde;o extra, causando a indaga&ccedil;&atilde;o e indigna&ccedil;&atilde;o da parceira que acordada partilha a cama. A indignada parceira, ao pressentir uma poss&iacute;vel trai&ccedil;&atilde;o nem que seja em sono agride o sonhador com o candeeiro na cabe&ccedil;a. <br /><span></span><br /><span></span>  Ora na minha opini&atilde;o, pese o mau gosto de, num pa&iacute;s com vergonhosas taxas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, utilizar uma express&atilde;o de viol&ecirc;ncia, o mais grave ainda &eacute; a ligeireza com que a mesma se concretiza.<br /><span></span><br /><span></span>  Ent&atilde;o por palha vai, toca de agredir uma outra pessoa, s&oacute; por causa de um sonho. Vulgariza-se a viol&ecirc;ncia bem como o capricho da esposa ciumenta. Esta vulgariza&ccedil;&atilde;o nada mais &eacute; que uma normaliza&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia e do capricho, apesar de todo o espectador saber que o que passa na TV &eacute; encenado e n&atilde;o &eacute; verdadeiro. Mas diga o leitor se n&atilde;o partilha no seu local de trabalho anedotas sobre esposas ciumentas e se nunca comentou uma qualquer generaliza&ccedil;&atilde;o idiota sobre as mulheres s&oacute; porque a televisionou.<br /><span></span><br /><span></span>  O 'babaca' termina o clip, com gelo no galo e dormindo no sof&aacute;, mas comendo a sua Flora com p&atilde;o, satisfeito por este prazer, alheio a ter uma mulher psic&oacute;tica que devia estar a ser identificada quem sabe numa esquadra de pol&iacute;cia.<br /><span></span><br /><span></span>  Que imagem de homem temos aqui, sen&atilde;o, a de um ser mediatamente limitado, condenado a ser um esposo de casa, normalizado &agrave;s tiranices de uma mulher justificada pela sociedade circundante? A viol&ecirc;ncia cometida por mulheres, ironicamente a soldo da 'paix&atilde;o&lsquo;, &eacute; mais <em>sexy</em> ou menos viol&ecirc;ncia que aquela que &eacute; cometida por homens?<br /><span></span><br /><span></span>  <!--[if gte mso 9]>        <![endif]--></div>  <div class="wsite-video"><div class="wsite-video-wrapper wsite-video-height-auto wsite-video-align-left"> 					<div id="wsite-video-container-958510618882304536" class="wsite-video-container" style="margin: 10px 0 10px 0;"> 						<iframe allowtransparency="true" allowfullscreen="true" frameborder="0" scrolling="no" id="video-iframe-958510618882304536" 							src="about:blank"> 						</iframe> 						 						<style> 							#wsite-video-container-958510618882304536{ 								background: url(//www.weebly.comhttp://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/91523855_796.jpg); 							}  							#video-iframe-958510618882304536{ 								background: url(//cdn2.editmysite.com/images/util/videojs/play-icon.png?1398202054); 							}  							#wsite-video-container-958510618882304536, #video-iframe-958510618882304536{ 								background-repeat: no-repeat; 								background-position:center; 							}  							@media only screen and (-webkit-min-device-pixel-ratio: 2), 								only screen and (        min-device-pixel-ratio: 2), 								only screen and (                min-resolution: 192dpi), 								only screen and (                min-resolution: 2dppx) { 									#video-iframe-958510618882304536{ 										background: url(//cdn2.editmysite.com/images/util/videojs/@2x/play-icon.png?1398202054); 										background-repeat: no-repeat; 										background-position:center; 										background-size: 70px 70px; 									} 							} 						</style> 					</div> 				</div></div>  <div class="paragraph" style="text-align:left;">  Neste e no pr&oacute;ximo v&iacute;deo, emerge a completa figura do porreira&ccedil;o, que &eacute; o estere&oacute;tipo segundo o qual o homem moderno aparece televisivamente.<br /><span></span><br /><span></span>  O porreira&ccedil;o tudo tolera com um sorriso nos l&aacute;bios.<br /><span></span><br /><span></span>  &Eacute; um gajo que n&atilde;o levanta ondas, anui a tudo, que quase pede desculpa pela sua exist&ecirc;ncia an&oacute;dina.<br /><span></span><br /><span></span>  No an&uacute;ncio da Planta, o car&aacute;cter afrodis&iacute;aco deste creme n&atilde;o evoca &lsquo;O &uacute;ltimo tango em Paris&rsquo;, mas uma esp&eacute;cie de creme milagroso composto de Ci&aacute;lis e de ess&ecirc;ncia do Grenouille, que permite parceira ap&oacute;s parceira, manter uma aur&eacute;ola de fasc&iacute;nio por uma figura masculina com cara de parvo mas porreiro, sem maneiras ou higiene, completamente s&ocirc;frego a comer e que supostamente comete todos aqueles pequenos erros que as mulheres detestam, mas que gra&ccedil;as &agrave; Planta s&atilde;o at&eacute; virtuosamente atraentes.<br /><span></span><br /><span></span>  A m&uacute;sica, tolamente dondoca, os pensamentos das mulheres aparentemente insuspeitos ante a indiferen&ccedil;a do homem que come, criam empatia com as mulheres que j&aacute; pensaram nisso e com os homens que secretamente admiram a promiscuidade do garanh&atilde;o e a sua total preocupa&ccedil;&atilde;o com as suas necessidades, passando a ideia de for&ccedil;a&hellip;ou seja um homem para ser forte basta imitar o comportamento do tipo que come de boca aberta, deixa migalhas na cama, rouba as torradas, e parece um hamster a comer.<br /><span></span><br /><span></span>  &Eacute; a tal mensagem, ainda que aparentemente diferente, do porreira&ccedil;o que co&ccedil;a os tomates escarra para o ch&atilde;o e &eacute; indigente, quer de maneiras quer de vida reflexiva.<br /><span></span><br /><span></span>  &Eacute; esta a imagem de homem que parece servir de norma.<br /><span></span><br /><span></span>  Este engatat&atilde;o bo&ccedil;al transfigura-se de novo no an&uacute;ncio da Ford, sobre o Sync.<br /><span></span><br /><span></span>  Nele reaparece o gajo sem espinal medula. Teve a coragem de dizer o que pensava mas depois volta atr&aacute;s para obter de novo a aprova&ccedil;&atilde;o da companheira, que tal como a da flora, &eacute; de f&aacute;cil amuo.<br /><span><br /><span></span>Nele aparecem os mesmo estere&oacute;tipos, neste caso o namorado / marido a falar 'mal' do sogro.</span><br /><span></span><br /><span></span>  Neste an&uacute;ncio &eacute; utilizada a tecnologia para a total submiss&atilde;o masculina, como forma de comprar as pazes com a mulher, que se ri, porque a tecnologia &eacute; novidade e as desculpas, de abjecta submiss&atilde;o s&atilde;o proferidas por uma voz a ambos alheia.<br /><span></span><br /><span></span>    Ser homem assim, &eacute; bom para o neg&oacute;cio.<br /><span></span><br /><span></span>  <!--[if gte mso 9]>        <![endif]--></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/FGShwc0PbqQ?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/aPTvbPg6jeg?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Exemplos empreendedores]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/exemplos-empreendedores]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/exemplos-empreendedores#comments]]></comments><pubDate>Wed, 08 Jan 2014 22:26:07 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/respublica/exemplos-empreendedores</guid><description><![CDATA[   I  Consta que o fundamentalismo &eacute; uma postura ideol&oacute;gica que assenta em dogmas, ou seja, em ideias feitas n&atilde;o pass&iacute;veis de discuss&atilde;o, debate, sequer an&aacute;lise.  Curiosamente, este termo nasce em contexto cultural protestante, nos Estados Unidos, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX.  &Eacute; um esfor&ccedil;o de ortodoxia ou de fidelidade ao seminal, original, um movimento para a &lsquo;pureza&rsquo;. Pode assumir outros contextos, mais ou menos consci [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<span class='imgPusher' style='float:left;height:0px'></span><span style='z-index:10;position:relative;float:left;;clear:left;margin-top:0px;*margin-top:0px'><a><img src="http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/9917602.jpg" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:1px;padding:3px;" alt=" Imagem " class="galleryImageBorder" /></a><span style="display: block; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;" class="wsite-caption"></span></span> <div class="paragraph" style="text-align:left;display:block;"><span><br /><span><br /><span><br /><span><br /><span><br /><span><br /><span><br /><span><br /><span><br /><span><br /><span><br /><span><br /><span><br /><span><br /><span>  I<br /><span></span><br /><span></span>  Consta que o fundamentalismo &eacute; uma postura ideol&oacute;gica que assenta em dogmas, ou seja, em ideias feitas n&atilde;o pass&iacute;veis de discuss&atilde;o, debate, sequer an&aacute;lise.<br /><span></span><br /><span></span>  Curiosamente, este termo nasce em contexto cultural protestante, nos Estados Unidos, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX.<br /><span></span><br /><span></span>  &Eacute; um esfor&ccedil;o de ortodoxia ou de fidelidade ao seminal, original, um movimento para a &lsquo;pureza&rsquo;. Pode assumir outros contextos, mais ou menos conscientes, os sujeitos fundamentalistas podem muitas vezes n&atilde;o saber que s&atilde;o fundamentalistas, pois acham que os dogmas que sustentam n&atilde;o s&atilde;o pass&iacute;veis de debate, quer por uma quest&atilde;o de autoridade, quer por uma quest&atilde;o de percep&ccedil;&atilde;o, na qual o dogma &eacute; t&atilde;o evidente que s&oacute; loucos ou mal-intencionados o podem tentar contrapor.<br /><span></span><br /><span></span>  <strong>E assim chegamos &agrave; quest&atilde;o central do dogmatismo ou do fundamentalismo, a nega&ccedil;&atilde;o do discurso do outro, a nega&ccedil;&atilde;o ou supress&atilde;o de tudo o que v&aacute; contra o fundamental que &eacute; assumido. </strong><br /><span></span><br /><span></span>  Avital Ronell, chega a encontrar nessa nega&ccedil;&atilde;o a melhor defini&ccedil;&atilde;o de estupidez.<br /><span></span><br /><span></span>    Para muita gente, o fundamentalismo passa por ser coisa de mu&ccedil;ulmanos com dinamite em nome do Isl&atilde;o. E essa f&aacute;cil e confort&aacute;vel redu&ccedil;&atilde;o impede geralmente os utilizadores de perceber que &lsquo;fundamentalismo&rsquo; &eacute; um t&oacute;pico bem mais vasto e complexo, tamb&eacute;m a eles aplicado.<br /><span></span><br /><span></span>  De acordo com a ideia burguesa (porque apenas sustentada na teoria, ou sem real interven&ccedil;&atilde;o no real) de que a democracia &eacute; o sistema do di&aacute;logo, do consenso e do debate, o fundamentalismo assume tons anti democr&aacute;ticos.<br /><span></span><br /><span></span>  E no entanto o nosso regime &lsquo;democr&aacute;tico&rsquo; &eacute; fundamentalista em muitas acep&ccedil;&otilde;es. Desde logo a sua pesada estrutura, inefici&ecirc;ncia e atrito, contribuem para a nega&ccedil;&atilde;o do discurso opositor. Experimente o leitor numa qualquer reparti&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica seguir os tr&acirc;mites processuais e estar coberto de raz&atilde;o, que de nada adiantar&aacute; sen&atilde;o anuir com prazos ou procedimentos que v&atilde;o contra o seu direito. Ou mesmo quando protesta, geralmente o protesto cai em saco roto, isto &eacute; tem o direito de uma manifesta&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria, s&oacute; para dizer que tem, mas a mesma n&atilde;o tem qualquer efeito pr&aacute;tico. Muitos sugerem isto como parte da ced&ecirc;ncia de liberdade e de interven&ccedil;&atilde;o ao corpo p&uacute;blico, que o cidad&atilde;o assina quando nasce e que faz parte do contracto social. Quem protesta contra a lei, tem de seguir determinado caminho ou enquadramento de protesto, cuja entropia processual, ou mesmo cuja corrup&ccedil;&atilde;o potencial, transformam o cidad&atilde;o em caixa-de-resson&acirc;ncia de um emaranhado institucional que o esmaga unilateralmente, pois a inefici&ecirc;ncia do protesto seja ele qual for, s&oacute; tem paralelo na efici&ecirc;ncia da cobran&ccedil;a estatal para manter o Estado que esmaga o indiv&iacute;duo, ou seja, o Estado &eacute; um corpo alheio ao cidad&atilde;o, e ao seu interesse.<br /><span></span><br /><span></span>    &Eacute; &oacute;bvio que o Estado tem de manter a nega&ccedil;&atilde;o de alguns discursos para, teoreticamente, manter os interesses do maior n&uacute;mero. Qualquer pessoa sabe que numa fila de supermercado quase nunca o cliente tem raz&atilde;o. E todos sabemos que numa sociedade competitiva e mal formada, o chico esperto vive para tomar vantagem das situa&ccedil;&otilde;es.