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<channel><title><![CDATA[Raistapartisse - S&ecirc; um homenzinho]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/secirc-um-homenzinho]]></link><description><![CDATA[S&ecirc; um homenzinho]]></description><pubDate>Tue, 02 Apr 2024 16:39:13 -0700</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[Enter the 'conas']]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/secirc-um-homenzinho/enter-the-conas]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/secirc-um-homenzinho/enter-the-conas#comments]]></comments><pubDate>Wed, 30 Mar 2022 23:02:01 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/secirc-um-homenzinho/enter-the-conas</guid><description><![CDATA[       &nbsp;O conas &eacute; uma das mais extraordin&aacute;rias personagens da cultura popular.Por conas denota-se ou o homem desprovido de qualidades masculinas ou de tal forma enredado no seu desejo de vulva, que tudo faz (incluindo rebaixar-se a si mesmo) para aplacar a deusa vulv&aacute;tica que o deixa despejar esperma no seu corpo de vez em quando e apenas ap&oacute;s cumprir algumas tarefas.&nbsp;N&atilde;o podemos criticar o conas. Afinal, a antropog&eacute;nese foi generosa com ele, o [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/whatsapp-image-2022-03-29-at-13-20-27_orig.jpeg" alt="Picture" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph">&nbsp;O conas &eacute; uma das mais extraordin&aacute;rias personagens da cultura popular.<br /><br /><br />Por conas denota-se ou o homem desprovido de qualidades masculinas ou de tal forma enredado no seu desejo de vulva, que tudo faz (incluindo rebaixar-se a si mesmo) para aplacar a deusa vulv&aacute;tica que o deixa despejar esperma no seu corpo de vez em quando e apenas ap&oacute;s cumprir algumas tarefas.<br />&nbsp;<br /><br /><br />N&atilde;o podemos criticar o conas. Afinal, a antropog&eacute;nese foi generosa com ele, ofereceu-lhe os mesmos 17 vezes de mais testosterona que a uma f&ecirc;mea normal, apenas se retraindo na oferta de uma capacidade ou de leitura mais clara ou de capacidade mental para refrear os instintos do seu corpo.<br />&nbsp;<br /><br /><br />Nenhuma mulher controla algum homem. Apenas sabe manipular o seu desejo. Podes dizer que vai dar ao mesmo. Concordo, mas n&atilde;o &eacute; o mesmo.<br /><br />&Eacute; que fica sempre aberta a porta da rebeli&atilde;o, caso o manipulado saiba perceber a extens&atilde;o da sua sujei&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><br />Eu controlo o meu c&atilde;o e o meu gato, desde que os tenha em minha casa, sob 4 paredes e comigo, sendo eu a &uacute;nica forma de acederem a comida.<br /><br /><br />Da mesma forma a cachopa com vulva apenas controla o cachopo, se o mesmo n&atilde;o perceber que o seu maior desejo, de copular, &eacute; uma forma de controlo que n&atilde;o &eacute; do seu melhor interesse.<br /><br />Na rua, fora de minha casa, o meu c&atilde;o ou o meu gato s&atilde;o (teoricamente) t&atilde;o obedientes dos meus comandos, como uma pedra desprovida de pernas.<br /><br /><br />De igual forma, a partir do momento em que o homem se escolhe a si mesmo, colocando liberdade como valor supremo, nenhuma mulher tem controlo sobre ele.<br /><br /><br />O termo &eacute; antigo, mas ainda assim preciso &lsquo;guerra dos sexos&rsquo;. Por invariavelmente acabar na cama, n&atilde;o deixa de ser &lsquo;guerra&rsquo;.<br />Na guerra n&atilde;o se confraterniza com o inimigo. Apenas se tenta anular o mesmo. A mulher n&atilde;o &eacute; tua amiga, se visa reduzir-te a uma sombra de ti mesmo, para a inten&ccedil;&atilde;o que lhe aprouver.<br />&nbsp;<br />Vem isto a prop&oacute;sito do epis&oacute;dio &uacute;ltimo da bofetada do conas-mor Will Smith.<br /><br /><br />A coisa foi ensaiada, planeada e patrocinada.<br /><a href="https://www.fiercebiotech.com/biotech/pfizer-s-ritlecitinib-hits-goal-alopecia-phase-3-setting-up-showdown-lilly">https://www.fiercebiotech.com/biotech/pfizer-s-ritlecitinib-hits-goal-alopecia-phase-3-setting-up-showdown-lilly</a><br /><br />&#8203;A saber, e de soslaio, a mulher do Will Smith, supostamente est&aacute; a ficar careca, e um humorista faz uma piada com um filme que tem cerca de 24 anos sobre o assunto (G.I. Jane).<br /><br /><br />A maior parte dos idiotas &uacute;teis tamb&eacute;m conhecidos como actores, presentes no referido espect&aacute;culo, n&atilde;o associa G.I. Jane, &agrave; piada. &Eacute; um filme relativamente antigo, em que a Demi Moore tenta provar ao mundo, por detr&aacute;s de uma objectiva, que o corpo e vontades femininas em nada diferem das dos homens.<br /><br /><br />A careca Jada n&atilde;o gostou da piada ao seu aspecto, na era do swipe left, fez cara de m&aacute; para o imbecil Will Smith, e este agride ao estalo, Chris Rock.<br /><br /><br />A merda foi ensaiada, o Chris reposiciona o p&eacute;zinho direito antes de receber o contacto manual de Will, algo que s&oacute; acontece quando se sabe o que vai acontecer.<br /><br /><br />N&atilde;o esbo&ccedil;a qualquer protec&ccedil;&atilde;o com os bra&ccedil;os ou at&eacute; de recuo, o que apenas demonstra que fez um esfor&ccedil;o consciente para eliminar estes impulsos naturais.<br />&nbsp;<br />Curiosamente um dos maiores patrocinadores desta feira ilus&oacute;ria foi uma empresa farmac&ecirc;utica que vai lan&ccedil;ar um novo produto contra a calv&iacute;cie.<br />Mas n&atilde;o &eacute; isso que interessa, nem sequer a vida pessoal dos intervenientes.<br />&nbsp;<br />Desde logo, se a mesma piada tivesse sido dita por uma mulher ou se o esbofeteador fosse branco, a situa&ccedil;&atilde;o seria diferente, muito al&eacute;m das promessas de igualdade.<br /><br /><br />O expediente de chorar para explicar merdas que fazemos, &eacute; velho. Infelizmente se eu espancar algu&eacute;m na rua, por mais raz&atilde;o que tenha, o agente da autoridade que tomar conta da ocorr&ecirc;ncia n&atilde;o ser&aacute;, nem deve ser sens&iacute;vel &agrave; minha liberta&ccedil;&atilde;o de H2O com cloreto de s&oacute;dio, por via ocular.<br />&nbsp;<br />E ainda bem. A lei existe e deve de existir, de forma igual para todos. Se uma agress&atilde;o &eacute; justificada porque algu&eacute;m chamou &lsquo;careca&rsquo; &agrave; &lsquo;minha&rsquo; mulher forte e independente, tenho de come&ccedil;ar a levar luvas de boxe para o tr&acirc;nsito no IC19 ou VCI.<br />&nbsp;<br />Mas todos os pormenores desta silly season antecipada, n&atilde;o me interessam para nada. Excepto um. O da ideia generalizada de que existe alguma raz&atilde;o no facto de um conas como o Will Smith, ter justifica&ccedil;&atilde;o para o que fez, por via da defesa da honra (tive de me rir agora e s&oacute; paro em August) da sua esposa.<br />&nbsp;<br />N&atilde;o s&oacute; as mulheres fortes e independentes n&atilde;o precisam que as defendam, muito menos &agrave; honra do who are you to judge me?, como este palha&ccedil;o outra coisa n&atilde;o fez al&eacute;m de mostrar que &eacute; um macaco amestrado na m&atilde;o da sua dona.<br /><br /><br />Serve portanto como explica&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia do post presente, mas tamb&eacute;m para futuros.<br /><br /><br />O teu inimigo n&atilde;o &eacute; a mulher.<br /><br /><br />A mulher joga com as armas que encontra ao seu alcance e ganha por larga margem na sua capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><br />O teu inimigo &eacute; o conas, aquele que n&atilde;o se importa de te matar e mijar de seguida em cima da tua campa, se souber que isso lhe traz ou c&oacute;pula, ou algum respeito da mulher que &lsquo;escolheu&rsquo; para sua.<br /><br />Este traste humano, estava a rir-se de uma piada neutra (j&aacute; vi bem piores acerca dos homens nos Simpsons), at&eacute; ao momento em que a dona mostrou uma cara de desaprova&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><br />Em v&aacute;rios debates que tive pela internet fora, muitas cachopas me referiram que n&atilde;o precisariam do esposo para defesa, tratando do assunto por sua conta. Mais um exemplo do desconhecimento acerca da desigualdade de peso entre membros superiores masculinos e femininos.<br /><br /><br />Por acaso, numa fase da minha vida, sofri a &uacute;nica agress&atilde;o at&eacute; hoje, por parte de uma f&ecirc;mea, apenas por ter dito com toda a raz&atilde;o que ela era desequilibrada emocionalmente.<br /><br /><br />A dama em quest&atilde;o esbofeteou-me e retribu&iacute; em g&eacute;nero, por uma quest&atilde;o de igualdade entre g&eacute;neros.<br /><br /><br />Acontece que por motivos ignotos a minha m&atilde;o foi mais pesada, o que foi congruente com o aspecto f&iacute;sico por ela apresentado no dia seguinte.<br /><br /><br />N&atilde;o toco em ningu&eacute;m, excepto se me tocarem primeiro. Sejam masculinos ou femininos. Portanto, boa parte das cachopas, inebriadas com discursos de igualdade for&ccedil;ada, acham que andar de forma s&eacute;ria e viril, &agrave; porrada, com um elemento do sexo oposto, &eacute; o mesmo que a sess&atilde;o de pancadaria ocorrida na C+S por causa de um gancho de cabelo.<br /><br /><br />O facto &eacute; s&oacute; este, antes deste epis&oacute;dio, era lugar-comum aceitar-se que coment&aacute;rios n&atilde;o aceites por f&ecirc;meas por parte de elementos do sexo oposto, justificavam algum tipo de resposta f&iacute;sica ou de cancelamento social.