<br /><span></span><br /><span></span>  A grande desculpa para o desrespeito do escrut&iacute;nio, quanto mais discurso, do cidad&atilde;o, &eacute; exactamente a sujei&ccedil;&atilde;o do particular ao bem comum. Teoricamente.<br /><span></span><br /><span></span>  No plano do particular, nenhum de n&oacute;s gosta que nos mijem na parada, isto &eacute;, nem toda a gente lida bem com reparos ou criticismo.<br /><span></span><br /><span></span>  Em Portugal, o reparo ou cr&iacute;tica &eacute; tomado como ataque pessoal &agrave; autoridade do emissor.<br /><span></span><br /><span></span>  Nas redes sociais e nos jornais portugueses, por mais elaborada que seja a cr&iacute;tica se o cr&iacute;tico &eacute; um pobre mexilh&atilde;o que ningu&eacute;m conhece, os visados n&atilde;o se d&atilde;o ao trabalho de responder, pois escolhem estrategicamente os oponentes, revelando tamb&eacute;m assim a nega&ccedil;&atilde;o do discurso do outro sempre que conveniente. Mas quando (veja-se o caso ideol&oacute;gico entre Vasco Pulido Valente e Manuel Loff), os envolvidos se envolvem publicamente, com as suas volumosas imagens (ou auto percep&ccedil;&atilde;o dessas imagens), ent&atilde;o a coisa muda de figura, porque o outro <u>conta</u>, e o conflito pode provocar dano inacess&iacute;vel ao mexilh&atilde;o.<br /><span></span><br /><span></span>  A esta t&atilde;o comezinha realidade, juntou-se nos &uacute;ltimos anos, a psicologia motivacional, proveniente dos Estados Unidos da Am&eacute;rica, e que surge atrav&eacute;s da conjuga&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias da <em>mim&eacute;sis </em>&ndash; aquelas que divisam m&eacute;todos para ter sucesso na vida, geralmente imitar milion&aacute;rios, cujo vulto de refer&ecirc;ncia &eacute; Dale Carnegie &ndash; e das ci&ecirc;ncias motivacionais <em>new age</em>, (em grande parte devedoras do esp&iacute;rito dos anos 60) que vendem produtos que intentam revelar formas de viver e fruir a vida que tragam felicidade.<br /><span></span><br /><span></span>  Esta assimila&ccedil;&atilde;o tardia contribuiu para a cria&ccedil;&atilde;o de uma aut&ecirc;ntica legi&atilde;o de fundamentalistas e porque n&atilde;o diz&ecirc;-lo, de uma esp&eacute;cie autistas abnegados em positivismo nem que tenha que se deixar alguma coisa pelo caminho.<br /><span></span><br /><span></span>  J&aacute; o t&iacute;nhamos dito <a title="" href="http://www.raistapartisse.com/1/post/2012/01/miguel-gonalves-o-punhetas.html">aqui</a>.<br /><span></span><br /><span></span>  <br /><br /><span></span><br /><span></span>  A toler&acirc;ncia ao confronto de ideias e a capacidade de encaixe &agrave;s cr&iacute;ticas est&aacute; em pior situa&ccedil;&atilde;o que a nossa d&iacute;vida externa.<br /><span></span><br /><span></span>  N&atilde;o se cultiva a palavra, a novil&iacute;ngua impera, o provincianismo tem <em>glamour</em> e &eacute; ostensivamente praticado, e a abnega&ccedil;&atilde;o optimista, a par da aceita&ccedil;&atilde;o acr&iacute;tica das consequ&ecirc;ncias de determinados paradigmas, submetem-se a todos aqueles que procuram uma forma f&aacute;cil e desenrascada de fazer uns cobres.<br /><span></span><br /><span></span>  &lsquo;Empreendedor&rsquo; &eacute; a palavra da primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XX, tal como JEEP (jovem empres&aacute;rio de elevado potencial) o foi nos idos anos 90.<br /><span></span><br /><span></span>  H&aacute; que ter tino para as modas lingu&iacute;sticas (algu&eacute;m se lembra do &lsquo;serenamente&rsquo; de Guterres?), e empreendedor &eacute; aquele que est&aacute; de acordo com o esp&iacute;rito do tempo. Passa-se a ideia de que &agrave; dificuldade de um mercado de servi&ccedil;os, a competi&ccedil;&atilde;o pode ser ultrapassada com a resolu&ccedil;&atilde;o do tend&atilde;o de Aquiles portugu&ecirc;s, a mentalidade. Como se vence originalmente a mentalidade retr&oacute;grada portuguesa, de forma original? Atrav&eacute;s da imita&ccedil;&atilde;o dos milion&aacute;rios, isto &eacute;, atrav&eacute;s da adop&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas de psicologia motivacional oriundas essencialmente dos Estados Unidos (existem at&eacute; sistemas franchisados) como se o poderio econ&oacute;mico da maior economia do mundo se devesse n&atilde;o ao seu grau de magnitude, mas a uma legi&atilde;o de fan&aacute;ticos o optimismo e de mangas arrega&ccedil;adas. <br /><span></span><br /><span></span>    O ex-delfim de Relvas, Miguel &lsquo;Punhetas&rsquo; Gon&ccedil;alves, acredita que sim, que podemos competir com a China por exemplo, s&oacute; por arrega&ccedil;ar as mangas, ou comer muita broa, bater muito punho. Os cr&iacute;ticos, os c&atilde;es da caravana? S&atilde;o aqueles que s&atilde;o culpados ou de uma deficiente l&oacute;gica, ou predadores de energias que parece que d&atilde;o com t&aacute;buas nas costas dos outros, isto &eacute;, mijam na parada.<br /><span></span><br /><span></span>  O cavalheiro, &eacute; formado, em&hellip;Psicologia, e &eacute; um bom exemplo de empreendorismo nacional, pois renovou a figura do capataz, isto &eacute;, criou uma ag&ecirc;ncia que mascara o facto de vender m&atilde;o-de-obra. Saiu da &aacute;rea de Braga.<br /><span></span><br /><span></span>    II<br /><span></span><br /><span></span>    Portanto, que se resume at&eacute; agora?<br /><span></span><br /><span></span>  Nas redes sociais abundam as cita&ccedil;&otilde;es motivacionais, os desabafos com maior ou menor <em>verve</em>, os <em>memes</em>, etc.<br /><span></span><br /><span></span>  Abundam os manuais para vidas felizes e como ganhar dinheiro facilmente, em aut&ecirc;nticas bibliotecas de banha da cobra que mais que demonstrarem a esperteza saloia dos autores e seguidores, demonstram a redu&ccedil;&atilde;o de uma complexidade metaf&iacute;sica como forma de afunilar o esfor&ccedil;o de&hellip;efici&ecirc;ncia.<br /><span></span><br /><span></span>  Este paradigma, dif&iacute;cil de exprimir, em meia d&uacute;zia de linhas, faz com que ao menor sinal de um poss&iacute;vel <em "mso-bidi-font-style:="" normal"="">troll</em> ( personagem que se dedica a mijar em parada alheia) os visados o bloqueiem ou limitem a n&iacute;vel de interven&ccedil;&atilde;o, sob a desculpa de que o fazem para n&atilde;o cansar os outros com o mau feitio do <em "mso-bidi-font-style:="" normal"="">troll</em>.<br /><span></span><br /><span></span>  Esta forma de estar &eacute; recente, pois se fosse norma h&aacute; cerca de 2400 anos atr&aacute;s, n&atilde;o teria chegado testemunho at&eacute; n&oacute;s do maior <em>troll</em> de todos os tempos, S&oacute;crates. N&atilde;o teriam chegado tamb&eacute;m quase todas as obras de cultura que mais n&atilde;o s&atilde;o dispositivos que solicitam ao ser humano reac&ccedil;&atilde;o sob a forma de dispositivos (&aacute;udio visuais ou outros) que por sua vez solicitar&atilde;o reac&ccedil;&otilde;es an&aacute;logas em gera&ccedil;&otilde;es futuras. Ou seja, a cultura &eacute; feita p&ecirc;los <em>trolls</em> e n&atilde;o por optimistas auto satisfeitos.<br /><span></span><br /><span></span>  Um dos primeiros exemplos destas banhas da cobra que tivemos o prazer de observar encontra-se <a title="" href="http://filosofiacritica.wordpress.com/author/filosofiacritica/">aqui</a>.<br /><span></span><br /><span></span>  <br /><br /><span></span><br /><span></span>  Este caro personagem, dedica-se a tornar a Filosofia pr&aacute;tica, sob o ep&iacute;teto de que est&aacute; a levar a Filosofia &agrave;s massas. &Aacute;s crian&ccedil;as, a saber discursar, a saber desmontar o discurso contr&aacute;rio, etc.<br /><span></span><br /><span></span>  "Levar a filosofia &agrave;s pessoas, levar as pessoas a filosofar." &Eacute; o mote.<br /><span></span><br /><span></span>  Workshops pagos tamb&eacute;m.<br /><span></span><br /><span></span>  Por discordarmos desta forma de instrumentalizar a Filosofia, come&ccedil;&aacute;mos a <em>trollar</em>. Para o interveniente, exposto publicamente, <em>trollar</em> corresponde a <em>traulitar</em>. Revelou-se a insuficiente prepara&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica para ensinar o que estava a ensinar (sob o assunto &lsquo;S&oacute;crates, por exemplo, desconhecia a exist&ecirc;ncia de uma vers&atilde;o de Xenofonte) mas n&atilde;o faz mal porque o Tom&aacute;s &eacute; apenas professor do ensino secund&aacute;rio. De Filosofia.<br /><span></span><br /><span></span>  Existem centenas espalhados pelas redes sociais, que vendem formas de felicidade em que basta acreditar ser feliz e seguir os passos pagos da emancipa&ccedil;&atilde;o, seja por runas, cristais, repeti&ccedil;&atilde;o de mantras, reformula&ccedil;&atilde;o a p&eacute; de cabra dos m&eacute;todos de pensamento, etc. <br /><span></span><br /><span></span>  A originalidade fez surgir uma mir&iacute;ade de g&eacute;neros, que contudo se baseiam nos mesmos princ&iacute;pios do fundamentalismo, a ades&atilde;o incondicional a determinado conjunto de dogmas, a rejei&ccedil;&atilde;o do contradit&oacute;rio (muitas vezes sob a capa do &lsquo;h&aacute; v&aacute;rios caminhos, segue o que apraz&rsquo;), e a classifica&ccedil;&atilde;o dos outros geralmente sob a categoria de tresmalhados.<br /><span></span><br /><span></span>  Proliferou (em movimento que faz surgir os &lsquo;punhetas&rsquo; nacionais) a exibi&ccedil;&atilde;o de Ted talks, palestras motivacionais, e uma reformula&ccedil;&atilde;o da New Age tecnol&oacute;gica em contexto ultra capitalista. Surgem os reversos, parte do mesmo, movimentos comunit&aacute;rios de rejei&ccedil;&atilde;o da economia vigente, geralmente caracterizados por pessoas com pouca preocupa&ccedil;&atilde;o na apar&ecirc;ncia, mas igualmente motivados na rejei&ccedil;&atilde;o do discurso oposto.<br /><span></span><br /><span></span>  Tona-se assim a nossa sociedade no oposto daquilo que pretende mostrar que &eacute;, a sociedade do di&aacute;logo.<br /><span></span><br /><span></span>  III<br /><span></span><br /><span></span>  Gostaria de deixar aqui dois exemplos do que se afirma, deste fundamentalismo optimista (que &eacute; uma cristaliza&ccedil;&atilde;o conservadora, e que a nosso ver embora bem intencionada pelas participantes, apenas contribui para o estupor que faz lei nos dias de hoje) e que podem ser consultados, nada ironicamente, no &oacute;rg&atilde;o de propaganda Expresso &ndash; <a title="" href="http://www.expresso.pt">www.expresso.pt</a><br /><span></span><br /><span></span>  <a title="" href="http://anagilcampos.blogspot.pt/p/as-aventuras-de-uma-empreendedora.html">Ana Gil Campos</a> <br /><span><br /><span></span></span><br /><span></span>e <span></span><br /><span></span><br /><span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span><span><span><span><span><span><span><span><span><span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><br /><a title=""><span></span><a target="_blank" href="http://www.ana-santiago.com/">Ana Santiago<span><span><span><span><span><span><span><span><span><span><span><span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a></a><span><span><span><span><span><span><span><span><span><span><span><span><span><span><span>  <br /><br /><span></span><br /><span></span>  O Expresso, propriedade da Impresa, &eacute; um &oacute;rg&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o social privado. O senhor Balsem&atilde;o escolhe bem entender quem participa no mesmo, desde o divisionista e division&aacute;rio Daniel Oliveira, a Rui Ramos e seu protegido, Henrique Raposo.<br /><span></span><br /><span></span>  A escolha dos elementos que t&ecirc;m espa&ccedil;o de aten&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de um acto pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico, comp&otilde;e o livro de estilo do &lsquo;jornal&rsquo;.<br /><span></span><br /><span></span>  V&aacute;rias vezes Rui Ramos enviesa ideologicamente a sua vis&atilde;o da Hist&oacute;ria de Portugal, especialmente sobre a do Estado Novo, o que para um historiador &eacute; pol&eacute;mico. Pol&eacute;mico tenta ser Henrique Raposo, pescado na blogosfera, como alguns secret&aacute;rios de estado do actual governo, por bons servi&ccedil;os e completo arrepio de m&eacute;todo cient&iacute;fico.<br /><span></span><br /><span></span>  O Expresso sem surpresa deve ser considerado portanto um &oacute;rg&atilde;o de propaganda, como os existem tamb&eacute;m &agrave; esquerda.<br /><span></span><br /><span></span>  &Eacute; neste sentido instrumental que devemos encarar as Anas, Ana Gil Campos, e Ana Santiago, pois elas fazem parte duma constela&ccedil;&atilde;o destinada a fazer propaganda. Quer disso estejam conscientes ou n&atilde;o. Repito, que as uso como exemplo sem nada contra elas, e apenas escolho uma parcela do que defendem para an&aacute;lise por causa do conte&uacute;do do texto em quest&atilde;o.<br /><span></span><br /><span></span>    Ana Gil Campos, de novo uma bracarense, tem no Expresso um espa&ccedil;o medi&aacute;tico denominado &lsquo;As aventuras de uma empreendedora&rsquo; cujo maior empreendimento &eacute; escrever como <em>freelancer</em>, maneira pomposa de dizer que lhe pagam para dizer umas coisas num jornal, sendo ela a patroa de si mesma&hellip; (?)<br /><span></span><br /><span></span>  Escreve no Exame/Expresso desde 2009 e a sua qualidade leva-a a estender a solicita&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria, que a partir de 2011 se estende &agrave; revista Exame, tamb&eacute;m de Balsem&atilde;o.<br /><span></span><br /><span></span>  O seu site &eacute; cuidado, a escolha de imagens infal&iacute;vel e merecedora de aten&ccedil;&atilde;o. &Aacute; vista desarmada o site &eacute; vocacionado para o p&uacute;blico feminino, desde logo com a imagem de fundo de uma fr&aacute;gil mulher, a Ana, com meio p&eacute; num degrau de umas escadas que parecem simbolizar a progress&atilde;o no progresso, passo a express&atilde;o. Mulher, com as perninhas &agrave; mostra, apostando numa simplicidade e parcim&oacute;nia de meios cuja finalidade &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de uma empatia com o p&uacute;blico, pois a leitora da Ana Gil Campos, &eacute; de certeza uma mulher com sensibilidade e escolaridade, ciosa da sua identidade e respeitadora dos seus pr&oacute;prios devaneios ou fantasias.<br /><span></span><br /><span></span>  Todas as fotos s&atilde;o cuidadas, tratadas, o que se pretende &eacute; criar um contexto, as canetas escolhidas, as agendas, o port&aacute;til, a decorada ch&aacute;vena de ch&aacute;, a parcim&oacute;nia do seu lugar de escrita idealizado para passar a no&ccedil;&atilde;o de que o conte&uacute;do da cabe&ccedil;a de Ana &eacute; o mais importante, e a escrita de minissaia e salto alto &eacute; mais capaz de inspirar as complexas ideias expostas.<br /><span></span><br /><span></span>  As fotos c&acirc;ndidas e honestas com olhar directo para a objectiva, ou com o olhar baixo e absorto em qualquer ponto distante visam o mesmo fim emp&aacute;tico anteriormente citado, diz &lsquo;Aqui, apenas eu, mulher.&rsquo; A que se somam outras tantas imagens s&oacute; com uma palavra, como por exemplo &lsquo;voz&rsquo;, como se uma palavra encerrasse todo um universo de significado, que abstractamente vale por si, descontextualizado de uma mensagem concreta.<br /><span></span><br /><span></span>  Em quase todas as fotos a alus&atilde;o &agrave; escrita, que &eacute; uma das coisas que ela mais gosta de fazer, &eacute; constante. Tem <em "mso-bidi-font-style:="" normal"="">glamour</em> ser-se escritora. <br /><span></span><br /><span></span>  E o que escreve esta escritora?<br /><span></span><br /><span></span>  Que conte&uacute;dos valiosos produz esta criativa freelancer, que a levam a <a title="" href="http://anagilcampos.blogspot.pt/">avisar </a>a navega&ccedil;&atilde;o de potenciais copistas:<br /><span></span><br /><span></span>  &laquo; O CONTE&Uacute;DO DESTE BLOG EST&Aacute; PROTEGIDO PELA INSPEC&Ccedil;&Atilde;O GERAL DAS ACTIVIDADES CULTURAIS. QUALQUER REPRODU&Ccedil;&Atilde;O DOS CONTE&Uacute;DOS AQUI PRESENTES REQUER UMA AUTORIZA&Ccedil;&Atilde;O PR&Eacute;VIA POR PARTE DA AUTORA.&raquo;<br /><span></span><br /><span></span>  &Aacute; primeira vista lemos palavras como &lsquo;autoconhecimento&rsquo;, &lsquo;criar oportunidades&rsquo;, &lsquo;motiva&ccedil;&atilde;o&rsquo;, &lsquo;progresso&rsquo;, &lsquo;humanidade&rsquo;.<br /><span></span><br /><span></span>  Afinal os desejos desta jovem, para o Natal.<br /><span></span><br /><span></span>  O silogismo &eacute; bastante apreens&iacute;vel. <br /><span></span><br /><span></span>  a)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O auto conhecimento &eacute; muito importante.<br /><span></span><br /><span></span>  b)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sem ele, n&atilde;o se cria bem novas oportunidades, nem boa motiva&ccedil;&atilde;o, nem bom progresso, nem boa humanidade.<br /><span></span><br /><span></span>  c)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Actualmente somos usados e tratados como n&uacute;meros<br /><span></span><br /><span></span>  d)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Precisamos de beber a humanidade diariamente<br /><span></span><br /><span></span>  e)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quem nos governa deve ter aten&ccedil;&atilde;o, porque tamb&eacute;m s&atilde;o n&uacute;meros e usados, tal como &lsquo;n&oacute;s&rsquo;<br /><span></span><br /><span></span>  f)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A diferen&ccedil;a &eacute; o poder, &lsquo;eles&rsquo; podem, ainda que limitadamente, de implantar mais humanidade.<br /><span></span><br /><span></span>  g)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os que nos governam, s&oacute; implantando mais humanidade, deixar&atilde;o de ser mais um n&uacute;mero &lsquo;dentro do seu conjunto&rsquo;.<br /><span></span><br /><span></span>  Bastantes conceitos flutuam aqui.<br /><span></span><br /><span></span>  Se tomarmos o autoconhecimento como introspec&ccedil;&atilde;o, deduz-se que &eacute; o di&aacute;logo e conhecimento interior que cria as boas oportunidades, motiva&ccedil;&otilde;es e a boa humanidade.<br /><span></span><br /><span></span>  Assim sendo, e de acordo com a ideia da autora, a fun&ccedil;&atilde;o dos governantes, isto &eacute;, de implantar mais humanidade, &eacute; exortar as pessoas a autoconhecerem-se. S&oacute; o autoconhecimento me vai motivar a ser mais motivado e a conhecer-me mais e melhor. O Estado j&aacute; cumpre essa fun&ccedil;&atilde;o, sempre que abro uma carta das finan&ccedil;as, descubro que sou um devedor, ou sempre que sou exortado a emigrar descubro que sou indesejado, ou sempre que descubro que h&aacute; outros que apenas por colarem cartazes t&ecirc;m emprego e eu n&atilde;o,&nbsp; descubro que sou incompetente. Penso que &eacute; este tipo de autoconhecimento a que a Ana se refere. Cumprem assim os governantes essa fun&ccedil;&atilde;o de implantar mais humanidade no nosso cora&ccedil;&atilde;o, com o poder que por &acute;n&oacute;s&rsquo; lhes &eacute; investido.<br /><span></span><br /><span></span>  Os governantes, s&oacute; sendo assim, potenciadores do meu conhecimento de mim pr&oacute;prio, deixam de ser n&uacute;meros, e passam a ser outra coisa qualquer, &lsquo;dentro do seu conjunto&rsquo;, que conjunto &eacute; este n&atilde;o sei.<br /><span></span><br /><span></span>  Sei que a autora prossegue, aludindo &agrave; sorte que temos de nascer em Portugal, como se a guerra e seca no Darfur, a radioactividade em Fukushima, ou outra qualquer cat&aacute;strofe fosse motivo de regozijo s&oacute; porque n&atilde;o me calhou a mim. Sortudos somos.<br /><span></span><br /><span></span>  Inclusive por privarmos com uma pensadora que percebeu que o mundo anda a ser constru&iacute;do ao contr&aacute;rio, &nbsp;pois &eacute; a malta do &lsquo;sistema&rsquo; que manda nos destinos do mundo, em vez dos humanos progressivos descritos na antropologia de Ana Campos. Trabalhar em prol da Humanidade, &eacute; o que prop&otilde;e esta hegeliana, pois o conhecimento para ela, &eacute; o conhecimento de si, e o conhecimento de si &eacute; a humanidade. Logo quem se conhece a si mesmo &eacute; humano, quem n&atilde;o se conhece, tem de olhar mais vezes ao espelho&hellip;da introspec&ccedil;&atilde;o.<br /><span></span><br /><span></span>  Da antropologia, em meia d&uacute;zia de linhas passa &agrave; economia, pois a tarefa do autoconhecimento (para Ana, o h de &lsquo;humanidade&rsquo; significa o mesmo se for mai&uacute;sculo ou min&uacute;sculo), &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de riqueza para todos. Ningu&eacute;m contou a Ana que a riqueza j&aacute; &eacute; criada e gerida, n&atilde;o chega &eacute; a ser distribu&iacute;da, ningu&eacute;m lhe contou sobre as crises de sobreprodu&ccedil;&atilde;o ou sobre os carteis, e ela continua a bater na tecla da cria&ccedil;&atilde;o de riqueza, sem saber que se queimou caf&eacute; em locomotivas ou que um quilograma de carne custa 600 litros de &aacute;gua.<br /><span></span><br /><span></span>  Deixa uma exorta&ccedil;&atilde;o, &agrave;s vezes desviamo-nos da humanidade, n&oacute;s que fazemos parte dela, e somos mais que um n&uacute;mero, tudo porque criticamos os outros por uma ignor&acirc;ncia que n&atilde;o conseguimos ver (uma ignor&acirc;ncia que conseguimos ver &eacute; ainda ignor&acirc;ncia?) &hellip;e o que acontece? Ficamos intransigentes e ego&iacute;stas. S&oacute; porque nos afastamos da &lsquo;humanidade&rsquo; preconizada por Ana. Nada tem a ver com a distribui&ccedil;&atilde;o de riqueza, digo eu.<br /><span></span><br /><span></span>  Mas n&atilde;o nos preocupemos, afastamo-nos da humanidade, mas faz parte de sermos humanos.<br /><span></span><br /><span></span>  Um pouco como se nos torn&aacute;ssemos um cadinho marcianos, isso ainda era sermos humanos.<br /><span></span><br /><span></span>  Mas isto apenas se atrav&eacute;s da empatia e do esfor&ccedil;o de compreens&atilde;o nos colocarmos no cora&ccedil;&atilde;o do outro, perceber o outro, colocarmo-nos nos seus sapatos. Isto &eacute; sermos humanos.<br /><span></span><br /><span></span>  Mas antes, durante ou depois de nos auto conhecermos?<br /><span></span><br /><span></span>  Conseguimos fazer as duas coisas ao mesmo tempo? Conhecermo-nos a n&oacute;s pr&oacute;prios e colocarmo-nos na retina e no cora&ccedil;&atilde;o do outro? Pobre Rousseau.<br /><span></span><br /><span></span>  Em outro texto, &laquo;Progresso, do verdadeiro&raquo;, ficamos a saber que o trajecto n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, o progresso n&atilde;o vem ter connosco.<br /><span></span><br /><span></span>  H&aacute; competi&ccedil;&atilde;o, e uma pequena vit&oacute;ria sobre os outros &eacute; sinal de contentamento moderado.<br /><span></span><br /><span></span>  No entanto progredir &eacute; um processo autot&eacute;lico, em que o resultado n&atilde;o &eacute; o mais importante, mas sim a progress&atilde;o. Se a progress&atilde;o &eacute; um movimento, para onde progride o progresso? <br /><span></span><br /><span></span>  Para Ana o progresso progride para progredir, divorciado do resultado, logo, o progresso &eacute; progredir. Mas progredir com uma causa maior, porque progredir sem uma causa maior &eacute; um retrocesso.<br /><span></span><br /><span></span>  Dir&aacute; a Ana que o resultado do progresso &eacute; o que cada um entender, mas se s&oacute; nos realizamos se encontramos a realiza&ccedil;&atilde;o naquilo que nos leva ao progresso, mas n&atilde;o naquilo que nos leva ao progresso.<br /><span></span><br /><span></span>  Cito:&laquo; O verdadeiro progresso &eacute; a concretiza&ccedil;&atilde;o daquilo que se vai construindo aos poucos no desejo da evolu&ccedil;&atilde;o, da nossa e dos outros, que, quando acontece, parece um sonho muito maior do que aquele que consegu&iacute;amos imaginar. Para que o progresso nos realize, temos de encontrar a realiza&ccedil;&atilde;o naquilo que nos pode levar at&eacute; ele e n&atilde;o no fim em si, sen&atilde;o seremos, certamente, sofredores cr&oacute;nicos que experimentamos na vida raros momentos de felicidade. &raquo;<br /><span></span><br /><span></span>  <br /><a title="" href="http://expresso.sapo.pt/progresso-do-verdadeiro=f847234#ixzz2pqD8Ug6K">Aqui</a><br /><span></span><br /><span></span>    Ou seja e exemplificando, se eu tiro realiza&ccedil;&atilde;o no acto de comer salsichas, devo tirar realiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o da degusta&ccedil;&atilde;o das salsichas, mas na contribui&ccedil;&atilde;o que a ingest&atilde;o de salsichas tem para o meu progresso, que n&atilde;o &eacute; um progresso definido, como melhorar alguma faceta concreta na minha personalidade, mas &eacute; um progresso lento e conquistado, no progresso de progredir.<br /><span></span><br /><span></span>  Se o leitor se sente confuso, n&atilde;o se sinta mal, pois s&oacute; estar&aacute; confuso no caminho da confus&atilde;o.