<br /><br /><br />Este happening s&oacute; revela que essa mesma l&oacute;gica se passa a alargar a elementos masculinos que ajam no interesse ou a mando de f&ecirc;meas.<br /><br /><br />J&aacute; n&atilde;o bastava teres de lidar com rebarbados que de bom grado te espancam para agradar &agrave; sua senhora, como agora tens de lidar com drones.<br /><br /><br /><br />&#8203;<br />E drones, meu amigo, n&atilde;o s&atilde;o homens.</div>  <div><div style="height: 20px; overflow: hidden;"></div> 				<div id='924591180332371412-gallery' class='imageGallery' style='line-height: 0px; padding: 0; margin: 0'><div id='924591180332371412-imageContainer0' style='float:left;width:33.28%;margin:0;'><div id='924591180332371412-insideImageContainer0' style='position:relative;margin:5px;'><div class='galleryImageHolder' style='position:relative; width:100%; padding:0 0 75%;overflow:hidden;'><div class='galleryInnerImageHolder'><a href='http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/276324804-921484792071641-5346394473836581452-n_orig.jpg' rel='lightbox[gallery924591180332371412]'><img src='http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/276324804-921484792071641-5346394473836581452-n.jpg' class='galleryImage' _width='750' _height='1334' style='position:absolute;border:0;width:100%;top:-68.58%;left:0%' /></a></div></div></div></div><div id='924591180332371412-imageContainer1' style='float:left;width:33.28%;margin:0;'><div id='924591180332371412-insideImageContainer1' style='position:relative;margin:5px;'><div class='galleryImageHolder' style='position:relative; width:100%; padding:0 0 75%;overflow:hidden;'><div class='galleryInnerImageHolder'><a href='http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/277108773-1127088641475179-6158428479230050613-n_orig.jpg' rel='lightbox[gallery924591180332371412]'><img src='http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/277108773-1127088641475179-6158428479230050613-n.jpg' class='galleryImage' _width='1170' _height='645' style='position:absolute;border:0;width:136.05%;top:0%;left:-18.02%' /></a></div></div></div></div><div id='924591180332371412-imageContainer2' style='float:left;width:33.28%;margin:0;'><div id='924591180332371412-insideImageContainer2' style='position:relative;margin:5px;'><div class='galleryImageHolder' style='position:relative; width:100%; padding:0 0 75%;overflow:hidden;'><div class='galleryInnerImageHolder'><a href='http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/277162303-482166100314039-4593324321801934196-n_orig.jpg' rel='lightbox[gallery924591180332371412]'><img src='http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/277162303-482166100314039-4593324321801934196-n.jpg' class='galleryImage' _width='498' _height='800' style='position:absolute;border:0;width:100%;top:-57.1%;left:0%' /></a></div></div></div></div><div id='924591180332371412-imageContainer3' style='float:left;width:33.28%;margin:0;'><div id='924591180332371412-insideImageContainer3' style='position:relative;margin:5px;'><div class='galleryImageHolder' style='position:relative; 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width:100%; padding:0 0 75%;overflow:hidden;'><div class='galleryInnerImageHolder'><a href='http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/277516647-1590104598055046-5308487892158649659-n_orig.jpg' rel='lightbox[gallery924591180332371412]'><img src='http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/277516647-1590104598055046-5308487892158649659-n.jpg' class='galleryImage' _width='739' _height='800' style='position:absolute;border:0;width:100%;top:-22.17%;left:0%' /></a></div></div></div></div><div id='924591180332371412-imageContainer6' style='float:left;width:33.28%;margin:0;'><div id='924591180332371412-insideImageContainer6' style='position:relative;margin:5px;'><div class='galleryImageHolder' style='position:relative; width:100%; padding:0 0 75%;overflow:hidden;'><div class='galleryInnerImageHolder'><a href='http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/277522262-5126519204037769-39269167111399483-n_orig.jpg' rel='lightbox[gallery924591180332371412]'><img src='http://www.raistapartisse.com/uploads/9/6/4/0/9640897/277522262-5126519204037769-39269167111399483-n.jpg' class='galleryImage' _width='800' _height='800' style='position:absolute;border:0;width:100%;top:-16.67%;left:0%' /></a></div></div></div></div><div id='924591180332371412-imageContainer7' style='float:left;width:33.28%;margin:0;'><div id='924591180332371412-insideImageContainer7' style='position:relative;margin:5px;'><div class='galleryImageHolder' style='position:relative; 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pr&oacute;diga em facultar exemplos desta ilus&atilde;o intencional que sob a tinta de choco da &lsquo;igualdade&rsquo;, apenas promove o poder de uns sobre outros.<br /><br /><br />H&aacute; uns tempos atr&aacute;s falava-se mais do &lsquo;<em>mansplaining&rsquo;</em> e &lsquo;<em>manspreading&rsquo;</em> chegando-se at&eacute; a propor que ter test&iacute;culos era um embara&ccedil;o para outros e que, portanto, em locais p&uacute;blicos a posse do mesmo devia for&ccedil;ar a um espremer volunt&aacute;rio entre as coxas, para n&atilde;o incomodar outros que n&atilde;o possuem tomates.<br /><br /><br />De um certo ponto de vista at&eacute; h&aacute; coer&ecirc;ncia nisto, pois esconder os tomates da presen&ccedil;a p&uacute;blica vai em concord&acirc;ncia com a anula&ccedil;&atilde;o da masculinidade gen&eacute;rica que as sociedades ocidentais promovem sob a tinta de choco de recriar um mundo mais justo e repor o equil&iacute;brio opressivo que durante mil&eacute;nios ter&aacute; supostamente oprimido as mulheres, embora nos &uacute;ltimos 8000 anos para cada homem que se reproduziu, reproduziram-se 17 mulheres, o que d&aacute; que pensar sobre essa suposta opress&atilde;o sob o ponto de vista biol&oacute;gico.<br /><br /><br />&nbsp;<br />O &lsquo;<em>mansplaining&rsquo;</em> baseia-se na ideia de que qualquer portador de p&eacute;nis que tenha de transmitir informa&ccedil;&atilde;o a um n&atilde;o portador de p&eacute;nis, deve faz&ecirc;-lo de forma a n&atilde;o ofender os sentimentos do receptor, de forma a n&atilde;o humilhar, ou seja, bastaria o sentimento do indiv&iacute;duo n&atilde;o portador de p&eacute;nis para aferir se uma forma de express&atilde;o &eacute; ou n&atilde;o humilhante, sarc&aacute;stica ou condescendente.<br /><br /><br />Legisle-se, portanto, sobre a espontaneidade das pessoas, tendo por base o sentimento das mesmas.<br /><br /><br />Mas aten&ccedil;&atilde;o, pois mais uma vez, s&oacute; os homens s&atilde;o pass&iacute;veis de cometer este crime social. E da&iacute; chamar-se &lsquo;<em>mansplaining&rsquo;</em>.<br /><br /><br /><br /><br />II<br /><br /><br />A propaganda/publicidade s&atilde;o bar&oacute;metros &oacute;ptimos de aferi&ccedil;&atilde;o do zeitgeist, das leis n&atilde;os escritas, dos paradigmas da moda, em rela&ccedil;&atilde;o ao que &eacute; ou n&atilde;o admiss&iacute;vel ou expect&aacute;vel. E por isso se extinguiram os an&uacute;ncios onde a mulher apare&ccedil;a a fraca luz, ou imbecilizada. Ou arrogante ou outra qualquer qualidade negativa. Ao que parece, todas as qualidades negativas foram monopolizadas pelos portadores de p&eacute;nis, esses seres inferiores, que s&oacute; sabem oprimir e ser &hellip;parvos.<br /><br /><br /><br />&nbsp;<br />Talvez seja das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, os defeitos das mulheres n&atilde;o s&oacute; desapareceram, como se alteraram, passando a ser virtudes. &Agrave; mulher intrat&aacute;vel, chamamos de espirituosa. &Agrave; mulher sociopata, chamamos de competitiva. Toda uma novil&iacute;ngua que visa esbater a fronteira do reprov&aacute;vel, de modo a retirar toda e qualquer responsabilidade de o ser n&atilde;o portador de p&eacute;nis poder ser avaliado com um ser humano sofr&iacute;vel.<br /><br /><br />&nbsp;<br />A coisa est&aacute; t&atilde;o deliciosa, que qualquer nota sobre o facto de que o n&atilde;o portador de p&eacute;nis ser humano e padecendo dos mesmos defeitos de car&aacute;cter que os demais, &eacute; considerado de &oacute;dio contra as mulheres.<br /><br /><br />Quem controla o discurso, controla o pensamento, e o discurso comercial publicit&aacute;rio, &eacute; uma forma de controlo de linguagem e de ideias. Ajuda a criar um ambiente social, que transfere para os indiv&iacute;duos um sistema de valores.<br /><br /><br /><br />III<br /><br /><br /><br />No an&uacute;ncio sobre a televis&atilde;o smart, o actor representa o arqu&eacute;tipo do homem retratado pela propaganda nos &uacute;ltimos 25 anos.<br /><br /><br />Parvo, panhonha, apalha&ccedil;ado, bo&ccedil;al e limitado intelectualmente.<br />Ela, sabida, esperta, viva&ccedil;a, conhecedora, competente, independente e basti&atilde;o de autoridade.<br /><br /><br />Ambos de pele clara, olhos claros, e cabelos louros ou aloirados. O padr&atilde;o n&oacute;rdico, portanto, a servir de padr&atilde;o num pa&iacute;s mediterr&acirc;nico, racialmente complexado.<br /><br /><br />&nbsp;<br />O perfeito casal ariano moderno, exemplar da maioria da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, que s&oacute; ainda n&atilde;o emigrou para a Argentina <em>en masse </em>porque Portugal est&aacute; na moda e gostamos dos chouri&ccedil;os e queijos daqui.<br /><br /><br />&nbsp;<br />Relembro que um an&uacute;ncio publicit&aacute;rio, s&oacute; &eacute; eficaz na medida em que se servir do <em>modus operandi</em> mefistof&eacute;lico, isto &eacute;, o seu maior truque &eacute; convencer sem deixar perceber que &eacute; convencimento, convencer que &eacute; s&oacute; uma r&aacute;bula engra&ccedil;ada, um epis&oacute;dio de humor anestesiante sem outro motivo que n&atilde;o informar para um produto ou funcionalidade. Sem qualquer carga ideol&oacute;gica impl&iacute;cita.<br /><br /><br />&nbsp;<br />E isto apesar de ser feito por um batalh&atilde;o de pessoas que estudaram ci&ecirc;ncias do convencimento, desde a Psicologia &agrave; constru&ccedil;&atilde;o civil, escalpelizando os medos, receios, ansiedades, complexos e aspira&ccedil;&otilde;es do cidad&atilde;o m&eacute;dio, para melhor o manipular, ou convencer a adquirir produtos.<br />&nbsp;<br /><br /><br />Por isso, a projec&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de querubins n&oacute;rdicos, e de homens imbecis n&atilde;o pode nem deve ser tomada como in&oacute;cua de inten&ccedil;&atilde;o.<br />O tipo do an&uacute;ncio &eacute; um b&aacute;sico, uma ideia feita, um pr&eacute; conceito, em que o homem &eacute; simples e simpl&oacute;rio, que s&oacute; concebe que uma televis&atilde;o smart sirva para assar bifanas, ou para jogar um jogo com um disco e duas balizas.<br /><br /><br />Boa parte dos homens identifica-se com este arqu&eacute;tipo projectado, gostam de se pensar como simpl&oacute;rios, tal como o discurso feminista os retrata. Quase que agradecendo por existir e pelo potencial favor er&oacute;tico que pode avir da sua complac&ecirc;ncia. Acreditam que &eacute; assim que se joga o jogo, at&eacute; porque nunca exercitaram muito a espinal medula, e, portanto, &eacute; dif&iacute;cil de a manter&hellip;erecta.<br /><br /><br />&nbsp;<br />Interiorizaram a alegada opress&atilde;o passada aos n&atilde;o portadores de p&eacute;nis, e tomam-na como sua responsabilidade.<br /><br /><br />Riem com a figura do &lsquo;b&oacute;c&oacute;&rsquo; do an&uacute;ncio, que com o seu limitado limiar de concentra&ccedil;&atilde;o, delira com imbecilidades &agrave; primeira quest&atilde;o colocada pela interlocutora. H&aacute; uma esp&eacute;cie de regozijo com esta simplifica&ccedil;&atilde;o, talvez por os fazer sentir mais pr&oacute;ximos do retrato do homem bruto de cavernas idas, expurgado hodiernamente destas sociedades polidas.<br /><br /><br />&nbsp;<br />No segundo an&uacute;ncio, da &lsquo;netflick&rsquo;, a cabe&ccedil;a do homem aparece como lugar de descanso dos p&eacute;s da f&ecirc;mea enfadada com um ser&atilde;o burgu&ecirc;s, restrito &agrave; televis&atilde;o normal.<br /><br /><br />O que devemos perguntar n&atilde;o &eacute; qual seria a nossa reac&ccedil;&atilde;o se fosse um portador de p&eacute;nis a repousar os p&eacute;s na cabe&ccedil;a de um n&atilde;o portador de p&eacute;nis, mas porque &eacute; que achamos isto como algo pass&iacute;vel de ser engra&ccedil;ado.<br /><br />&#8203;<br />&nbsp;<br />Tal como devemos perguntar, se no an&uacute;ncio da tv smart, n&atilde;o estamos sobre um exemplo de &lsquo;womansplaining&rsquo; glorificado, onde a coer&ecirc;ncia l&oacute;gica para uma ideia de igualdade estrita, se perde sobre uns esgares a que chamamos &lsquo;sorrisos&rsquo;.<br /></div>  <div class="wsite-video"><div title="V&iacute;deo: y2mate.com_-_uma_das_a&ccedil;&otilde;es_com_melhor_desempenho_1080p_620.mp4" class="wsite-video-wrapper wsite-video-height-282 wsite-video-align-left"> 					<div id="wsite-video-container-441337064218533446" class="wsite-video-container" style="margin: 10px 0 10px 0;"> 						<iframe allowtransparency="true" allowfullscreen="true" frameborder="0" scrolling="no" id="video-iframe-441337064218533446" 							src="about:blank"> 						</iframe> 						 						<style> 							#wsite-video-container-441337064218533446{ 								background: url(//www.weebly.com/uploads/b/9640897-209360483133120134/y2mate.com_-_uma_das_a&ccedil;&otilde;es_com_melhor_desempenho_1080p_620.jpg); 							}  							#video-iframe-441337064218533446{ 								background: url(//cdn2.editmysite.com/images/util/videojs/play-icon.png?1631897549); 							}  							#wsite-video-container-441337064218533446, #video-iframe-441337064218533446{ 								background-repeat: no-repeat; 								background-position:center; 							}  							@media only screen and (-webkit-min-device-pixel-ratio: 2), 								only screen and (        min-device-pixel-ratio: 2), 								only screen and (                min-resolution: 192dpi), 								only screen and (                min-resolution: 2dppx) { 									#video-iframe-441337064218533446{ 										background: url(//cdn2.editmysite.com/images/util/videojs/@2x/play-icon.png?1631897549); 										background-repeat: no-repeat; 										background-position:center; 										background-size: 70px 70px; 									} 							} 						</style> 					</div> 				</div></div>  <div class="paragraph">Todas os elementos audiovisuais est&atilde;o abrangidos pelos direitos de propriedade intelectual relativos aos seus detentores legais. A sua exibi&ccedil;&atilde;o est&aacute; abrangida pelo direito de an&aacute;lise e fair use da lei em vigor.</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Sê um homenzinho I]]></title><link><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/secirc-um-homenzinho/se-um-homenzinho-i]]></link><comments><![CDATA[http://www.raistapartisse.com/secirc-um-homenzinho/se-um-homenzinho-i#comments]]></comments><pubDate>Fri, 02 Sep 2016 13:02:14 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.raistapartisse.com/secirc-um-homenzinho/se-um-homenzinho-i</guid><description><![CDATA[       Primeira parteA) o v&iacute;cioAs redes sociais tornaram-se num fen&oacute;meno fant&aacute;stico.Apresentam-se, tal como um inqu&eacute;rito de rua ou &agrave; boca das urnas, como um excelente bar&oacute;metro da vox populi.Al&eacute;m disso, possuem a capacidade paradoxal de ao mesmo tempo aproximar (ainda que virtualmente) as pessoas uma das outras, isolando-as e polarizando-as em micro comunidades de indiv&iacute;duos com opini&atilde;o semelhante.Todas as semanas surge uma nova pol& [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="wsite-youtube" style="margin-bottom:10px;margin-top:10px;"><div class="wsite-youtube-wrapper wsite-youtube-size-auto wsite-youtube-align-center"> <div class="wsite-youtube-container">  <iframe src="//www.youtube.com/embed/byEGjLU2egA?wmode=opaque" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> </div></div>  <div class="paragraph"><strong>Primeira parte</strong><br /><br /><br /><strong>A) o v&iacute;cio</strong><br /><br /><br />As redes sociais tornaram-se num fen&oacute;meno fant&aacute;stico.<br />Apresentam-se, tal como um inqu&eacute;rito de rua ou &agrave; boca das urnas, como um excelente bar&oacute;metro da <em>vox populi.</em><br /><br /><br />Al&eacute;m disso, possuem a capacidade paradoxal de ao mesmo tempo aproximar (ainda que virtualmente) as pessoas uma das outras, isolando-as e polarizando-as em micro comunidades de indiv&iacute;duos com opini&atilde;o semelhante.<br /><br /><br />Todas as semanas surge uma nova pol&eacute;mica por murais dentro, onde se debate ora apaixonadamente com recurso a argumentos, placebos de argumentos ou tentativas de ridiculariza&ccedil;&atilde;o chegando geralmente a puros insultos.<br /><br /><br />A maior parte das achas para a fogueira visam apenas a cria&ccedil;&atilde;o de ondas de consterna&ccedil;&atilde;o, cujo objectivo final n&atilde;o &eacute; debater alguma coisa, mas apenas suscitar ades&atilde;o emocional &ndash; emo&ccedil;&otilde;es, essas anfetaminas naturais que a Natureza deu aos primatas para lhes guiar comportamentos, proteger contra as garras e os caninos, e seduzir para a vida &ndash; ades&atilde;o emocional essa que se serve de uma suposta an&aacute;lise racional para eclodir.<br /><br /><br />Ou seja, somos viciados em emo&ccedil;&otilde;es, particularmente quando elas refor&ccedil;am a divis&atilde;o infantil do mundo entre 'n&oacute;s' e 'eles', e em que o 'n&oacute;s' se identifica com a luz, e o 'eles' com o lado negro.<br /><br /><br />Que lux&uacute;ria essa de demonizar o outro.<br /><br /><br />Se as emo&ccedil;&otilde;es pudessem ser assimiladas intravenosamente ou por ingest&atilde;o oral, em Portugal todas as freguesias teriam um CADE ou Centro de Atendimento ao Dependente de Emo&ccedil;&otilde;es, que proporia administra&ccedil;&atilde;o de emotodona para recupera&ccedil;&atilde;o do v&iacute;cio que cada nacional tem por uma boa emo&ccedil;&atilde;o, fresquinha e arrebatadora.<br /><br /><br />Perante a insufici&ecirc;ncia da oferta, e perante a recusa de monop&oacute;lio estatal, multiplicar-se-iam os quiosques e bancas de rua com seringas coloridas consoante as emo&ccedil;&otilde;es a injectar, o que aumentaria o peso do sector privado em tal com&eacute;rcio, criando postos de emprego, numa ordem de magnitude tal, que estimo que ter&iacute;amos a m&eacute;dio prazo metade da popula&ccedil;&atilde;o a abastecer a outra metade, em que uma parte seria exclusivamente consumidora e a outra consumidora/empreendedora.