<br /><span></span><br /><span></span>  Poder&iacute;amos continuar por todos os textos, ou quase todos, com a certeza de que tornar&iacute;amos mais pesado ainda o trabalho de an&aacute;lise de uma prosa sem qualquer preocupa&ccedil;&atilde;o com a explica&ccedil;&atilde;o do que diz, ou com integridade l&oacute;gica do conte&uacute;do.<br /><span></span><br /><span></span>  Dois motivos parecem contribuir para isto, a popularidade, e a capacidade.<br /><span></span><br /><span></span>  Popularidade porque estes textos s&atilde;o vendidos por uma escriba freelancer, para serem lidos num &oacute;rg&atilde;o de propaganda, e portanto t&ecirc;m de ser ass&eacute;pticos, sem arestas, e curtos, mas deixar a dose de esperan&ccedil;a, optimismo e truques f&aacute;ceis, que sempre se retiram do discurso moralista de algu&eacute;m que acha que sabe do que est&aacute; a falar.<br /><span></span><br /><span></span>  Na minha opini&atilde;o, esta prosa de dondoca, n&atilde;o tem a m&iacute;nima preocupa&ccedil;&atilde;o com um conte&uacute;do, com problematiza&ccedil;&atilde;o de temas, e de assuntos. Visa ao inv&eacute;s, atrav&eacute;s de uma est&eacute;tica imag&eacute;tica, e aluada, dar voz a todas aquelas e aqueles, que desiludidos com a efic&aacute;cia da sua ac&ccedil;&atilde;o no rela, se resignam com uma fuga para uma pseudo espiritualidade, que supostamente far&aacute; diferen&ccedil;a no mundo, pois s&oacute; no acto de progress&atilde;o em que todos progredimos para ser bonzinhos, parece haver hip&oacute;tese de como por artes de magia resolver os problemas da &lsquo;humanidade&rsquo;. <br /><span></span><br /><span></span>  Consta certo epis&oacute;dio de um soldado na Batalha de Estalinegrado, ter desarmado um ninho de metralhadoras s&oacute; pela for&ccedil;a do pensamento positivo e do seu auto conhecimento.<br /><span></span><br /><span></span>  Ana Santiago, &eacute; de calibre diferente.<br /><span></span><br /><span></span>  Apesar de tamb&eacute;m vir da Universidade do Minho (rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas) e dar aulas, no afamado Instituto Superior de Espinho, institui&ccedil;&atilde;o privada cuja finalidade &eacute; sacar propinas da forma&ccedil;&atilde;o para o turismo a quem as quiser pagar.<br /><span></span><br /><span></span>  Em vez de um toque de cetim rumo ao quim&eacute;rico, coloca de fora as garras de pompom e aponta ao mercado empresarial, das rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas.<br /><span></span><br /><span></span>  Faz parte dos coach profissionais, que s&atilde;o aquelas pessoas que ganham a vida a ensinar os outros a viver, ou melhor, que ajudam os outros a descobrir o que de melhor podem revelar de si. Lembra-se do auto conhecimento de Ana Campos?<br /><span></span><br /><span></span>  A Ana Santiago vai mais adiantada, publica livro e tudo, onde ensina a descobrir o verdadeiro eu, pois como coach e motivadora ela sabe onde anda o verdadeiro eu dos outros.<br /><span></span><br /><span></span>  Ajuda a assumir o comando da nossa vida e a realizar os nossos sonhos, a projectar uma imagem como deve de ser, a relacionarmo-nos, gerir a carreira e muito mais.<br /><span></span><br /><span></span>  Deduzo que a Ana Santiago &eacute; uma daquelas pessoas aben&ccedil;oadas com dotes vision&aacute;rios acima da m&eacute;dia, e com efeito semelhante &agrave; coca&iacute;na, com ela tudo se resolve.<br /><span></span><br /><span></span>  O espa&ccedil;o que ocupa no Expresso, (VIPP &ndash; valoriza&ccedil;&atilde;o da Imagem Pessoal e Profissional) &eacute; um tesouro anal&iacute;tico.<br /><span></span><br /><span></span>  Ficamo-nos pelo texto acerca dos ladr&otilde;es de sonhos, aqueles que parece que nos d&atilde;o com uma t&aacute;bua nas costas.<br /><span></span><br /><span></span>  Apela ao hipocondr&iacute;aco medo de uma classe m&eacute;dia envernizada, que por ignor&acirc;ncia ou decrepitude decorrente do conforto, desconfia da pr&oacute;pria sombra e tudo faz para proteger o santu&aacute;rio do seu mundo ass&eacute;ptico.<br /><span></span><br /><span></span>  Ficamos a saber que temos ladr&otilde;es fora de n&oacute;s e dentro de n&oacute;s. Fora de n&oacute;s &eacute; &oacute;bvio, basta consultar <a title="" href="http://www.base.gov.pt/base2/">isto</a>. <br /><span></span><br /><span></span>  Os que est&atilde;o dentro de n&oacute;s s&atilde;o as chamadas limiting beliefs de qualquer aprendiz de Programa&ccedil;&atilde;o Neuro Lingu&iacute;stica.<br /><span></span><br /><span></span>  Segundo Ana Santiago, h&aacute; forma de dar a volta &agrave; situa&ccedil;&atilde;o! &Eacute; tudo uma quest&atilde;o de m&eacute;todo.<br /><span></span><br /><span></span>  Basta definirmos os nossos sonhos, desde que sejam realistas (indago se sonhos realistas n&atilde;o devem ser designados como &lsquo;objectivos&rsquo;&hellip; se sonho partilhar o leito com Helena de Tr&oacute;ia, isso n&atilde;o passa de um sonho, mas se ele &eacute; realiz&aacute;vel, por exemplo copular com a pr&oacute;xima miss Portugal, &eacute; realista, &eacute; apenas um objectivo).<br /><span></span><br /><span></span>  Definimos os sonhos realistas, parece uma contradi&ccedil;&atilde;o dos termos mas s&oacute; para o olhar incauto, e tra&ccedil;amos um plano para a sua concretiza&ccedil;&atilde;o. <br /><span></span><br /><span></span>  Amealhamos as condi&ccedil;&otilde;es que o possibilitem.<br /><span></span><br /><span></span>  Tiramos quem nos possa mijar na parada, dar com uma t&aacute;bua nas costas, ou roubar os sonhos, do caminho.<br /><span></span><br /><span></span>  E toca de executar o nosso plano, calibrando-o &agrave; medida da viagem, at&eacute; ao objectivo, que segundo Ana Gil Campos, n&atilde;o &eacute; o mais importante.<br /><span></span><br /><span></span>  Ou seja, sonhamos, planeamos, limpamos os sabotadores e cumprimos. Fico de facto com uma d&uacute;vida, sobre qual &eacute; o passo em que quem n&atilde;o cumpre os seus sonhos falha, e tenha de recorrer a Ana Santiago.<br /><span></span><br /><span></span>  Imagino que muita gente n&atilde;o sonha sonhos realistas, ou nem se permita sonhar. Ou procrastine uma qualquer tarefa ou planeamento, apraz&iacute;vel ou n&atilde;o, h&aacute; quem falhe em tra&ccedil;ar planos para obter algo que realmente quer e depois tenha de recorrer a auto ajuda externa.<br /><span></span><br /><span></span>  Muita gente n&atilde;o consegue identificar os ladr&otilde;es de sonhos, e por isso n&atilde;o atinge o que realmente quer. H&aacute; tamb&eacute;m quem n&atilde;o entre em ac&ccedil;&atilde;o, ou ajuste o plano, e se contente com tremo&ccedil;os quando o porco n&atilde;o facilita as salsichas.<br /><span></span><br /><span></span>  Mas se lermos bem e sem tentativas de humor, o que &eacute; proposto, h&aacute; algo que n&atilde;o seja &oacute;bvio? E que seja mais elaborado que os apelos &agrave; coragem e determina&ccedil;&atilde;o?<br /><span></span><br /><span></span>  Ana Santiago &eacute; mais um &lsquo;ap&oacute;stolo&rsquo; da legi&atilde;o de optimistas abnegados. A simplicidade infantil do que prop&otilde;e adapta-se bem ao <em>target</em> de leitores do Expresso.<br /><span></span><br /><span></span>  Espera-se ver nestes motivadores, algo de verdadeiro, isto &eacute; obst&aacute;culos e respectivas supera&ccedil;&otilde;es no processo que falha, e todos falhamos o que nos propomos. N&atilde;o depende s&oacute; de n&oacute;s. Mas estes vendedores de banha da cobra, apenas variam o embrulho, bem espremido, opino que nada ou pouco se aproveita. Batem na mesma tecla da abnega&ccedil;&atilde;o, bater punho, etc.<br /><span></span><br /><span></span>  E t&ecirc;m tempo de antena. Como este texto j&aacute; vai longo e ningu&eacute;m o vai ler tamb&eacute;m por isso, despe&ccedil;o-me com a parte de poema que Ana santiago n&atilde;o citou da &lsquo;Pedra Filosofal&rsquo; :<br /><span></span><br /><span></span>  &laquo; como bola colorida<br /><span></span><br /><span></span>  entre as m&atilde;os de uma crian&ccedil;a.&raquo;<br /><span></span><br /><span></span>  &Eacute; isso que estas crian&ccedil;as fazem, brincam com bolas coloridas, a que acharam gra&ccedil;a. <br /><span></span><br /><span></span>                </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><!--[if gte mso 9]>        <![endif]--></div> <hr style="width:100%;clear:both;visibility:hidden;"></hr>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A gaiola enferrujada]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/a-gaiola-enferrujada]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/a-gaiola-enferrujada#comments]]></comments><pubDate>Mon, 06 Jan 2014 06:08:41 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/respublica/a-gaiola-enferrujada</guid><description><![CDATA[               Parece que a espécie de Presidente da República que Portugal tem, em 2013, como representante máximo da nação, chefe das forças armadas, garante dos bons funcionamentos institucionais, senhor Aníbal Cavaco Silva, presidente de 30% dos portugueses, tem uma longa lista de afirmações sobre a diáspora portuguesa, das quais salientamos:   2006:   -«Quero dirigir uma mensagem particular aos portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro (…)um aumento da competitividade da [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div> <div class="wsite-image wsite-image-border-thin" style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a><img src="http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/3506952_orig.jpg" alt=" Imagem " style="width:100%;max-width:645px"></a>  <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div> </div>  <div> <div id="534945588588201161" align="left" style="width: 100%; overflow-y: hidden;" class="wcustomhtml"> <embed src="http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/feY6ZZVpUM5J0fTLSmM6/mov/1" allowfullscreen="true" width="400" height="350"> </div> </div>  <div class="paragraph" style="text-align:left;"> Parece que a esp&eacute;cie de Presidente da Rep&uacute;blica que Portugal tem, em 2013, como representante m&aacute;ximo da na&ccedil;&atilde;o, chefe das for&ccedil;as armadas, garante dos bons funcionamentos institucionais, senhor An&iacute;bal Cavaco Silva, presidente de 30% dos portugueses, tem uma longa lista de afirma&ccedil;&otilde;es sobre a di&aacute;spora portuguesa, das quais salientamos:<br> <span></span><br> <a target="_blank" href="http://jpn.c2com.up.pt/2006/06/09/cavaco_silva_dedica_dia_de_portugal_aos_emigrantes.html"><span></span> 2006</a>:<br> <span></span><br> <span></span> -&laquo;Quero dirigir uma mensagem particular aos portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro (&hellip;)um aumento da competitividade da economia, num combate contra as desigualdades e promo&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida e inclus&atilde;o social&raquo;<br> <span></span><br> <span></span><br> <span></span><br> <a target="_blank" href="http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1873598"><span></span> 2011</a>:<br> <span></span><br> <span></span> -"S&atilde;o frequentes as queixas dos nossos compatriotas, motivados para investirem em Portugal, de que os seus esfor&ccedil;os esbarram com regras incompreens&iacute;veis, tempos de espera inaceit&aacute;veis, e tratamentos inadequados para quem pretende apostar em criar emprego e prosperidade no seu pa&iacute;s (&hellip;) a sociedade portuguesa como um todo que ter&aacute; de interiorizar a oportunidade decorrente do potencial empreendedor e de cria&ccedil;&atilde;o de riqueza da di&aacute;spora lusitana".<br> <span></span><br> <span></span> -"Todos n&atilde;o seremos demais para mobilizar esse enorme capital social que a di&aacute;spora portuguesa representa. Como j&aacute; afirmei antes, mobilizar os seus recursos ter&aacute;, inevitavelmente, de se tornar uma prioridade nacional"<br> <span></span><br> <span></span> -"Portugal precisa de trabalho, trabalho, muito trabalho".<br> <span></span><br> <span></span><br> <span></span><br> <a target="_blank" href="http://www.tvi24.iol.pt/503/politica/cavaco-silva-emigrantes-diaspora-cavaco-emigracao-tvi24/1521958-4072.html"><span></span> 2013</a><br> <span></span><br> <span></span> - &laquo;Portugal tem de ser capaz de aproveitar, de tirar partido, das potencialidades desta nova di&aacute;spora, como fazem outros pa&iacute;ses. Estud&aacute;mos outros casos, como a Irlanda. Este Conselho (da Di&aacute;spora Portuguesa) surgiu como resposta a um repto que lancei, no sentido de mais vozes portugueses se juntarem &agrave;s vozes de pol&iacute;ticos e diplomatas para projetar Portugal no estrangeiro pela positiva e contribuir para corrigir alguma desinforma&ccedil;&atilde;o que existe sobre o nosso pa&iacute;s e assim ajudar a melhorar credibilidade do pa&iacute;s e difundir as suas potencialidades&raquo;<br> <span></span><br> <span></span> Manifesta o desejo de que os portugueses &laquo;al&eacute;m da liga&ccedil;&atilde;o afetiva, tenham agora uma liga&ccedil;&atilde;o mais empenhada em casos mais concretos para ajudar ao desenvolvimento do pa&iacute;s&raquo;.