<br /><br /><br />Os defensores da racionalidade firme, hirta, absoluta n&atilde;o estariam isentos deste tr&aacute;fico, pois tamb&eacute;m defenderiam esta primazia de forma apaixonada, alheios &agrave; sua fraqueza de primatas.<br /><br /><br /><strong>B) Emociodin&acirc;mica</strong><br /><br /><br />As emo&ccedil;&otilde;es, ou melhor, as formas de exprimir o sentimento das emo&ccedil;&otilde;es, est&atilde;o sujeitas a modas, ou para parecer mais sofisticado, paradigmas.<br />Como primatas temos um conjunto relativamente compacto e determinado, homog&eacute;neo entre indiv&iacute;duos, de emo&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis para sentir, mas talvez nos &uacute;ltimos 20 anos, a que tem obtido maior prefer&ecirc;ncia e destaque &eacute; a emo&ccedil;&atilde;o de sentimento de superioridade moral.<br /><br /><br />O 'pipl' n&atilde;o resiste a um bom sentimento de que &eacute; moralmente superior ao pr&oacute;ximo e que esse sentimento de superioridade traduz directamente uma melhor 'ess&ecirc;ncia' como pessoa, que por sua vez s&oacute; pode significar que o outro ou &eacute; um imbecil, ou nem merece o valor da nossa argumenta&ccedil;&atilde;o, pois estamos t&atilde;o certos e convencidos acerca da nossa certeza e exactid&atilde;o, que a solidez argumentativa &eacute; apod&iacute;ctica, auto-evidente. De que se lhe segue que o outro se diverge ou discorda, &eacute; o inimigo contra o qual se luta.<br /><br /><br />Por exemplo, se numa qualquer rede social em que se debata a viol&ecirc;ncia contra as mulheres, se se defender a tese de que os homens tamb&eacute;m s&atilde;o v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, e nem &eacute; preciso negar a ocorr&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres (o que seria est&uacute;pido e facilmente exposto como alucinada mentira), apenas mencionar ao de leve que tamb&eacute;m existem homens que s&atilde;o agredidos pelas parceiras.<br />O que acontece em grande parte dos casos, &eacute; que se numa polariza&ccedil;&atilde;o fundamentalista em que um sexo, ou seja, um conjunto alargado de indiv&iacute;duos com algumas caracter&iacute;sticas em comum, &eacute; identificado como opressor, as excep&ccedil;&otilde;es que ocorrem contra esse mesmo grupo s&atilde;o n&atilde;o s&oacute; tratadas como algo de excepcional ou de excep&ccedil;&atilde;o que confirma a regra, como o simples facto de uma excep&ccedil;&atilde;o ser evocada, aquele que a evoca &eacute; imediatamente identificado com o opressor, pois &eacute; uma verdade feita que todos os homens s&atilde;o maus e perigosos, e &eacute; retr&oacute;gado negar a vitimiza&ccedil;&atilde;o a quem se vitimiza.<br />S&oacute; o facto rebelde de n&atilde;o se aderir &agrave; lada&iacute;nha geral, o quer que seja que ela envolva, faz com que cada sujeito mais afoito a evitar o politicamente correcto que comp&otilde;e o Zeitgeist hodierno, assume automaticamente a sua culpa ante os inquisidores de servi&ccedil;o.<br /><br /><br />Ou seja, a facilidade com que qualquer indiv&iacute;duo se identifica com as suas opini&otilde;es, aliada &agrave; vontade irresist&iacute;vel de ser um 'filho do seu tempo' algu&eacute;m evolu&iacute;do e sofisticado, o pin&aacute;culo dos s&eacute;culos passados criam uma mistura explosiva de estupidez e fundamentalismo.<br /><br /><br />*) Desde logo porque n&oacute;s n&atilde;o somos as nossas opini&otilde;es.<br />Nem cada indiv&iacute;duo tem acesso privilegiado a todo o campo do real.<br />O acesso &agrave; realidade depende das fontes, da experi&ecirc;ncia e das circunst&acirc;ncias.<br />Depende de factores subjectivos e objectivos que tratam os dados recebidos. Ou seja, fazemos a nossa interpreta&ccedil;&atilde;o do mundo, de acordo com a nossa forma&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o, e tamb&eacute;m deforma&ccedil;&atilde;o (os vi&eacute;s e limites que a mente humana estruturalmente tem).<br />**) A sofistica&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o s&atilde;o preocupa&ccedil;&otilde;es do indiv&iacute;duo, enquadrar-se num contexto social, procurar nele a sua identidade, e exprimir-se dentro dessas balizas, s&atilde;o formas de exprimir a sua individualidade. Se a moda &eacute; tatuagens, ent&atilde;o eu conven&ccedil;o-me de que gostava de ter uma tatuagem na testa para me sentir bem e porque os outros me d&atilde;o algum tipo de aten&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m me d&aacute; alguma satisfa&ccedil;&atilde;o. Gosto de pensar que por ter uma tatuagem na testa serei visto pelos outros de determinada forma. As modas s&atilde;o como infec&ccedil;&otilde;es, nas quais o surto ocorre at&eacute; &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o da maioria das c&eacute;lulas (indiv&iacute;duos) at&eacute; se chegar a um ponto em que a express&atilde;o da novidade/prest&iacute;gio, deixa de o ser.<br />Hoje em dia quase n&atilde;o existe b&iacute;pede que n&atilde;o seja tatuado, portanto a mensagem passou a ser n&atilde;o de distin&ccedil;&atilde;o, mas de aniquila&ccedil;&atilde;o de individualidade. J&aacute; n&atilde;o pensam os outros, que sou um <em>born to be wild</em> por ter um menu de restaurante chin&ecirc;s tatuado sob o <em>tr&iacute;ceps</em>.<br />***) As modas s&atilde;o tanto est&eacute;ticas, como &eacute;ticas, e sendo &eacute;ticas s&atilde;o tamb&eacute;m ideol&oacute;gicas.<br />Existem valores que escalam a ades&atilde;o ao que os indiv&iacute;duos consideram 'sagrado' ou intoc&aacute;vel.<br />Desde os gregos antigos que sabemos que nada deve ser considerado sagrado ou alheio &agrave; cogita&ccedil;&atilde;o.<br />O indiv&iacute;duo hodierno identifica-se quase que como por osmose com aquilo que considera ser os valores da maioria, aquilo que &eacute; esperado dele e que lhe garante a satisfa&ccedil;&atilde;o interna de considerar-se evolu&iacute;do e civilizado por contraposi&ccedil;&atilde;o aos brutos do passado.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br />Desta forma podemos ler a polariza&ccedil;&atilde;o e a import&acirc;ncia da mesma para o indiv&iacute;duo, como arrepios completos da actividade reflexiva. Os fundamentalistas existem tamb&eacute;m, al&eacute;m das fronteiras do <em>Daesh</em>.<br /><br /><br /><strong>C) A epidemia</strong><br /><br /><br />Parece existir uma din&acirc;mica quase paradoxal na cabe&ccedil;a dos portugueses.<br />Por um lado convivem mal com a opini&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; sua. Ou a rejeitam sem mais pela arrog&acirc;ncia de ser contr&aacute;ria, ou nem a digerem, pois ouvir o outro &eacute; sin&oacute;nimo de reconhecer-lhe capacidades e de o ver como alvo de respeito, coisa que um fundamentalista n&atilde;o pode fazer.<br />Se a minha opini&atilde;o, por mais imbecil que seja, &eacute; a medida com que avalio o mundo, e se os outros pensam pior e diferente de mim, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio aprender com eles.<br /><br /><br />Revela-se portanto a epidemia de falta de empatia que se espalha por caf&eacute;s, pra&ccedil;as e escrit&oacute;rios deste pa&iacute;s.<br />Esta indig&ecirc;ncia reflexiva (e falta de humildade) acerca do mundo e dos outros, coincide com o facto de que no ano da gra&ccedil;a de Nosso Senhor 2016, nunca tanta gente nesta ocidental praia lusitana possuiu graus acad&eacute;micos, d&eacute;cadas de estudo, e acesso facilitado a tanta informa&ccedil;&atilde;o, o que faria supor um florescimento de opini&otilde;es mais elaboradas e informadas.<br /><br /><br />Conviver mal com opini&atilde;o divergente, e condi&ccedil;&otilde;es para ter opini&atilde;o pr&oacute;pria mais elaborada pode, sob determinado ponto de vista, parecer paradoxal, e completamente l&oacute;gico.<br />SE)tenho condi&ccedil;&otilde;es para ter uma opini&atilde;o elaborada, n&atilde;o devo tomar em conta a opini&atilde;o de outros, cuja capacidade ou &eacute; ligeiramente inferior ou inferior &agrave; minha, para pensar o mundo;<br />E SE)tenho condi&ccedil;&otilde;es para ter uma opini&atilde;o elaborada, e se as opini&otilde;es s&atilde;o t&atilde;o variadas, cada um pode defender o que quiser.<br /><br /><br />Tanta gente formada, faria supor que a forma&ccedil;&atilde;o &eacute; equivalente, mas n&atilde;o &eacute;.<br />Se um transeunte desejar opinar sobre termodin&acirc;mica com um Engenheiro Mec&acirc;nico, se nada disso perceber, vai evitar fazer figura de urso. Reconhece de forma inequ&iacute;voca o maior conhecimento do outro nessa &agrave;rea.<br />Mas se esse mesmo transeunte for confrontado com quest&otilde;es de Filosofia, Sociologia ou Antropologia, por mais jarg&atilde;o t&eacute;cnico com que se invistam as respostas, sentir&acute;-se-&agrave; capacitado para responder e dar a sua achega, afinal, ele pensa, e o seu pensamento &eacute; t&atilde;o v&aacute;lido como o dos outros.<br />Regra geral s&oacute; o saber exacto &eacute; considerado saber t&eacute;cnico. O outro saber, &eacute; opini&atilde;o, o seu grau de complexidade depende apenas de jarg&atilde;o e jaj&atilde;o.<br /><br /><br />Os portugueses est&atilde;o cada vez mais isolados e auto-isolados.<br />As redes sociais s&atilde;o a ilus&atilde;o que confirma esta regra, criam a ilus&atilde;o de comunidade, na qual opini&otilde;es semelhantes se aglutinam em grupos onde se convive mal com a diferen&ccedil;a. Isto cria percep&ccedil;&otilde;es que distorcem um sentido de realidade adulto, pois polariza em &laquo;n&oacute;s&raquo; e &laquo;eles&raquo;, e ainda faculta a falsa ideia de que a semelhan&ccedil;a &eacute; mais homog&eacute;nea do que realmente &eacute;.<br />Tenho tatuagens na testa, dou-me apenas com gente que tem e adora tatuagens na testa, e portanto encorajo a ideia de que gente com tatuagens na testa s&atilde;o um grande grupo, tanto quanto penso que tenho mais em comum com gente que tenha esse gosto, que com outro tipo de gente.<br /><br /><br />Resumindo, a malta polariza-se e organiza-se de acordo com a sua opini&atilde;o.<br />Estamos perante a legi&atilde;o de filodoxos.<br />No passado n&atilde;o existiam livros suficientes para ler &agrave; luz da vela.<br />Hoje em dia a 'net' permite obter informa&ccedil;&atilde;o para justificar e legitimar tudo aos nossos filodoxos.<br /><u>Desta forma, a forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o e a sua reconfirma&ccedil;&atilde;o passam a depender menos do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, do que do desejo de legitimar a informa&ccedil;&atilde;o ou opini&atilde;o de que j&aacute; se disp&otilde;e.</u><br /><br /><br /><strong>D) Posi&ccedil;&atilde;o ganha &eacute; para ser mantida</strong><br /><br /><br />Quem quer que seja que deseje defender a opini&atilde;o de que o Planeta Terra &eacute; o centro do Universo e de que o Sol gravita em torno da Terra, pode tentar encontrar informa&ccedil;&atilde;o na <em>internet</em> que o confirme, se bem que em quantidade inferior &agrave; da hip&oacute;tese heliocentrista.<br />As paix&otilde;es arrastadas por geocentristas e heliocentristas nada s&atilde;o por compara&ccedil;&atilde;o, com aquelas que emanam de assuntos menos t&eacute;cnicos como por exemplo a importante quest&atilde;o acerca do grau masculino da palavra que denota o astro-rei, 'Sol'.<br /><br /><br />As falanges do politicamente correcto protestam contra esta ced&ecirc;ncia ao chauvinismo, a conota&ccedil;&atilde;o de um astro que &eacute; de todos e todas, mas que pelo nome est&aacute; condenado a ser associado &agrave; opress&atilde;o da sociedade patriarcal, que se apoderou do discurso astron&oacute;mico monopolizando para a ideologia machista a maior e mais pr&oacute;xima reac&ccedil;&atilde;o termonuclear, que seria bem mais sens&iacute;vel e menos lesiva da pele na praia se o g&eacute;nero do Sol fosse feminino e se chamasse por exemplo &laquo;Sola&raquo;.<br /><br /><br />Uma pequena minoria, que se revoltou contra a opress&atilde;o dos anti-opressivos riposta com peti&ccedil;&otilde;es e vig&iacute;lias que defendem a altera&ccedil;&atilde;o da designa&ccedil;&atilde;o do planeta Terra, numa demonstra&ccedil;&atilde;o al&eacute;m de d&uacute;vidas, da reac&ccedil;&atilde;o contra a opress&atilde;o matriarcal insinuada na linguagem que designa as coisas.<br /><br /><br />Adoramos uma boa discuss&atilde;o.<br />Especialmente se ela permite ou a humilha&ccedil;&atilde;o e superioriza&ccedil;&atilde;o sobre o outro, ou um registo pac&iacute;fico e superficial no qual nada de relevante seja debatido.<br />Isto n&atilde;o &eacute; incoer&ecirc;ncia, &eacute; apenas express&atilde;o do desejo de n&atilde;o desejar nenhum arrasto de personalidade, nenhuma aventura para fora da sua zona de conforto.<br /><br /><br />Somos completamente viciados em vitimiza&ccedil;&atilde;o / superioriza&ccedil;&atilde;o.<br />Com elas alimentamos a fornalha emocional da nossa individua&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><br />Ningu&eacute;m minimamente saud&aacute;vel de um ponto de vista psicol&oacute;gico, pode negar sofrer influ&ecirc;ncias do meio social e cultural em que vive.<br />Uns e umas, ter&atilde;o consci&ecirc;ncia do lugar comum e convencionalidade das suas opini&otilde;es, outros e outras nem por isso.<br /><br /><br />Defender a opini&atilde;o da moda &eacute; uma excelente forma de comprar a aprova&ccedil;&atilde;o dos outros.<br />Entra-se num c&iacute;rculo de palmadinhas nas costas, apoiamo-nos uns aos outros enquanto as nossas opini&otilde;es se confirmarem entre si.<br />&Eacute; p&aacute; e toda a gente gosta de um carinho.<br /><br /><br />E nos tempos que correm &eacute; t&atilde;o f&aacute;cil ser-se hip&oacute;crita atr&aacute;s de um monitor, que seria um completo desperd&iacute;cio perder essa oportunidade.<br /><br /><br />O nosso admir&aacute;vel novo mundo actual, faculta o insulto f&aacute;cil e pronto atr&aacute;s da seguran&ccedil;a de um teclado e como substituto de um argumento pensado e partilhado cara a cara.<br />Para qu&ecirc; estar-me a ma&ccedil;ar com o complexo, dif&iacute;cil e que coloca em causa aquilo que penso acreditar, se &eacute; bem mais f&aacute;cil chamar este gajo de imbecil e gozar com ele, ou tentar com que passe por rid&iacute;culo, recorrendo &agrave; vitimiza&ccedil;&atilde;o e ao lugar comum?<br /><br /><br />N&atilde;o concordas com ele?<br />N&atilde;o est&aacute;s para ler 3 linhas de texto sem imagens ou desenhos?<br />Prepara os dizeres brejeiros e jocosos, s&atilde;o a melhor forma de o acossar e calar.<br />N&atilde;o queres dar cr&eacute;dito p&uacute;blico &agrave; posi&ccedil;&atilde;o do outro? Chama-lhe nomes.<br />Fech&aacute;-lo em etiquetas feitas, comunista, machista chauvinista, retr&oacute;grado, <em>troll</em>, pessimista, vampiro emocional, insinua que desconhece do que fala.<br />Quando apertado s&oacute; o ganhar a discuss&atilde;o interessa, de prefer&ecirc;ncia humilhando o interlocutor.<br />N&atilde;o tens pachorra para perceber de onde vem o outro, de lhe dar cr&eacute;dito na elabora&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o dos seus racioc&iacute;nios, e ainda usas isso para o vexar. Enquanto um perde tempo a exprimir-se de forma a ser entendido, o outro procura de forma ardilosa formas de o entalar.<br />Um preocupado em ordena&ccedil;&atilde;o racional das palavras, outro na subvers&atilde;o desse esfor&ccedil;o apelando a atalhos como a manipula&ccedil;&atilde;o dos afectos e da ret&oacute;rica que bloqueia a clareza argumentativa.<br />A inten&ccedil;&atilde;o nunca &eacute; a troca de ideias, apenas o ganhar a discuss&atilde;o, especialmente nas redes sociais, pois a auto-imagem do indiv&iacute;duo &eacute; escrutinada por v&aacute;rios outros, e como o seu amor-pr&oacute;prio depende daquilo que pensa que os outros pensam dele, temos a caldo das emo&ccedil;&otilde;es entornado.<br />Nesta manipula&ccedil;&atilde;o saloia, quem se preocupa na troca honesta de ideias perde quase sempre pois n&atilde;o sabe funcionar ao mesmo n&iacute;vel.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><strong>Segunda parte</strong><br /><br /><br /><strong>E) a insustent&aacute;vel inexist&ecirc;ncia do ser</strong><br /><br /><br />Um dos mais fecundos temas de motiva&ccedil;&atilde;o dos espasmos emocionais &eacute; a suposta guerra dos sexos.<br />Suposta, pois s&oacute; existe na cabe&ccedil;a das mulheres e dos <em>hominas</em> (metade homens e metade vaginas).<br /><br /><br />O homem, enquanto sexo ou g&eacute;nero vi&ccedil;oso, orgulhoso da sua condi&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o existe.<br />O mais aproximado que temos &eacute; a descri&ccedil;&atilde;o das feministas dos homens, como brutos, porcos maus, em reedi&ccedil;&otilde;es pelos anos dos vil&otilde;es dos <em>spaghetti westerns</em>.<br /><br /><br />Quem tenha aten&ccedil;&atilde;o &agrave; m&aacute;quina de propaganda comercial, o estere&oacute;tipo masculino oscila entre o tolo submisso e ador&aacute;vel, ou o bruto desprovido de sofistica&ccedil;&atilde;o, incapaz de sobreviver na selva urbana sem a superior orienta&ccedil;&atilde;o da companheira.<br /><br /><br />Lugares comuns como a ideia de que l&aacute; em casa manda ela, que est&aacute; sempre certa, de que as mulheres t&ecirc;m um acesso privilegiado &agrave; realidade com o seu suposto 6&ordm; sentido, contribuem para a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos personagens masculinos que o marketing nos impinge, como seres menores e incapazes, aut&ecirc;nticas m&aacute;quina numa perp&eacute;tua busca de aprova&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><br />&Eacute; este o paradigma do homem hodierno.<br />&Eacute; este o paradigma da sofistica&ccedil;&atilde;o, a moda, o objectivo a <em>ser-se</em>.<br /><br /><br />Alguns reagem, de forma igualmente extremista, generalizando e tratando de forma odiosa as 'mulheres'.<br />Os piores exemplos servem para caracterizar o todo, &laquo;Todos os homens s&atilde;o porcos chauvinistas e violentos.&raquo; e os melhores exemplos s&atilde;o descritos em folhetos largados via a&eacute;rea por bimotores a h&eacute;lice, onde aparecem as formas de comportamento aceites, ser d&oacute;cil, submisso, abdicar da sua express&atilde;o individual fora do que &eacute; permitido (como urrar com futebol, encharcar-se de cerveja com os amigos igualmente tolos, ou ser escravo do seu desejo por <em>gadgets</em> infantis) e a mensagem impl&iacute;cita (que &eacute; para mim a genialidade da manipula&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XX) de que a contric&ccedil;&atilde;o tem de ser absoluta e n&atilde;o regate&aacute;vel &ndash; isto &eacute; &ndash; muito mal foi feito &agrave;s mulheres no passado, qualquer homem que o seja tem de assumir por si essa culpa e pagar o pre&ccedil;o, a submiss&atilde;o.