<br> <span></span><br> <span></span> - &laquo;Temos aqui um grupo de excel&ecirc;ncia de portugueses que exercem a sua atividade no estrangeiro, em diversas &aacute;reas, na economia, nas empresas, na cultura, na arte na cidadania, que ganharam uma proje&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do seu m&eacute;rito, da sua experi&ecirc;ncia, e s&atilde;o altamente considerados. Demonstra bem a evolu&ccedil;&atilde;o que teve a nossa di&aacute;spora nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, no refor&ccedil;o da qualifica&ccedil;&atilde;o&raquo;<br> <span></span><br> <span></span> - &laquo;Espero que n&atilde;o estranhem que no atual contexto do nosso pa&iacute;s eu apele a todos que contribuam para o des&iacute;gnio maior de Portugal neste momento que &eacute; o relan&ccedil;amento da economia e o combate ao desemprego, ao mesmo tempo que tentamos t&atilde;o rapidamente quanto poss&iacute;vel reduzir os desequil&iacute;brios das nossas contas p&uacute;blicas&raquo; al&eacute;m de acumularem a fun&ccedil;&atilde;o de serem "embaixadores do Portugal real" que a malvada imprensa estrangeira representa o pa&iacute;s de forma maledicente, afinal cabe ao escorra&ccedil;ado repor a justa imagem, ou nas palavras do presidente -"Corrijam, ponham os pontos nos &lsquo;&iacute;s'"<br> <span></span><br> <span></span><br> <span></span><br> <span></span> Pod&iacute;amos continuar com in&uacute;meras outras ocasi&otilde;es em que o nosso funcion&aacute;rio m&aacute;ximo, se referiu &agrave; &lsquo;di&aacute;spora&rsquo;.<br> <span></span><br> <span></span> Fiquemos por estas. Nelas podemos observar muitos ensinamentos.<br> <span></span><br> <span></span> Antes de mais, a n&iacute;vel lingu&iacute;stico. A manipula&ccedil;&atilde;o da linguagem, ou melhor, como se diz hoje em dia, a optimiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o e da imagem, transformou um verdadeiro &ecirc;xodo, do torr&atilde;o p&aacute;trio, da mis&eacute;ria, da pobreza, da desconsidera&ccedil;&atilde;o, que mereceria a qualquer pol&iacute;tico titular de responsabilidade na tutela, nos &uacute;ltimos 40 anos, a isolar-se num mosteiro e a n&atilde;o mostrar mais o seu rosto aos compatriotas, pois se um pedreiro falha a fun&ccedil;&atilde;o quando o muro cai, se um engenheiro tra&ccedil;a mal o tra&ccedil;ado do IP5 e deve ser despedido, se um padeiro faz mau p&atilde;o, se um qualquer profissional faz mal a sua profiss&atilde;o e n&atilde;o percebe ou n&atilde;o quer perceber tal, que se pode dizer de uma classe pol&iacute;tica que faz um t&atilde;o bom trabalho que for&ccedil;a &agrave; sa&iacute;da de centenas de milhar de cidad&atilde;os para o exterior?<br> <span></span><br> <span></span> Qual &eacute; o limite para o reconhecimento da incompet&ecirc;ncia, e da necessidade de um saneamento doloroso do regime republicano?<br> <span></span><br> <span></span> N&atilde;o merece neste caso mais respeito, e n&atilde;o florear a realidade como sugere Cavaco Silva, e ao inv&eacute;s de chamar o perfume aventureiro de &lsquo;di&aacute;spora&rsquo; chamar o &ecirc;xodo em massa da mais formada gera&ccedil;&atilde;o portuguesa da Hist&oacute;ria, de &lsquo;Fuga&rsquo;, &lsquo;abandono&rsquo;, via de desespero e abandono de navio que naufraga?<br> <span></span><br> <span></span> Este subterf&uacute;gio das palavras doces para enganar que ainda se fia em palavras, acolha a quem aprouver. Eu lamento, e sinto-me t&atilde;o miser&aacute;vel, exasperado como os meus compatriotas que s&atilde;o for&ccedil;ados a sair para sobreviver e respirar, eu que n&atilde;o votei em nenhum partido dos que se podem considerar respons&aacute;veis, e que me encontro neste momento tamb&eacute;m a ponderar ter uma vida e filhos, sem ver que isso seja poss&iacute;vel em Portugal.<br> <span></span><br> <span></span> Enquanto uns se banqueteiam e distribuem serm&otilde;es por recep&ccedil;&otilde;es e embaixadas, eu como sardinhas em lata, numa espiral de empobrecimento e mis&eacute;ria que eventualmente me levar&aacute; a sair do meu pa&iacute;s, que me custeou a forma&ccedil;&atilde;o, mas que merc&ecirc; do seu apego &agrave; estrutura social senhorial, est&aacute; a aniquilar o mais antigo pa&iacute;s europeu.<br> <span></span><br> <span></span> Nas palavras do nosso presidente, uma ideia de fundo &eacute; patente. Dinheirinho. J&aacute; desde antes da crise imobili&aacute;ria (2008), que An&iacute;bal exorta &agrave;s remessas de divisa dos expatriados. Liquidez, liquidez, dinheirinho nos bancos, para colocar a economia a bombar, mas parece que estes neo-escorra&ccedil;ados n&atilde;o caem na esparrela, v&atilde;o e nada mandam, j&aacute; n&atilde;o &eacute; o tuga que trabalha com a colher de pedreiro e a talocha para mandar patacos para a terrinha. Lamento apenas uma &uacute;nica coisa, o desalento que leva grande parte a amaldi&ccedil;oar o pa&iacute;s, o pa&iacute;s n&atilde;o tem culpa nenhuma. Pessoalmente penso que como na&ccedil;&atilde;o nos deslumbr&aacute;mos com o ouro de Bruxelas e o eterno provincianismo, que culminou na manuten&ccedil;&atilde;o e ascens&atilde;o de novos actores nas mesmas estruturas de posse da propriedade e do sistema republicano. Para mim, o cancro &eacute; incur&aacute;vel, sem levar &agrave; morte do paciente, isto &eacute; da Rep&uacute;blica Portuguesa nos moldes actuais.<br> <span></span><br> <span></span> Al&eacute;m do dinheirinho, Cavaco teme a imagem que Portugal tem l&aacute; fora, e n&atilde;o precisa de um pingo de vergonha para pedir aos escorra&ccedil;ados, para passarem custe o que custar, uma ideia de que temos feito grandes esfor&ccedil;os, e que estamos a lutar, com talochas e colheres de pedreiro na m&atilde;o, para inverter aquilo que plane&aacute;mos a partir de 1986. A exorta&ccedil;&atilde;o parece-me t&atilde;o rid&iacute;cula como algu&eacute;m num palco em teatro cheio, virado para os actores pedindo para fazerem pouco barulho para n&atilde;o acordar o p&uacute;blico, que em sess&atilde;o esgotada ainda decide se o presidente de costas voltadas desempenha um papel c&oacute;mico ou tr&aacute;gico.<br> <span></span><br> <span></span> Muitos comentadores recebem e destilam propaganda, 24 horas por dia para justificar a esf&iacute;ngica verborreia de algu&eacute;m de quem sempre se vendeu a imagem de seriedade e sabedoria econ&oacute;mica, afinal o Cavaquist&atilde;o de fundos comunit&aacute;rios foi uma grande experi&ecirc;ncia de governa&ccedil;&atilde;o.<br> <span></span><br> <span></span> Pergunto-me se algu&eacute;m algum dia compor&aacute; uma &oacute;pera ou um filme sobre esta absurda realidade.<br> <span></span><br> <span></span> Resta-me pegar no apelo de An&iacute;bal Cavaco Silva, o segundo pol&iacute;tico com responsabilidades h&aacute; mais tempo no poder, que os resultados do seu trabalho, trabalho, trabalho, est&atilde;o a&iacute;.<br> <span></span><br> <span></span> II<br> <span></span><br> <span></span> Estive algum tempo para conseguir ver o afamado filme &lsquo; A Gaiola Dourada&rsquo; de Ruben Alves, filho de emigrantes portugueses.<br> <span></span><br> <span></span> O filme, agora que esmoreceu a aten&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica, n&atilde;o foi uma surpresa, mas foi muito agrad&aacute;vel. O Ruben conseguiu coloca-lo em levita&ccedil;&atilde;o entre a com&eacute;dia <em>spaguetti</em>, e o fado ladainho do esfor&ccedil;ado emigrante que apenas serviria para a menor aceita&ccedil;&atilde;o do filme.<br> <span></span><br> <span></span> Ficou-se por uma com&eacute;dia de costumes que n&atilde;o chega a ser uma cr&iacute;tica de costumes, que s&oacute; est&aacute; acess&iacute;vel a uma obra de arte.<br> <span></span><br> <span></span> Digo isto sem nega&ccedil;&atilde;o do talento do realizador, mas baseado na minha convic&ccedil;&atilde;o de que este &eacute; um assunto demasiado s&eacute;rio, o filme &eacute; um ultraje. Na minha opini&atilde;o.<br> <span></span><br> <span></span> No filme os portugueses &lsquo;principais&rsquo; &nbsp;s&atilde;o apresentados porteiros e mestres-de-obras, governantas e taxistas, muito trabalhadeiros e humildes. O contexto de fundo &eacute; a az&aacute;fama da vida burguesa, tolita como s&oacute; pode ser a representa&ccedil;&atilde;o urbana da vida, pincelada com cores de plena integra&ccedil;&atilde;o do emigrante.<br> <span></span><br> <span></span> Os protagonistas, s&atilde;o servi&ccedil;ais, abnegados, e submissos em terra alheia, embora cordatos e respeitadores.<br> <span></span><br> <span></span> A aspira&ccedil;&atilde;o &agrave; ascens&atilde;o social revela-se no projecto de Lurdes, e dos dois bacalhaus, e no momento chave do filme, a revela&ccedil;&atilde;o, na qual o casal se apercebe que todos conspiram para que fiquem porque precisam deles, numa rede de conveni&ecirc;ncias pessoais. Nesse momento Maria confessa o desgosto que tem com a sua instrumentaliza&ccedil;&atilde;o, e com a indiferen&ccedil;a dos indiv&iacute;duos &agrave; sua entidade desde que ela continue a providenciar os apreciados servi&ccedil;os como sempre o fez. O portugu&ecirc;s a queixar-se de ser usado.<br> <span></span><br> <span></span> O grito de Ipiranga luso n&atilde;o &eacute; um desejo de liberdade, mas o desabafo de um ressentimento longamente carregado, ilustrado pelo desejo de Maria em ir dizer &agrave; senhora Reichert todas as verdades que n&atilde;o disse ao longo dos anos, em que se esfor&ccedil;ou por ser boa, enquadrada, &uacute;til, num jogo saloio de bola baixa para ter o meu ao fim do m&ecirc;s, e nem um obrigado me d&atilde;o por isso.<br> <span></span><br> <span></span> Que portugu&ecirc;s aparece retratado?<br> <span></span><br> <span></span> O portugu&ecirc;s do pa&iacute;s pobre, que vai ao hotel de luxo e leva a marmita de casa e a mini porque n&atilde;o aprecia a alta cozinha francesa, infeliz com o luxo e o requinte, mais em casa na humildade e comedimento. O portugu&ecirc;s inseguro e bajulador, que se por um lado se apraz com o nascimento do neto em solo p&aacute;trio, por outro n&atilde;o se inibe de imitar a cozinha francesa para os convidados franceses Caillaux, com quem convive h&aacute; 32 anos, para g&aacute;udio de uma filha complexada com a nacionalidade que partilha, e o filho com vergonha da profiss&atilde;o dos pais.<br> <span></span><br> <span></span> &Eacute; o portugu&ecirc;s que confunde Picasso com Peugeot, que diz ao filho para deixar os estudos e viver da bola. &Eacute; o portugu&ecirc;s que no trabalho censura e olha de soslaio Jos&eacute;, se este se d&aacute; melhor com o patr&atilde;o, ou seja &eacute; um portugu&ecirc;s castrador e invejoso, especialmente se Jos&eacute; veste &lsquo;fato &agrave; patr&atilde;o&rsquo;, zombador da integra&ccedil;&atilde;o do compatriota, como se a mesma correspondesse &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o da origem comum.<br> <span></span><br> <span></span> &Eacute; um tuga preocupado com o que dizem dele, com a imagem alheia, que s&oacute; pensa no trabalho e que nem para si s&atilde;o bons, e at&eacute; Jos&eacute; quando o filho lhe diz que n&atilde;o quer fazer a mesma profiss&atilde;o que o pai, lhe responde que ainda bem, apesar de quer Jos&eacute; quer Maria se sentirem com remorsos de maus servi&ccedil;os propositadamente prestados por vingan&ccedil;a, n&atilde;o particularmente por brio, mas por n&atilde;o querer desiludir, isto &eacute; dar cabo da imagem, os outros, os &lsquo;patr&otilde;es&rsquo;.<br> <span></span><br> <span></span> A pitada mais genial culmina com o Porsche Cayenne com atrelado atr&aacute;s, por uma estrada rumo a Portugal, viatura que custa cerca de metade do que rende anualmente a heran&ccedil;a de Jos&eacute;, numa clara alus&atilde;o &agrave; capacidade de gest&atilde;o portuguesa. Porsche que ser&aacute; lavado na bica da propriedade vin&iacute;cola dos donos, a quem a riqueza sobe &agrave; cabe&ccedil;a para comprar um carro de rico mas n&atilde;o para mandar os outros lavar o carro, agora que podem pagar.