<br />Se isso n&atilde;o acontece, se o indiv&iacute;duo acha que &eacute; um pre&ccedil;o alto a pagar, entra em cena o plano B.<br />Exercer controlo atrav&eacute;s do acesso &agrave; vulva. Queres um orgasmo usando o meu corpo? Submete-te.<br /><br /><br /><br /><br />Os rapazes j&aacute; n&atilde;o se regozijam de terem nascido rapazes.<br />S&atilde;o as mulheres que o confirmam. Invariavelmente escutamos as amigas, as ex namoradas, as familiares queixando-se que j&aacute; n&atilde;o existem homens de jeito, apenas entidades amorfas e b&iacute;pedes sub humanamente abjectas no que diz respeito &agrave; sua express&atilde;o de individualidade, que oscila entre a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e psicol&oacute;gica com outros (especialmente mulheres) e a codepend&ecirc;ncia de busca incessante de aprova&ccedil;&atilde;o dos outros (especialmente de mulheres tamb&eacute;m).<br /><br /><br />Como j&aacute; foi dito, cada vez mais a intelig&ecirc;ncia social se define, n&atilde;o pela capacidade emp&aacute;tica de ocupar por empr&eacute;stimo moment&acirc;neo o lugar do outro &ndash; percebendo-o &ndash; <strong>mas </strong>pela aceita&ccedil;&atilde;o budista do direito inalien&aacute;vel do outro em ser imbecil.<br />Imbecilidade e fundamentalismo andam de m&atilde;o dada. Se entendermos o fundamentalismo como a nega&ccedil;&atilde;o do discurso do outro, por for&ccedil;a de verdades n&atilde;o regate&aacute;veis de &laquo;nossa&raquo; autoria, a imbecilidade partilha esta inexist&ecirc;ncia militante de capacidade reflexiva.<br />O fundamentalista nega o discurso do outro, o imbecil obtem comprazimento na sua clausura, conforto na sua avers&atilde;o. O fundamentalista &eacute; parte agente, age em nome das suas cren&ccedil;as, o imbecil reage ou n&atilde;o age. A sua ac&ccedil;&atilde;o &eacute; somente defender o seu direito a n&atilde;o agir, ou seja, a manter a sua cren&ccedil;a, colocando-a em lugar de igualdade de direito, por mais abstrusa que seja. Independentemente do conte&uacute;do, mas n&atilde;o independentemente da aceita&ccedil;&atilde;o social desse mesmo conte&uacute;do.<br />Ep&aacute;, &eacute; a minha opini&atilde;o tens de respeitar. Seria mais correcto dizer &laquo;Eu sou a minha opini&atilde;o, tens de me respeitar.&raquo;<br />Cada um identifica a opini&atilde;o pr&oacute;pria n&atilde;o como obra em progresso, mas como resultado incontest&aacute;vel de individualidade.<br />A malta n&atilde;o tem medo de ter uma opini&atilde;o errada, tem medo de ter uma opini&atilde;o &laquo;correcta&raquo; que possa ser publicamente ridicularizada.<br />Ep&aacute;, &eacute; a minha opini&atilde;o tens de respeitar. Se eu digo que o Sol gravita em torno da Terra, exijo respeito pela minha pessoa.<br />N&atilde;o &eacute; o conte&uacute;do que &eacute; real&ccedil;ado, mas a proveni&ecirc;ncia.<br /><br /><br />A melhor forma de provar este sabor, &eacute; manifestar discord&acirc;ncia com a tese da opress&atilde;o patriarcal.<br />As verdades feitas do nosso tempo, como as de outros tempos passados, s&atilde;o percutores perfeitos para as nossas emo&ccedil;&otilde;es, para amar e odiar por causa delas, para dar a vida e a morte, para discutir bola enquanto milhares morrem afogados, ou para bloquear algu&eacute;m que criticou no nosso mural a nossa disponibilidade para usar uma rede social como &laquo;o meu querido di&aacute;rio&raquo;.<br /><br /><br />Dude escreveu:<br />&laquo;N&atilde;o concordo com a tese de opress&atilde;o patriarcal.&raquo;<br />feminista_empedernida escreveu:<br />&laquo;Porco fascista!&raquo;<br /><em>homina</em>_de_servi&ccedil;o escreveu:<br />&laquo;Por causa de cavalgaduras como esta &eacute; que o pa&iacute;s n&atilde;o vai para a frente!&raquo;<br />moralizador_mor escreveu:<br />&laquo;Inacredit&aacute;vel como no s&eacute;culo XXI podes dizer isso, depois do massacre dos Incas, de Treblinka, e da 2&ordf; Guerra Mundial, se &eacute;s branco, europeu e homem, tens de assumir todos os crimes de todos os homens europeus brancos que cometeram crimes antes de ti. Assumir a culpa implica n&atilde;o poderes discordar de qualquer tese que centre qualquer interpreta&ccedil;&atilde;o fora de um contexto acusat&oacute;rio ou de vitimiza&ccedil;&atilde;o.&raquo;<br />bombista_cir&uacute;rgica escreveu:<br />&laquo;Incr&iacute;vel haver gente assim, aned&oacute;tico. Palha&ccedil;o/retr&oacute;grado/at&aacute;vico/rid&iacute;culo/ouqualqueroutroinsultogratuitoaopinadoresdivergentes&raquo;<br />O exerc&iacute;cio acima simulado, &eacute; um esquema b&aacute;sico da estrutura de qualquer debate numa rede social, que se sirva da <em>internet</em>, esse meio fant&aacute;stico cujos &laquo;inventores&raquo; sonharam como ve&iacute;culo de troca de ideias.<br /><br /><br /><strong>F) Feios porcos e maus</strong><br /><br /><br />Ah porco chauvinista.<br />Malhar no indiv&iacute;duo masculino gra&ccedil;as &agrave; verdade feita da un&iacute;voca interioriza&ccedil;&atilde;o da culpa milenar por causa da opress&atilde;o da mulher exercida por gera&ccedil;&otilde;es de homens passadosque o fizeram de forma deliberada e orquestrada, a coberto de longas noites de conspira&ccedil;&atilde;o em h&uacute;midos subterr&acirc;neos, nos saudosos tempos em que nenhum homem era oprimido, por contraposi&ccedil;&atilde;o ao monop&oacute;lio feminino da submiss&atilde;o. Cada fundamentalista evoca a sua experi&ecirc;ncia pessoal para legitimar o opr&oacute;bio milenar que as gera&ccedil;&otilde;es de homens passados exerceram.<br /><br /><br />A generaliza&ccedil;&atilde;o funciona bem at&eacute; certo n&iacute;vel.<br />As mulheres s&atilde;o as v&iacute;timas da Hist&oacute;ria, e os homens &ndash; esses malandros &ndash; s&oacute; queriam guerrear, pilhar e violar. O mundo seria t&atilde;o mais cor-de-rosa se as mulheres mandassem mais.<br /><br /><br />A rainha Victoria em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escravatura &eacute; t&atilde;o mais amena retratada como mulher de Estado no seio de tens&otilde;es terr&iacute;veis, mas se fosse homem, era um porco imperialista.<br />A condessa Isabel Bathory aparece como exc&ecirc;ntrica e m&aacute;rtir pela sua beleza, ao passo que Vlad Tepes &eacute; retratado como um d&eacute;spota atroz e representante do Reino da Testosterona.<br />Ambos eram assassinos, mas uma m&atilde;o feminina num punhal confere mais doce &agrave; viol&ecirc;ncia.<br /><br /><br />O homem bate na mulher, &eacute; (correctamente) conotado como criminoso violento. Uma mulher que agride o marido, &eacute; igualmente criminosa, mas a tal <em>vox populi</em> de taberna, n&atilde;o raras vezes lhe encontra justifica&ccedil;&otilde;es para o mesmo acto, foram as desilus&otilde;es, o colapso nervoso decorrente do azar na vida, etc. como se supostamente o homem tivesse, por defini&ccedil;&atilde;o do seu g&eacute;nero, de ser um semideus quase isento de defeitos.<br /><br /><br />Valha-nos a letra da lei, que considera criminoso aquele que agride outro, independentemente do seu sexo.<br /><br /><br />H&aacute; uma mar&eacute; feminina no feminino.<br />Estudos de g&eacute;nero nas faculdades cujo foco de estudo &eacute; entendido n&atilde;o como segregacionista mas como clarificador do papel das mulheres na ci&ecirc;ncia, partindo do vi&eacute;s metodol&oacute;gico de que sem sombra de d&uacute;vida, todos os contributos de mulheres na ci&ecirc;ncia ou n&atilde;o receberam o cr&eacute;dito 'devido' ou sequer o reconhecimento.<br />Na hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia, podemos evidenciar tamb&eacute;m a falta de reconhecimento dos cientistas carecas, sempre relegados para segundo plano em rela&ccedil;&atilde;o aos colegas pilosamente mais bastos.<br />A Hist&oacute;ria faz-se a partir do que se quer mostrar.<br /><br /><br />Passa a ideia, acredito que de forma n&atilde;o intencional, que as mulheres sempre foram ou parte passiva em tudo o que &eacute; mau e activa no que &eacute; bom, suportando estoicamente os demandos belicistas e racionalistas dos homens, que as dominavam e oprimiam. Passa a ideia de que o progresso tecnol&oacute;gico foi feito <u>apesar</u> da exist&ecirc;ncia de homens, apesar dessa sombra masculina asfixiante, ansiosa de retirar protagonismo &agrave; Gaia incauta.<br /><br /><br />Se n&atilde;o aderimos a esta narrativa, se n&atilde;o a defendermos, fazemos automaticamente parte da falange patriarca, logo somos o inimigo, ou resqu&iacute;cios de qualquer coisa ultrapassada que urge extirpar da exist&ecirc;ncia. Sem tr&eacute;guas. Sem perd&atilde;o.<br /><br /><br />De lado fica a coer&ecirc;ncia l&oacute;gica, e qualquer narrativa n&atilde;o conc&ecirc;ntrica, que passa por exc&ecirc;ntrica aos olhos de cada imbecil.<br />L&oacute;gica, essa coisa aparentemente masculina que suportou a sociedade tecnocrata contra a qual as &laquo;mulheres&raquo; sempre lutaram, mas que se esfor&ccedil;am agora por fazer evidenciar o contributo.<br />Leva a que se pergunte, ent&atilde;o se a hist&oacute;ria &eacute; o relato da sociedade patriarcal opressora, evidenciar os feitos das mulheres nos estudos de g&eacute;nero, n&atilde;o &eacute; identificar o feminino com a opress&atilde;o que se critica?<br /><br /><br />Ah, mas nem tudo o que &eacute; civilizacional &eacute; mau, h&aacute; muita coisa boa.<br />O melhor claro &eacute; responsabilidade das mulheres. E s&oacute; n&atilde;o &eacute; melhor porque elas n&atilde;o t&ecirc;m mais poder.<br />Voltemos a questionar, as mulheres dos esclavagistas transatl&acirc;nticos amoleceram os cora&ccedil;&otilde;es dos seus esposos, contribuindo para a redu&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos escravizados?<br />Sofreram em sil&ecirc;ncio guardando apertado no peito sob o espartilho, o sofrimento adivinhado dos negros?<br /><br /><br />Ou beneficiaram de igual forma que os seus companheiros, na explora&ccedil;&atilde;o desse com&eacute;rcio?<br />As esposas dos donos de Treblinka provocaram graves conflictos morais nas mentes dos algozes?<br /><br /><br />Como se pode continuar a contribuir para o odioso acto de perpetua&ccedil;&atilde;o da culpa atrav&eacute;s das gera&ccedil;&otilde;es, por causa da morda&ccedil;a patriarcal, quando a mulher lucrou de igual modo nas contas gerais de perpetua&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o dos genes?<br /><br /><br />O discurso ou sequer insinua&ccedil;&atilde;o que culpabiliza o homem, por tudo o que &eacute; mau e rasteiro &eacute; apenas um discurso de poder ao mesmo tempo que branqueamento da responsabilidade das &laquo;mulheres&raquo; pela hist&oacute;ria violenta e velhaca que &eacute; responsabilidade da esp&eacute;cie e n&atilde;o do g&eacute;nero.<br /><br /><br />Por isso encaro o discurso dominante como uma moda, e n&atilde;o como consequ&ecirc;ncia de um avan&ccedil;o cient&iacute;fico das ci&ecirc;ncias sociais.<br /><br /><br /><strong>G) A boa, a m&aacute; e a vil&atilde;</strong><br /><br /><br /><br /><br />Partilho 3 exemplos observados em 1a m&atilde;o.<br /><br /><br />1) Finais dos anos 90, aula de Antrologia e Cultura, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, uma docente alerta para a necessidade de escapar ao determinismo lingu&iacute;stico machista, que promove a desigualdade de g&eacute;nero no seio do protagonismo da nossa esp&eacute;cie <em>Sapiens sapiens &ndash; </em>como? Evitando denotar a esp&eacute;cie humana no seu geral como o &laquo;Homem&raquo;, mas como &laquo;Homem/Mulher&raquo;;<br /><br /><br />2) Primeira d&eacute;cada do novo mil&eacute;nio, aula de Hist&oacute;ria da Expans&atilde;o Portuguesa na mesma Faculdade, dois discentes acometidos de auto-flagelismo prim&aacute;rio ridicularizavam a explica&ccedil;&atilde;o dada pelo docente acerca da progress&atilde;o mar&iacute;tima portuguesa nas costas da Guin&eacute;, emitindo ju&iacute;zos de valor atrav&eacute;s de coment&aacute;rios jocosos, pressionando o docente a basicamente encolher os ombros e desculpar-se por aquela cr&iacute;tica aberta &agrave; &laquo;mentalidade&raquo; e <em>pathos</em> portugu&ecirc;s e implicitamente &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o.<br />N&atilde;o pude resistir e perguntei aos argutos discentes se tinham no&ccedil;&atilde;o de que estavam a emitir ju&iacute;zos de valor de forma pouco cient&iacute;fica, sobre uma sociedade na passagem da medievalidade &agrave; Idade Moderna, a partir de uma mentalidade p&oacute;s-industrial.<br />Perguntei tamb&eacute;m ao docente se est&aacute;vamos numa aula de Hist&oacute;ria ou num auto-de-f&eacute; na medida em que n&atilde;o acreditava eu ter alguma coisa a ver com os portugueses que comerciavam escravos e/ou praticavam actos de canibalismo para com os negros em casos de naufr&aacute;gios, que nada tinha a ver com esses portugueses semi medievais que dividiam os lucros do tr&aacute;fico esclavagista com os chefes tribais negros que fomentavam esse mesmo tr&aacute;fico.<br />Sim, parece que nem eram os portugueses respons&aacute;veis pela parte de le&atilde;o do com&eacute;rcio de escravos.<br /><br /><br />3) Numa aula de Hist&oacute;ria de Portugal Moderno, na Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, um docente, historiador c&eacute;lebre, confessa-se ac&eacute;rrimo feminista.<br />&laquo;Oh diabo!&raquo; pensei.<br />Mas feminismo n&atilde;o &eacute; uma esp&eacute;cie de racismo?<br /><br /><br />Posteriormente aprendi que existem duas grandes teorias nesta tem&aacute;tica.<br />A primeira &eacute; a teoria do cobertor, e a segunda &eacute; a teoria do mama todos por igual.<br /><br /><br />A teoria do cobertor defende que no caso da defesa dos direitos das mulheres, essa mesma defesa n&atilde;o pode ser feita sem limita&ccedil;&atilde;o ou subtrac&ccedil;&atilde;o dos supostos direitos dos homens.<br />Da mesma forma que um casal luta no Inverno por um cobertor demasiado diminuto para os dois, h&aacute; sempre um que fica ao frio.<br /><br /><br />A teoria do mamam todos por igual pretende fazer estender os mesmos direitos a ambos os g&eacute;neros.<br /><br /><br />Relembro que os 3 exemplos acima citados ocorreram em ambiente universit&aacute;rio das chamadas ci&ecirc;ncias humanas, onde existe uma despropor&ccedil;&atilde;o avassaladora entre o n&uacute;mero de discentes de sexo masculino em menor n&uacute;mero, em rela&ccedil;&atilde;o aos discentes de sexo feminino.<br />Espelham bem, na minha opini&atilde;o a cultura de vitimiza&ccedil;&atilde;o e feminiza&ccedil;&atilde;o transversal na nossa sociedade e mentalidade.<br /><br /><br />Algumas figuras da nossa cultura pop como por exemplo a senhora Joana Amaral Dias, n&atilde;o se inibem na emiss&atilde;o de ju&iacute;zos claramente inquinados e parciais sobre esta tem&aacute;tica. A referida senhora, implicitamente exprimindo uma suposta superioridade intelectual feminina, em declara&ccedil;&otilde;es televisionadas, disse que n&atilde;o compreendia como &eacute; que as mulheres tinham ainda pouca express&atilde;o em lugares de &laquo;topo&raquo; visto que terminavam em maior n&uacute;mero (e qualidade?) os cursos universit&aacute;rios.<br />Este tipo de declara&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m da import&acirc;ncia e da falta de necessidade de refinamento estat&iacute;stico mostram que &eacute; causa de surpresa geral que os broncos dos homens (mais burros ou menos motivados) consigam dominar milenarmente as mulheres, se nem cursos universit&aacute;rios de 3 anos conseguem terminar.<br /><br /><br />Como &eacute; que a sociedade patriarcal conseguiu dominar o mundo at&eacute; hoje mesmo em tempos que nem homens nem mulheres sabiam ler ou escrever. S&oacute; mesmo atrav&eacute;s da for&ccedil;a. E da conspira&ccedil;&atilde;o colectiva.<br />Outro motivo de surpresa reside no facto de nesta sociedade industrial, os papalvos dos homens serem os maiores criadores de artefactos que visam aliviar a escravid&atilde;o do alvo da sua sanha opressora.<br />Esses tiranos p&eacute;rfidos e velhacos afinal parecem ter a maior vontade de manter as &laquo;mulheres&raquo; numa gaiola dourada, investindo energia criativa e esfor&ccedil;o criando condi&ccedil;&otilde;es que aumentem o conforto e bem estar das f&ecirc;meas, como seja o caso dos electrodom&eacute;sticos, inventados em grande parte nas Universidades onde o estrog&eacute;nio n&atilde;o abunda, e onde a estat&iacute;stica demogr&aacute;fica da senhora Joana Amaral Dias n&atilde;o se aplica.<br /><br /><br />Mas temos de concordar com essa ideia sussurrada mas pouco assumida, de que as mulheres, apesar de uma caixa craniana inferior para a mesma estrutura cerebral, conseguem mais intelig&ecirc;ncia. A testosterona deve ter alguma influ&ecirc;ncia nisso. Ent&atilde;o n&atilde;o &eacute; que os burros dos homens metem-se em guerras ap&oacute;s guerras, andando entretidos a morrer, levando a que no s&eacute;culo XX a mulher saisse do lava loi&ccedil;a para a f&aacute;brica e para o escrit&oacute;rio podendo assim criar o balan&ccedil;o para se tornar independente financeiramente?<br />Como explicar a burrice dos homens que atrav&eacute;s de um homem de 26 anos em 1951, fez a s&iacute;ntese da Noretindrona, abrindo assim caminho para a p&iacute;lula contraceptiva que viria a dar &agrave;s mulheres finalmente, controlo sobre o seu corpo, controlando a concep&ccedil;&atilde;o? Como explicar que foi o homem no laborat&oacute;rio que mais contribuiu para a liberdade das mulheres desde que Eva trincou a ma&ccedil;&atilde;?<br /><br /><br />S&atilde;o t&atilde;o broncos estes homens, e mal organizados, que nem conseguem manter uma conspira&ccedil;&atilde;o mundial milenarmente egr&eacute;gia.<br /><br /><br />Ah, &eacute; porque eles dominam os centros pol&iacute;ticos e a Academia.<br /><br /><br />N&atilde;o se percebe como &eacute; que este g&eacute;nero que conspira contra as mulheres, n&atilde;o &eacute; unido (sen&atilde;o para conspirar) e se lan&ccedil;a aos milh&otilde;es para a sua aniquila&ccedil;&atilde;o no Somme ou em Estalinegrado.<br />G&eacute;nero estranho, o masculino.<br /><br /><br /><br /><br /><strong>H) Os g&eacute;neros s&atilde;o iguais, mas uns s&atilde;o mais iguais que outros</strong><br /><br /><br />O paradigma corrente, ou moda, caracteriza-se por uma no&ccedil;&atilde;o de igualdade que implica uma vitimiza&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o h&aacute; vitimiza&ccedil;&atilde;o sem flageliza&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua do opressor.<br />Sem remiss&atilde;o. Sem perd&atilde;o. Sem excep&ccedil;&atilde;o.<br />Por isso o feminista &eacute; fundamentalista. Por isso o fundamentalista &eacute; imbecil.