<br> <span></span><br> <span></span> Ruben retrata o portuguesinho, e n&atilde;o o portugu&ecirc;s, pois n&atilde;o o conhece. E portanto considero o seu filme, como a maior prova daquilo que pretende expor ou denunciar, o complexo. Este filme &eacute; redutor e complexado, pejado de estere&oacute;tipos, como o pastel de bacalhau, o fado para turistas, o tremo&ccedil;o engolido com casca, e a emotividade gestual que talvez encontre eco em It&aacute;lia ou em alguma aldeia portuguesa apenas habitada por surdos-mudos.<br> <span></span><br> <span></span> Os franceses n&atilde;o s&atilde;o melhor representados, o patr&atilde;o &eacute; um porreira&ccedil;o que chantageia Jos&eacute; com o despedimento dos outros portugueses, no intuito de ganhar uma obra, os franceses neste filme parecem uns atadinhos, incapazes de clarivid&ecirc;ncia, desenrasco ou de resolverem os seus problemas, adoram vinho do Porto e meter os compatriotas no seu lugar.<br> <span></span><br> <span></span> O filme foi um sucesso. Projectou a imagem dos portugueses como Cavaco a pretende. Como Salazar a pretendia tamb&eacute;m, trabalhadeiros, honrados, humildes.<br> <span></span><br> <span></span> Nada se fala das agruras, da expuls&atilde;o, dos sacrif&iacute;cios, das noites de choro, dos regressos estivais revanchistas com altas viaturas e vivendas constru&iacute;das com telha preta, nem da persist&ecirc;ncia do franc&ecirc;s em terras nacionais e da l&iacute;ngua de Cam&otilde;es em terras de Flaubert, apenas para diferenciar o falante.<br> <span></span><br> <span></span> &Eacute; um bom filme. &Eacute; um filme complexado, bom para nos deixar satisfeitos com n&oacute;s pr&oacute;prios.<br> <span></span><br> <span></span> Os portuguesinhos burguesinhos podem continuar a achar bonacheirona esta di&aacute;spora, e a ignorar os 5 milh&otilde;es de portugueses for&ccedil;ados a abandonar a sua terra. Os franceses podem continuar a alimentar os seus preconceitos, num ambiente parolo ditado pelas leis da economia e da m&aacute; escolha pol&iacute;tica.<br> <span></span><br> <span></span> A inten&ccedil;&atilde;o do filme &eacute; homenagear os portugueses. A de Cavaco ser&aacute; de resolver a coisa pelo melhor. Com tanta inten&ccedil;&atilde;o boa, somos mesmo uns azarados.<br> <span></span><br> <span></span> <!--[if gte mso 9]>        <![endif]--> </div> ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Doce celebração da clausura]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/doce-celebrao-da-clausura]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/doce-celebrao-da-clausura#comments]]></comments><pubDate>Fri, 27 Dec 2013 00:58:57 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/respublica/doce-celebrao-da-clausura</guid><description><![CDATA[         I &ndash; Biologia debaixo dos bytes    O Facebook (doravante FB) &eacute; uma rede social em suporte inform&aacute;tico que permite a interac&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duos, quer estes estejam organizados ou agrupados ou n&atilde;o. A sua pertin&ecirc;ncia actual reside na sua capacidade de ligar v&aacute;rios indiv&iacute;duos de dispares proveni&ecirc;ncias e contextos, em torno de uma &aacute;rea consensual e supostamente neutra, o FB com o seu mural.    &Eacute; considera [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-thin " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/9948348_orig.jpg" alt=" Imagem " style="width:100%;max-width:182px" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph" style="text-align:left;">  I &ndash; Biologia debaixo dos bytes<br /><span></span><br /><span></span>    O Facebook (doravante FB) &eacute; uma rede social em suporte inform&aacute;tico que permite a interac&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duos, quer estes estejam organizados ou agrupados ou n&atilde;o. A sua pertin&ecirc;ncia actual reside na sua capacidade de ligar v&aacute;rios indiv&iacute;duos de dispares proveni&ecirc;ncias e contextos, em torno de uma &aacute;rea consensual e supostamente neutra, o FB com o seu mural.<br /><span></span><br /><span></span>    &Eacute; considerado uma coisa boa, uma ferramenta de comunica&ccedil;&atilde;o, e pouca gente h&aacute;, que n&atilde;o o use. Quem o usa sente-se reconfortado por agregar num espa&ccedil;o ordenado e delimitado, a sua rede de conhecimentos e rela&ccedil;&otilde;es, uma esp&eacute;cie de &lsquo;cliente de email&rsquo; de amigos. O amigo ou o conhecido est&atilde;o &agrave; dist&acirc;ncia de um click de rato.<br /><span></span><br /><span></span>    O FB &eacute; uma aut&ecirc;ntica base de dados sobre pessoas, grupos, movimentos, institui&ccedil;&otilde;es, etc. &Eacute; uma base de dados que se autoactualiza para g&aacute;udio dos protectores da lei e ordem ou dos servi&ccedil;ais do &lsquo;Big Brother&rsquo;. Todos sabemos disso, em maior ou menor grau, e por mais patranhas que a comunica&ccedil;&atilde;o social tente engendrar.<br /><span></span><br /><span></span>    O FB n&atilde;o foi a primeira rede social, mas &eacute; at&eacute; ao momento a mais bem sucedida, tendo entrado recentemente em bolsa e tudo. Capitaliza este sucesso em torno do seu formato, que se baseia em duas atitudes inatas do macaco homem, a) a curiosidade acerca dos &lsquo;populares&rsquo; da tribo, e b) o conhecimento da tribo no geral.<br /><span></span><br /><span></span>  Na primeira premissa que a antropog&eacute;nese nos legou, h&aacute; o mecanismo do &lsquo;segue o l&iacute;der&rsquo; e o da compara&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao &lsquo;sucesso&rsquo; no meio social.<br /><span></span><br /><span></span>  Na segunda, o estabelecimento de alian&ccedil;as e liga&ccedil;&otilde;es com outros elementos segue os padr&otilde;es simiescos do comportamento da nossa especial esp&eacute;cie de primatas, observ&aacute;vel em qualquer programa de vida animal.<br /><span></span><br /><span></span>    A nossa tribo alargada &eacute; o &lsquo;mundo&rsquo;. O FB alia estas ra&iacute;zes do comportamento com o formato do livro de curso ou &lsquo;yearbook&rsquo; que era uma esp&eacute;cie de almanaque em que as escolas americanas ou clubes de basebol registavam a passagem dos indiv&iacute;duos em determinada fase da sua vida e percurso escolar.<br /><span></span><br /><span></span>  Subjacente, a j&aacute; conhecida din&acirc;mica entre o &lsquo;popular&rsquo; e o &lsquo;looser&rsquo;&nbsp; (<a title="" href="http://www.raistapartisse.com/5/post/2012/09/aguarela-chuva.html">http://www.raistapartisse.com/5/post/2012/09/aguarela-chuva.html</a>)<br /><span></span><br /><span></span>  A dualidade entre vencedores e vencidos da vida numa esp&eacute;cie de cat&aacute;logo precoce em jeito de adivinha&ccedil;&atilde;o.<br /><span></span><br /><span></span>  Este &eacute; o &lsquo;yearbook&rsquo; que se transformou na &eacute;poca digital em face-book, com as fotos, os desabafos, as cita&ccedil;&otilde;es e toda a parafern&aacute;lia que s&oacute; a banda larga agora permite.<br /><span></span><br /><span></span>      A ideia de neg&oacute;cio foi sabiamente elaborada (ou copiada e comprada) por Zuckerberg, ainda estudante, colocando em suporte inform&aacute;tico a humana e comezinha propriedade de querer actualizar o conhecimento de pessoas que fizeram de alguma forma parte da sua vida, no passado, que partilham o nosso presente e que constituem uma promessa potencial para o futuro.<br /><span></span><br /><span></span>  Durante alguns anos, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social promoveram esta rede com not&iacute;cias do grupo cada vez maior de utilizadores, que correspondia &agrave; popula&ccedil;&atilde;o pa&iacute;s x ou z, ou de supostos dramas em torno da utiliza&ccedil;&atilde;o do FB por famosos, comuns, empresas que despediam ap&oacute;s saberem de pecados dos empregados (<a href="http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=3601992&amp;especial=Revistas%20de%20Imprensa&amp;seccao=TV%20e%20MEDIA">aqui</a>), e outros casos relevantes.<br /><span></span><br /><span></span>  Esta aten&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica (partilhada com uma incompreens&iacute;vel venera&ccedil;&atilde;o aos produtos da Apple) &eacute; perturbadora e recebe tons de actualidade tecno-sociol&oacute;gica, mas nada mais &eacute; que propaganda e tecnologia para analfabetos em tecnologia. Poder&aacute; ser o target almejado ou apenas desinforma&ccedil;&atilde;o.<br /><span></span><br /><span></span>  II &ndash; A falha de amor-pr&oacute;prio<br /><span></span><br /><span></span>  O FB &eacute; assim uma ferramenta ao mesmo tempo que uma falha de car&aacute;cter de amor-pr&oacute;prio.<br /><span></span><br /><span></span>  &Eacute; uma plataforma de engate, meio de divulga&ccedil;&atilde;o, de comunica&ccedil;&atilde;o, mobiliza&ccedil;&atilde;o, entre indiv&iacute;duos, grupos homog&eacute;neos, em parte jornal, cart&atilde;o-de-visita ou publicidade em massa.<br /><span></span><br /><span></span>    &Eacute; uma falha de amor-pr&oacute;prio e de car&aacute;cter porque no &iacute;ntimo, no nosso &iacute;ntimo, a encoberto do anonimato n&atilde;o conseguimos evitar bisbilhotar a vida de outros, que t&atilde;o facilmente nos facultam online parte dela.<br /><span></span><br /><span></span>  &nbsp;Seja para ajuizar do nosso grau de &lsquo;sucesso&rsquo; seja apenas por curiosidade, h&aacute; qualquer coisa nesta nossa curiosidade que cheira a falha de car&aacute;cter. Dificil de definir, dif&iacute;cil de escapar, da vontade de saber dos outros que participaram na narrativa da nossa vida, como est&atilde;o, se est&atilde;o bem, como est&atilde;o.<br /><span></span><br /><span></span>    Em surdina por&eacute;m se levantam duas quest&otilde;es.<br /><span></span><br /><span></span>  Se a nossa curiosidade &eacute; genu&iacute;na, porque &eacute; que a maior parte dos nossos amigos no nosso perfil s&atilde;o pessoas que n&atilde;o vimos, falamos h&aacute; anos, apenas ali ficando em banho maria, medalhas desta nossa curiosidade, sem troca de palavras, s&oacute; porque de certa forma temos receio de alienar algu&eacute;m que fez parte do nosso passado?<br /><span></span><br /><span></span>    Que pureza de amor filial &eacute; essa, que n&atilde;o teve intensidade suficiente para que f&ocirc;ssemos &agrave; procura destas pessoas que agora ao fim de tanto tempo s&atilde;o amigos &lsquo;imprescind&iacute;veis&rsquo;?<br /><span></span><br /><span></span>    Pode-se dizer tal como quando se mete um pai ou uma m&atilde;e num lar decr&eacute;pito, que &lsquo;&eacute; a vida e o seu curso&rsquo;? H&aacute; aqui qualquer coisa de esquiz&oacute;ide.<br /><span></span><br /><span></span>  Pessoas importantes da nossa vida de quem perdemos contacto e que s&oacute; agora atrav&eacute;s da comodidade do FB, retomamos na nossa vida, e do seu curso. Quem quer consegue, quem n&atilde;o quer, consegue desculpas?<br /><span></span><br /><span></span>  Concedo a poss&iacute;vel inexactid&atilde;o do que aqui considero. Mas n&atilde;o se pode negar a sua pertin&ecirc;ncia.<br /><span></span><br /><span></span>  Propagandeado, o FB &eacute; uma forma de unir amigos do mundo real que nunca o foram realmente, apenas amigos de circunst&acirc;ncia. S&oacute; mant&eacute;m amigos de circunst&acirc;ncia quem por falha de car&aacute;cter age na vida como rapace oportunista, e quem por falha de amor-pr&oacute;prio n&atilde;o ache merecer algo de melhor. Ambos unidos pela pobreza de esp&iacute;rito que asfixia qualquer intervalo reflexivo sobre o assunto.<br /><span></span><br /><span></span>  III &ndash; Amizades de circunst&acirc;ncia<br /><span></span><br /><span></span>  Fomos amigos de circunst&acirc;ncia quando nos conhecemos, convivemos em determinado espa&ccedil;o e tempo, e perpetuamos essa amizade de circunst&acirc;ncia no FB em nome da mem&oacute;ria das pessoas que &eacute;ramos e j&aacute; n&atilde;o somos, celebrando um tempo ido que nos carrega mais jovens por contraponto ao&nbsp; tempo presente.<br /><span></span><br /><span></span>  Fora o facto desta amizade de circunst&acirc;ncia, a actualiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o sobre as figuras que de alguma forma nos marcaram, revela o mecanismo interno profundo segundo o qual nos comparamos com os outros (de quem dizemos ser amigos) e ajuizamos sobre o decurso das suas vidas. Em parte e por isso, h&aacute; uma grande preocupa&ccedil;&atilde;o em compor o ramalhete do nosso perfil, imagem visit&aacute;vel com agrad&aacute;veis epit&aacute;fios, porque sabemos que outros vir&atilde;o bisbilhotar o nosso trajecto e &lsquo;sucesso&rsquo;.