<br /><br /><br />Eu penso que n&atilde;o se deveria pactuar com este paradigma de &laquo;feminismo&raquo;.<br />Mas por motivos de impregna&ccedil;&atilde;o e dimens&atilde;o, o indiv&iacute;duo v&ecirc;-se como lesma em salina &agrave; procura de cana de a&ccedil;&uacute;car.<br />Apenas pode o indiv&iacute;duo resistir e encontrar forma de lidar com as press&otilde;es e insultos da&iacute; resultantes.<br />N&atilde;o h&aacute; forma de se soltar, sen&atilde;o exprimindo-se a si mesmo, individuando-se, independentemente das opini&otilde;es de mulheres demasiado zelosas e de <em>hominas. </em><br />O &laquo;feminismo&raquo; de Ver&atilde;o que &eacute; dogma hoje em dia, visa substituir uma suposta opress&atilde;o por uma opress&atilde;o imposta. Imposta e auto-imposta.<br />O indiv&iacute;duo tem de redimir-se de ter nascido com pilinha.<br /><br /><br />Jovem, tens pila e o azar de ter testosterona &laquo;a mais&raquo;? 500 Pais Nossos e 1000 Av&eacute; Marias.<br />Livra-te e arrepende-te desse pecado.<br /><br /><br />Como j&aacute; havia sido mencionado, ningu&eacute;m tem de se culpabilizar ou de ir contra a sua consci&ecirc;ncia por causa de crimes cometidos na costa da Guin&eacute; ou se os n&uacute;meros da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica contra as mulheres s&atilde;o aterradores.<br /><br /><br />Cada indiv&iacute;duo &eacute; respons&aacute;vel por si e a lei enquadra os excessos tolerados e n&atilde;o tolerados.<br />Que tenho eu ou o meu g&eacute;nero a ver com dezenas de criminosos violando mulheres na &Iacute;ndia ou no Brasil?<br />Que culpa tem qualquer homem psicologicamente saud&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o a grelhados de bruxa ou &agrave; cultura de brincar com l&acirc;minas e clit&oacute;ris?<br /><br /><br />Ningu&eacute;m tem de assumir como sua a responsabilidade em crimes de outros, ou assumir culpa por n&atilde;o ter nascido com o poder de decis&atilde;o sexual que vem de f&aacute;brica com uma vagina.<br /><br /><br /><br /><br />Seria bom que cada indiv&iacute;duo assumisse apenas o esfor&ccedil;o duplo e continuado de :<br />1) tratar qualquer pr&oacute;ximo de forma igual independentemente do seu sexo;<br />2) resistir tanto quanto a sua observa&ccedil;&atilde;o lhe permite, &agrave; ideologia de uma sociedade hipersexualizada e hip&oacute;crita, que mistifica a juventude quase infantil, de corpo e de esp&iacute;rito, que uniformiza o poder sexual na mulher ao mesmo tempo que mercantiliza o seu corpo em ciclo de viola&ccedil;&atilde;o do ponto 1.<br /><br /><br />Esta n&atilde;o &eacute; a igualdade que a maior parte das mulheres quer.<br />N&atilde;o tenho de ficar ressentido com isso.<br />Ficava ressentido quando tinha como cren&ccedil;a que as raparigas s&atilde;o feitas de doce e algod&atilde;o, e os rapazes de pedras e cobras.<br /><br /><br />Cada vez se torna mais evidente o essencial do acess&oacute;rio, e o fasc&iacute;nio de uma personalidade bem torneada torna-se cada vez mais apelativo.<br />N&atilde;o h&aacute; nada de mal em procurar tirar partido das vantagens que se tem na vida.<br />Pessoas que nascem com contornos d&eacute;rmicos apelativos sob boa estrutura &oacute;ssea devem aproveitar a sorte que lhes coube.<br />Mesmo que isso implique que cada vez mais as mulheres bonitas, (a maior parte pois a beleza &eacute; vulgar) interiorizem a ideia de que por alguma ignota raz&atilde;o os homens e o mundo lhes deve vassalagem e admira&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><br />Chamo a isto a mentalidade de Prometeu (desconhe&ccedil;o um Prometeu feminino). Os ossos v&atilde;o para os deuses, os quais tememos e odiamos por estarmos submissos a eles.<br />A carne boa fica connosco (humanos).<br /><br /><br />No caso das mulheres, al&eacute;m de uma superior intelig&ecirc;ncia, como suspeitou Joana Amaral Dias, no seu coment&aacute;rio, conjuga-se tamb&eacute;m uma maior esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida.<br />Um g&eacute;nero que &eacute; mais inteligente e mais resistente quer &agrave;s doen&ccedil;as quer &agrave; dureza da vida, s&oacute; pode receber admira&ccedil;&atilde;o por nessa sorte que lhe cabe, reivindicar mais e melhor parte do presunto da vida.<br /><br /><br />Por exemplo, os tais cargos de &laquo;topo&raquo;. Nunca vi uma manifesta&ccedil;&atilde;o de mulheres exigindo o direito de desempenhar os trabalhos mal pagos e considerados que a maior parte dos homens desempenha, mas posso estar enganado pois sou pouco viajado.<br /><br /><br />H&aacute; outro mito que merece an&aacute;lise, acerca da suposta superioridade espiritual, dos sentidos ocultos, da intui&ccedil;&atilde;o, da maior empatia da mulher em rela&ccedil;&atilde;o ao homem.<br />Aqui o espanto atinge o seu z&eacute;nite.<br />O g&eacute;nero mais inteligente, mais resiliente fisicamente, com ferramentas conceptuais e n&atilde;o conceptuais para tratar a informa&ccedil;&atilde;o do ambiente em que est&aacute; inserido, sucumbe v&iacute;tima &uacute;nica e exclusivamente por ter menos for&ccedil;a f&iacute;sica?<br />Tem de facto o homem as costas mais largas, literalmente e n&atilde;o s&oacute;.<br /><br /><br />O mesmo homem que lhe paga bebidas no bar, lhes abre as portas, lhes faculta o lugar no autocarro cheio, ou que lan&ccedil;a o casaco sobre a po&ccedil;a de lama para ela n&atilde;o enlamear os delicados p&eacute;s.<br />Porque &eacute; cavalheiro, e porque ser cavalheiro &eacute; o que o homem deve ser, abdicar de si em detrimento de um sexo mais fraco (!), porque &eacute; de bom tom.<br /><br /><br />Quantas vezes ouvimos nos <em>media </em>que morreram n pessoas em tal cat&aacute;strofe, entre as quais x mulheres e y crian&ccedil;as, como se o facto de o sexo ou a idade aumentassem ou tornassem mais tr&aacute;gico a morte de uma data de gente em determinada cat&aacute;strofe.<br />Tamb&eacute;m j&aacute; ouvi relatos sobre a morte de x pessoas e y jornalistas, como se pelo facto de ser jornalista de profiss&atilde;o mere&ccedil;a destaque em rela&ccedil;&atilde;o aos outros cad&aacute;veres.<br />&Eacute; o mundo que temos, parece.<br />As pessoas teoricamente s&atilde;o todas iguais mas umas mais iguais que outras.<br />As conversas de caf&eacute; (as tais baseadas exclusivamente na experi&ecirc;ncia e opini&atilde;o pr&oacute;pria que tem de se respeitar porque &eacute; a dignidade social do orador que est&aacute; em jogo) v&atilde;o dar sempre ao mesmo:<br /><br /><br />a)os homens s&atilde;o uns cabr&otilde;es querem &eacute; sexo, boa vida, fazem os filhos, e depois d&atilde;o &agrave; sola e as mulheres &eacute; que os criam;<br />b)sempre que podem cometem adult&eacute;rio, e s&atilde;o os totalistas da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica.<br />Pouca gente debate, ou sabe sequer que apesar de ser um flagelo, inaceit&aacute;vel, uma trag&eacute;dia, a viol&ecirc;ncia de g&eacute;nero, contra as mulheres, &eacute; ainda assim uma reduzida parte no bolo da criminalidade violenta.<br />Existe tamb&eacute;m criminalidade no feminino, por isso existem pris&otilde;es femininas.<br /><br /><br />Que se saiba, quer homens quer mulheres, mentem, manipulam, cometem adult&eacute;rio, matam os filhos, abusam de crian&ccedil;as.<br /><br /><br />J&aacute; incorri no erro de entrar no jogo da culpa, de um g&eacute;nero inteiro, como forma de exorcizar as minhas falhas enquanto pessoa. E &eacute; isso que eu vejo na maior parte dos discursos de poder feministas, e at&eacute; no meu mon&oacute;logo interno.<br />Paguei por isso, at&eacute; descobrir que tamb&eacute;m existiam mulheres feitas de pau e pedra.<br />E homens de algod&atilde;o e doce.<br /><br /><br />Penso, e &eacute; essa a raz&atilde;o desta primeira parte de texto, que assumir cada um e uma, a firme resolu&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o contribuir para o pedit&oacute;rio desta sociedade comercial que se aproveita de estere&oacute;tipos de supostas guerras entre sexos, para continuar os n&iacute;veis de consumo, vamos continuar no mesmo registo de estupidez.<br /><br /><br />Enquanto cada um ceder ao <em>mantra</em> da vitimiza&ccedil;&atilde;o, do tirar vantagem sem alguma eleva&ccedil;&atilde;o de esp&iacute;rito, vamos todos cair no fundamentalismo e na imbecilidade a que isso conduz.<br />Continuar a espalhar pelo mundo (que nos d&aacute; palmadinhas nas costas por isso) que o Sol orbita em torno da Terra, que se devia chamar &laquo;Sola&raquo; em nada vai adiantar sen&atilde;o revelar o ressentimento latente em cada ind&iacute;viduo.<br /><br /><br />Actualmente j&aacute; n&atilde;o acho gra&ccedil;a a esse discurso e tenho pouca paci&ecirc;ncia para ele.<br />Assim que escuto algu&eacute;m falar acerca do qu&atilde;o mau as mulheres o t&ecirc;m (os azares da exist&ecirc;ncia), o meu limiar de aten&ccedil;&atilde;o reduz-se e esfor&ccedil;o-me por n&atilde;o pensar judicativamente acerca da sofistica&ccedil;&atilde;o mental do orador ou da oradora.<br /><br /><br />N&atilde;o &eacute; negar a ocorr&ecirc;ncias de abusos e dramas, e viol&ecirc;ncia na Hist&oacute;ria.<br />&Eacute; n&atilde;o capitalizar de forma oportunista sobre eles.<br /><br /><br />Tu, se gostas de ser v&iacute;tima, d&aacute;-lhe.<br />N&atilde;o te esque&ccedil;as contudo que o teu opressor &eacute;s tu.<br /></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>