<br /><span></span><br /><span></span>  Assim, a virtualidade facebookiana &eacute; uma rede de fic&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o compostas por fotos escolhidas a dedo, informa&ccedil;&atilde;o lisonjeira que em conjunto comp&otilde;e a imagem de n&oacute;s que queremos que os outros tenham, tecida com paci&ecirc;ncia de aranha chinesa. <br /><span></span><br /><span></span>  Sob a ideia superficial de que apenas partilhamos a nossa vida (louca que n&atilde;o deixou aprofundar amizades) com os nossos amigos de circunst&acirc;ncia, o que no fundo fazemos &eacute; vender uma imagem que tecemos, engolimos e projectamos de n&oacute;s pr&oacute;prios.<br /><span></span><br /><span></span>  O que fazemos &eacute; trocar a nossa fic&ccedil;&atilde;o composta por aquilo que achamos que os outros v&atilde;o achar de n&oacute;s, e que por sua vez confirmar&aacute; a nossos olhos, a fic&ccedil;&atilde;o que cri&aacute;mos, num loop de feedback, num c&iacute;rculo vicioso neur&oacute;tico, que deixa de fora como uma bota no gl&uacute;teo, a tal vida real, a que se faz nos entretantos do que se tenta mostrar.<br /><span></span><br /><span></span>    &Eacute; certo que os nossos momentos menos bons ou rotineiros n&atilde;o interessam aos nossos amigos de circunst&acirc;ncia a n&atilde;o ser que confirmem a imagem que queremos projectar, nem a banalidade da nossa vida agrada aos amigos e conhecidos mas pode ser usada como hino eg&oacute;ico &agrave; pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia tentando mobilizar para a especialidade do seu umbigo, outros militantes que padecem das mesmas congemina&ccedil;&otilde;es de uma vida cruel suplantada p&ecirc;los achaques infantis de &lsquo;OMG fila para o caf&eacute; de meia hora&rsquo; ou &lsquo;Entornei o caf&eacute; nas cal&ccedil;as, que mais me vai acontecer hoje?!&rsquo;, desabafos sobre o &uacute;ltimo jogo de bola, ou leituras elementares de acontecimentos pol&iacute;ticos, celebrando uma noitada, almo&ccedil;arada &nbsp;ou ainda o cl&aacute;ssico &lsquo;So many bastards so few bullets&rsquo;.<br /><span></span><br /><span></span>  Isto serve o prop&oacute;sito duplo de angariar cumplicidades de quem se presta a estas celebra&ccedil;&otilde;es egoc&ecirc;ntricas denotadas sob o adjectivo &lsquo;vida&rsquo;, na fantasia colectiva elaborada a imensas m&atilde;os, de um mundo supostamente universal, onde a tirania de um chefe no trabalho provoca mais exaspera&ccedil;&atilde;o que o trabalho infantil envolvido nos gadgets que se dedilham para postar desabafos no mural &agrave; espera de compreens&atilde;o e apoio nas pequeninas cruzadas.<br /><span></span><br /><span></span>    As b&aacute;sicas indaga&ccedil;&otilde;es dadas como profundas cogita&ccedil;&otilde;es metaf&iacute;sicas s&oacute; porque sa&iacute;das do am&acirc;go do umbigo, assumem portanto ou uma genu&iacute;na indaga&ccedil;&atilde;o por informa&ccedil;&atilde;o, ou uma interroga&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica que visa somente suscitar coment&aacute;rios e empatias.<br /><span></span><br /><span></span>  IV &ndash; Adro da emo&ccedil;&atilde;o<br /><span></span><br /><span></span>  O desabafo &eacute; libertado de v&aacute;rias maneiras, visa n&atilde;o s&oacute; chamar aten&ccedil;&atilde;o, como alertar para a pertin&ecirc;ncia ou sagacidade do emissor que escreve, cita, comenta ou comunica postando imagens, geralmente enunciando a incompet&ecirc;ncia alheia , feitios dif&iacute;ceis alheios, e castigo f&iacute;sico a condizer.<br /><span></span><br /><span></span>    A fr&iacute;vola celebra&ccedil;&atilde;o pessoal assume uma mir&iacute;ade de formas, o que interessa &eacute; ser-se apercebido e valorizado, na virtualiza&ccedil;&atilde;o online das mesmas formas de relacionamento social que se observam facilmente na &lsquo;casa dos segredos&rsquo; ou em qualquer <em>sitcom</em> de gosto d&uacute;bio e falsas gargalhadas.<br /><span></span><br /><span></span>  A celebra&ccedil;&atilde;o da frivolidade por vezes corresponde a uma certa disposi&ccedil;&atilde;o de esp&iacute;rito burgu&ecirc;s e pouco elaborado, que visa acolher considera&ccedil;&atilde;o por insufici&ecirc;ncia end&eacute;mica pr&oacute;pria.<br /><span></span><br /><span></span>  Quem tenta chamar aten&ccedil;&atilde;o para a sua vida necessita de aten&ccedil;&atilde;o, de se sentir especial, e acalenta no fundo a cren&ccedil;a de que a sua vida ou n&atilde;o vale nada, ou em casos extremos que a sua vida merece mais aten&ccedil;&atilde;o que a devida.<br /><span></span><br /><span></span>  Estes prop&oacute;sitos encaixam como luva no formato do Facebook na medida em que servem a finalidade de mostrar, como em montra, da venda de n&oacute;s pr&oacute;prios usando os outros como caixa-de-resson&acirc;ncia. Seja a imagem de uma nova tatuagem na pernoca, a cara de um filho feliz a comer algod&atilde;o doce, um v&iacute;deo sobra a tropa/pol&iacute;cia/bombeiros (geralmente por militares, pol&iacute;cias ou bombeiros), de festas, estilos de vida, degraus da vida, happenings da Remax, em &aacute;lbuns fotogr&aacute;ficos que colam o individuo &agrave; pe&ccedil;a de teatro que representa &agrave; espera das palmas.<br /><span></span><br /><span></span>  A cria&ccedil;&atilde;o do nosso alter ego digital para consumo pr&oacute;prio e alheio, &eacute; a mais profunda manifesta&ccedil;&atilde;o da sociedade do espect&aacute;culo e da nossa transforma&ccedil;&atilde;o em produto fict&iacute;cio. O facebook &eacute; apenas mais uma das passerelles deste desfile.<br /><span></span><br /><span></span>  O sujeito de copo de gin na m&atilde;o em festas da &lsquo;vida loca&rsquo; em perfil do linkedin aparece com respeit&aacute;vel fato de macaco azul ou fato de colarinho branco, afinal com o trabalho n&atilde;o se brinca, numa estonteante m&uacute;ltipla personalidade, que o transforma tamb&eacute;m, em si-pr&oacute;prio de circunst&acirc;ncia.<br /><span></span><br /><span></span>  Mesmo os que se esfor&ccedil;am por criar uma imagem &lsquo;s&eacute;ria&rsquo;, limpa, neutra, profissional, no&nbsp; Facebook, ocasionalmente colocam fotos de um destino de sonho, liga&ccedil;&otilde;es para artigos da &lsquo;sua&rsquo; &aacute;rea, celebrando o mart&iacute;rio de uma seriedade grave que reveste o mundo deles e dos ing&eacute;nuos restantes. <br /><span></span><br /><span></span>  Os mesmos que celebram as virtudes familiares, atrav&eacute;s do di&aacute;rio fotogr&aacute;fico p&uacute;blico, revelando todas as fr&iacute;volas tragicom&eacute;dias partilh&aacute;veis empaticamente por outros semelhantes que navegam na mesma camada de superf&iacute;cie acerca das coisas, celebrando assim a comum zona de conforto, postam um retrato dos filhos de manh&atilde; a tomar o seu infantil banho, enquanto &agrave; tarde exigem mais controlo do flagelo da pedofilia. As defini&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a da plataforma s&atilde;o fi&aacute;veis e por isso ningu&eacute;m pode ver o que n&atilde;o se quer visto, a n&atilde;o ser o improv&aacute;vel amigo do amigo de circunst&acirc;ncia da lista de 500 e tal de perfeitas condi&ccedil;&otilde;es mentais.<br /><span></span><br /><span></span>    &Eacute; no facebook que parcelas da nossa personalidade se relaciona com as parcelas de personalidades de outros.<br /><span></span><br /><span></span>  Parcelas de personalidade relacionam-se com parcelas de personalidade de amigos de circunst&acirc;ncia num mundo virtual e fruto da nossa fantasia paran&oacute;ica. Esta &eacute; a realidade. E esta &eacute; a realidade defendida por quem leva t&atilde;o a s&eacute;rio o seu mural. Sob o v&eacute;u da normalidade escondem-se personalidades ocas ou com instru&ccedil;&atilde;o deficiente, que andam no mundo por ver andar os outros, contentando-se com o mastigar do mesmo feno que todos os outros ruminam, encontrando na normalidade o conforto e a seguran&ccedil;a que se lhes escapa de uma vida reflectida. Quem leva muito a s&eacute;rio as coisas que colocas ou comentas no seu mural, &eacute; sob este ponto de vista, e sob a capa de uma defesa de um espa&ccedil;o p&uacute;blico da sua imagem, um ser neur&oacute;tico e inseguro, que foge da cogita&ccedil;&atilde;o interior e apenas deseja fazer de si e do que o rodeia aquilo que acha que os outros fazem ou acham que deve ser feito. &Eacute; uma &lsquo;maria vai com as outras&rsquo;, um camale&atilde;o social que vingaria na tribo e no tecido social tribal, adaptando-se a todas as alian&ccedil;as e guerrilhas, mas nunca ser&aacute; um original, apenas uma caixa-de-resson&acirc;ncia, adaptado ao seu contexto, mas menos humanizado porque n&atilde;o digno de se dedicar &agrave; sua espiritualidade.<br /><span></span><br /><span></span>    Ao bloquearem os outros que lhes trolam os perfis, os s&eacute;rios, os respeit&aacute;veis, v&atilde;o mantendo o mundo real da falsidade, ou da realidade falseada, ou da realidade limitada, marcando o ritmo de um voyerismo e exibicionismo que nos caracterizam a vis&atilde;o do mundo que se sucede a cada instante, no lar de c&oacute;rtex mam&iacute;fero de seguir e imitar o l&iacute;der, aspirar &agrave; lideran&ccedil;a e adaptar-se &agrave; tribo.<br /><span></span><br /><span></span>    No facebook a adapta&ccedil;&atilde;o passa pelas refer&ecirc;ncias &agrave; actualidade, &agrave; m&uacute;sica, aos happenings, gadgets, numa rota&ccedil;&atilde;o da roda do tempo que traz o mesmo sempre sob a capa do novo, o novo nada &eacute; sen&atilde;o a repeti&ccedil;&atilde;o do mesmo.<br /><span></span><br /><span></span>    O mundo da actualidade n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o a manifesta&ccedil;&atilde;o infantil e tagarela de perten&ccedil;a &agrave; tribo.<br /><span></span><br /><span></span>  Tal como no futebol de massas nos sentimos perten&ccedil;a da tribo alargada lusitana, no facebook postamos para nos sentirmos actualizados e vistos como actuais p&ecirc;los nossos pares, por aquelas fic&ccedil;&otilde;es que achamos que fizeram parte da nossa vida. <br /><span></span><br /><span></span>  Procura-se o novo, o viral, o chocante, raramente algu&eacute;m revela um pensamento parido na solitude reflexiva, ponderado e amadurecido, e al&eacute;m de aforismo insond&aacute;vel. Antes se prefere a cita&ccedil;&atilde;o os lugares comuns, de famosos ou pseudo famosos com frases motivacionais para a vida fora de contexto que passam por sabedoria.<br /><span></span><br /><span></span>    V &ndash; as ci&ecirc;ncias da motiva&ccedil;&atilde;o<br /><span></span><br /><span></span>  Funciona assim em parte o facebook como poderoso engodo para um simulacro de rede social genu&iacute;na, auto actualiz&aacute;vel, placebo para a solid&atilde;o.<br /><span></span><br /><span></span>  A motiva&ccedil;&atilde;o neuro lingu&iacute;stica, o optimismo abnegado e autista, que esteia as op&ccedil;&otilde;es de muitas pessoas que furiosamente se dedicam a ser felizes, e partilham com os outros os seixos que pavimentaram o seu caminho para o sucesso, como se os outros n&atilde;o soubessem ser felizes, ou como se apenas existisse um caminho para a felicidade, que passa pelas c&atilde;ibras nos l&aacute;bios de manter &agrave; for&ccedil;a um sorriso constante.<br /><span></span><br /><span></span>  Prolifera um acervo assustador de m&aacute;ximas ou motes imbecis e gen&eacute;ricos, e este optimismo abnegado mascarado de postura de bem com a vida, acr&iacute;tico, extirpa ou trata como crian&ccedil;a qualquer parcela de ser humano virtual, assolada pela d&uacute;vida ou pela certeza do engodo que exige pagamento pelo meio do caminho de seixos, extirpa bloqueando, pois este negativo vem aqui dar cabo das energias. Positivas.<br /><span></span><br /><span></span>  O &lsquo;The secret&rsquo; o Dale Carnegie e outros s&atilde;o mantras ideol&oacute;gicos que dispensam o esp&iacute;rito cr&iacute;tico, em arraiais de <em>franchisings</em> norte americanos de sistemas de sucesso e felicidade, para os quais &eacute; necess&aacute;rio ordenar a mente e seguir certos m&eacute;todos e semin&aacute;rios. <br /><span></span><br /><span></span>  Como em tudo ent&atilde;o se revela o facebook, como a melhor ferramenta de venda, de uma imagem da &lsquo;vida&rsquo;. De um conjunto de princ&iacute;pios que constituem uma mundivid&ecirc;ncia. Uma superestrutura, (da qual os participantes dispensam a troca de ideias com os &lsquo;opositores&rsquo;, abnegados a ser felizes), reverenciando a cita&ccedil;&atilde;o por mais est&uacute;pida que seja s&oacute; porque reflecte uma cren&ccedil;a interior pr&oacute;pria.<br /><span></span><br /><span></span>  VI &ndash; Os habitantes<br /><span></span><br /><span></span>  O facebook enquanto suposto espa&ccedil;o de liberdade comunicativa, atrai v&aacute;rios tipos de transeuntes.<br /><span></span><br /><span></span>  Organiz&aacute;-los, enumer&aacute;-los &eacute; ingl&oacute;rio e in&uacute;til. Mas podemos enquadr&aacute;-los de acordo com os seus humores e inten&ccedil;&otilde;es.<br /><span></span><br /><span></span>  H&aacute; os positivos e os negativos.<br /><span></span><br /><span></span>  Quer num p&oacute;lo quer noutro, h&aacute; diversos tons e grada&ccedil;&otilde;es. No lado positivo, come&ccedil;amos por pessoas que usam o fb de forma neutra isto &eacute;, postam pouco, e usam-no apenas como agenda de contactos que precisem contactar, s&atilde;o aut&ecirc;nticas miragens e sabemos que existem e est&atilde;o vivos atrav&eacute;s daqueles que os tagam em fotos.<br /><span></span><br /><span></span>  Depois dos neutros temos os s&eacute;rios que usam o fb como algo de muito s&eacute;rio e profissional, &eacute; o daddy respons&aacute;vel ou a empregada de escrit&oacute;rio que veste fato. Postam pouco, sobre assuntos mon&oacute;tonos que julgam perceber e dominar, e a sua cren&ccedil;a de que interessam estes assuntos aos outros s&oacute; tem par com a gravidade e fatalismo dos seus ju&iacute;zos quando chamados a emitir opini&atilde;o sobre o que pensam saber. Geralmente, se s&atilde;o economistas ou fiscalistas, no zeitgeist presente, tornam-se em sarc&aacute;sticos or&aacute;culos cujas senten&ccedil;as provam apodicticamente que a Economia e a Fiscalidade, s&atilde;o mesmo ci&ecirc;ncias exactas. Os mais grunhos d&atilde;o-se inclusive ao trabalho de emitir senten&ccedil;as e solu&ccedil;&otilde;es para Portugal, que n&atilde;o anda para a frente por causa de pessoas que n&atilde;o pensam como eles, e n&atilde;o veneram certas escolas de pensamento econ&oacute;mico.<br /><span></span><br /><span></span>  Depois temos a grande maioria de utilizadores, que posta um pouco de tudo, especialmente das pequenas coisas que se passam na sua vida privada, revelando uma necessidade de aten&ccedil;&atilde;o, e de trazer normalidade e &lsquo;invejabilidade&rsquo; para a sua exist&ecirc;ncia, postando a sua &lsquo;vida loca&rsquo; de almo&ccedil;os em hor&aacute;rio laboral, f&eacute;rias em destinos paradis&iacute;acos e noitadas em s&iacute;tios da moda, numa pan&oacute;plia de exibicionismo que mostre aos outros que o sujeito em quest&atilde;o &eacute; bem-sucedido e sabe viver a vida, por contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s formigas a quem s&oacute; resta invejar. <br /><span></span><br /><span></span>  Outras tagarelices s&atilde;o a atrac&ccedil;&atilde;o para a vida corrente, como as fotos sobre sushi caseiro, a lareira acesa, abra&ccedil;ados aos filhos como em &aacute;lbum de fam&iacute;lia, etc., na celebra&ccedil;&atilde;o da classe m&eacute;dia aburguesada que a si mesma se celebra. M&uacute;ltipla e variada, como s&oacute; a classe m&eacute;dia consegue ser.<br /><span></span><br /><span></span>  Gradualmente at&eacute; ao p&oacute;lo negativo encontramos aqueles que usam o fb como meio de divulga&ccedil;&atilde;o, de produtos motivacionais, esquemas de neg&oacute;cio f&aacute;cil, esquemas ponzi, blogs, grupos, bandas musicais, etc. &hellip;<br /><span></span><br /><span></span>  Temos os goz&otilde;es que usam o facebook para postar fotos chocantes ou ir&oacute;nicas, links caricatos, numa demonstra&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o levam o espa&ccedil;o demasiado a s&eacute;rio, mas ainda assim respeitam quem o frequenta, apesar de sentirem ser contra o &lsquo;sistema&rsquo;.<br /><span></span><br /><span></span>  No espectro diametralmente oposto, temos os goz&otilde;es e os trolls. Os goz&otilde;es gozam pela negativa, isto &eacute; provocando e inflamando para se sentirem importantes. <br /><span></span><br /><span></span>  Como os outros j&aacute; abordados, utilizam o pr&oacute;ximo como meio para obter algo.<br /><span></span><br /><span></span>  O chamado troll, &eacute; uma criatura irritante e profusamente bloqueada, que provoca e alimenta-se de onde quer que haja uma discuss&atilde;o. Na maior parte das vezes &eacute; aquele tipo de pessoa que pressente a falsidade da rede social, e sente-se desadequado do mundo de Pollyanna em que observa os outros. N&atilde;o perde uma ocasi&atilde;o para inflamar ou provocar, o que lhe causa ostracismo e at&eacute; inimizades no mundo real daqueles que levam o facebook demasiado a s&eacute;rio.<br /><span></span><br /><span></span>  N&atilde;o acredita e n&atilde;o respeita a sacralidade do espa&ccedil;o desta imagem p&uacute;blica que considera falsa logo pass&iacute;vel de gozo, e desafio. Ofende-se com a gratuidade dos bloqueios e com a sua desadequa&ccedil;&atilde;o da era digital, o que s&oacute; lhe aumenta o amargor e a vontade de gozar com os cordeiros que bezerram.<br /><span></span><br /><span></span>  Onde quer que intervenha &eacute;&nbsp; mal visto. A sua energia revolucion&aacute;ria &eacute; negativa e sobe ou desce sempre com o grau de coment&aacute;rios e posts polidos e assexuados que l&ecirc;, deitando-se sozinho &agrave; noite com raiva dos broncos que celebram a futilidade para g&aacute;udio comum, acossado pela indiferen&ccedil;a com que o brindam e convicto de que como S&oacute;crates apenas luta por um pouco mais de espinha e autenticidade. S&oacute;crates era um troll.<br /><span></span><br /><span></span>    Como rede social, o facebook &eacute; uma experi&ecirc;ncia de pensamento fascinante. Os seus habitantes geralmente consideram o &lsquo;seu&rsquo; perfil ficcionado como um espa&ccedil;o de imagem p&uacute;blica que concedem aos outros para se relacionarem, e que portanto a sua imagem est&aacute; em jogo nesse espa&ccedil;o virtual, mesmo que seja uma imagem de faz de conta na medida em que n&atilde;o passa de uma dramatis personae elaborada para sacar dos outros alguma coisa que alicia ao sujeito&hellip; que se considera dono do perfil de uma plataforma que n&atilde;o lhe pertence, e para a qual &eacute; chamado a participar para ser espiado. Defendem esta imagem desejada de modo viril, com o &uacute;nico poder digital que lhes resta, retirar o outro da sua esfera de amizade, limpar as energias no mural, e continuar o prolongamento da f&aacute;bula.<br /><span></span><br /><span></span>                                    <!--[if gte mso 9]>        <![endif]--></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Auto racismo II]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/auto-racismo-ii]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/respublica/auto-racismo-ii#comments]]></comments><pubDate>Thu, 05 Dec 2013 01:11:38 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/respublica/auto-racismo-ii</guid><description><![CDATA[        Emerso nesta ideia de que os portugueses s&atilde;o racistas, (n&atilde;o suportam portugueses), tenho vogado pelas ruas tentando estar sempre atento a esta ditadura dos loiros, inc&oacute;gnita para os mesmos.Que &eacute; feito dos morenos? Quem, al&eacute;m de Cam&otilde;es, disse que o povo v&atilde;o aprecia os n&oacute;rdicos tra&ccedil;os e n&atilde;o os negros cabelos e os bonitos olhos castanhos?Mas n&atilde;o &eacute; o povo que pendura cartazes.Nem &eacute; o povo que &eacute;  [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-thin " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/41430_orig.jpg" alt=" Imagem " style="width:100%;max-width:865px" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph" style="text-align:left;"> Emerso nesta ideia de que os portugueses s&atilde;o racistas, (n&atilde;o suportam portugueses), tenho vogado pelas ruas tentando estar sempre atento a esta ditadura dos loiros, inc&oacute;gnita para os mesmos.<br /><span>Que &eacute; feito dos morenos? Quem, al&eacute;m de Cam&otilde;es, disse que o povo v&atilde;o aprecia os n&oacute;rdicos tra&ccedil;os e n&atilde;o os negros cabelos e os bonitos olhos castanhos?<br /><span><br /><span>Mas n&atilde;o &eacute; o povo que pendura cartazes.Nem &eacute; o povo que &eacute; loiro de olho azul. Esta ideia toda sai da m&atilde;o dos publicit&aacute;rios que fazem muito mais que comprar an&uacute;ncios de fora ou imagens de outros pa&iacute;ses, eles fazem an&uacute;ncios c&aacute; e com malta de c&aacute;, curioso &eacute; que proporcionalmente os morenos estejam t&atilde;o mal representados neste esp&eacute;cie de imag&eacute;tica para as massas.<br /><span><br /><span>No cartaz acima temos uma inten&ccedil;&atilde;o de propaganda pol&iacute;tica aliada a um desejo de mobiliza&ccedil;&atilde;o e pensamento positivo.<br /><span>Num pa&iacute;s urban&iacute;sticamente ca&oacute;tico, colocar uma crian&ccedil;a num acto de propaganda &eacute; de mau gosto, acima de tudo quando se diz que Albergaria-a-Velha &eacute; nova e foi feita a pensar em ti (jovem alfabetizado).<br /><span>Vale pela inten&ccedil;&atilde;o da imagem pois a n&iacute;vel de uma desconstru&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma anedota, desde logo pela associa&ccedil;&atilde;o de uma Junta de Freguesia a um plano de potencia&ccedil;&atilde;o da juventude, nado e criado por certo em 4 anos de potencial mandato.&nbsp; A utiliza&ccedil;&atilde;o de uma crian&ccedil;a e de uma imagem de dinamismo em prol de crian&ccedil;as, &eacute; mensagem que se destina a adultos, a crian&ccedil;a &eacute; nos dias de hoje o ve&iacute;culo da anu&ecirc;ncia bovina das popula&ccedil;&otilde;es, um fil&atilde;o de ouro explorado at&eacute; &agrave; exaust&atilde;o pela propaganda, no qual o silogismo &eacute; simples, o apego das pessoas &agrave;s suas crian&ccedil;as &eacute; tal que est&atilde;o dispostas a qualquer sacrif&iacute;cio, ACRITICAMENTE, e apenas porque sim.<br /><span>A crian&ccedil;a &eacute; a coqueluche social, onde at&eacute; j&aacute; uma junta do interior manipula para programa eleitoral.<br /><span><br /><span>Tudo com crian&ccedil;as &agrave; nossa volta, tudo para elas, a sociedade tornou-se esquiz&oacute;ide, a idealiza&ccedil;&atilde;o da pureza da crian&ccedil;a, e da naturalidade da sua tirania, serve de modelo para adultos, a publicidade tenta tamb&eacute;m que n&oacute;s sejamos crian&ccedil;as, de modo a que sejamos levados por caprichos e emo&ccedil;&otilde;es ao inv&eacute;s de pensamento ponderado.<br /><span>A emo&ccedil;&atilde;o e o apelo a ela &eacute; outra das ferramentas da propaganda organizada, o ser que se move por certo conceito de 'emo&ccedil;&atilde;o' dispensa o exerc&iacute;cio reflexivo.<br /><span>Logo &eacute; t&atilde;o bom ou melhor cliente que o pai analfabeto funcional que gosta de se pensar no mundo leibniziano em que as crian&ccedil;as s&atilde;o o centro de tudo, e a atmosfera de </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><em style=""><strong style="">Pollyanna</strong></em> , na qual este ar &eacute; inspirado sem pensar muito nisso.<br /><span>Note-se no cabelinho loiro do petiz.</span><br /></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-thin " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/7727319_orig.jpg" alt=" Imagem " style="width:100%;max-width:492px" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph" style="text-align:left;">Esta &uacute;ltima foto foi tirada num dos sucateiros, perd&atilde;o, centros de tratamento de res&iacute;duos da regi&atilde;o de Lisboa. Como a que a precede, destacamos dois elementos, as crian&ccedil;as como s&iacute;mbolo de um mundo melhor ou de algo porque lutar na vida de merda do dia a dia, e os tais tra&ccedil;os teut&oacute;nicos omnipresentes neste pa&iacute;s pr&oacute;ximo de &Aacute;frica.<br /><span></span>Deixamos aqui o testemunho, a ele voltaremos oportunamente.<br /></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-thin " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/3924740_orig.jpg" alt=" Imagem " style="width:100%;max-width:807px" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph" style="text-align:left;"> A foto acima foi tirada numa sapataria de bairro. De notar o controlo internacional do mercado de fotos, por parte dos setentrionais, pois at&eacute; no bairro mais rec&ocirc;ndito aparece a figura de uma loira&ccedil;a a apelar para a ades&atilde;o ao cart&atilde;o exclusivo da sapataria de bairro.<br /></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>